Lamparina

Lamparina
«Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas. Fazei como os homens que esperam o seu senhor quando volta das núpcias, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.» (Lc 12, 35-36)

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

27 Out 19h - Porto - Missa de acção de graças pela beatificação de Álvaro del Portilllo


Deus não perde batalhas

Se tiveres caído, levanta-te com mais esperança! Só o amor-próprio não entende que o erro, quando se rectifica, ajuda a conhecer-nos e a humilhar-nos. (Sulco, 724)

Para a frente, aconteça o que acontecer! Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas. Se, por qualquer motivo, te afastas d'Ele, reage com a humildade de começar e de recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, inclusive repetidamente nas vinte e quatro horas do dia; de reconciliar o teu coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus. Neste Sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e inunda-te de alegria e de força para não desanimares na tua luta e para voltares de novo sem cansaço a Deus, mesmo quando tudo te pareça obscuro. Além disso, a Mãe de Deus, que é também nossa Mãe, protege-te com a sua solicitude maternal e dá-te confiança no teu caminhar.

A sagrada Escritura adverte que até o justo cai sete vezes. Sempre que leio estas palavras, a minha alma estremece com um forte abalo de amor e de dor. Uma vez mais, vem o Senhor ao nosso encontro, com essa advertência divina, para nos falar da sua misericórdia, da sua ternura, da sua clemência, que nunca acabam. Estai seguros: Deus não quer as nossas misérias, mas não as desconhece e conta precisamente com essas debilidades para que nos façamos santos. (...)

Prostro-me diante de Deus e exponho-lhe claramente a minha situação. Logo tenho a segurança da sua assistência e oiço no fundo do meu coração o que ele me repete devagar: meus es tu!. Sabia – e sei – como és; para a frente! (Amigos de Deus, nn. 214–215)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1960

Recebe o doutoramento “honoris causa” pela Universidade de Saragoça. No discurso académico, disse: “Sete lustros passaram já desde que abandonei as aulas da Universidade de Saragoça e as terras de Aragão em que nasci. Longos anos que não conseguiram apagar da minha mente a recordação, nem afogar no coração o afecto por aquela Universidade nem por esta terra. Na Roma eterna, junto ao sepulcro de Pedro, ou viajando por todos os caminhos da Europa, a sua memória esteve e continua a estar sempre muito presente em mim”.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

O amor infinito de Deus

“Cada encontro pessoal com Jesus é uma experiência arrebatadora de amor. Primeiro, como o próprio Paulo admite, ele tinha ‘perseguido ferozmente a Igreja de Deus, tentando destruí-la’. Mas o ódio e rancor expressos nestas palavras foram completamente varridos pela potência do amor de Cristo. No resto da sua vida, Paulo teve o ardente desejo de levar até aos confins da terra o anúncio deste amor”.

“Deus ama cada um de nós com uma profundidade e uma intensidade que nem sequer podemos imaginar. Ele conhece-nos intimamente, conhece as nossas capacidades e os nossos erros. E, porque nos ama, deseja purificar-nos dos nossos erros e reforçar em nós a virtude para podermos ter a vida em abundância”.

“Deus não recusa ninguém. E a Igreja não recusa ninguém. Contudo, no seu grande amor, Deus desafia cada um de nós a transformar-se e a tornar-se mais perfeito”.

(Bento XVI dirigindo-se a jovens em La Valetta-Malta em 18.04.2010)

O rancor pode arruinar o coração

«…fazer um pequeno exame pessoal - sem escrúpulos, mas com sinceridade – para descobrir se nalgum cantinho do nosso coração guardamos de rancor a alguém, ou se tratamos com pouca delicadeza aos outros. Pode parecer uma coisa sem importância, mas o ressentimento, o rancor que às vezes podemos acumular na alma, pode converter-se em caruncho que destrói e converte em pó os nossos sentimentos mais valiosos, aqueles que com maior claridade manifestam a nossa condição de filos de Deus»

D. Javier Echevarría – Excerto homilia do dia 26.06.2014 em Roma com tradução de JPR

O rancor

«O rancor é o descontentamento fundamental do homem consigo mesmo, que se vinga, por assim dizer, no outro, porque através dele não lhe chega aquilo que todavia só lhe pode ser concedido com uma nova abertura da própria alma».

(Joseph Ratzinger - “Olhar para Cristo”)

«Preparai-vos, porque o Filho do homem vai chegar na hora em que menos esperais»

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo 
Sermão 77, para a festa de um Confessor


Estas palavras significam: deveis estar despertos e vigilantes, porque não sabeis o momento em que o Senhor virá da boda. […] Porque, assim que entra no homem um sentimento de orgulho, de autocomplacência ou de vontade própria, logo o inimigo aparece e lhe corta o tesouro precioso das suas boas obras. Meus filhos! Vereis muitas pessoas que fizeram grandes obras […] e adquiriram grande reputação […], mas a quem a presunção despojou de tudo. […] Esses virão depois dos outros homens, dos pobres e simples, que ninguém aprecia por causa de seu exterior e das suas obras. Porque se abaixam com humildade, estes últimos serão colocados acima dos outros. […] Por isso, preparai-vos com uma alma vigilante e, de olhos abertos, vereis a verdade pura. […]

«Permanecei com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas.» Há aqui três pontos a observar. Primeiro: os rins devem ser cingidos como quem está sendo bem amarrado com uma corda para ser levado contra a sua vontade, ou como um cavalo com freio […]; esses rins são os prazeres dos sentidos, que devemos atar e reprimir. […] Segundo: deveis levar na mão as lâmpadas acesas, quer dizer, obras de amor. As vossas mãos nunca devem parar de fazer o trabalho da caridade verdadeira e ardente. […] Terceiro: deveis esperar o Senhor quando Ele voltar da boda […]: «O senhor lhes confiará a administração de todos os seus bens; ele se cingirá e os servirá.» Essa boda, de onde o Senhor vem, tem lugar no mais íntimo da alma, no seu âmago, onde se encontra a nobre imagem. Que contacto íntimo a alma tem com Deus nesse âmago e Deus com ela, e que obra maravilhosa Deus faz aí! Que gozo e que alegria encontra!

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 21 de outubro de 2014

«Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas. Fazei como os homens que esperam o seu senhor quando volta das núpcias, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos, a quem o senhor quando vier achar vigiando. Na verdade vos digo que se cingirá, os fará pôr à sua mesa e, passando por entre eles, os servirá. Se vier na segunda vigília, ou na terceira, e assim os encontrar, bem-aventurados são aqueles servos.

Lc 12, 35-38

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

6 Nov 19h Início - Percursos pela Arte Portuguesa - Dra.Maria João Matos - APCD Lisboa


Sentir-me filho de Deus enche-me de esperança

Talvez não exista nada mais trágico na vida dos homens do que os enganos padecidos pela corrupção ou pela falsificação da esperança, apresentada com uma perspectiva que não tem como objecto o amor que sacia sem saciar. (Amigos de Deus, 208)

Se transformarmos os projectos temporais em metas absolutas, suprimindo do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos criados – amar e louvar o Senhor e possuí-lo depois no Céu – os intentos mais brilhantes transformam-se em traições e inclusive em instrumento para envilecer as criaturas. Recordai a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que tinha experimentado tantas amarguras enquanto não conhecia Deus e procurava fora d'Ele a felicidade: fizeste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansa em Ti!. (…)

A mim, e desejo que a vós suceda o mesmo, a segurança de me sentir – de me saber – filho de Deus enche-me de verdadeira esperança que, por ser virtude sobrenatural, ao ser infundida nas criaturas, se acomoda à nossa natureza e é também virtude muito humana. Sou feliz com a certeza do Céu que alcançaremos, se permanecermos fiéis até ao fim; com a felicidade que nos chegará, quoniam bonus, porque o meu Deus é bom e é infinita a sua misericórdia. Esta convicção incita-me a compreender que só o que está marcado com o selo de Deus revela o sinal indelével da eternidade e tem um valor imperecível. Por isso, a esperança não me separa das coisas desta terra, antes me aproxima dessas realidades de um modo novo, cristão, que procura descobrir em tudo a relação da natureza, caída, com Deus Criador e com Deus Redentor. (Amigos de Deus, 208)

São Josemaría Escrivá

Palavras de D. Javier Echevarría aquando da beatificação de Paulo VI

A beatificação do Papa Paulo VI é motivo de enorme alegria para toda a Igreja. Paulo VI foi o Papa que levou a seu termo o Concílio Vaticano II. É do conhecimento de todos os católicos as marcas pastorais, apostólicas que deixou no mundo desde a sua ordenação sacerdotal e nas etapas sucessivas da sua vida, até à sua missão universal como Pontífice Romano. A sua caridade pastoral ajudou a infundir nos católicos o desejo de uma renovação espiritual generosa e de uma profunda fidelidade ao Evangelho.

Agrada-me recordar o espírito de serviço com que o então Monsenhor Montini serviu o Papa e a humanidade nos seus diversos encargos na Santa Sé. Hoje recorro ao novo Beato a fim de que incuta em todos os católicos esse mesmo carinho humano e cheio de fé para com o Vigário de Cristo, agora o Papa Francisco.

Além da convivência de sincera amizade com Mons. Josemaria Escrivá e com Mons. Álvaro del Portillo – que se converteu depois em carinho do Pai comum -, Tenho presente a lembrança do seu afeto e proximidade manifestados também ao inaugurar um centro promovido por pessoas do Opus Dei para jovens operários na cidade de Roma. Nesse dia, tornou-se-me mais palpável o seu amor por todas as almas, especialmente pelas dos mais simples., e o seu desejo de justiça social: que a ninguém lhe falte nada. Aquela visita do Santo Padre ao Centro ELIS terminou com o seu abraço paternal a S. Josemaria, ao mesmo tempo que dizia: "Qui, tutto è Opus Dei!" ["Aqui , tudo é Obra de Deus"].

Quando a Igreja reflete de modo especial sobre a instituição familiar, peçamos também a Paulo VI por todas as famílias do mundo para que sejam essa "comunhão de amor" e essa "escola" do Evangelho dos esposos , de que nos falou durante a sua peregrinação a Nazaré, em 1964, e em tantos outros momentos ao referir-se ao matrimónio.

† Javier Echevarría

Prelado do Opus Dei

Estes casais são católicos e querem defender o casamento

Foto: Manuel Vicente
Foi uma aventura juntá-los, praticamente de um dia para o outro. Depois de, na semana passada, o i ter publicado um artigo sobre o amor, o sexo e o casamento católicos – a propósito do sínodo da família que terminou ontem em Roma –, dez casais juntaram-se para escrever uma carta que é uma espécie de manifesto pelo matrimónio. São jovens, alguns recém-casados e de áreas profissionais distintas: entre eles há advogados, gestores e até um oficial das Forças Armadas. Em comum têm o facto de serem católicos e defenderem, com unhas e dentes, a doutrina da Igreja no que diz respeito ao casamento e à sexualidade. Garantem que o matrimónio implica “uma experiência de entrega total”. O i quis conhecê-los e, numa corrida contra o tempo, dar rostos ao manifesto.

Resposta de jovens casais católicos ao jornal i

No artigo publicado no passado dia 14 de Outubro, o jornal i quis saber como vivem e pensam os jovens casais católicos de hoje. Para ajudar a cumprir o propósito do artigo, vimos por este meio apresentar-nos: somos jovens casais católicos de hoje, unidos pelo Sacramento do Matrimónio, fiéis à doutrina da Igreja. Passamos a explicar:

1) Somos casais, homem e mulher, baptizados, que aderiram a Cristo por Amor, em total liberdade. E esta adesão é completa porque, para nós, Amar implica uma experiência de entrega total, sem reservas ou limites: por isso frequentamos regularmente os Sacramentos e participamos activamente das comunidades e Movimentos a que pertencemos.

2) Entendendo o Amor como a nossa vocação, ou seja, aquilo para que fomos chamados, e tendo como exemplo máximo Cristo que morreu por nós na Cruz, para nós o Sacramento do Matrimónio não pode significar uma entrega menor que esta. Por isso, com Deus, tornamo--nos um só, uma só carne, até que a morte nos separe.

3) Sabemos que a sexualidade é parte integrante do nosso corpo e que, tal como ele, é boa e foi criada por Deus. Sabemos que não temos um corpo, mas que somos um corpo, e o sexo para nós só faz sentido se corresponder a uma entrega total por amor: livre, aberto a todas as suas consequências, sem reservas, uma experiência de comunhão total entre 2 pessoas. Menos do que isto não queremos.Trocado por miúdos, dispensamos as pílulas, os preservativos e tudo o que poderia distorcer esta união livre. Não queremos ser objectos sexuais, queremos amar e ser amados. E não queremos excluir Deus desta parte da nossa vida. Para nós, o sexo tem tanto de humano como de divino. Os casais católicos de hoje são sem dúvida muito exigentes neste assunto.

4) Sim, estamos abertos à procriação, porque consideramos que a Vida é um dom. Os filhos são os frutos do nosso amor e não faria sentido negá-los, adiá-los ou planeá-los com a leveza de quem projecta umas férias ou a compra de uma casa. Viver assim, em generosidade, traz--nos uma alegria imensa. Mas sabemos que as circunstâncias da vida nem sempre são fáceis. E por essa razão procuramos conhecer o nosso corpo, estudar em casal a fertilidade da mulher, e os métodos naturais que melhor se adaptarem a nós nessas alturas difíceis. Mas a generosidade mantém-se. Os bebés, para nós, nunca são persona non grata.

5) Por último, era bom que fosse, mas nada disto veio da nossa cabeça. Veio do Novo Testamento, das encíclicas dos Papas (Humanae Vitae, Familiaris Consortio, ...), das catequeses do Papa João Paulo II que deram origem à Teologia do Corpo, e do próprio Catecismo, que estabelece inequivocamente, apesar de V.Exas. não terem publicado no fim do artigo, que: “a sexualidade é fonte de alegria e de prazer. (...) foi o próprio Criador quem estabeleceu que, nesta função, os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito.”

Serve esta carta aberta para dar testemunho real de casais jovens que vivem de acordo com aquilo que a Igreja lhes pede. Não faz sentido querer fazer uma entrevista a um maratonista e para tal inquirir uma pessoa que faz jogging aos sábados de manhã.

Queremos dizer que é possível e que desejamos que todos os casais sejam tão felizes como nós somos, apesar das dificuldades que possam surgir.

Pelos inúmeros casais católicos de hoje,
Catarina e Miguel Nicolau Campos, 25 e 31 anos
Sofia e José Maria Duque, 27 e 29 anos
Margarida e Bernardo Oom Sacadura, 24 e 26 anos
Maria Ana e Luís Mascarenhas Gaivão, 26 e 33 anos
Maria do Carmo e Simão Pedro Silveira Botelho, 25 e 26 anos
Joana e Tiago Rodrigues, 29 e 31 anos
Mariana e Stanislaw Biela, 32 anos
Maria e Nuno Rodrigues, 30 anos
Carolina e Rafael Souza-Falcão, 24 e 30 anos
Catarina e Hugo Lopes, 25 e 31 anos

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Reza: “Senhor, Jesus: que os teus filhos nunca sejam homens ou mulheres de acção longa e oração curta”.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

Actuar positivamente perante a crise

A crise obriga-nos a projectar de novo o nosso caminho, a impor-nos regras novas e encontrar novas formas de empenhamento, a apostar em experiências positivas e rejeitar as negativas. Assim, a crise torna-se ocasião de discernimento e elaboração de nova planificação. Com esta chave, feita mais de confiança que resignação, convém enfrentar as dificuldades da hora actual.

Caritas in veritate [II-21(b)] – Bento XVI

A família «o mais forte antídoto contra a crise»

O bispo de Beja diz que a reabilitação financeira e social de Portugal passa em grande medida pela capacidade de restituir “força” à família, “o mais forte antídoto contra a crise”.

“O casamento, a natalidade e os compromissos comunitários são adiados, com medo da falta de recursos económicos. Mesmo assim, aumenta a insegurança, o stress e a depressão das pessoas”, realça D. António Vitalino, na sua nota semanal (maio de 2013), enviada à Agência ECCLESIA.

Para o prelado, o “descalabro” que se abateu sobre a sociedade portuguesa abriu espaço a um “ciclo vicioso” que deve ser enfrentado com “confiança e coragem”.

“Uma sociedade egoísta, de pessoas fechadas e ciosas do ter e do seu bem-estar, com medo de perder esse estatuto, carece da ousadia da esperança e das energias renovadoras do tecido social, sem as quais nenhuma crise será superada”, alerta o responsável católico.

O bispo de Beja recorda que a família, “constituída pela união do amor de um homem e de uma mulher, aberta à geração de novos seres”, é “a fonte e o seio donde promana a primeira aprendizagem das relações constitutivas da identidade e da realização integral da pessoa”.

“É do interesse da sociedade que a família não seja apenas uma comunidade de indivíduos, mas de pessoas em desenvolvimento físico, afetivo e intelectual, em que cada um se transcende e relaciona com o outro”, refere D. António Vitalino, para quem “esta transcendência atinge a sua perfeição quando se abre ao espiritual, no diálogo da fé”.

(...)

JCP / Agência Ecclesia

Um segredo para tempos de crise

Um segredo. - Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. - Deus quer um punhado de homens "seus" em cada actividade humana. - Depois... "Pax Christi in regno Christi" - a paz de Cristo no reino de Cristo.
Caminho, 301

Fazem falta…
Cristãos verdadeiros, homens e mulheres íntegros, capazes de enfrentar com espírito aberto as situações que a vida lhes depare, de servir os seus concidadãos e de contribuir para a solução dos grandes problemas da humanidade, levando o testemunho de Cristo aonde mais tarde venham a encontrar-se na sociedade.
Cristo que passa, 28

Fazedores do bem
Que fazer? Dizia-vos que não procurei descrever crises sociais ou políticas, derrocadas ou doenças culturais. Centrado sobre a fé cristã, tenho-me referindo ao mal no sentido preciso da ofensa a Deus. O apostolado cristão não é um programa político, nem uma alternativa cultural: significa a difusão do bem, o contágio do desejo de amar, uma sementeira concreta de paz e de alegria. Desse apostolado, sem dúvida, derivarão benefícios espirituais para todos: mais justiça, mais compreensão, mais respeito do homem pelo homem.

Há muitas almas à nossa volta, e não temos o direito de sermos obstáculo para o seu bem eterno. Estamos obrigados a ser plenamente cristãos, a ser santos, a não defraudar Deus nem todas as pessoas que esperam do cristão o exemplo, a doutrina.
Cristo que passa, 124

Pessoas que vivem a sua fé
Salvarão este nosso mundo – permiti que vo-lo recorde -, não os que pretendem narcotizar a vida do espírito, reduzindo tudo a questões económicas ou de bem estar material, mas os que têm fé em Deus e no destino eterno do homem, e sabem receber a verdade de Cristo como luz orientadora para a acção e a conduta. Porque o Deus da nossa fé não é um ser longínquo que contempla indiferente o destino dos homens. É um Pai que ama ardentemente os seus filhos, um Deus criador que transborda carinho pelas suas criaturas. E concede ao homem o grande privilégio de poder amar, transcendendo assim o que é efémero e transitório.
Discursos sobre a Universidade. O compromisso da verdade (9.V.1974)

Nem tudo está perdido
Não é verdade que toda a gente de hoje - assim, em geral ou em bloco - esteja fechada ou permaneça indiferente ao que a fé cristã ensina sobre o destino e o ser do Homem. Não é certo que os homens do nosso tempo se ocupem só das coisas da Terra e se desinteressem de olhar para o Céu. Embora não faltem ideologias - e pessoas para as sustentarem - que estão fechadas, na nossa época não há apenas atitudes rasteiras, mas também altos ideais; não há apenas cobardia, mas heroísmo, e ao lado das desilusões permanecem grandes aspirações. Há pessoas que sonham com um mundo novo, mais justo e mais humano, enquanto outras, talvez decepcionadas diante do fracasso dos seus primeiros ideais, se refugiam no egoísmo de buscarem a sua própria tranquilidade ou de se deixarem ficar mergulhadas no erro.
Cristo que passa, 132

Cada geração de cristãos deve redimir e santificar o seu tempo: para tanto, precisa de compreender e de compartilhar os anseios dos homens, seus iguais, a fim de lhes dar a conhecer, com dom de línguas, como corresponder à acção do Espírito Santo, à efusão permanente das riquezas do Coração divino. A nós, cristãos, compete anunciar nestes dias, ao mundo a que pertencemos e em que vivemos, a antiga e sempre nova mensagem do Evangelho.
Cristo que passa, 132

O ideal é muito alto... demasiado?
Ser santos é viver tal como o nosso Pai do Céu dispôs que vivêssemos. Dir-me-eis que é difícil. Sim, o ideal é muito elevado. Mas ao mesmo tempo é fácil: está ao alcance da mão. Quando uma pessoa adoece, nem sempre se consegue encontrar o remédio adequado para a tratar. Mas no plano sobrenatural não acontece assim. O remédio está sempre perto de nós: é Jesus Cristo, presente na Sagrada Eucaristia, que também nos dá a sua graça nos outros Sacramentos que instituiu.

Repitamos com a palavra e com as obras: Senhor, confio em Ti, basta-me a tua providência ordinária, a tua ajuda de cada dia. Não temos por que pedir a Deus grandes milagres. Temos de lhe suplicar, pelo contrário, que aumente a nossa fé, que ilumine a nossa inteligência, que fortaleça a nossa vontade. Jesus está sempre junto de nós e permanece fiel.

Desde o começo da minha pregação, preveni-vos contra um falso endeusamento. Não te assustes ao veres-te tal como és: assim, feito de barro. Não te preocupes. Porque, tu e eu somos filhos de Deus, - este é o endeusamento bom - escolhidos desde a eternidade, com uma vocação divina: escolheu-nos o Pai, por Jesus Cristo, antes da criação do mando, para que sejamos santos diante dele. Nós, que somos especialmente de Deus, seus instrumentos apesar da nossa pobre miséria pessoal, seremos eficazes se não perdermos o conhecimento da nossa fraqueza. As tentações dão-nos a dimensão da nosso própria fraqueza.

Se sentimos desalento ao experimentar - talvez de um modo particularmente vivo - a nossa mesquinhez, é o momento de nos abandonarmos por completo, com docilidade, nas mãos de Deus. Conta-se que, certo dia, um mendigo saiu ao encontro de Alexandre Magno, pedindo uma esmola. Alexandre parou e ordenou que o fizessem senhor de cinco cidades. O pobre, confundido e atordoado, exclamou: eu não pedia tanto! E Alexandre respondeu: tu pediste como quem és; eu dou-te como quem sou.

Mesmo nos momentos em que percebemos mais profundamente a nossa limitação, podemos e devemos olhar para Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, sabendo-nos participantes da vida divina. Nunca existe razão suficiente para voltarmos atrás: o Senhor está ao nosso lado. Temos que ser fiéis, leais, encarar as nossas obrigações, encontrando em Jesus o amor e o estímulo para compreender os erros dos outros e superar os nossos próprios erros. Assim, todos esses desalentos - os teus, os meus, os de todos os homens - servem também de suporte ao reino de Cristo.
Cristo que passa, 160

Decidir-se a querer a vontade de Deus
É preciso decidir-se. Não é lícito viver tentando manter acesas, como diz o povo, uma vela a S. Miguel e outra ao Diabo. É preciso apagar a vela do Diabo. Temos de consumir a vida fazendo-a arder inteiramente ao serviço do Senhor. Se o nosso empenho pela santidade é sincero, se temos a docilidade de nos abandonar nas mãos de Deus, tudo correrá bem. Porque Ele está sempre disposto a dar-nos a sua graça e, especialmente neste tempo, a graça de uma nova conversão, de uma melhoria da nossa vida de cristãos.
Cristo que passa, 59

Uma ajuda infalível
Dirige-te a Nossa Senhora - Mãe, Filha, Esposa de Deus, nossa Mãe - e pede-lhe que te obtenha da Trindade Santíssima mais graças: a graça da fé, da esperança, do amor, da contrição, para que, quando na vida parecer que sopra um vento forte, seco, capaz de murchar essas flores da alma, não murche as tuas... nem as dos teus irmãos.
Forja, 227

(Fonte: site de São Josemaría Escrivá em http://www.pt.josemariaescriva.info/artigo/um-segredo-para-tempos-de-crise)

«Nesta mesma noite, vai ser reclamada a tua vida»

Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra 
Sermão «Watching», PPS, t. 4, n° 22, passim


«Tomai cuidado, vigiai, pois não sabeis quando chegará esse momento» (Mc 13,33). Pensemos neste assunto tão sério que nos diz respeito de forma muito íntima: que quer dizer vigiar na expectativa de Cristo? «Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar o galo, se de manhãzinha; não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: vigiai!» (v. 35ss). […]

Há muito quem troce abertamente da religião […], mas consideremos aqueles que são mais sóbrios e conscienciosos: têm boas qualidades e praticam a religião de certa forma e até certo ponto, mas não vigiam. […] Não compreendem que são chamados a ser «estrangeiros e peregrinos sobre a terra» (Heb 11,13), que a sua sorte terrena e os seus bens terrenos são uma espécie de acidente da sua existência e que, na verdade, nada possuem. […] Não há dúvida de que muitos membros da Igreja vivem assim e não saberiam nem estão prontos a acolher imediatamente o Senhor quando Ele vier. […]

Que tomada de consciência emocionante e grave é para nós saber que Ele próprio nos chamou a atenção precisamente para esse perigo […], o perigo de deixar que, por qualquer razão, a atenção dos seus discípulos se desviasse dele. Ele preveniu-os contra todas as agitações, todos os atractivos deste mundo, preveniu-os de que o mundo não estaria preparado quando Ele viesse; suplicou-lhes com ternura que não tomassem o partido deste mundo. Preveniu-os através dos exemplos do homem rico a quem pedem contas da alma durante a noite, do servo que comia e bebia (cf Lc 12,45), das virgens insensatas (cf Mt 25,2). […] O cortejo do Esposo passa majestosamente, nele seguem os anjos, os justos que se tornaram perfeitos, as criancinhas, os santos doutores, os santos vestidos de branco, os mártires lavados no seu sangue […]: a sua Esposa está preparada, pôs-se bela (cf Ap 19,7), mas muitos de nós ainda estamos a dormir.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 20 de outubro de 2014

Então disse-Lhe alguém da multidão: «Mestre, diz a meu irmão que me dê a minha parte da herança». Jesus respondeu-lhe: «Meu amigo, quem Me constituiu juiz ou árbitro entre vós?». Depois disse-lhes: «Guardai-vos cuidadosamente de toda a avareza, porque a vida de cada um, ainda que esteja na abundância, não depende dos bens que possui». Sobre isto propôs-lhes esta parábola: «Os campos de um homem rico tinham dado abundantes frutos. Ele andava a discorrer consigo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? Depois disse: Farei isto: Demolirei os meus celeiros, fá-los-ei maiores e neles recolherei o meu trigo e os meus bens, e direi à minha alma: Ó alma, tu tens muitos bens em depósito para largos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus disse-lhe: Néscio, esta noite virão demandar-te a tua alma; e as coisas que juntaste, para quem serão? Assim é o que entesoura para si e não é rico perante Deus».

Lc 12, 13-21