N. Sra. de Fátima

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FÁTIMA - 1917-2017 Centenário das Aparições de Nossa Senhora aos Três Pastorinhos

domingo, 4 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição com textos de São Josemaría Escrivá - 4 de Dezembro

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São Josemaría Escrivá nesta data em 1955

Está em Viena. De manhã celebra Missa na catedral de Santo Estêvão. Durante a acção de graças depois da Missa, diante da imagem de Maria Pötsch, invocou-a pela primeira vez com a jaculatória Sancta Maria Stella Orientis, filios tuos adiuva! Não era mais uma das suas muitas invocações de Nossa Senhora. Pelo que se deduz da correspondência desses dias, deve ter tido a certeza de que, com essas palavras, o futuro apostolado nos países da Europa submetida aos comunistas ficava entregue à protecção da Mãe de Deus. Com efeito, nesse mesmo dia escrevia aos seus filhos de Espanha: “Sinto-me seguro ao afirmar que Deus Nosso Senhor nos dará meios abundantes – facilidades, pessoas – para trabalharmos por Ele cada dia melhor na parte oriental da Europa, até que se nos abram e - abrir-se-ão – as portas da Rússia (…). Pede que digam muitas vezes esta jaculatória: Sancta Maria Stella Orientis, filios tuos adiuva!

Bom Domingo do Senhor!

Demos graças ao Senhor por nos feito merecedores de receber o Batismo no Espírito Santo conforme João Batista anuncia no Evangelho de hoje (Mt 3, 1-12) e assim estarmos em plena comunhão com Jesus Cristo Nosso Senhor.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo…

Natal, empresários e astronautas que não andam na lua

Terra a nascer fotografada a partir de um satélite lunar ©NASA
Há uns anos, um pai, com um diagnóstico fatal a curto prazo, quis prevenir os filhos e explicar-lhes que Jesus estava à espera, para o receber em breve. Um dos pequenos perguntou como é que o pai sabia que Jesus o ia receber no Céu: «Meu filho, há tantos anos que eu O recebo na Eucaristia e Ele, agora, não me ia receber?».

Preparar o Natal é caminhar intensamente para o encontro com Cristo. O passo em que o Papa tem insistido mais é a Confissão sacramental; outra etapa é participar na Eucaristia em que, de uma forma imediata, recebemos o próprio Cristo.

Recordo que, nos anos 80, o CEO de uma marca muito conhecida de «blue jeans» veio a Lisboa em negócio. No meio da agenda apertada de reuniões, já sabia onde ia assistir à Missa cada dia, porque tinha encarregado a secretária de telefonar antecipadamente a informar-se dos horários de várias paróquias. Para um lisboeta da época aquilo era surpreendente. Em primeiro lugar, pela capacidade de ultrapassar obstáculos, porque aquele empresário não falava português e provavelmente a secretária teve dificuldade em se fazer entender e obter a informação. Depois, pelos recursos, porque naqueles anos as chamadas internacionais a partir de Portugal eram caríssimas, embora fosse barato telefonar de outros países. Recordo que alguns engenheiros da EDP, que souberam da lista, resolveram ampliar a ideia: assim nasceu uma listagem completa, para toda a cidade de Lisboa, que circulou por muitas mãos, em fotocópias. Anos mais tarde, com o aparecimento da internet, a lista ficou «online», cada vez mais exaustiva e actualizada, e, em época mais recente, o «site» do Patriarcado encarregou-se de disponibilizar a informação.

A caminho do encontro do Natal, pergunto-me como se comportaria, nas minhas circunstâncias, o CEO de uma multinacional de «blue jeans».

Foto do twitter de Mike Hopkins
À falta de informação sobre a estrela do Natal, vale a pena navegar nas páginas pessoais de alguns astronautas, por exemplo https://twitter.com/astroillini, para ver fotografias de cometas deslumbrantes no céu estrelado, planetas vibrantes, a Terra muito ao longe e a Lua muito ao perto... Além das imagens, no meio dos «tweets», encontram-se testemunhos mais pessoais. Dennis Sadowski, reuniu no «Catholic News Service» de Abril deste ano declarações de bastantes astronautas. A beleza do céu é tão impressionante que é comum eles sentirem o impulso de se referir a Deus. Muitos rezam o terço dentro da «cúpula» da nave, uma sala forrada de janelas, por onde se vê o Universo a 360º. Outros vão ler a Bíblia para a cúpula. Está no «Youtube» a célebre mensagem dos astronautas da Apollo 8, na noite de Natal de 1968, que consistiu em lerem em voz alta a parte do Génesis que descreve a Criação.

A propósito do Natal, chamou-me a atenção o empenho de alguns astronautas para não perderem a Eucaristia. Por exemplo, em 2013, Mike Scott Hopkins, que se convertera uns anos antes, conseguiu autorização para levar a Eucaristia para o espaço, para poder comungar durante os longos meses da sua missão na ISS (International Space Station). Na cúpula, rodeado de estrelas, sentia-se verdadeiramente numa catedral. «Quando se contempla a Terra deste observatório único e se admira toda a beleza natural que existe, é difícil não se sentar ali e perceber que tem de haver um poder maior que fez isto». Pelos vistos, não é pouco comum os astronautas terem acesso à Comunhão durantes as missões espaciais.

Para todos, católicos, protestantes, muçulmanos, a experiência de viver a umas centenas ou milhares de quilómetros da Terra dá uma perspectiva muito forte do que é importante. «Acho que, por aqui, não há um único ateu», dizem os «tweets» de vários deles.

Uma das mordomias que a NASA oferece aos astronautas durante o voo é a possibilidade de terem uma vídeo-conferência com a personalidade que escolherem. Recentemente, o astronauta Mark Vande Hei pediu para conversar com o Papa Francisco. Vamos ver o que a NASA consegue. Pode ter sorte, porque a NASA já conseguiu que em 2011 o Papa Bento XVI falasse durante 20 minutos com a tripulação da ISS (a vídeo-conferência pode ver-se em www.youtube.com/watch?v=81jAmb_e1pg).

José Maria C.S. André
Spe Deus
4-XII-2016

A FÉ por Joaquim Mexia Alves

Posso acreditar num deus só por mim, só pela minha razão?

Por exemplo, ao olhar para o universo, para a terra, para as plantas, os animais, a vida, os homens, posso com alguma facilidade acreditar que existe um ser superior, a quem posso chamar deus, que tudo criou do nada, o tudo que depois foi evoluindo.

De alguma forma, a minha razão de pessoa comum, (mais correcta ou menos correcta), leva-me a acreditar que esse ser superior, esse deus, tem que existir, para que tudo tenha sido criado e evoluído.

E isso é ter Fé?

Não, de modo nenhum!
Isso é ter uma crença, porque é algo que nos é ditado apenas por argumentos mais ou menos racionais que, fazendo-me acreditar que esse ser superior existe, não implica uma adesão de vida a esse ser, que neste “acreditar” não tem mais qualquer impacto na minha vida a não ser esse mesmo: acreditar que existe, ou existiu!

A Fé, ou melhor o Dom da Fé, é algo que vai muito para além desse “acreditar”, porque não se limita a acreditar, mas a crer implicando uma adesão de vida que reconhece em Deus o Criador Supremo, aquele a Quem tudo pertence, aquele a Quem tudo é devido.

É que a Fé vai para além do racional, (embora a razão não seja incompatível com a Fé, antes pelo contrário), porque a Fé é crer num Deus que se dá a conhecer aos homens em toda a Sua Revelação, desde os tempos mais antigos até à Sua revelação final em Jesus Cristo.

A Fé envolve o mistério e o mistério não é “resolvido” pela razão, por isso mesmo implica uma adesão que vai para além da capacidade humana, ou seja, o homem precisa de ser iluminado pelo próprio Deus para alcançar essa total adesão à Revelação de Deus.

Mas a Fé implica também, para além da adesão, um viver, que não é “estático” como numa crença, (acredito e pronto!), mas sim uma resposta, uma relação entre aquele que tem a Fé, e aquele que é objecto da Fé, Aquele que doa ao homem o Dom da Fé.

É possível explicar pela ciência a Encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo, no seio de Maria, sem ela ter “conhecido” homem?
É possível explicar pela ciência a Ressurreição de Jesus Cristo, morto e sepultado depois de três dias?
É possível explicar pela ciência a Presença Real de Jesus Cristo na Hóstia consagrada?

Claro que não, que a ciência não consegue explicar estes e outros mistérios do cristianismo, que apenas podem ser acreditados e aceites pelo homem a quem o próprio Deus concedeu o Dom da Fé.

E isso torna a ciência incompatível com a Fé?
Também não, porque para além de outros factores, a ciência pode demonstrar, por exemplo, que nos milagres eucarísticos estudados, a “matéria” guardada em relíquia é carne de coração humano, ou que no Santo Sudário há coisas inexplicáveis para a própria ciência, o que ajuda o homem a perceber, (se quiser, iluminado pela Fé), a mão de Deus nesses acontecimentos, ou seja, a presença de Deus no meio dos homens.

O acreditar do homem em Deus, como Dom da Fé, é sempre iluminado pelo próprio Deus, mas é sempre também ajudado pela inteligência do homem e pela sua experiência vivencial desse mesmo Dom da Fé, nessa relação pessoal e comunitária com o Deus que se faz presente na vida do homem.

Sabemos bem como as palavras que o homem usa são finitas, isto é, não conseguem muitas vezes descrever tudo aquilo que o homem sente e vive.
Quantos autores já tentaram descrever o amor, em prosa e verso, na pintura e na música, enfim em tudo aquilo que é possível ao homem.

Algum verdadeiramente já o conseguiu descrever do modo como cada um o sente, em toda a sua plenitude?
Não, porque há sempre algo que o homem sente e é impossível de descrever, porque as palavras não chegam, embora, no entanto, o homem ao viver o amor saiba que o está a viver, e disso tenha a certeza.

Como podemos nós então descrever a Fé?
Podemos ir ao Catecismo da Igreja Católica, ou aos documentos da Igreja, ou aos autores cristãos, e mesmo assim, aquele que tem o Dom da Fé e a vive verdadeiramente, nunca a consegue ver inteiramente retratada nas palavras que lê ou ouve.

Porque o Dom da Fé faz parte integrante da plenitude do homem que quer encontrar Deus e a quem Deus chama ao Seu encontro.
E leva a uma relação tão pessoal e íntima com Deus, que se torna impossível de descrever em palavras humanas, mas que pode e deve ser testemunhada, e por isso mesmo o Dom da Fé se “completa” na sua dimensão comunitária.

Pode alguém descrever inteiramente um momento de união mística suscitada, por exemplo, num momento de oração ou de comunhão, em que a presença de Deus se torna tão real, que o mundo, (com tudo o que ele representa), desaparece nesse instante?
Vários Santos descreveram momentos desses, testemunhando-os com uma força tal, que nos apetece por vezes sentir transportados para viver esses momentos!
Mas se os experimentamos em nós próprios, não percebemos então que as suas palavras não conseguiram afinal descrever a plenitude de tais momentos?

Esses testemunhos, bem como aqueles que vimos e ouvimos no dia-a-dia das nossas vidas, nas comunidades em que vivemos, devem levar-nos a procurar cada vez mais viver o Dom da Fé com que fomos agraciados, para encontrarmos a plenitude da vida que nos foi dada, em Deus e por Deus.

«Felizes os que crêem sem terem visto» Jo 20,29, disse Jesus a Tomé, perante a sua incredulidade, que logo foi vencida pela Fé que o levou a exclamar a primeira profissão de fé na divindade de Cristo: «Meu Senhor e meu Deus» jo 20,28

Ou ainda como nos escreve São Pedro na sua primeira Carta:
«Sem o terdes visto, vós o amais; sem o ver ainda, credes nele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas.» 1 Pe 1, 8-9

E não é exactamente isso que nós experimentamos, quando vivemos o Dom da Fé que Deus nos concede?

Nas alegrias, na saúde, no bem-estar, mas também, apesar das provações, das dificuldades, das tristezas, de tudo o que a vida no mundo nos proporciona, a nossa confiança, a nossa esperança, a nossa certeza, reside em Deus, no Seu amor por nós, que o Dom da Fé, vivido intimamente e em comunidade, nos confirma nos nossos corações.

Por isso é tão verdadeira e bela a frase do nosso Bispo D. António Marto, na sua Nota Pastoral deste ano:
«A fé é bela porque torna bela a vida e é fonte de autêntica alegria» “O Tesouro da Fé, Dom para Todos”.

Joaquim Mexia Alves AQUI
Marinha Grande, 15 de Outubro de 2012

O desejo de representar a humanidade

Minhas filhas e filhos, o Natal, verdadeira festa da alegria, é um convite real para adorarmos Deus e dar-Lhe graças pela Sua benevolência. Nós, os milhares de pessoas que nos alimentamos do espírito da Obra, desejamos – como o nosso Padre dizia numa meditação pregada numa destas festas – representar toda a humanidade. Estamos certos que (...) em todos os lugares do mundo, também nalgum sítio onde se persegue a Igreja, haverá irmãs e irmãos vossos que se sentem representantes de todos os homens e dizem ao Senhor: sabemos que nasceste hoje. Viemos adorar-Te em nome de todas as criaturas: Veníte, adorémos. Porque estas palavras são uma resposta da Santa Igreja ao clamor dos Anjos que se ouviu no mundo, rompendo o silêncio dos séculos [6].
Bento XVI sublinhava, há dez anos, que nestas celebrações, tanto a liturgia como a piedade popular recorrem a símbolos que nos tornam mais evidente o significado do Natal. A luz e os enfeites evocam o desejo do bem que vive no mais profundo do coração humano: “A luz do bem que vence o mal, do amor que supera o ódio, da vida que derrota a morte” [7]. Portanto, “ao vermos as ruas e praças das cidades enfeitadas com luzes resplandecentes, recordemos que estas luzes evocam outra luz, invisível aos olhos mas não ao coração. Enquanto as apreciamos, ao acendermos as velas nas igrejas ou a iluminação do presépio e da árvore de Natal nas nossas casas, o nosso ânimo se abra à verdadeira luz espiritual, trazida a todos os homens de boa vontade. O Deus connosco, nascido da Virgem Maria em Belém, é a Estrela da nossa vida!” [8]
Esforcemo-nos para que os detalhes exteriores que adornam o Natal em casa e em muitos outros locais não se reduzam a fogos de artifício [9], mas que sejam meios que nos facilitem acolher Jesus mais generosamente. Com a nossa atuação, ajudemos a que muitas pessoas tomem consciência do que significa esta Noite Santa, para que todos nos comportemos como bons filhos de Deus.
[6]. S. Josemaria, Notas de uma meditação, 25-XII-1968.
[7]. Papa Bento XVI, Discurso na Audiência Geral, 21-XII-2005.
[8]. Papa Bento XVI, Discurso na Audiência Geral, 21-XII-2005.
[9]. S. Josemaria, Caminho, n. 247.


(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de dezembro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

S. João Damasceno, presbítero e doutor da Igreja, †749

Nasceu em 675, em Damasco (Síria), no período em que o Cristianismo tinha uma certa liberdade, tanto assim que o pai de João era cristão e amigo dos Sarracenos, que naquela época eram senhores do país. Esta estima estendia-se também ao filho. Os raros talentos e merecimentos deste levaram o Califa a distingui-lo com a sua confiança e nomeá-lo perfeito de Damasco.

João Damasceno, ainda jovem e ajudante do pai, gozava de muitos privilégios financeiros, mas ao compreender o amor de Cristo pobre deu atenção à palavra que mostra as dificuldades de os ricos (os que vivem só para as riquezas) entrarem no Reino dos Céus. Assim, num forte desejo de perfeição, renunciou a todos os bens e deu-os aos pobres. Preferiu uma vida de maus tratos a uma vida de pecado . Retirou-se para um convento de São Sabas perto de Jerusalém e passou a viver na humildade, caridade e alegria. Escreveu inúmeras obras tratando de vários assuntos sobre teologia dogmática, apologética e outras, que fizeram  São João digno do título de Doutor da Igreja.

Certa vez, os hereges prenderam São João e cortaram-lhe a mão direita para não mais escrever, mas por intercessão de Nossa Senhora foi curado. Seu amor à Mãe de Jesus foi tão concreto que foi São João quem tomou presente a doutrina sobre a Imaculada Conceição, a maternidade divina, a virgindade, a Assunção em corpo e alma de Maria.

Foi declarado doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII em 1890.

Livro de Horas

«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as Suas veredas»

Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
Homilias sobre São Lucas 22, 4 (a partir da trad. SC 87, p. 303 rev.)

João Batista dizia: «Toda a ravina será preenchida» (Lc 3,5), mas não foi ele quem preencheu todos os vales, foi o Senhor, nosso Salvador. [...] «E os caminhos tortuosos ficarão direitos». Cada um de nós era tortuoso [...] e foi a vinda de Cristo, realizada na nossa alma, que endireitou tudo o que o era. Nada havia de mais irremediável do que vós. Considerai os desejos desregrados de outrora, o vosso arrebatamento e todas as outras más inclinações, e vede se desapareceram de vez – compreendereis que nada havia de mais impraticável do que vós ou até, para usar uma expressão mais forte, de mais tosco. A vossa conduta era tosca, assim como as vossas palavras e obras.

Mas o Senhor, o meu Jesus, veio aplainar as vossas rugosidades e transformar todo esse caos numa estrada plana para fazer de vós um caminho sem sobressaltos, perfeitamente liso e todo cuidado, para que Deus Pai possa andar em vós e Cristo Senhor possa em vós morar e dizer: «O Meu Pai e Eu viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14, 23).

sábado, 3 de dezembro de 2016

A luta contra a soberba há-de ser constante

“Grande coisa é saber-se nada diante de Deus, porque é assim mesmo” (Sulco, 260)

O outro inimigo, escreve S. João, é a concupiscência dos olhos, uma avareza de fundo que nos leva a valorizar apenas o que se pode tocar. Os olhos ficam como que pegados às coisas terrenas e, por isso mesmo, não sabem descobrir as realidades sobrenaturais. Podemos, portanto, socorrer-nos desta expressão da Sagrada Escritura para nos referirmos à avareza dos bens materiais e, além disso, àquela deformação que nos leva a observar o que nos rodeia - os outros, as circunstâncias da nossa vida e do nosso tempo - só com visão humana.

Os olhos da alma embotam-se; a razão crê-se auto-suficiente para compreender todas as coisas, prescindindo de Deus. É uma tentação subtil, que se apoia na dignidade da inteligência, da inteligência que o nosso Pai, Deus, deu ao homem para que O conheça e O ame livremente. Arrastada por essa tentação, a inteligência humana considera-se o centro do universo, entusiasma-se de novo com a falsa promessa da serpente, sereis como deuses, e, enchendo-se de amor por si mesma, volta as costas ao amor de Deus.

(...) A luta contra a soberba há-de ser constante, pois não se disse já, dum modo tão gráfico, que essa paixão só morre um dia depois da morte da pessoa? É a altivez do fariseu, a quem Deus se mostra renitente em justificar por encontrar nele uma barreira de auto-suficiência. É a arrogância que conduz a desprezar os outros homens, a dominá-los, a maltratá-los, porque, onde houver soberba aí haverá também ofensa e desonra(Cristo que passa, 6).

São Josemaría Escrivá

Anticomunista, graças a Deus

Os regimes não se medem pelas suas belezas retóricas mas pelas suas obras. O sonho revolucionário de Fidel, um terrível pesadelo para os cubanos, não o exime das atrocidades perpetradas pelo castrismo

Apesar de esperada, a morte de Fidel Castro foi uma notícia surpreendente. Talvez porque a invulgar resistência do ancião guerrilheiro tivesse levado a crer que alcançara, como os antigos deuses, o dom da imortalidade. Mas, humano como era, embora não muito, Fidel também tinha os seus dias contados e, a estas horas, já prestou contas ao Criador. Paz à sua alma e, já agora, à nossa também. A sua morte não significa, para o seu país, o fim do comunismo mas, desaparecido o ditador, está mais próxima a tão desejada libertação de Cuba. Neste sentido, é um sinal de esperança.

Apesar de decorrida uma semana sobre a sua morte, continuam as inevitáveis reacções à sua vida e acção política, em catadupa de declarações mais ou menos hipócritas, ou mais ou menos comprometedoramente envergonhadas. É sabido que, no que se refere aos ditadores falecidos, a esquerda é como aquele detergente que lava duas vezes mais branco. A imprensa, enquanto por um lado diaboliza Adolf Hitler e Augusto Pinochet; pelo outro absolve e idealiza as atrocidades de Che Guevara e de Fidel Castro … enfim, o costume.

Não vale a pena insistir nas atrocidades protagonizadas por Fidel Castro, ou por ele consentidas, porque são já sobejamente conhecidas e foram, em sua vida, denunciadas pelos Repórteres sem Fronteiras (O livro negro de Cuba, prefácio e introdução de José Manuel Fernandes, Aletheia, 2005). Mas vale a pena retirar uma conclusão a que nem todos se atrevem: a natureza essencialmente antidemocrática da ideologia comunista.

Há quem distinga a teoria da prática comunista: desculpam a realidade ditatorial dos regimes comunistas, à conta do alegado altruísmo do marxismo-leninismo. Uma atitude tão incoerente como seria condenar Hitler, mas ressalvando o nacional-socialismo. Os regimes políticos não se medem pelos seus encantos retóricos, mas pelas obras. O indiscutível ideal patriótico de Hitler não o desculpa dos crimes do nazismo, do mesmo modo como o sonho revolucionário de Fidel, que foi um terrível pesadelo para milhares de cubanos, o não exime das atrocidades perpetradas pelo castrismo. Como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio.

O nazismo não foi apenas um fracasso político mas, sobretudo, uma aberração ideológica. O comunismo não é apenas uma prática que nunca resultou, nem sequer economicamente, mas também uma ideologia intrinsecamente contrária à liberdade e à dignidade humana. Ou seja, não se pode ser comunista e democrata, nem humanista, como aliás a história não se cansa de provar e a trágica vida de Fidel Castro, mais uma vez, confirmou. Considerar o marxismo-leninismo como um regime democrático é já um embuste da propaganda comunista.

Mas mesmo sabendo, como ninguém minimamente honesto pode hoje ignorar, que o comunismo é uma ideologia per se antidemocrática, poucos são os que ousam dizê-lo. Todos os democratas são unânimes em excluir, em absoluto, qualquer regime fascista ou nazi mas, paradoxalmente, alguns ainda toleram o comunismo, que é analogamente antidemocrático. Ninguém tem qualquer pejo em se afirmar, sem tibiezas, antifascista, mas – muito embora seja evidente que um verdadeiro democrata não pode, sem cair em contradição, deixar de ser anticomunista – poucos são os que têm a coragem de o assumir. Quanto muito, alguns mais afoitos dirão que não são comunistas, ou que são não comunistas, mas não anticomunistas, porque uma tal afirmação parece relevar radicalismo e cheira a extremismo fascista, ou coisa que o valha. Contudo, o mesmo não se verifica quando alguém se define, sem rebuço, como antifascista, ou antinazi…

Marx e Engels invocaram a história como o garante da inevitabilidade das suas previsões políticas e económicas, mas a história não só não confirmou os seus prognósticos como os desmentiu categoricamente. Mais ainda, a história veio dar razão ao juízo profético da Igreja católica que, pela encíclica Qui pluribus, já em 1846 condenou o comunismo, precisamente por ser contrário à liberdade humana, à justiça social e ao bem comum.

Foi pena que o mundo ocidental não tivesse ouvido a voz autorizada do beato Pio IX e de todos os papas que lhe sucederam e que também condenaram, sem cobardes ambiguidades, o comunismo. Se se tivesse feito caso ao magistério da Igreja, hoje ninguém deploraria os muitos milhares de vítimas de meio século de ditadura comunista em Cuba. E, no mundo inteiro, haveria menos cem milhões de vítimas a lamentar.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador com seleção de imagem 'Spe Deus'

O Evangelho de Domingo dia 4 de dezembro de 2016

Naqueles dias apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia. «Arrependei-vos, dizia, porque está próximo o Reino dos Céus». Este é aquele de quem falou o profeta Isaías quando disse: “Voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as Suas veredas”. Este mesmo João trazia um vestido feito de peles de camelo e um cinto de couro em volta dos rins; e o seu alimento consistia em gafanhotos e mel silvestre. Então iam ter com ele Jerusalém e toda a Judeia e toda a região do Jordão; e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. Vendo um grande número de fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir à ira que vos ameaça? Produzi, pois, verdadeiros frutos de penitência, e não vos justifiqueis interiormente dizendo: “Temos Abraão por pai!”, porque eu vos digo que Deus pode fazer destas pedras filhos de Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. Toda a árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada no fogo. Eu, na verdade, baptizo-vos com água para vos levar à penitência, mas O que há-de vir depois de mim é mais poderoso do que eu, e eu nem sou digno de Lhe levar as sandálias; Ele vos baptizará no Espírito Santo e em fogo. Ele tem a pá na Sua mão, e limpará bem a Sua eira, e recolherá o Seu trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível».

Mt 3, 1-12

Novena da Imaculada Conceição com textos de São Josemaría Escrivá - 3 de dezembro

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São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Escreve: “Esta manhã voltei atrás, como um garoto, para saudar Nossa Senhora, na sua imagem da Rua de Atocha, no alto da casa que a Congregação de S. Filipe ali tem . Tinha-me esquecido de a saudar: que menino perde a ocasião de dizer à sua Mãe que gosta dela? Senhora, que eu nunca seja um ex-menino”.

Preparação para o Natal

Começámos o Advento com estas semanas ditosas e impacientes de preparação para o Natal. Uma vez mais, me vêm à memória palavras de S. Josemaria, nos últimos meses do seu caminhar pela Terra, a propósito desta grande solenidade cristã. Ao contemplar os planos redentores de Deus, patentes já em Belém e em Nazaré, levava-nos a considerar que Deus ensina cada um a abandonar-se por completo. Vede bem como é o ambiente em que Cristo nasce. Tudo ali nos insiste nesta entrega sem condições (…).
Seria suficiente recordar aquelas cenas para que nos enchêssemos de vergonha e de santos propósitos. Precisamos de absorver esta lógica nova, que Deus inaugurou descendo à Terra. Em Belém, ninguém reserva nada para si. Lá, não se ouve falar da minha honra, nem do meu tempo, nem do meu trabalho, nem das minhas ideias, nem dos meus gostos, nem do meu dinheiro. Ali, põe-se tudo ao serviço do grandioso jogo de Deus com a humanidade, que é a Redenção. Rendida a nossa soberba, declaramos ao Senhor, com todo o amor de um filho: ego servus tuus, ego servus tuus, et fílius ancíllae tuae (Sl 115, 16): Eu sou o Teu servo, sou o Teu servo, filho da Tua escrava, Maria. Ensina-me a servir-Te [1].
Este amor infinito de Deus pela humanidade, volta a apresentar-se também de forma especial no Ano da Misericórdia, que o Papa vai inaugurar no próximo dia 8, Solenidade da Imaculada Conceição. Apressemos o passo nestes últimos dias, para que a abertura do Porta Santa, símbolo da indulgência divina, nos encontre bem preparados para acolher nos nossos corações tantos dons de Deus. Imitemos a devoção e a necessidade com que S. Josemaria, desde muito jovem, se refugiava no amor e na proximidade de Deus com as Suas criaturas.
A Encarnação e o Nascimento de Cristo acendem uma grande luz sobre o destino da humanidade, chamada à união mais íntima com Deus. A instituição da família, em cujo seio o Senhor decidiu nascer, mostra um claro reflexo da íntima comunhão das três Pessoas da Santíssima Trindade na unidade de um só Deus verdadeiro. S. Paulo afirma que toda a família, nos Céus e na Terra, recebe o nome de Deus Pai [2]. A Santíssima Trindade eleva-se como o Modelo sublime da união que deve reinar entre os homens, também em cada família. Para nos facilitar e incentivar a cuidar desta união, decidiu abrir-nos um caminho concreto, com a Sagrada Família de Belém, para nele caminharmos diariamente. Não vos parece admirável a ternura de Deus com os seus filhos? Poderia ter-se revelado de mil maneiras diferentes, mas escolheu aquela que mostra com mais destaque a ternura do Seu Coração. Como diz o livro dos Provérbios, já desde antes da Criação, a Sabedoria divina estava com Ele e era o seu encanto todos os dias, jogando sobre o orbe da Terra, e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens [3].
A luz do nascimento de Jesus traz consigo a força para dissipar as trevas deste nosso mundo que, de tantas formas, luta por se afastar de Deus. Lembra-nos o esplendor anunciado pelo profeta, que nada nem ninguém será capaz de obscurecer: o povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz. Aos que habitavam na região de sombras da morte, apareceu uma grande luz [4]. Essa grande luz continua agora a brilhar em toda a sua bondade, mesmo no meio dos trágicos acontecimentos que ocorrem em muitas partes do mundo, como recentemente lamentámos. Ilumina-nos com a mesma clareza diáfana que iluminou a noite em Belém, há dois mil anos. A liturgia da Noite Santa torna-nos esse facto particularmente presente em cada ano, com o Natal, concedendo­‑nos paz e serenidade, mesmo nos momentos que podem parecer mais obscuros. A presença do Senhor no meio do seu povo – pregava o Papa Francisco – cancela o peso da derrota e a tristeza da escravidão e restabelece o júbilo e a alegria.
Também nós, nesta noite abençoada, viemos à casa de Deus, atravessando as trevas que envolvem a Terra, mas guiados pela chama da fé, que ilumina os nossos passos, e animados pela esperança de encontrar a «grande luz». Abrindo o nosso coração, temos, também nós, a possibilidade de contemplar o milagre daquele Menino-Sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte [5].

[1]. S. Josemaria, Carta 14-II-1974, n. 2.
[2]. Ef 3, 15.
[3]. Pr 8, 30-3l.
[4]. Is 9, 1.
[5]. Papa Francisco, Homilia, 24-XII-2014.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de dezembro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Obrigado! Perdão! Ajuda-me mais!

Começamos um novo ano litúrgico em que esperamos tantas graças de Deus, na continuação das muitas que nos concedeu nos últimos meses e sempre! (...) Aumentemos em cada dia o nosso desejo de ser muito fiéis ao caminho para chegar à felicidade, e também o esforço de nos convertermos diariamente para nos identificarmos mais com Jesus Cristo. Que boa altura esta para repetirmos com frequência e profunda convicção estas palavras: Obrigado! Perdão! Ajuda-me mais! Aumentaremos nas próximas semanas as ações de graças, ao mesmo tempo que recorremos com maior confiança à misericórdia divina, pedindo indulgência pelos nossos pecados e pelos de toda a humanidade. E não deixemos de continuar a pedir a proteção do Céu para a Igreja, para esta partezita da Igreja que é a Obra, para cada um de nós, para todo o mundo.

D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de dezembro de 2014
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Testemunhar a fé

A fé não se reduz a um sentimento privado, porventura a esconder quando se torna incómodo, mas implica a coerência e o testemunho público a favor do Homem, da justiça e da verdade.

(Bento XVI - Angelus – 09/X/2005)

É premente através do nosso exemplo dar testemunho da nossa fé, para tal basta agirmos com alegria, correcção, e, nos momentos certos, com as palavras apropriadas, deixarmos bem claro a quem connosco contacta, que a temos e nos sentimos abençoados e privilegiados por tal.

JPR

São Francisco Xavier †1552

Francisco nasceu no castelo de Xavier, na Espanha, a 7 de Abril de 1506, e sofreu com a guerra, onde aprendeu a nobreza e a valentia; com 18 anos foi para Paris estudar, tornando-se doutor e professor.

Vaidoso e ambicioso, buscava a glória de si até conhecer Inácio de Loyola, com quem fez amizade, e que sempre repetia ao novo amigo: “Francisco, que adianta o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” Com o tempo, e intercessão de Inácio, o coração de Francisco foi cedendo ao amor de Jesus, até que entrou no verdadeiro processo de conversão. E tornou-se com Santo Inácio co-fundador da Companhia de Jesus.

A Igreja, que na sua essência é missionaria, teve no século XV e XVI um grande impulso do Espírito Santo para evangelizar a América e o Oriente. Já como padre, e empenhado no caminho da santidade, São Francisco Xavier foi designado por Inácio a ir em missão para o Oriente. Na Índia, fez frutuoso trabalho de evangelização que abrangeu todas as classes e idades; ao avançar para o Japão, submeteu-se a aprender a língua e os seus costumes, a fim de anunciar Cristo Vivo e Ressuscitado. Foi de tal modo o seu zelo missionário, que ficou conhecido como o “S. Paulo do Oriente”. Veio a falecer a caminho da China que sonhava evangelizar. Entrou no Céu com quarenta e seis anos de idade, com dez anos de apostolado, e tornou-se o Patrono Universal das Missões ao lado de Santa Teresinha.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 3 de dezembro de 2016

Jesus ia percorrendo todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino, e curando toda a doença e toda a enfermidade. Vendo aquelas multidões, compadeceu-Se delas, porque estavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Então disse a Seus discípulos: «A messe é verdadeiramente grande, mas os operários são poucos. Rogai pois ao Senhor da messe, que mande operários para a Sua messe» Tendo convocado os Seus doze discípulos, Jesus deu-lhes poder de expulsar os espíritos imundos e de curar toda a doença e toda a enfermidade. Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ide, e anunciai que está próximo o Reino dos Céus. «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, lançai fora os demónios. Dai de graça o que de graça recebestes.

Mt 9,35-38.10,1.6-8