N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 28 de maio de 2017

Bom Domingo do Senhor!

Sejamos também nós daqueles que adoram o Senhor para além de qualquer dúvida como sucedeu a alguns de que nos fala o Evangelho de hoje (Mt 28, 16-20) na certeza que o Ele estará connosco até ao fim do mundo.

Louvada seja Deus Nosso Senhor, Jesus Cristo, que nos pede para o proclamarmos e divulgarmos!

Ao Espírito Santo

Vem, criador Espírito de Deus,
Visita o coração dos teus fiéis,
E com a graça do alto os purifica.

Paráclito do Pai, Consolador,
Sê para nós a fonte de água viva,
O fogo do amor e a unção celeste.

Nos sete dons que descem sobre o mundo,
Nas línguas que proclamam o Evangelho,
Realiza a promessa de Deus Pai.

Ilumina, Senhor, a nossa mente,
Acende em nós a tua caridade,
Infunde em nosso peito a fortaleza.

Livra-nos das ciladas do inimigo,
Dá-nos a tua paz, e evitaremos
Perigos e incertezas no caminho.

Dá-nos a conhecer o amor do Pai
E o coração de Cristo nos revela,
Espírito de ambos procedente.

Louvemos a Deus Pai e a seu Filho,
Dêmos glória ao Espírito Paráclito,
Agora e pelos séculos sem fim.
Amen.

A Ascenção

Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. Ao verem-No, adoraram-No, mas houve alguns que duvidaram. Aproximou-Se Jesus e falou-lhes nestes termos: Foi-Me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, doutrinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo o que vos mandei. Sabei que Eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos (Mt 28, 16-20).

Mas, quando o Espírito Santo vier sobre vós, recebereis uma força e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra.

Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem subtraiu-O a seus olhos (Act 1, 8-9).

Corredimir com Cristo
«Cristo subiu aos céus, mas transmitiu a tudo o que é honestamente humano a possibilidade concreta de ser redimido. (…) Não me cansarei de repetir, portanto, que o mundo é santificável e que a nós, cristãos, nos toca especialmente essa tarefa, purificando-o das ocasiões de pecado com que os homens o tornam feio, e oferecendo-o ao Senhor como Hóstia espiritual, apresentada e dignificada com a graça de Deus e o nosso esforço. Em rigor, não se pode dizer que haja nobres realidades exclusivamente profanas, uma vez que o Verbo se dignou assumir uma natureza humana íntegra e consagrar a Terra com a sua presença e com o trabalho das suas mãos. A grande missão que recebemos, no Baptismo, é a co-redenção. Urge-nos a caridade de Cristo (Cfr. 2 Cor 5, 14) para tomar sobre os nossos ombros uma parte dessa tarefa divina de resgatar as almas. (…)

Uma grande tarefa
Temos uma grande tarefa à nossa frente. Não é possível a atitude de ficarmos passivos porque o Senhor declarou expressamente: negociai até eu vir (Lc 19, 13). Enquanto esperamos o regresso do Senhor que voltará a tomar posse plena do seu Reino não podemos estar de braços cruzados. A extensão do Reino de Deus não é só tarefa oficial dos membros da Igreja que representam Cristo, por d’Ele terem recebido os poderes sagrados. Vos autem estis corpus Christi (1 Cor. 12, 27), vós também sois Corpo de Cristo, ensina-nos o Apóstolo, com o mandato concreto de negociar até ao fim.

Ainda está tanta coisa por fazer. Será que em vinte séculos não se fez nada? Em vinte séculos trabalhou-se muito. Não me parece, nem objectivo nem honrado o afã de alguns em menosprezar a tarefa daqueles que nos precederam. Em vinte séculos realizou-se um grande trabalho, e, com frequência, foi muito bem realizado. Outras vezes houve desacertos, regressões, como também há agora retrocessos, medo, timidez, ao mesmo tempo que não falta valentia, generosidade. Mas a família humana renova-se constantemente; em cada geração é preciso continuar com o empenho de ajudar o homem a descobrir a grandeza da sua vocação de filho de Deus e é necessário inculcar o mandamento do amor ao Criador e ao nosso próximo».

(S. Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 120-121)

No coração de cada pessoa
«Nunca falo de política. Não penso na tarefa dos cristãos na terra como o nascer duma corrente político-religiosa – seria uma loucura -, nem mesmo com o bom propósito de difundir o espírito de Cristo em todas as actividades dos homens. O que é preciso é pôr em Deus o coração de cada um, seja ele quem for. Procuremos falar a todos os cristãos, para que no lugar onde estiverem – em circunstâncias que não dependem apenas da sua posição na Igreja ou na vida civil, mas do resultado das mutáveis situações históricas -, saiba dar testemunho, com o exemplo e com a palavra, da fé que professam.

O cristão vive no mundo com pleno direito, por ser homem. Se aceita que no seu coração habite Cristo, que reine Cristo, em todo o seu trabalho humano encontrar-se-á – bem forte – a eficácia salvadora do Senhor. Não tem qualquer importância que essa ocupação seja, como costuma dizer-se, alta ou baixa, porque um máximo humano pode ser, aos olhos de Deus, uma baixeza, e o que chamamos baixo ou modesto pode ser um máximo cristão de santidade e serviço».

(S. Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 183)

Ascensão do Senhor

«Depois da Ascensão os primeiros discípulos permanecem reunidos no Cenáculo em volta da Mãe de Jesus, em fervorosa expectativa do dom do Espírito Santo, prometido por Jesus (cf. At 1, 14).[…]

«E a Praça de São Pedro apresenta-se hoje quase como um "cenáculo" ao ar livre, repleta de fiéis»
[…]
Nos seus discursos de despedida dos discípulos, Jesus insistiu muito sobre a importância da sua "ida para o Pai", coroamento de toda a sua missão: de facto, Ele veio ao mundo para reconduzir o homem para Deus, não a nível ideal como um filósofo ou um mestre de sabedoria mas realmente como pastor que deseja reconduzir as ovelhas ao redil. Este "êxodo" para a pátria celeste, que Jesus viveu em primeira pessoa, Ele enfrentou-o totalmente por nós. Foi por nós que desceu do Céu e por nós a ele ascendeu, depois de se ter feito em tudo semelhante aos homens, humilhado até à morte de cruz, e depois de ter tocado o abismo da máxima distância de Deus. Precisamente por isso o Pai se gloriou n'Ele e O "exaltou" (Fl 2, 9), restituindo-Lhe a plenitude da sua glória, mas agora com a nossa humanidade. Deus no homem o homem em Deus: esta é já uma verdade não teórica mas real. Por isso a esperança cristã, fundada em Cristo, não é uma ilusão mas, como diz a Carta aos Hebreus, "nela nós temos uma âncora da nossa vida" (Hb 6, 19), uma âncora que se introduz no Céu onde Cristo nos precedeu.

E do que tem mais necessidade o homem de todos os tempos, a não ser disto: de uma ancoragem firme para a própria existência? Eis então de novo o sentido maravilhoso da presença de Maria entre nós. Dirigindo o olhar para ela, como os primeiros discípulos, somos imediatamente inseridos na realidade de Jesus: a Mãe remete para o Filho, que deixou de estar fisicamente entre nós, mas aguarda-nos na casa do Pai. Jesus convida-nos a não permanecer a olhar para o alto, mas a estar juntos, unidos na oração, para invocar o dom do Espírito Santo. De facto, só quem "renasce do alto", isto é, do Espírito de Deus, está aberto à entrada no Reino dos céus (cf. Jo 3, 3-5), e a primeira "renascida do alto" é a Virgem Maria. Portanto, a ela nos dirigimos na plenitude da alegria pascal.

(Bento XVI – Regina Coeli de Domingo dia 4 de Maio de 2008)

«Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos»

Beato John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador do Oratório em Inglaterra
PPS, vol.6, n.º10


O regresso de Cristo a Seu Pai é ao mesmo tempo fonte de pesar, por ser sinónimo da Sua ausência, e fonte de alegria, por significar a Sua presença. Brotam da doutrina da Ressurreição e da Ascensão estes paradoxos cristãos, mencionados com frequência nas Escrituras, a saber, que nos afligimos sem por isso pararmos de rejubilar, como «nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6,10).

Na verdade, é esta a nossa condição presente: perdemos a Cristo, e encontramo-Lo; não O vemos e, apesar disso, podemos discerni-Lo; estreitamos-Lhe os pés (Mt 28,9) e Ele diz-nos «Não Me detenhas» (Jo 20,17). Mas como? Acontece que, tendo perdido a percepção sensível e consciente da Sua pessoa, já não nos é possível vê-Lo, ouvi-Lo, falar-Lhe, segui-Lo de terra em terra; no entanto, usufruimos espiritual, imaterial, interior, mental e realmente da Sua visão e da Sua posse, uma posse envolvida por maior realidade e por maior presença do que alguma vez na vida tiveram os Apóstolos, precisamente por ser espiritual e invisível.

Todos nós sabemos que, neste mundo, quanto mais um objecto está perto de nós, tanto menos conseguimos aperceber-nos dele e compreendê-lo. Cristo está tão perto de nós, na Igreja, que não somos sequer capazes de O fixar com o olhar, ou até de O distinguir; apesar disso, Ele instala-Se em nós e assim toma posse da herança por Ele adquirida; não Se nos apresenta, e todavia atrai-nos a Si e faz de nós Seus correligionários. [...] Não O vemos sequer, mas no entanto, pela fé, sentimos a Sua presença, porque Ele está ao mesmo tempo acima de nós e em nós. Por conseguinte, sentimos pesar, porque não temos consciência dessa presença, e ao mesmo tempo alegria, porque sabemos a Quem possuímos: «Sem O terdes visto, vós O amais; sem o ver ainda, credes Nele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das [vossas] almas» (1 Pe 1,8-9).

sábado, 27 de maio de 2017

Santo Rosário - Mistérios da Luz - Quarto Mistério

MISTÉRIOS DA LUZ [i]

Transfiguração

Contemplamos neste mistério um dos acontecimentos mais talvez mais enigmáticos da vida de Jesus na terra.

Percebemos que houve uma intenção clara de mostrar aos três após­tolos uma como que antevisão da aparência de Cristo como Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Mas porquê?

Jesus saberia por certo que eles não iriam entender ou sequer aperce­ber-se da realidade que lhes revelava.

Mais ainda quando sabemos que os proíbe de falar no assunto até de­pois da Sua Ascensão.

O facto é que não obstante ficou gravado para sempre nas suas me­mórias e, por isso mesmo, consta do Evangelho.

Seria a Transfiguração necessária para os confirmar na fé em Jesus Cristo como O Filho de Deus?

Mas como se adormecem?

Aliás é sintomática esta reacção dos três discípulos perante o "peso" ou solenidade de situações que vivem com o Mestre.

Na agonia em Getsémani perante o indizível sofrimento do Senhor tam­bém são vencidos pelo sono.

Como se a realidade fosse de tal forma "chocante ou extraordinária" que a sua amizade e carinho pelo Senhor se recusa a admitir o que constatam.

O sono é muitas vezes desculpa para muitas faltas de coragem em que é necessário mostrar solidariedade, apoio, solicitude.

Não poucas vezes somos vencidos pelo sono, o torpor que nos leva a não considerar as realidades que não compreendemos.

É como que uma "defesa" do nosso espírito recusando-se a encarar algo difícil que se nos apresenta como que fora do comum e, a verdade, é que a nossa Fé cristã necessita debruçar-se continuamente sobre os seus fundamentos num constante exame e estudo para melhor com­preender.

Temos de vencer uma atávica tendência para a rotina que, na prática da Fé, talvez seja o pior defeito que possamos ter.

Que a Doutrina não muda sabemo-lo bem, o que deve ser mais uma razão para que não deixemos nunca de aprofundar, esmiuçar, detalhar para alcançar a segurança que é necessária para o seu fiel cumpri­mento.

Lembremos que São João deixou escrito que não haveria livros no mundo que pudessem conter quanto Jesus Cristo disse, fez e ensinou.

(ama, Malta, Abril de 2016


[i] São João Paulo II acrescentou estes “Mistérios” a que chamou da Luz – ou Luminosos– ao Rosário de Nossa Senhora.

Não sei, evidentemente, a razão que terá levado o Santo Pontífice a fazê-lo e alguém poderá questionar o que têm a ver com o Rosário Mariano.

Têm tudo a ver porque a vida de Nossa Senhora está tão intimamente unida à do Seu Filho, nosso Salvador, que me parece muito lógico e adequado.

Os Cinco Mistérios levam-nos a considerar, principalmente, a instituição dos sacramentos que Jesus nos quis deixar como preciosos e imprescindíveis meios para obter a Salvação Eterna que nos ganhou na Cruz.

Medjugorje: solução à vista?

Para um cristão a investigação sobre as supostas aparições de Medjugorge faz sentido, pois deve conhecer a solidez das suas convicções e estar preparado para responder a quem lhe pedir razão da espera

Entre os dias 24 de Junho e de 3 de Julho de 1981 supõe-se que ocorreram, em Medjugorge, na ex-Jugoslávia, sete aparições de Nossa Senhora, que depois terão tido continuidade até ao presente, mas só em relação a uma das videntes. Mas, não obstante os trinta e seis anos entretanto decorridos, Medjugorge continua a ser um tema polémico para muitos católicos.

Enquanto alguns fiéis, nomeadamente os que fizeram a experiência de peregrinar até esse local, defendem com unhas e dentes as aparições, as autoridades eclesiais, embora valorizando os abundantes frutos espirituais aí verificados, têm algumas reservas quanto à autenticidade do acontecimento. Logo que o fenómeno supostamente sobrenatural se verificou, deu azo a um conflito institucional entre os franciscanos, que geriam a paróquia de Medjugorje e eram partidários acérrimos das aparições, e o então bispo diocesano, que nunca deu o seu aval às ditas visões ou aparições marianas.

À medida que a tensão foi crescendo – um dos franciscanos mais envolvido no caso deixou depois a sua Ordem e também o ministério sacerdotal – e o fenómeno adquiriu dimensão internacional – são muitos os milhares de católicos que todos os anos peregrinam a Medjugorje – a Santa Sé chamou a si a questão, que já tinha largamente ultrapassado o âmbito da jurisdição do respectivo bispo diocesano e, até, da correspondente conferência episcopal. Sem se pronunciar de forma definitiva sobre as supostas visões ou aparições, nem sobre as alegadas mensagens de Nossa Senhora, que os devotos de Medjugorje divulgavam diariamente durante anos a fio, a Santa Sé limitou-se a proibir as peregrinações oficiais, sem contudo impedir que, privadamente, os fiéis católicos aí se pudessem dirigir e rezar.

Um novo passo foi agora protagonizado pelo Papa. Com efeito, Francisco, na conferência de imprensa que, no passado dia 13, deu no avião que o levou de Portugal a Itália, pronunciou-se sobre este caso, a pedido de um jornalista italiano.

O Santo Padre recordou a clássica distinção entre a ‘revelação pública’ e as ‘revelações privadas’: enquanto a primeira faz parte da fé eclesial e deve ser crida por todos os fiéis, as segundas não são objecto da fé da Igreja, mesmo quando a autoridade eclesial as aprova, como aconteceu com Lourdes e Fátima.

Para efeito deste possível reconhecimento, como também lembrou o Papa Francisco durante a viagem de regresso a Roma, Bento XVI nomeou uma comissão ad hoc, sob a presidência do Cardeal Ruini, que foi durante muitos anos o vigário do Papa para a diocese de Roma, de que o romano pontífice é, por inerência, o bispo.

Esta comissão, de que também faziam parte mais cinco cardeais, o conhecido psicanalista Tony Anatrella, vários teólogos, antropólogos, canonistas e psicólogos, entre outros especialistas, teve por missão “recolher e examinar todo o material” sobre Medjugorje. A comissão reuniu 17 vezes, entre 17 de Março de 2010 e 17 de Janeiro de 2014, e estudou toda a documentação existente no Vaticano, na paróquia de Medjugorje e também nos arquivos dos serviços secretos da ex-Jugoslávia. Também ouviu os seis videntes e outras testemunhas, tendo-se deslocado, em Abril de 2012, ao local das aparições. Foi também incumbida de apresentar um ‘relatório pormenorizado’ sobre o caso; o seu parecer sobre ‘a sobrenaturalidade, ou não,’ das visões; bem como sugerir possíveis “soluções pastorais” para o local.

Em princípios de 2014, esta comissão transmitiu ao Papa Francisco as suas conclusões, que suscitaram algumas dúvidas por parte da Congregação para a Doutrina da Fé, a qual decidiu enviar as conclusões da comissão Ruini a todos os membros da sua quarta secção – assim chamada por se reunir às quartas-feiras – para que cada um dos seus membros desse o seu parecer. O Santo Padre, quando informado deste expediente, decidiu avocar o assunto, para impedir que, por assim dizer, se pusesse em hasta pública o relatório do Cardeal Ruini, que o próprio Papa Francisco considera muito bom. Em carta endereçada ao prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, o Santo Padre exigiu que esses pareceres teológicos lhe fossem enviados directamente.

Segundo o Papa Francisco, há três dúvidas a esclarecer sobre Medjugorge: as primeiras aparições, as mensagens actuais e a questão pastoral.

Quanto às aparições iniciais, o grupo de trabalho presidido pelo Cardeal Ruini emitiu o seguinte veredicto: treze votos favoráveis ao reconhecimento da sobrenaturalidade das sete primeiras aparições, um voto contrário e um voto suspensivo. Não obstante a aprovação, quase unânime, dessas visões, a opinião do Papa Francisco não parece ser tão favorável, na medida em que, a bordo do avião que o levava de regresso a Roma, disse: “sobre as primeiras aparições, quando [os videntes] eram novos, o relatório diz, mais ou menos, que se deve continuar a investigar”.

A comissão constatou uma diferença clara entre o início do fenómeno e o seu posterior desenvolvimento, pelo que deliberou por separado as duas questões: primeiro, pronunciou-se sobre as 7 primeiras aparições, entre 24 de junho e 3 de julho de 1981; e, depois, emitiu o seu parecer sobre os fenómenos posteriores. A comissão deu por provado que as seis crianças videntes eram psicologicamente normais e não foram influenciadas pelos franciscanos, nem pela paróquia ou por qualquer outra pessoa ou entidade. A comissão também descartou a hipótese de que as aparições sejam de origem demoníaca.

Mais crítica é a opinião do Papa Francisco em relação aos fenómenos posteriores, sobre os quais a comissão Ruini também expressou muitas dúvidas. A este propósito, disse o Papa argentino na dita conferência de imprensa aérea: “Eu, pessoalmente, sou mais ‘mau’ [do que a comissão Ruini]: eu prefiro a Senhora Mãe, a nossa Mãe, em vez da ‘Senhora-chefe de estação dos correios e telégrafos’, que todos os dias manda uma mensagem à mesma hora … esta não é a Mãe de Jesus! Estas supostas aparições não têm o mesmo valor. Digo-o como minha opinião pessoal”.

Não obstante estas reticências, a comissão Ruini pronunciou-se favorável ao levantamento da proibição de peregrinações oficiais a Medjugorje – 13 votos a favor, entre os 14 membros presentes – e sugeriu, por maioria, a transformação da paróquia num santuário mariano pontifício, “dependente da Santa Sé”. Uma proposta motivada por ‘razões pastorais’: o atendimento espiritual dos milhões de peregrinos que continuamente afluem a essa paróquia.

O Papa Francisco, depois de ter examinado o relatório Ruini e os pareceres dos membros da Congregação para a Doutrina da Fé, nomeou o arcebispo polaco Henryk Hoser, como “enviado especial da Santa Sé” para a questão pastoral de Medjugorje. Neste verão, Hoser deverá concluir a sua investigação e, depois, o Papa Francisco tomará a decisão final.

Para qualquer ateu ou agnóstico, pode parecer exagerado todo o imenso trabalho que Medjugorge tem significado para tantas autoridades eclesiais e científicas, desde o Santo Padre até aos cardeais, bispos, teólogos, canonistas, sociólogos, psicanalistas, etc. Para um cristão, todo este trabalho faz sentido, não só porque o confirma na fé e na solidez das suas convicções e devoções (cfr. Lc 1, 4), mas também porque o habilita para responder, com argumentos teológicos e científicos, a quem lhe pedir razão da sua esperança (cfr. 1 Pd 3, 15).

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI
(seleção imagens 'Spe Deus')

Rainha da paz, roga por nós!

Santa Maria é (e assim a invoca a Igreja) a Rainha da paz. Por isso, quando se agitar a tua alma, ou o ambiente familiar ou profissional, a convivência na sociedade ou entre os povos, não cesses de aclamá-la com esse título: "Regina pacis, ora pro nobis!", Rainha da paz, roga por nós! Experimentaste-o alguma vez, quando perdeste a tranquilidade?... Surpreender-te-ás com a sua imediata eficácia. (Sulco, 874)

Não há paz em muitos corações que tentam em vão compensar a intranquilidade da alma com a distracção contínua, com a pequena satisfação dos bens que não saciam, porque deixam sempre o travo amargo da tristeza. (...)

Cristo, que é a nossa paz, é também o Caminho. Se queremos a paz, temos de seguir os seus passos. A paz é consequência da guerra, da luta, dessa luta ascética, íntima, que cada cristão deve sustentar contra tudo aquilo que, na sua vida, não é de Deus: contra a soberba, a sensualidade, o egoísmo, a superficialidade, a estreiteza do coração. É inútil clamar pelo sossego exterior se falta tranquilidade nas consciências, no fundo da alma, porque é do coração que saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos testemunhos, as blasfémias(Cristo que passa, 73)

São Josemaría Escrivá 

O Evangelho de Domingo dia 28 de maio de 2017

Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando O viram, adoraram-n'O; alguns, porém, duvidaram. Jesus, aproximando-Se, falou-lhes assim: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo».

Mt 28, 16-20

São Josemaría Escrivá nesta data em 1970

Numa tertúlia no México com profissionais recorda: “Os negócios não correram nada bem ao meu pai. E dou graças a Deus, porque assim sei o que é a pobreza; de contrário, não teria sabido. Vêem como foi bom? Agora quero mais ao meu pai… Era tão maravilhoso, que soube ter uma serenidade imensa e suportar a contradição com paz de um cristão e de um cavalheiro”.

A excepção mais a excepção da excepção

As escolas não estatais financiadas pelo Governo português viveram até agora de uma excepção muito curiosa.

Há mais de um século que os nossos Governos se propõem controlar a 100% a educação, mas a sociedade resiste e, enquanto não têm força, os Governos transigem nalgumas excepções. Foi assim com os maçons da Primeira República, com Salazar e Marcello Caetano e é assim com os Governos posteriores ao 25 de Abril. Nuns casos, a motivação é tirar a liberdade aos católicos, noutros casos é tirar a liberdade a todos. O facto é que avançam sempre no mesmo sentido.

A Primeira República chegou à violência física. Salazar foi menos agressivo, mas criou todos os entraves possíveis, chegando a limites caricatos. Por exemplo, as escolas não estatais que colaborassem na alimentação dos alunos, pagavam imposto hoteleiro.

Em tempos de Marcello Caetano, o Ministro Veiga Simão fechou administrativamente um bom número de escolas e, na província, construiu escolas estatais ao lado dos colégios com mais êxito. O mapa escolar ficou cómico: em extensas regiões com falta de escolas, só havia duas escolas, exactamente ao lado uma da outra! Demorou alguns anos, mas as dificuldades económicas levaram a melhor: perante uma escola boa que tinham de pagar e uma escola má que o Estado lhes oferecia, muitas famílias tiveram de mudar para a escola estatal. Assim o Governo conseguiu fechar muitas escolas da Igreja.

Depois do 25 de Abril, ao mesmo tempo que a estatização progredia, introduziu-se uma excepção curiosa. Para fomentar a alfabetização, o Estado decidiu que, quando não houvesse escolas estatais próximas, o Governo pagaria a propina nas escolas não estatais. Isto só se aplicava a poucas escolas, muito afastadas de centros urbanos grandes. Além disso, sujeitava-as a limitações: os alunos inscreviam-se na escola do Estado mais próxima que autorizava a transferência; as escolas não estatais ficavam obrigadas a receber todos os que lhes fossem enviados pela escola do Estado; a propina que o Estado pagava era inferior ao custo médio de um aluno nas escolas estatais; finalmente, as escolas não estatais não podiam receber mais dinheiro dos alunos, além da propina paga pelo Estado.

Obviamente, o objectivo de acabar com a liberdade de ensino mantinha-se. Por isso, depois de ter tolerado esta pequena excepção, conhecida como «contrato de associação», o Ministério prosseguiu a política de construir escolas novas ao lado das escolas não estatais, para lhes fazer concorrência. Assim, todos os anos, a excepção encolheu.

Perante uma escola melhor em que a propina é paga pelo Estado e uma escola pior, as famílias não têm dúvidas. Por isso a excepção resiste o mais que pode. Os Governos contra-atacam com mais dinheiro para as suas escolas, mas não conseguem atrair alunos enquanto não cortam a propina nas escolas melhores.

Finalmente, o actual Governo decidiu erradicar de vez a pequena excepção e forçar os alunos a frequentar as escolas do Estado, mesmo que tenham de andar uma grande distância.

A operação deparou-se com alguns problemas práticos, porque a escola do Estado é sempre pior. Se fosse melhor, nem havia necessidade de o Ministério intervir. Outro problema é que as propinas das escolas não estatais são mais baixas que o custo médio no Estado. No entanto, o problema verdadeiramente difícil são as famílias descontentes.

Aqui, começou outra pequena excepção. As famílias falaram com as autarquias, estas pediram ao Governo e este aceitou: talvez porque as eleições autárquicas se aproximam, as escolas situadas em autarquias controladas pelo partido do Governo não vão fechar já este ano.

Tanto trabalho, só para tirar autonomia às famílias e concentrar poder no Ministério!

Sem dúvida, mas ainda mais admirável é o esforço de quem insiste em trabalhar para que a juventude deste país tenha uma educação melhor.

José Maria C.S. André
Spe Deus
5-VI-2016

Fidelidade e coerência

Sermos fiéis nem sempre é fácil e quem afirmar o contrário é necessitará urgentemente de rever a sua “fidelidade”. A hierarquia de valores ajudar-nos-á a sê-lo, e desde logo e em primeiro lugar está Ele, pois foi Jesus Cristo Nosso Senhor quem nos disse sem sofismas para o seguirmos e tudo abandonarmos “Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

Quando O pomos em primeiro lugar por incrível que pareça, aqueles que mais amamos na terra saem sempre beneficiados, mesmo quando as nossas limitações não no-lo permitem vislumbrar, mas por isso mesmo deveremos ter um fé inquebrantável na Sua infinita sabedoria.


O Senhor nos ajude a jamais questionar o nosso amor por Ele e a nossa fé e sigamos o conselho de S. Paulo a Timóteo “… permanece naquilo que aprendeste e acreditaste” (2 Tim 3,14).


JPR


«… toda a fidelidade deve passar pela prova mais exigente: a duração (…). É fácil ser coerente por um dia ou por alguns dias (…). Só pode chamar-se fidelidade a uma coerência que dura ao longo de toda a vida»


(São João Paulo II - Aos sacerdotes do México em 27/I/1979)

O nosso mal

O nosso mal é sono. Chega-se a casa tarde; tarde se janta; tarde se arruma a cozinha; tarde se acende a televisão; tarde se resmunga sobre os assuntos de família; tarde se acorda no sofá; tarde se deita… E cedo se levanta. Que vida é esta? Um disparate pegado.

Com sono tudo se faz, excepto pensar. Excepto sorrir. Excepto ouvir. Excepto prever. Excepto planear. Excepto ter gosto no trabalho, na família e no convívio com os colegas; e muito menos com os chefes. Excepto sonhar acordado, sobretudo com o fim de semana… em que novamente a gente se deitará tarde.

É verdade que, mesmo assim, somos capazes de meter-nos no trabalho até às orelhas, até porque, se não, despedem-nos, ou desclassificam-nos, ou falimos. Mas que não nos incomodem com mais nada! Estamos fartos!

Depois, não há quem entenda esta mulher, quem ature este marido; quem compreenda estas crianças; quem suporte estes sogros; quem tenha pachorra para os eternos problemas daquele irmão, ou do sócio…
E ainda por cima, esta crise! Mais os engarrafamentos…

Não é o nosso único mal, o sono, mas é um dos mais insidiosos e que nos passa mais despercebido.

Mon. Hugo de Azevedo

O Evangelho do dia 27 de maio de 2017

Naquele dia, não Me interrogareis sobre nada. «Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará. Até agora não pedistes nada em Meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.  «Disse-vos estas coisas em parábolas. Mas vem o tempo em que não vos falarei já por parábolas, mas vos falarei abertamente do Pai. Nesse dia pedireis em Meu nome, e não vos digo que hei-de rogar ao Pai por vós, porque o próprio Pai vos ama, porque vós Me amastes e acreditastes que saí do Pai. Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo e vou para o Pai».

Jo 16, 23-28