Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

sábado, 21 de abril de 2018

Cristo ressuscitado é o companheiro

O Mestre passa, uma e outra vez, muito perto de nós. Olha-nos... E se O vês, se O escutas, se não Lhe resistes, Ele ensinar-te-á a dar sentido sobrenatural a todas as tuas ações... E, então, também tu semearás, onde te encontrares, consolação e paz e alegria. (Via Sacra, 8ª estação, n. 4)

No meio das ocupações de cada jornada, no momento de vencer a tendência para o egoísmo, ao sentir a alegria da amizade com os outros homens, em todos esses instantes o cristão deve reencontrar Deus. Por Cristo e no Espírito Santo, o cristão tem acesso à intimidade de Deus Pai, e percorre o seu caminho buscando esse reino, que não é deste mundo, mas que neste mundo se inicia e prepara.

É preciso privar com Cristo na palavra e no Pão, na Eucaristia e na Oração. Tratá-Lo como se trata com um amigo, com um ser real e vivo como Cristo é, porque ressuscitou. Cristo, lemos na epístola aos Hebreus, como permanece eternamente, possui um sacerdócio eterno. Por isso, pode salvar perpetuamente os que por Ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder em seu favor (Heb VII, 24–25).

Cristo, Cristo ressuscitado, é o companheiro, o Amigo. Um companheiro que se deixa ver só entre sombras, mas cuja realidade enche toda a nossa vida, e que nos faz desejar a sua companhia definitiva. O Espírito e a Esposa dizem: Vem! E aquele que ouve, diga: Vem! Que aquele que tenha sede, venha! Que aquele que O deseja, receba gratuitamente a água da vida... O que dá testemunho destas coisas diz: Sim, Eu venho em breve. Assim seja. Vem, Senhor Jesus (Ap XXII, 17 e 20)! (Cristo que passa, 116)

O Evangelho de Domingo dia 22 de abril de 2018

Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas. O mercenário, o que não é pastor, de quem não são próprias as ovelhas, vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge - e o lobo arrebata e dispersa as ovelhas -, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as Minhas ovelhas e as Minhas ovelhas conhecem-Me. Como o Pai Me conhece, assim Eu conheço o Pai; e dou a Minha vida pelas Minhas ovelhas. Tenho outras ovelhas que não são deste redil; importa que Eu as traga; elas ouvirão a Minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor. Se o Pai Me ama, é porque dou a Minha vida para outra vez a assumir. Ninguém Ma tira, mas Eu a dou por Mim mesmo e tenho poder de a dar e tenho poder de a retomar. Este é o mandamento que recebi de Meu Pai».

Jo 10, 11-18

A Boa Nova, os boatos e as ‘fake news’

O Evangelho é, etimologicamente, a boa nova, mas não faltam pessoas que pensam que é um boato sem fundamento ou, pior ainda, mais uma ‘fake news’.

O Evangelho é, etimologicamente, a boa nova, mas dois mil anos depois da ressurreição de Jesus de Nazaré, ainda há quem pense que esta boa notícia é mais uma ‘fake news’ ou, pelo menos, um rumor sem fundamento.

Na verdade, a primeira referência à Páscoa cristã foi um boato falso. Quando uma jornalista de investigação, Maria Madalena, foi fazer uma reportagem ao local onde o corpo de Jesus tinha sido sepultado na antevéspera, verificou que o sepulcro estava vazio. Regressou então apressadamente a Jerusalém, onde deu a bombástica notícia: “Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram!” (Jo 20, 2).

Era verídica a ausência do cadáver, mas não a suposição de que tinha sido roubado, embora parecesse ser essa a única explicação possível para o seu misterioso desaparecimento. Por outro lado, a repórter e a sua equipa, ignorando onde estava o corpo ausente – “não sabemos onde o puseram” – supõem, erradamente, que alguém o teria levado para um paradeiro desconhecido. Embora fosse lógica a sua dedução, falham na precipitada conclusão. É este, aliás, um vício muito comum em certo jornalismo: concluir a partir de uma ilusória aparência.

Pedro e João não acreditaram na surpreendente notícia que lhes foi transmitida por Maria Madalena e, por isso, decidiram ir com ela ao sepulcro. Só quando viram que era o mesmo túmulo e que o cadáver, efectivamente, não estava lá, acreditaram nela, mas não na ressurreição. Como João esclarece, “ainda não entendiam a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20, 9).

A Igreja deve tomar uma atitude crítica em relação a qualquer rumor de algo aparentemente sobrenatural. Em princípio, é da mais elementar prudência não acreditar, mesmo que dito com a melhor boa-fé. Mas também seria imprudente negar essa possibilidade, “porque a Deus nada é impossível” (Lc 1, 37). Que fazer então, quando surge o boato de uma suposta aparição, ou de um alegado milagre? O que Pedro e João fizeram: analisar os factos. Só se forem dignos de crédito, podem ser depois reconhecidos, pela Igreja, como sinais extraordinários da providência divina.

Não obstante as três vezes em que Jesus de Nazaré tinha profetizado a sua paixão, morte e ressurreição ao terceiro dia, os apóstolos resistiram o mais que puderam a esta boa nova. De facto, no dia em que a ressurreição aconteceu, não acreditaram em Maria Madalena, nem nas outras mulheres que, com ela, tinham ido ao sepulcro, nem nos discípulos que, a caminho de Emaús, tiveram um surpreendente encontro com o ressuscitado. Só acreditaram quando o viram com os seus olhos. Mas como, mesmo vendo-o, permaneciam na dúvida, Cristo não só os convidou a tocarem nas suas mãos e pés, como também comeu, na sua presença, uma posta de peixe assado (Lc 24, 42-43). Ou seja, a ressurreição de Jesus passa de mero boato a verdade de fé quando, depois de vencida a dúvida persistente dos apóstolos, ganha a consistência de um facto, ou seja, de uma evidência incontrovertível.

Mas, nem todos os rumores daquele tempo se confirmaram. São João dá conta de que entre os primeiros cristãos correu o boato de que ele, o discípulo que o Senhor amava, não morreria: “correu então entre os irmãos que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse a Pedro: ‘Não morrerá’, mas ‘Se quero que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?’” (Jo 21, 23). Ou seja, o próprio que dá conta do boato é também quem o desmente! Moral da história: o cristão deve ter uma fé inteligente e, por isso, não deve ser crédulo, nem ingénuo.

Para além dos rumores, a que é preciso opor um espírito razoavelmente crítico, também há as ‘fake news’, que são notícias falsas propositadamente postas a circular por quem tem a seu cargo o poder. Também não faltaram há dois mil anos…

É Mateus quem o diz: “alguns dos guardas foram à cidade e noticiaram aos príncipes dos sacerdotes tudo o que tinha sucedido. Tendo-se eles reunido com os anciãos, depois de tomarem conselho, deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: ‘Dizei: Os seus discípulos vieram de noite e, enquanto nós estávamos a dormir, roubaram-no. (…)’. Eles, recebido o dinheiro, fizeram como lhes tinha sido indicado. E esta notícia divulgou-se entre os judeus e dura até ao dia de hoje” (Mt 28, 11-15). Comenta, a este propósito, Santo Agostinho: “astúcia miserável! Apresentas testemunhas adormecidas?! Verdadeiramente estás a dormir tu mesmo, ao imaginar semelhante explicação” (Enarrationes in Psalmos, 63, 15).

É significativo que esta notícia falsa seja o resultado de “uma grande soma de dinheiro” porque, também agora, os grupos económicos que controlam os meios de comunicação social, ‘compram’ ‘fake news’ a jornalistas menos escrupulosos, talvez até com a velada ameaça do despedimento. Algo semelhante ocorre também nas redes sociais: Mark Zuckerberg reconheceu, na sua recente audição pelo congresso norte-americano, que o Facebook tinha cometido um erro, ao bloquear o anúncio de um curso de teologia católica na universidade franciscana de Steubenville. Nessa ocasião, o senador republicano Ted Cruz confrontou-o também com o facto de mais de duas dúzias de páginas católicas terem sido suprimidas pelo Facebook. Pode ser que a sua supressão se tenha ficado a dever a um problema técnico e não a uma atitude premeditada contra a Igreja católica, até porque milhões de cristãos usam, sem restrições, essa rede social, nomeadamente para partilharem a sua fé.

As ‘fake news’ não são apenas notícias falsas, são também notícias assassinas, porque aquele que é mentiroso e pai da mentira é também homicida (cf Jo 8, 44): quando não pode matar pela guerra, pelo aborto ou pela eutanásia, mata pela mentira, como o marxismo e a ideologia do género. Pelo contrário, o Evangelho não é apenas uma notícia verdadeira, é também e principalmente uma boa nova libertadora: só a verdade nos faz verdadeiramente livres (cf Jo 8, 32).

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador
(seleção de imagem 'Spe Deus')

Eufemismos mortais

Não se escondam propostas como as da eutanásia atrás de expressões eufemísticas ou politicamente corretas. Aliás, “politicamente correto” é um eufemismo para “eufemismo”. E eufemismos estupidificam.

Os eufemismos desempenham uma importante função social: amenizam e agilizam muitas das nossas interações pessoais no dia a dia. Mas o seu uso no debate intelectual ou político, onde deve imperar o rigor na análise e a honestidade nas propostas, é ilegítimo. Infelizmente verifica-se o seu uso cada vez mais generalizado não só na academia, mas também no debate político e social. Mas ainda mais lamentável é o seu uso sistemático no ataque aos direitos fundamentais da pessoa humana (no que se segue, pessoa refere-se sempre à humana, não à jurídica como Estado ou empresa).

Vejamos um exemplo: homicídio significa matar deliberadamente uma pessoa inocente. Pessoa inocente ponto. Independentemente do seu sexo, idade, raça, religião ou convicções políticas. O homicídio é considerado ilegítimo universalmente: não se conhece cultura ou civilização que tenha tolerado a destruição de um ser humano sem causa gravíssima e sem apelo ao interesse público. Note-se que a defesa da pena de morte sempre se fez com base na existência desses dois pressupostos: como retribuição (o preço de uma vida humana é outra vida humana) e, secundariamente, como prevenção (juízo de elevada probabilidade do réu voltar a atentar contra a vida de outra pessoa). E, felizmente, já nem estas razões são aceites na maior parte dos sistemas jurídicos.

É verdade que se podem encontrar tentativas de justificação quer do homicídio (não com esta palavra), quer da escravatura (outra prática contra a dignidade humana), em algumas situações históricas. Mas esses casos são sempre feitos baseando-se na negação espúria da humanidade da vítima. Alguns exemplos sobejamente conhecidos são a tentativa de Aristóteles negar que os escravos são seres humanos e, portanto, podem ser propriedade de outrem; a dos socialistas soviéticos em negar a humanidade de burgueses e proprietários, e a dos nacional-socialistas alemães em negar a humanidade dos judeus. E note-se que, nestes casos, a negação da humanidade do outro foi feita com recurso a eufemismos: “purga”, “limpeza”, “purificação” de “parasitas”, “ratos” e “pestilência”.

“Aborto” também é um eufemismo: não o termo que se refere a um fenómeno natural, mas a aplicação desse termo ao ato de assassinar um ser humano no útero. O termo exato, porque a vítima é uma criança, é infanticídio. Aliás “aborto” é um eufemismo tão antigo que o seu uso ao longo de muito tempo já gastou a sua capacidade eufemística de ocultar a realidade. Assim novos eufemismos tiveram de ser cunhados para propor este tipo de infanticídio: “interrupção voluntária da gravidez”, expressão que também já está algo gasta, “direitos reprodutivos”, “saúde reprodutiva”, e outros.

Repare-se que “interrupção” também é um eufemismo: a vida da criança assassinada não é interrompida, é terminada, sem qualquer possibilidade de recomeço. “Voluntária” é outro eufemismo: o bebé assassinado tem tanta vontade de morrer como aqueles adultos e crianças que foram assassinados em Solovki, Treblinka, ou Bataclan, e é precisamente a voluntariedade no ato de matar outra pessoa que é especialmente condenável no homicídio. “Gravidez”, palavra usada para tentar ocultar a humanidade da pessoa a assassinar, também atua como eufemismo: como se o ser humano que está no útero tivesse menos dignidade, ou humanidade, do que está fora; ou como se ao mesmo tempo que se termina a gravidez não se terminasse com a vida de uma criança inocente.

Os arrazoados na defesa deste tipo de infanticídio também são intrinsecamente eufemísticos. “O feto não é um ser humano.” Então que será, tendo em conta que foi gerado por dois humanos? Um ser bovino? Curiosamente é frequente os defensores políticos do homicídio intrauterino se oporem ao “assassínio” bovino.

“O feto é uma menina.” Como se ser menina fosse defeito.

“O feto é defeituoso”. Como se um defeito, qualquer defeito, tirasse a humanidade a uma pessoa; a eugenia é um argumento especialmente repugnante, e traz à memória os programas de eliminação de ciganos, judeus e pessoas com “defeitos” físicos, mentais ou hereditários implementados sistematicamente pelos nacionais-nacionalistas. Aliás, a semelhança nos eufemismos então usados (“solução do problema judeu”) com os aplicados hoje (“terminação” ou “resolução da gravidez”) é patente.

“O feto não viável”. É verdade que nos dias que correm um feto só se torna viável com uma licenciatura, às vezes só com mestrado. Será então de permitir a “interrupção voluntária dos inviáveis”? E se não for viável ser artista sem subsídios? Será a sua inviabilidade, a sua incapacidade para sobreviver quando o cordão umbilical que os liga aos dinheiros públicos é cortado, argumento bastante para, literalmente, os assassinar? Se não é para uns, por que razão será para os outros?

Eutanásia, etimologicamente “boa morte”, é outro eufemismo que pretende obscurecer a natureza da ação: a do ato homicida. Em que sentido se pode considerar ser bom matar um ser humano fragilizado? “Sociedade solidária” não se tornará também um eufemismo se, e quando, tal crime for “legalizado”?

“Morte a pedido” também é uma expressão ambígua. A pedido de quem? Dos herdeiros, por interposta pessoa do próprio? Ou da Secretaria de Estado do Orçamento, que terá uma quota a fazer cumprir, ou da companhia que gere o “plano de saúde”, já que o homicídio hospitalar sai muito mais em conta que cuidados paliativos?

Mas, e se for o próprio a pedir? Há muitas coisas que não se permitem mesmo que sejam os próprios a pedir, seja por razões civilizacionais, seja porque se pretende criar uma “sociedade solidária”: não se permite que uma pessoa se venda para escravo, mesmo que o deseje; não se permite que uma pessoa aceite um emprego com remuneração abaixo do salário mínimo, mesmo que queira; nem se autoriza um casal a contrair matrimónio indissolúvel, mesmo que o requeiram. Se se defende que há coisas que um cidadão não pode fazer com o seu próprio corpo, com a sua própria vida, por maioria de razão não será de desrespeitar a sua vontade quando, num momento de fraqueza física ou de coação moral, ele pede a sua própria destruição?

E que dizer de “morte digna”? Em nenhuma civilização a morte à mão de outro homem foi até hoje considerada digna, exceto a ocorrida em combate. E a dignidade da morte em combate advém, sempre, da coragem na ação e fortaleza no infortúnio, e também na dor, de quem morre. O ser humano tem uma dignidade que faz com que o golpe de misericórdia, que é aplicado humanamente a animais, seja considerado desumano quando aplicado a uma pessoa.

“Morte assistida”? Assistida de que modo? Na da escola de Josef Mengele (1911—1979), ou na de Madre Teresa de Calcutá (1910—1997)? Será que quando passarmos a ir ao médico, a ir ao hospital, teremos de pedir um esclarecimento: “O sr. dr. de que escola é?” Ou será que a proteção ao consumidor obrigará à colocação na entrada do gabinete médico de uma placa com os dizeres: “Mata-se sem ser pedido”, “Mata-se a pedido” ou “Cura-se o paciente e mata-se a dor,” conforme a escola? Uma placa destas teria evitado o drama que Alfie Evans e a sua família estão a viver neste momento.

Exige-se, portanto, que quem defende a legalização do aborto diga honestamente, e sem eufemismos, ao que vem: propor a legalização do infanticídio. E que quem defende a legalização do homicídio de velhos, doentes ou pessoas de outro modo fragilizadas, não esconda a sua proposta atrás de expressões eufemísticas ou politicamente corretas. Aliás, “politicamente correto” é um eufemismo para “eufemismo”.

É verdade que eufemismos estupidificam. Mas pior que isso, também matam.

José Miguel Pinto dos Santos
Professor de Finanças, AESE Business School
Artigo publicado no Observador com seleção de imagens 'Spe Deus'

Aqueles que Deus quiser

Mons. Luciano Guerra, ex Reitor do Santuário de Fátima, em meados dos anos noventa de século passado, em resposta a alguém que lhe dizia poder trazer dezenas de milhar de peregrinos estrangeiros tentando obter vantagens e favores do Santuário respondeu: «sabe, eu sempre acreditei, que Fátima recebe os peregrinos que Deus lhe quiser mandar» (citação de memória), cortando logo aí o alongamento da conversa que seria certamente penosa.

No início do ‘Spe Deus’ em 2008 vivia obcecado com os visitantes do blogue comparando assiduamente as estatísticas com as de um conceituado e respeitado blogue, até que me lembrei do que referi no primeiro parágrafo e resolvi pedir perdão a Deus pela minha arrogância de tudo querer controlar menosprezando a Sua vontade. Foi um alívio e embora nalgumas atitudes posteriores tenha estado à beira de repetir o mesmo erro por outras formas, hoje tenho bem interiorizado que o ‘Spe Deus’ no blogue e no Facebook terá os visitantes que Deus quiser.

É certo que o Senhor elogiou a astúcia do feitor infiel (cfr. Lc 16, 8), mas ainda assim entristece-nos ver quem viva obcecado com o número de ‘Gostos’, de ‘Amigos’ e de visitantes das suas páginas, perdendo o norte e a sobriedade que conduzem à correção de intenção. Por muito boas que sejam as intenções acordem s.f.f. e entreguem-se à vontade de Deus.

Que assim seja!

JPR

Santo Anselmo de Cantuária, bispo, Doutor da Igreja, †1109

Santo Anselmo nasceu em Aosta, no Piemonte, em 1033. Educado pelos beneditinos, quis abraçar a vida monástica. Diante da oposição do pai (conde Gondulfo) desistiu momentaneamente da ideia. Aos 20 anos, perante a impertinência do pai, saiu do castelo com um burro e um criado, fugindo assim da casa paterna. Aventurou-se pela Borgonha, França e Normandia. Sempre sedento de conhecimentos, aos 27 anos ingressou no mosteiro de Bec. Era lá professor Lanfranc de quem se dizia que "sabia a gramática como Herodiano, a dialéctica como Aristóteles, a retórica como Cícero e a Sagrada Escritura como S. Jerónimo e Santo Agostinho". Mais tarde veio a suceder a Lanfranc. Era o ano 1060. Foi nomeado abade de Bec e posteriormente, arcebispo de Cantuária. Estava-se em 1090. Santo Anselmo exerceu grande influência intelectual no seu tempo, dando à teologia foros de ciência, válida por si mesma. É considerado, pois, o fundador da ciência teológica no Ocidente. Partiu para o Paraíso no dia 21 de Abril de 1109.

O Evangelho do dia 21 de abril de 2018

Muitos dos Seus discípulos ouvindo isto, disseram: «Dura é esta linguagem! Quem a pode ouvir?». Jesus, conhecendo em Si mesmo que os Seus discípulos murmuravam por isto, disse-lhes: «Isto escandaliza-vos? Que será quando virdes subir o Filho do Homem para onde estava antes? É o Espírito que vivifica; a carne para nada aproveita. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não crêem». Com efeito Jesus sabia desde o princípio quais eram os que não acreditavam, e quem havia de O entregar. Depois acrescentou: «Por isso Eu vos disse que ninguém pode vir a Mim se não lhe for concedido por Meu Pai». Desde então muitos dos Seus discípulos retiraram-se e já não andavam com Ele. Por isso Jesus disse aos doze: «Também vós quereis retirar-vos?». Simão Pedro respondeu-Lhe: «Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna. E nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus». 

Jo 6, 60-69

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Tudo atrairei a mim

Tu, que vives no meio do mundo; que és um cidadão mais, em contacto com os homens a que chamam bons ou maus...; tu hás-de sentir o desejo constante de dar aos outros a alegria de que gozas pelo facto de seres cristão. (Caminho, 301)

Instaurare omnia in Christo, é o lema que S. Paulo dá aos cristãos de Éfeso: dar forma a tudo segundo o espírito de Jesus; colocar Cristo na entranha de todas as coisas: Si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum: quando Eu for levantado sobre a terra, tudo atrairei a mim. Cristo, com a sua Encarnação, com a sua vida de trabalho em Nazaré, com a sua pregação e os seus milagres por terras da Judeia e da Galileia, com a sua morte na Cruz, com a sua Ressurreição, é o centro da Criação, Primogénito e Senhor de toda a criatura.

A nossa missão de cristãos é proclamar essa Realeza de Cristo; anunciá-la com a nossa palavra e com as nossas obras. O Senhor quer os seus em todas as encruzilhadas da Terra. A alguns, chama-os ao deserto, desentendidos das inquietações da sociedade humana, para recordarem aos outros homens, com o seu testemunho, que Deus existe. Encomenda a outros o ministério sacerdotal. À grande maioria, o Senhor quere-a no mundo, no meio das ocupações terrenas. Estes cristãos, portanto, devem levar Cristo a todos os ambientes em que se desenvolve o trabalho humano: à fábrica, ao laboratório, ao trabalho do campo, à oficina do artesão, às ruas das grandes cidades e às veredas da montanha. (Amigos de Deus, 105)

São Josemaria Escrivá

Este é o caminho cristão...

S. Josemaria Escrivá - Caminho 382
«Se encontraste, pois, Cristo, vivei para Cristo, vivei com Cristo!, e anunciai-O em primeira pessoa, como autênticas testemunhas: ‘Para mim, o viver é Cristo’ (Phil 1,21). Eis aqui também a verdadeira libertação: proclamar Jesus livre de ataduras, presente em homens transformados, feitos nova criatura»

(São João Paulo II - Homilia Catedral de Santo Domingo)

«É necessário invocar sem descanso, com uma fé rija e humilde: Senhor, não te fies de mim! Eu, sim, confio em Ti. E ao pressentir na nossa alma o amor, a compaixão e a ternura com que Jesus Cristo nos olha - Ele não nos abandona - compreenderemos em toda a sua profundidade as palavras do Apóstolo: virtus in infirmitate perficitur; com fé no Senhor, apesar das nossas misérias - ou melhor, com as nossas misérias - seremos fiéis ao nosso Pai Deus e o poder divino brilhará, sustentando-nos no meio da nossa fraqueza».

(São Josemaría Escrivá - “Amigos de Deus” 194)

O sacerdócio...

«Cristo é a fonte de todo o sacerdócio: pois o sacerdócio da [antiga] lei era figura d’Ele, ao passo que sacerdote da nova lei age na pessoa d’Ele».

«… e por isso Cristo é verdadeiro sacerdote, sendo os outros seus ministros».

(São Tomás de Aquino)

«Na realidade, tudo o que é constitutivo do nosso ministério não pode ser produto das nossas capacidades pessoais. Isto é válido para a celebração dos Sacramentos, mas vale igualmente para o serviço da Palavra: não somos enviados para nos anunciarmos a nós mesmos nem às nossas opiniões pessoais, mas para anunciar o mistério de Cristo e, n’Ele, a medida do verdadeiro humanismo».

(Bento XVI - Discurso ao clero de Roma em 13/V/2005)

«Ser cristão - e particularmente ser sacerdote; recordando também que todos os baptizados participam do sacerdócio real - é estar continuamente na Cruz».

(São Josemaría Escrivá - Forja 882)

O Evangelho do dia 20 de abril de 2018

Disputavam, então, entre si os judeus: «Como pode Este dar-nos a comer a Sua carne?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue não tereis a vida em vós. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Porque a Minha carne é verdadeiramente comida e o Meu sangue verdadeiramente bebida. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como Me enviou o Pai que vive e Eu vivo pelo Pai, assim quem Me comer a Mim, esse mesmo também viverá por Mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que comeram os vossos pais, e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente». Jesus disse estas coisas ensinando em Cafarnaum, na sinagoga. 

Jo 6, 52-59