Anunciação

Anunciação
O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. (Lc 1, 30-31)

sábado, 20 de dezembro de 2014

Neste Natal, adopte um Cristo!

É da doutrina católica que todos os fiéis são, de algum modo, outros Cristos, mas, sem querer plagiar George Orwell, a verdade é que, não obstante a igual dignidade de todos os fiéis e o seu também universal chamamento à santidade e ao apostolado na Igreja, alguns o são mais do que outros.

Pelo Baptismo adquire-se uma verdadeira e real configuração com Nosso Senhor, ou seja, uma autêntica participação na sua filiação divina. Contudo, o sacramento da ordem habilita o fiel para ser não apenas outro Cristo, mas o mesmo Cristo, na medida em que, por efeito dessa graça, adquire a capacidade de agir em nome de Jesus, isto é, como se fosse Ele próprio. Por isso, quando um presbítero consagra o pão e o vinho, transformando-os, respectivamente, no Corpo e Sangue de Deus, ou perdoa os pecados, proferindo a fórmula da absolvição sacramental, não o faz em seu nome pessoal, em cujo caso nada aconteceria, mas enquanto é, nesse acto, Cristo, a quem não só representa como também personaliza.

Na Igreja, entende-se o sacerdócio ministerial como uma especial presença de Cristo. Por razão dessa singularíssima representação, os sacerdotes entregam a Cristo o seu corpo e a sua alma, para que a humanidade deles, na modalidade que foi também assumida pelo Verbo na sua encarnação, continue a ser instrumento da missão salvífica. Por esta sua peculiar identificação com Cristo, que define a sua identidade sacerdotal, são também chamados a viver em celibato, como Aquele que foi e é perfeito Deus e perfeito homem. Mas o celibato não tem por que ser sinónimo de solidão.

Os leigos casados constituem um lar, mas os presbíteros católicos estão, por assim dizer, «casados» com a Igreja que, embora seja também familiar, não é contudo uma família em sentido estrito. Os sacerdotes que vivem em comunidade, numa ordem religiosa ou numa instituição similar, contam com a ajuda dos seus confrades, mas os que vivem sós não têm, não obstante a fraternidade sacerdotal do presbitério a que pertencem, quem os apoie, não apenas nalguma urgência de carácter grave e excepcional, mas sobretudo no que respeita às mais prosaicas necessidades do dia a dia.

Em tempos passados, era comum que uma irmã, ou familiar próxima do sacerdote, o acompanhasse com uma disponibilidade total. Hoje em dia, a grande maioria dos clérigos seculares carece de uma presença familiar que o possa amparar: uma dolorosa ausência que até é perceptível quando, pelo seu aspecto, indiciam algum desleixo pessoal. Nota-se que lhes falta um ambiente familiar que seja, sem lhes criar uma dependências excessiva, um espaço de amizade e descontracção; que não têm quem, com a devida descrição, os possa corrigir e ajudar; quem se interesse, sem intromissões abusivas, pela sua saúde e alimentação; quem zele, com solícita atenção, pela sua apresentação; quem lhes facilite, uma vez por outra, alguma diversão adequada à condição sacerdotal; quem dê um toque de alegria e de graça às suas casas, etc. Nota-se que lhes falta, em poucas palavras, uma família cristã!

É verdade que Jesus nasceu na maior pobreza e que, se o padre é, por força do seu baptismo e ordenação sacerdotal, o mesmo Cristo, deve reproduzir na sua vida a exigência da vida do divino Mestre. Mas a Jesus não lhe faltou, nem sequer nas tão penosas circunstâncias do seu nascimento, o consolo de uma família, pois pôde contar com a presença varonil de São José e a ternura feminina de Nossa Senhora.

Para este Natal, vou pedir ao Menino Jesus um presente especial: que haja muitas famílias cristãs que O queiram adoptar, na pessoa de algum padre que esteja humanamente mais só.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada in Voz da Verdade AQUI

DIA DE NATAL* - Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

Diálogo entre o Pai Natal e o Menino Jesus

Foi numa esquina qualquer que se encontraram o Pai Natal e o Menino Jesus. Enquanto aquele se preparava para trepar um prédio, com o seu saco às costas, este último, recém-nascido, descia à terra e oferecia-se inerme, num pobre estandarte, que cobria uma mísera janela.

- Quem és tu, Menino – disse o velho – e que fazes por aqui?! É a primeira vez que te vejo!

- Sou Jesus de Nazaré e ando há vinte séculos à procura de uma casa que me receba e, como há dois mil anos em Belém, não há quem me dê pousada.

- Pois não é de estranhar! Não vês que vens quase nu?! Porque não trazes roupas quentes, como as que eu tenho, para me proteger do frio do inverno?

- O calor com que me aqueço é o fogo do meu amor e o afecto dos que me amam.

- Eu trago muitos presentes, para os distribuir pelas casas das redondezas. E tu, que andas por aqui a fazer?

- Eu sou rico, mas fiz-me pobre, para os pobres enriquecer com a minha pobreza. Eu próprio sou o presente de quem me acolher. Não vim ensinar os homens a ter, mas a ser, porque quanto mais despojada é a vida humana, maior é aos olhos do Criador.

- E de onde vens e como vieste até aqui? Eu venho da Lapónia, lá para as bandas do pólo norte.

- Eu venho do céu, de onde é o meu Pai eterno, e vim ao mundo pelo sim de uma virgem, que me concebeu do Espírito Santo.

- Que coisa estranha! Nunca ouvi falar de ninguém que tenha nascido de uma virgem e assim tenha vindo ao mundo! E não tens nenhum animal que te transporte para tão longa viagem, como eu tenho estas renas?

- Um burrinho foi a minha companhia em Belém, e foi também o meu trono real, na entrada triunfal em Jerusalém.

- Um burro?! Não é grande coisa, para trono de um rei…

- O meu reino não é deste mundo e a sua entrada é tão estreita que os meus cortesãos, para lá entrarem, se têm que fazer pequeninos, porque destes é o meu reino.

- E que coisas ofereces? Que tesouros tens para dar? Que prometes?

- Trago a felicidade, mas escondida na cruz de cada dia; trago o céu, mas oculto no pó da terra; trago a alegria e a paz, mas no reverso das labutas do próprio dever; trago a eternidade, mas no tempo gasto ao serviço dos outros; trago o amor, mas como flor e fruto da entrega sacrificada.

- Pois eu trago as coisas que me pediram: jogos e brinquedos para os miúdos e, para os graúdos, saúde, prazer, riqueza e poder. Mas, por mais que lhes dê, nunca estão satisfeitos!

- A quem me dou, quer-me sempre mais na caridade que tem aos outros, porque é nos outros que eu quero que me amem a mim.

- Mais um enigma! De facto, somos muito diferentes, mas pelo menos numa coisa nos parecemos: ambos estamos sós, nesta noite de consoada!

- Eu nunca estou só, porque onde estou, está sempre o meu Pai e onde eu e o Pai estamos, está também o Amor que nós somos e estão aqueles que me amam.

- Bom, a conversa está demorada e ainda tenho muitas casas para assaltar, pela lareira, como manda a praxe.

- Eu estou à porta e bato e só entrarei na casa de quem liberrimamente me abrir a porta do seu coração e aí cearei e farei a minha morada.

- Pois sim, mas eu vou andando que já estou velho e cansado …

- Eu acabo de nascer e quem, mesmo sendo velho, renascer comigo, será como uma fonte de água viva a jorrar para a vida eterna.

O velho Pai Natal, resmungando, subiu ao telhado do luxuoso prédio, atirou-se pela chaminé abaixo e desapareceu.

Foi então que a janela onde estava o estandarte se abriu e uma pobre velhinha de rosto enrugado, como um antigo pergaminho, beijou o reverso da imagem do Deus Menino, que estremeceu de emoção. A seguir, encostou a vidraça, apagou a luz e, muito de mansinho, adormeceu. Depois, o Menino Jesus, sem a acordar, pegou nela ao colo e, fazendo do seu pendão um tapete mágico, levou-a consigo para o Céu.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada (2010)

* Os primeiros cristãos chamavam dies natalis, ou seja, natal, ao dia da sua morte, porque entendiam que esse era o dia do seu nascimento para a verdadeira vida.

Mosteiro beneditino de S. Domingos de Silos

S. Domingos de Silos, abade, †1073

São Domingos de Silos nasceu em Canhas, pequena cidade da Rioja, Espanha, no ano 1000. Vivia na mais completa solidão há quase 18 anos, quando resolveu procurar Santo Emiliano e tornou-se noviço. Durante a sua caminhada, restaurou o Mosteiro de Silos que havia sido arruinado pelas guerras árabes. Restaurou também o priorado de Santa Maria de Canãs. Foi nomeado prior do convento de São Millán.

García de Nájera perseguiu São Domingos até que o exilou do Mosteiro de São Millán para Burgos, onde foi recebido por Fernando Magno, rei de Castela e de Aragão. Os historiadores contam também que São Domingos libertou muitos escravos cristãos caídos nas mãos dos mouros. Era muito culto, tendo exercido grande influência política e religiosa, fazendo parte dos homens mais versados em ciências e letras. Foi fundador de uma biblioteca, onde se reuniram numerosos manuscritos em caracteres visigóticos.

São Domingos de Silos morreu no dia 20 de Dezembro de 1073, em Silos.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Eis a serva do Senhor»

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
Sermão para a Anunciação, §§ 7-8


«O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré.» Ficais surpreendidos pelo facto de Nazaré, uma pequena cidade, receber a honra da mensagem de tão grande Rei, e que mensagem! Mas há um grande tesouro escondido nesta povoação: escondido dos homens, não de Deus. Pois não é Maria o tesouro de Deus? Onde quer que Ela se encontre, o coração de Deus segue-a. Os seus olhos estão sobre Ela, não largam de vista a sua humilde serva.

Se o Filho único de Deus conhece o céu, também conhece Nazaré. Pois como não haveria de conhecer a sua pátria e a sua herança? Ele pertence ao céu de seu Pai e à Nazaré de sua mãe, uma vez que Se diz simultaneamente Filho de David e Senhor (Mt 22,42s). […]

«Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus.» E que graça! Uma graça plena, única, singular […], tanto mais singular quanto é para todos os homens. […] Graça única, pois que apenas tu, Maria, tens a sua plenitude; graça universal, pois que tudo o que Deus criou participa nessa plenitude: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (Lc 1,42). Fruto do teu ventre é-o só para ti, mas pela tua meditação chega às almas de todos. […] Só em ti este Rei tão rico Se rebaixou, este grande soberano Se humilhou, este Deus infinito Se fez pequeno. Ele fez-Se inferior aos anjos (Heb 2,7); pois, sendo verdadeiro Deus e Filho de Deus, encarnou. Mas com que objectivo? Para nos enriquecer a todos pela sua pobreza, nos elevar pelo seu rebaixamento, nos engrandecer fazendo-Se pequeno, nos unir a Deus fazendo-Se homem, para que comecemos a ser um só espírito com Ele (2Cor 8,9; 1Cor 6,17).

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 20 de dezembro de 2014

Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim». Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; porque a Deus nada é impossível . Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Lc 1, 26-38

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Preparar o Natal em família - Mensagem natalícia de D. Javier Echevarría (vídeo não legendado)

Sem Ele nada podemos

Quando sentires o orgulho que ferve dentro de ti – a soberba! –, que faz com que te consideres um super-homem, chegou o momento de exclamar: – Não! E, assim, saborearás a alegria do bom filho de Deus, que passa pela terra com erros, mas fazendo o bem. (Forja, 1054)

Vedes como é necessário conhecer Jesus, observar amorosamente a sua vida? Muitas vezes fui à procura da definição da biografia de Jesus na Sagrada Escritura. Encontrei-a lendo aquela que o Espírito Santo faz em duas palavras: pertransiit benefaciendo. Todos os dias de Jesus Cristo na terra, desde o seu nascimento até à morte, pertransiit benefaciendo, foram preenchidos fazendo o bem. Como, noutro lugar, a Escritura também diz: bene omnia fecit, fez tudo bem, terminou bem todas as coisas, não fez senão o bem.

E tu? E eu? Lancemos um olhar para ver se temos alguma coisa que emendar. Eu, sim, encontro em mim muito que fazer. Como me vejo incapaz, só por mim, de fazer o bem e, como o próprio Jesus nos disse que sem Ele nada podemos, vamos tu e eu implorar ao Senhor a sua assistência, por meio de sua Mãe, neste colóquio íntimo, próprio das almas que amam a Deus. Não acrescento mais nada, porque é cada um de vós que tem de falar, segundo a sua particular necessidade. Por dentro, e sem ruído de palavras, neste mesmo momento em que vos dou estes conselhos, aplico esta doutrina à minha própria miséria. (Cristo que passa, 16)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1937

“Dia 19 de Dezembro. “O que devo eu a Deus, como cristão! A minha falta de correspondência a essa dívida tem-me feito chorar de dor: de dor de Amor. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!...”, anota durante o retiro que faz em Pamplona.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

Celebrar O Natal Em Família

Quando este texto chegar às suas mãos, leitor amigo em quem penso enquanto escrevo, estaremos em plena época natalícia. Imaginamos com que intensidade reviveria a Sagrada Família as recordações daqueles dias de Belém, mistos de dores que se transformavam em alegrias deixando os corações inundados de profunda paz. À medida que o Cristianismo se foi consolidando e conhecidos os factos em que se deu o nascimento e infância de Jesus a festa do Natal do Senhor passou a ser celebrado nas comunidades cristãs. A 1ª referência documental à data de 25 de Dezembro aparece num texto de Sexto Júlio Africano em 221 e em 354 o calendário litúrgico filocaliano refere expressamente, (MGH, IX, I, 13-196), que “VIII kal. Ian. natus Christus in Betleem Iudeae”, [“nas VIII Calendas de Janeiro (25 de Dezembro) nasceu Cristo em Belém da Judeia”].

Chegou-se à definição desta data pela relação entre dados dos calendários sacerdotais judaicos, da astronomia, da história romana e da tradição cristã. O Natal é pois algo mais profundo do que a pouco credível substituição de uma celebração pagã por uma cristã.

Os materialismos contemporâneos procuram intensamente afogar as celebrações do Natal em consumismo. Para lhe disfarçar a fria agressividade e fealdade revestem-no com um estaladiço banho exterior de solidariedade fraterna, de festa da família, de tempo de sermos bons, de sorrirmos aos desconhecidos… Como em todos os reducionismos também, neste caso, existe uma réstia de verdade já que, a fraternidade só pode ser realidade entre filhos do mesmo Pai. Por isso é necessário recuperar o sentido do Natal: que chegada a plenitude dos tempos Deus enviou o Seu Filho para nos redimir e podermos ser chamados filhos de Deus.

Sugiro, como melhor maneira de preparar o Natal fazermos uma boa Confissão. Se Natal é tempo de ser bom haverá alguma forma mais razoável de o fazer do que pedir sinceramente perdão ao nosso Pai Deus e decidirmos ser Seus melhores filhos?

Depois, armar o Presépio num local acolhedor da casa onde possamos facilmente lançar um olhar amoroso ao Menino Deus e fazer-Lhe companhia.

Ao decorarmos a árvore de Natal poderemos atribuir um significado sobrenatural a cada um dos seus enfeites: a cor azul a uma oração de reconciliação, a prata para dar graças, a dourada para louvar a Deus, o vermelha para Lhe expor as nossas necessidades; os laços representam a união da família e entre os homens de boa vontade. O Anjo que encima o Presépio pode recordar-nos o nosso Anjo da Guarda; a Estrela de Belém que conduziu os Magos a Cristo lembra a fé que deve guiar as nossas vidas; as luzes, a Luz de Cristo…

João Paulo II lembrava que a cor verde e a perenidade das folhas do abeto são sinal da vida que não morre e que a mensagem da árvore de Natal é, portanto, que a vida permanece "sempre verde" se se torna dom: não tanto de coisas materiais, mas de si mesmo: na amizade e no carinho sincero, na ajuda fraterna e no perdão, no tempo compartilhado e na escuta recíproca. Também as prendas que se costumam colocar na sua base recordam que da árvore da Cruz procedem todos os bens e que Jesus Cristo é o supremo dom de Deus à humanidade (Cfr. João Paulo II, Angelus, 19 de Dezembro de 2004).

Se nos esforçarmos por viver assim o Natal, com fé, esperança e caridade, Jesus encontrará pousada no nosso coração e enchê-lo-á de paz e de alegria. E transmitiremos às novas gerações os valores das tradições que fazem parte do património da nossa fé e cultura.

Para si leitor, para a sua família, desejo um Santo Natal e um 2011 (2015) cheio dos dons do Menino Deus.

António Faure em 2010

Fazer jus ao significado das palavras

"Amar significa amar o que é difícil de ser amado, de contrário não seria virtude alguma; perdoar significa perdoar o imperdoável, de contrário não seria virtude alguma; fé significa crer no inacreditável, de contrário não seria virtude alguma. E esperar significa esperar quando já não há esperança, de contrário não seria virtude alguma.”

Gilbert Keith Chesterton

A ilusão egoísta

Infelizmente e muitas vezes, para não dizer quase sempre, de uma forma inconsciente o mundo que nos rodeia vive do e para o ‘optimismo’, dando-se conta do logro com a velhice, se de tal forem capazes e tiverem a humildade suficiente para o fazer, a este ‘optimismo’ eu permito-me chamar ilusão egoísta.

Em contra-partida, a esperança cristã, que assenta na fé e no conhecimento do Reino dos Céus, conduz-nos até à morte física na certeza altruísta da bondade e misericórdia de Deus e consequentemente seguros que seremos chamados a compartilhar a alegria do Reino de Deus para sempre.

Sejamos, cada um à sua maneira, capazes de anunciar aos nossos irmãos essa felicidade, conscientes que é uma tarefa árdua, mas Jesus Cristo, os Apóstolos e muitos Santos tiveram de dar a vida por fazê-lo, pelo que cada insucesso nosso seja tido apenas como mais um pequeno obstáculo na nossa caminhada.

JPR

O silêncio de Zacarias

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja 
Sermão 293, para a natividade de São João Baptista; PL 38, 1327 (trad. breviário 24/06)


O futuro pai de João não acredita que este possa nascer e é castigado com a mudez; Maria acredita e Cristo é concebido pela fé. […] Se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério por falta de capacidade ou de tempo, melhor vo-lo ensinará Aquele que fala dentro de vós, mesmo estando nós ausentes, Aquele em quem pensais com amor filial, que recebestes no vosso coração e de Quem vos tornastes templos. […]

Zacarias cala-se e perde a fala até ao nascimento de João, o precursor do Senhor; e então recupera a fala. […] O facto de Zacarias recuperar a fala ao nascer João tem o mesmo significado que o rasgar-se do véu do templo, ao morrer Cristo na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se-lhe a língua porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: «Quem és tu?» E ele respondeu: «Eu sou a voz que clama no deserto» (Jo 1,23). João é a voz; mas o Senhor, «no princípio, era a Palavra» (Jo 1,1). João é a voz passageira; Cristo é, no princípio, a Palavra eterna.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 19 de dezembro de 2014

Houve no tempo de Herodes, rei da Judeia, um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias; a sua mulher era da descendência de Aarão e chamava-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, caminhando irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e ambos se achavam em idade avançada. Sucedeu que, exercendo Zacarias as funções de sacerdote diante de Deus na ordem do seu turno, segundo o costume sacerdotal, tocou-lhe por sorte entrar no templo do Senhor a oferecer o incenso. Toda a multidão do povo estava a fazer oração da parte de fora, à hora do incenso. Apareceu-lhe um anjo do Senhor, de pé ao lado direito do altar do incenso. Zacarias, ao vê-lo, ficou perturbado e o temor o assaltou. Mas o anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração; tua mulher Isabel dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. Será para ti motivo de júbilo e de alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento; porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho nem outra bebida inebriante; será cheio do Espírito Santo desde o ventre da sua mãe; e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Irá adiante de Deus com o espírito e a fortaleza de Elias, “a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos”, e os rebeldes à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto». Zacarias disse ao anjo: «Como hei-de verificar isso? Porque eu sou velho e a minha mulher está avançada em anos». O anjo respondeu-lhe: «Eu sou Gabriel que estou diante de Deus; fui enviado para te falar e te dar esta boa nova. Eis que ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas sucedam, visto que não acreditaste nas minhas palavras, que se hão-de cumprir a seu tempo». Entretanto, o povo esperava Zacarias e admirava-se de ver que ele se demorava tanto no templo. Quando saiu, não lhes podia falar, e compreenderam que tinha tido alguma visão no templo, o que lhes dava a entender por acenos; e ficou mudo. Aconteceu que, depois de terem acabado os dias do seu ministério, retirou-se para a sua casa. Alguns dias depois, Isabel, sua mulher, concebeu, e durante cinco meses esteve escondida, dizendo: «Isto é uma graça que me fez o Senhor nos dias em que me olhou para tirar o meu opróbrio de entre os homens».

Lc 1, 5-25