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«Creio para compreender e compreendo para crer melhor» (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

“Meus filhos, aquele ignem veni mittere in terram, vim trazer fogo à terra, deve-nos queimar a alma. E temos de estar decididos, absolutamente decididos, a dizer ao Senhor:ecce ego quia vocasti me!, aqui me tens!, porque me chamaste a ser cristão”, diz perante milhares de pessoas em Caracas, Venezuela

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

O Samaritano


Lc 10, 25-27 [i]
Próximos do próximo

Sou um samaritano e o que hoje aconteceu
comigo, tem a sua raiz há tempos atrás.

Vivia com a minha família em Sicar.
A minha vida corria bem, os negócios
prosperavam, embora tivesse que deslocar-me com frequência a Jericó o que era
assaz perigoso dada a frequência dos assaltos e atropelos praticados pelos mal
feitores que infestavam o caminho.

Um dia, sem aviso, comecei a notar sinais
alarmantes no meu corpo e, depois de observado pelo médico as suspeitas
confirmaram-se: estava a ser “atacado” pelo terrível flagelo da lepra.

Como se calcula, toda a minha vida se
transformou, não ousava sair de casa e evitava qualquer contacto com outras
pessoas sempre à espera que a minha doença fosse conhecida pelas autoridades
que me obrigariam a um exílio e imporiam uma segregação social extrema.

Um dia, porém, não pude deixar de assomar a
uma janela de minha casa para verificar a que se devia o burburinho e agitação
que percorria toda a aldeia.

Uma mulher, no meio do povo que a rodeava
cada vez em maior número contava entre lágrimas e risos, numa excitação quase
frenética, algo espantoso.

Dizia ela que tendo ido buscar água ao poço
de Jacob encontrara um judeu sentado na borda do poço que, sem mais, lhe pediu
de beber. [i]

Na sua surpresa argumentara:

«Como, sendo Tu judeu, me pedes de
beber a mim, que sou samaritana?»

[ii]

Mas,
continuava, a resposta foi ainda mais surpreendente de tal forma que regressara
a correr à aldeia a dar conta do sucedido e acrescentava:

«Vinde ver um homem que me disse
tudo o que eu fiz; será este, porventura, o Cristo?».
[iii]

Muitos ficaram excitados e correram atrás
da mulher em direcção ao poço, outros continuaram discutindo entre si tão
insólita novidade.

Eu recolhi-me de novo dentro de casa sem
saber o que pensar mas, dentro de mim algo me dizia que este assunto não
acabaria ali.

A doença avançava com rapidez e, tal como
temia, as autoridades vieram, forçaram-me a sair de casa e ir para uma furna
onde mal viviam outros dez homens com o mesmo mal.

Desesperava… as condições de vida eram
insuportáveis, ninguém ousava aproximar-se de nós e os escassos alimentos eram
atirados do alto da ravina como se fossemos animais perigosos.

Um dia, passado algum tempo, ouviam-se
gritos e agitação no caminho que passava perto do local onde nos encontrávamos
e, um de nós, arriscou-se a subir ao parapeito a dar-se conta do que acontecia.

Regressou e, ofegante, disse-nos que o tal
homem de que a mulher falara vinha pelo caminho seguido por uma multidão de
gente que o apertava e assediava com perguntas. [iv]

Tomámos uma decisão e, os dez, subimos ao
caminho e gritámos de longe:

«Jesus, Mestre, tem compaixão de
nós!» [v]
Ele viu-nos e disse-nos:
«Ide, mostrai-vos aos sacerdotes» [vi]
Não pensámos mais e
pusemo-nos imediatamente a caminho.
Dei-me conta então que o meu
corpo coberto de chagas estava limpo, a pele sã e – espantoso! – não havia
qualquer sinal de lepra!
Parei de repente e, enquanto
os outros continuavam a caminhar, voltei para trás quase gritando incontrolavelmente
graças ao Senhor Deus Todo Poderoso que operara em mim tal maravilha.
Rompendo pelo meio dos que o
rodeavam e prostrei-me a seus pés continuando a dar graças. [vii]
E foi então que a minha vida
se modificou radicalmente porque, o Mestre, disse-me simplesmente:
«Levanta-te, vai; a tua fé te
salvou».
[viii]
Sempre que tinha uma oportunidade ocorria
ao local onde me diziam que Ele estava a pregar, a ensinar, a anunciar que o
Reino de Deus estava próximo e que todos – absolutamente todos – os homens
devemos amar-nos uns aos outros.

A normalidade tinha regressado à minha vida
e retomando os meus negócios recomecei as minhas viagens a Jericó.

E, hoje, o que aconteceu – o que me
aconteceu – ao ver um pobre desgraçado estendido no chão, maltratado e ferido
por salteadores foi aproximar-me dele e prestar-lhe o auxílio que estava nas
minhas mãos prestar-lhe. [ix]

Agora, descansa na estalagem para onde o
levei e, eu, já deitado, sinto-me tão bem comigo próprio, tão – porque não
admiti-lo - orgulhoso com o meu comportamento que não posso deixar de pensar no Nazareno que me deu tão preciosa lição de vida que resumirei assim:

“Faz aos outros o que desejas que te façam
a ti”
.

(ama,
reflexões no Ano Jubilar da Misericórdia – 2)



[i] Lc 10, 25-27

Nota: Este trecho do Evangelho escrito por São Lucas poderia ser o Evangelho “oficial” do Ano Jubilar da Misericórdia.

De facto, aparte a magistral descrição da parábola proferida por Jesus Cristo, a beleza do texto, a economia das palavras, o ritmo da descrição – características deste Evangelista – põem-nos perante um autêntico quadro ou, melhor, perante um filme que se desenrola aos nossos olhos prendendo-nos a atenção e excitando os nossos sentidos.

São Josemaria recomendou: aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais

É isso mesmo que me proponho fazer.

Sob o Título: “Próximos do próximo (sugerido por um bom amigo) vou tentar personificar alguns dos personagens da parábola e, também, introduzir-me nela como observador directo.

[i] Cfr. Jo 4, 7
[ii] Cfr. Jo 4, 9
[iii] Cfr. Jo 4, 29
[iv] Cfr. Lc 17, 11
[v] Cfr. Lc 17, 13
[vi] Cfr. Lc 17, 14
[vii] Cfr. Lc 17, 15-16
[viii] Cfr. Lc 17, 19
[ix] Cfr. Lc 10, 33-35

'Os defeitos dos outros' pelo Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Era já de provecta idade. Considerava-se, com toda a humildade, um verdadeiro especialista em obras de arte. Um dia, foi visitar um museu com um grupo de amigos. Logo no início da visita, começou a manifestar as suas contundentes opiniões. Inadvertidamente, tinha-se esquecido dos óculos em casa. Mesmo assim, não se coibiu de satirizar as diferentes pinturas com a sua veemência característica.

Ao parar diante de um “retrato”, analisou-o com ar arrogante: «O homem está mal vestido. O artista cometeu um erro de palmatória. O modelo é demasiado vulgar. Resumindo e concluindo: esta pintura não tem qualidade nenhuma». A sua mulher, ao aperceber-se da barraca que o marido armava, aproximou-se discretamente e sussurrou-lhe: «Querido, estás a olhar para um espelho». Moral da história: custa-nos reconhecer os nossos defeitos. Quando os vemos nos outros, parecem-nos muito grandes.

Além disso, também podemos concluir que, muitas vezes, o melhor modo de nos darmos conta da necessidade que temos de lutar contra os nossos defeitos é vê-los “encarnados” noutra pessoa. Nesse caso, os defeitos vêem-se com objectividade, sem névoas que procedem do nosso amor-próprio.

Desaparece a típica indulgência automática que possuímos connosco próprios. Os defeitos aparecem como aquilo que são: algo mais vivo, mais áspero, menos agradável, mais necessitado de uma mudança urgente. As nossas imperfeições ― contempladas com a realidade que dá ver as coisas com uma perspectiva exterior ― parecem-nos menos lógicas e muito menos desculpáveis. Para melhorarmos, é preciso que não tenhamos medo de olharmos para elas cara a cara, chamá-las pelo seu nome e esforçar-nos por erradicá-las sem falsas compreensões.

O esforço é exigente, sem dúvida nenhuma. Mas, evidentemente, vale a pena. Não é nada fácil reconhecer os nossos defeitos e admitir a necessidade de esforçarmo-nos por superá-los. Mesmo não sendo fácil, esse passo prévio é fundamental para podermos melhorar com o passar do tempo. Não basta deixarmos os anos correrem.

O passar dos anos melhora o vinho do Porto ― mas não o nosso carácter. O que aperfeiçoa o nosso carácter é o esforço por arrancar ― ou pelo menos diminuir ― as nossas imperfeições. E não nos enganemos: sem uma visão objectiva dessas imperfeições não há esforço de nenhum tipo. Ficam só os desejos genéricos de «mudar alguma coisa para que fique tudo na mesma».

Todos possuímos ― sabe-se lá porquê ― uma grande perspicácia para ver os defeitos dos outros e uma enorme dificuldade para vislumbrar os próprios. Talvez porque, como diz o ditado, nunca ninguém é bom juiz em causa própria.

Sabendo disso, podíamos avançar muito se, cada vez que vemos noutra pessoa um defeito, nos examinássemos sinceramente para ver se também nós não o temos num grau superior. Isso por uma razão muito simples: porque, geralmente, os defeitos que mais nos custam a aceitar nas outras pessoas são precisamente aqueles que nós possuímos. Estamos a olhar para um espelho.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 9 de fevereiro de 2016

Reuniram-se à volta de Jesus os fariseus e alguns escribas vindos de Jerusalém; e notaram que alguns dos Seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, por lavar; ora os fariseus e todos os judeus aferrados à tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos cuidadosamente; e, quando vêm da praça pública, não comem sem se purificar; e praticam muitas outras observâncias tradicionais, como lavar os copos, os jarros, os vasos de metal, e os leitos. Os fariseus e os escribas interrogaram-n'O: «Porque não se conformam os Teus discípulos com a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?». Ele respondeu-lhes: «Com razão profetizou Isaías de vós, hipócritas, quando escreveu: “Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, ensinando doutrinas que são preceitos humanos”. Pondo de lado o mandamento de Deus, observais cuidadosamente a tradição dos homens». Disse-lhes mais: «Vós bem fazeis por destruir o mandamento de Deus, para manter a vossa tradição. Porque Moisés disse: “Honra teu pai e tua mãe. E todo o que amaldiçoar seu pai ou sua mãe, seja punido de morte”. Vós, porém, dizeis: Se alguém disser ao pai ou à mãe, é “qorban”, oferta a Deus, qualquer coisa minha que te possa ser útil, já não lhe deixais fazer nada a favor do pai ou da mãe, anulando assim a palavra de Deus por uma tradição que tendes transmitido de uns aos outros. E fazeis muitas coisas semelhantes a estas».

Mc 7, 1-13

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Deus está aqui

Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário...Porém, mais humilhação e mais aniquilamento na Hóstia Santíssima: mais que no estábulo, e que em Nazaré e que na Cruz. Por isso, que obrigação tenho de amar a Missa! (A «nossa» Missa, Jesus...). (Caminho, 533)

Por vezes, talvez nos perguntemos como será possível corresponder a tanto amor de Deus e até desejaríamos, para o conseguir, que nos pusessem com toda a clareza diante dos nossos olhos um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente na Santa Missa, aprender a conviver e a ganhar intimidade com Deus na Missa, porque neste Sacrifício se encerra tudo aquilo que o Senhor quer de nós.

Permiti que aqui vos recorde o desenrolar das cerimónias litúrgicas, que já observámos em tantas e tantas ocasiões. Seguindo-as passo a passo é muito possível que o Senhor nos faça descobrir em que pontos devemos melhorar, que defeitos precisamos de extirpar e como há-de ser o nosso convívio, íntimo e fraterno, com todos os homens.

O sacerdote dirige-se para o altar de Deus, do Deus que alegra a nossa juventude. A Santa Missa inicia-se com um cântico de alegria, porque Deus está presente. É esta alegria que, juntamente com o reconhecimento e o amor, se manifesta no beijo que se dá na mesa do altar, símbolo de Cristo e memória dos santos, um espaço pequeno e santificado, porque nesta ara se confecciona o Sacramento de eficácia infinita.(Cristo que passa, 88)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1945

No 4º dia da sua estada em Portugal, São Josemaría esteve em Coimbra. Fez amizade com o Bispo. D. António Antunes mostrou-se disposto a apoiar o trabalho do Opus Dei na velha cidade universitária. Em poucos dias, estavam lançadas as sementes para o apostolado da Obra em Portugal.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

Recordar a nossa Mãe

«A recordação torna-se ainda mais viva quando se pensa nos próprios entes queridos, nos que nos amaram e nos introduziram na vida.»

(João Paulo II - Angelus 1-XI-1998)

Santa Josefina Bakhita

Bakhita nasceu no Sudão, África, em 1869. Este nome, que significa "afortunada", não o recebeu de seus pais ao nascer, foi-lhe imposto pelos seus raptores. Esta flor africana conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo vendida e comprada várias vezes. A terrível experiência e o susto, provado naquele dia, causaram profundos danos em sua memória, inclusive o esquecimento do próprio nome.

Na capital do Sudão, Bakhita foi finalmente comprada por um cônsul italiano, que depois a levou consigo para a Itália. Durante a viagem, ele entregou-a para viver com a família de um amigo, que residia em Veneza, e cuja esposa se lhe tinha afeiçoado. Depois, com o nascimento da filha do casal, Bakhita tornou-se sua ama e amiga.

Os negócios desta família, em África, exigiam que retornassem. Mas, aconselhado pelo administrador, o casal confiou as duas às irmãs da congregação de Santa Madalena de Canossa, em Schio, também em Veneza. Alí, Bakhita, conheceu o Evangelho. Era 1890 e ela tinha vinte e um anos quando foi baptizada, recebendo o nome de Josefina.

Após algum tempo, quando vieram buscá-las, Bakhita ficou. Queria tornar-se irmã canossiana, para servir a Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor. Depois de sentir com muita clareza o chamamento para a vida religiosa, em 1896, Josefina Bakhita consagrou-se para sempre a Deus, a quem ela chamava com carinho "o meu Patrão!". Por mais de cinquenta anos, esta humilde Filha da Caridade, dedicou-se às diversas ocupações na congregação, sendo chamada por todos de "Irmã Morena". Foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. As irmãs estimavam-na pela generosidade, bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. "Sedes boas, amem a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!".

A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de toda população. Com a idade, chegou a doença longa e dolorosa. Ela continuou a oferecer o seu testemunho de fé, expressando com estas simples palavras, escondidas detrás de um sorriso, a odisseia da sua vida: "Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas: numa vão os meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus. Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes julgar. E a São Pedro: Fecha a porta, porque fico".

Na agonia reviveu os terríveis anos de escravidão e foi a Santa Virgem que a libertou dos sofrimentos. As suas últimas palavras foram: "Nossa Senhora!". Irmã Josefina Bakhita faleceu no dia 8 de Fevereiro de 1947, na congregação em Schio, Itália. Muitos foram os milagres alcançados por sua intercessão. Em 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e elevada à honra dos altares em 2000, pelo mesmo Sumo Pontífice. O dia para o culto de "Santa Irmã Morena" foi determinado o mesmo de sua morte.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 8 de fevereiro de 2016

Tendo passado à outra margem, foram à região de Genesaré, e lá atracaram. Tendo desembarcado, logo O conheceram e, percorrendo toda aquela região, começaram a trazer-Lhe todos os doentes em macas, para onde sabiam que Ele estava. Em qualquer lugar a que chegava, nas aldeias, nas cidades ou nas herdades, punham os enfermos no meio das praças, e pediam-Lhe que, ao menos, os deixasse tocar a orla do Seu vestido. E todos os que O tocavam ficavam curados. 

Mc 6, 53-56