Papa Francisco visita América Latina

Papa Francisco visita América Latina

terça-feira, 7 de julho de 2015

Os filhos aprendem do exemplo na família

Desde muito pequenos, os filhos testemunham o que acontece em casa. E percebem logo se os pais se comportam de acordo com o que ensinam, se se sacrificam com alegria pelos outros, se encaram com paciência e compreensão os defeitos, se sabem desculpar e perdoar e, quando é necessário, corrigir de modo afável mas claro. Ou seja, explicava o nosso Fundador, tudo o que acontece em casa influi, para bem ou para mal, nas vossas crianças. Procurai dar-lhes bom exemplo, procurai não esconder a vossa vida de oração, procurai ser limpos no vosso comportamento. E então aprenderão, e serão a coroa da vossa maturidade e da vossa velhice. Sois para eles como um livro aberto. Por isso deveis ter vida interior, lutar por ser bons cristãos. Se não, é inútil o trabalho que pretendeis fazer com os vossos filhos ou com os filhos dos vossos amigos [9].

Para dar vigor a esta primeira e maior responsabilidade, os pais e os outros educadores devem esforçar-se pessoalmente por aprofundar os conteúdos da fé, através do estudo e da consulta a quem está bem preparado, de forma que a luz da doutrina ilumine o seu entendimento e inflame o seu coração. Tudo isto se vai refletir na sua atuação quotidiana, e então poderão afirmar o que o Espírito Santo põe na boca dos pais quando os filhos, pelo exemplo e conselhos dos seus progenitores, procuram os caminhos de Deus: meu filho, se o teu coração for sábio, o meu também se alegrará, e hei-de rejubilar no meu íntimo quando os teus lábios disserem coisas retas [10].

Comentando estas palavras, o Papa Francisco acrescenta: Não se poderia expressar melhor o orgulho e a emoção de um pai que reconhece que transmitiu ao seu filho aquilo que realmente conta na vida, ou seja, um coração sábio (…). Um pai sabe bem quanto custa transmitir esta herança: quanta proximidade, quanta meiguice e quanta firmeza. No entanto, que consolação e recompensa se recebe quando os filhos honram esta herança! É uma alegria que compensa todos os esforços, que supera qualquer incompreensão e que cura todas as feridas [11].

Apesar destes cuidados, não é raro, sobretudo nalguns países, que a entrada na adolescência ou na juventude vá acompanhada por uma aparente perda da fé. Mais que de abandono, costuma tratar-se de tibieza ou desleixo na prática religiosa, que passam a considerar como uma imposição exterior, que contrasta com o ambiente da escola, da universidade, dos amigos ou amigas. A primeira reação dos pais ou amigos cristãos é sempre rezar mais por essas pessoas, tratá-las com afeto, procurar compreender. Como és uma mãe cristã, comentava S. Josemaria a uma mãe atribulada, descobriste a primeira forma e a mais eficaz: a oração. Invoca a Santíssima Virgem, que entende muito bem as mães, porque ela é Mãe de Deus, tua Mãe e dos teus filhos, e minha Mãe.

Depois, procura encontrar bons amigos para os teus filhos (…).Muitas vezes, as mães não se devem impor porque eles se podem queixar de que não lhes dais liberdade, mas através desses amigos, irão voltando, a pouco e pouco (…). E, protegidos pela tua oração, outras pessoas farão bem aos teus filhos, para que voltem à Igreja, com amor [12].

[9]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 12-XI-1972.
[10]. Pr 23, 15-16.
[11]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 4-II-2015.
[12]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 22-X-1972.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de julho de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

São Josemaría Escrivá nesta data em 1935

Álvaro del Portillo, estudante de engenharia, pede a admissão no Opus Dei. Quando em 1975, vier a falecer Mons. Escrivá de Balaguer, será o seu primeiro sucessor à frente do Opus Dei. Numa carta de 18 de Maio de 1940, quando Álvaro tinha 26 anos, o fundador escreve-lhe: “Saxum!: que claro vejo o caminho – longo – que tens de percorrer! Claro e cheio como um campo coalhado de espigas. Bendita fecundidade de apóstolo, mais bela que todas as belezas da terra!”.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

Em favor dos mais desfavorecidos

Sempre se viveu na Obra este espírito de serviço. Assim nos contava S. Josemaria: o Opus Dei nasceu entre os pobres de Madrid, nos hospitais e nos bairros mais miseráveis: aos pobres, às crianças e aos doentes continuamos a atendê-los. É uma tradição que nunca se há de interromper na Obra, porque sempre haverá pobres – também pobres em espírito, que não são os menos necessitados – e crianças e doentes: nas catequeses que damos em paróquias mais pobres e nas visitas aos pobres da Virgem Maria [5]

Bem sabeis como o nosso Padre impulsionou sempre em todo o mundo numerosas iniciativas em favor dos mais desfavorecidos, e D. Álvaro seguiu o mesmo caminho. Quando se reunia com grupos de adultos ou de gente nova, animava-os a ocupar-se dos mais necessitados, promovendo projetos para ajudar a satisfazer as necessidades educativas, sanitárias, laborais, etc. e, de forma concreta, para aproximar as pessoas de Deus e que elas se aproximassem d’Ele. Fomentou também esta responsabilidade entre empresários, industriais, banqueiros e, em geral, entre homens e mulheres que dispunham de meios económicos. Falava-lhes da necessidade de iniciarem ou de ampliarem esse tipo de iniciativas, que deviam considerar como um dever, consequência da justiça e da caridade que há-de fazer parte de toda a atuação cristã, e de um amor sincero a todos os nossos irmãos e irmãs da humanidade.

Nas suas viagens pastorais, não era raro que, animado pelo desejo de melhorar as condições materiais ou profissionais dos sítios que visitava, estimulasse os fiéis e cooperadores da Obra a perspetivar novas ideias nessa linha de ação. Assim aconteceu, entre outros casos, em 1987, durante a sua estadia nas Filipinas, ao presenciar as necessidades de inúmeros desfavorecidos. Sugeriu aos que o ouviam que promovessem centros de formação profissional e de assistência social em Cebu e Manila, os quais agora funcionam como uma realidade admirável. Noutras ocasiões, sabia acolher os pedidos da hierarquia eclesiástica, que conhecia o coração sacerdotal de D. Álvaro. Aconteceu no Congo, durante a viagem pastoral a esse país em 1989. A instâncias do Presidente e do Secretário da Conferência episcopal, animou alguns fiéis e cooperadores da Obra – que já impulsionavam um dispensário médico – a pensar, com responsabilidade pessoal e profissionalismo, na possibilidade de o transformarem num centro hospitalar, do qual pudessem beneficiar, além das populações locais, os sacerdotes, religiosos e religiosas, também de outros países, que trabalhavam nessa zona. Este projeto está a funcionar com grande eficácia, e oferece assistência especializada no âmbito hospitalar e em regime de ambulatório a milhares de pessoas.

[5]. S. Josemaria, Instrução, 8-XII-1941, n. 57.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de julho de 2014)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

O ícone da Igreja é sempre a Virgem Maria

Antes de mais, nós somos um povo que serve a Deus. O serviço a Deus realiza-se em diversos modos, em particular na oração, no anúncio do Evangelho e no testemunho da caridade. E o ícone da Igreja é sempre a Virgem Maria, a serva do Senhor.

É na escola da Mãe, que a Igreja aprende a tornar-se, dia após dia, “serva do Senhor”, pronta a partir para ir ao encontro das situações de maior necessidade, a sermos muito atentos aos pequenos e aos excluídos.

O testemunho da caridade é a via mestra da evangelização. Nisto, a Igreja sempre esteve na primeira linha, presença materna e fraterna que partilha as dificuldades e as fragilidades das pessoas.

Encorajo-vos todos, padres, pessoas consagradas, leigos, a perseverar neste caminho, servindo a Deus no serviço aos irmãos e difundindo por toda a parte a cultura da solidariedade.

Papa Francisco - excerto homilia da Santa Missa em Campobasso no dia 05.07.2014

Intolerância religiosa?

Com muita frequência, alguns interpretam o facto de anunciar Cristo como uma ruptura no diálogo com as outras religiões. Como é possível anunciar Cristo e dialogar ao mesmo tempo?

[...] Cristo é totalmente diferente de todos os fundadores de outras religiões, e não pode ser reduzido a um Buda, ou a um Sócrates, ou a um Confúcio. É realmente a ponte entre o céu e a terra, a luz da verdade que se mostrou a todos nós. Mas o dom de conhecer Jesus não significa que não haja fragmentos importantes de verdade em outras religiões.

À luz de Cristo, podemos instaurar um diálogo fecundo com um ponto de referência comum, e assim podemos ver como todos esses fragmentos de verdade contribuem para um aprofundamento da nossa própria fé e para uma autêntica comunhão espiritual da humanidade.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘El relativismo, nuevo rostro de Ia intolerância’)

«Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a Sua messe.»

São João Paulo II
Mensagem para a 38ª Jornada de oração pelas vocações, 6 de Maio 2001


Pai santo, fonte inesgotável da existência e do amor,
Que mostras no homem vivo o esplendor da Tua glória,
E que depositas no seu coração a semente do Teu apelo,
Faz com que ninguém, por negligência nossa, ignore ou perca esse dom,
Mas que todos possam caminhar com grande generosidade
Para a realização do Teu Amor.

Senhor Jesus, que durante a Tua peregrinação nas estradas da Palestina,
Escolheste e chamaste os apóstolos
E lhes confiaste a missão de pregar o Evangelho,
De apascentar os fiéis, de celebrar o culto divino,
Faz com que, também hoje, a Tua Igreja não tenha falta
De padres santos que levem a todos
Os frutos da Tua morte e da Tua ressurreição.

Espírito Santo, Tu que santificas a Igreja
Com a constante efusão dos Teus dons,
Põe no coração dos escolhidos à vida consagrada
Uma íntima e forte paixão pelo Teu Reino,
Para que, com um «sim» generoso e incondicional,
Eles coloquem a sua existência ao serviço do Evangelho.

Virgem Santíssima, tu que sem hesitar
Te ofereceste a ti própria ao Todo-Poderoso
Para a realização do Seu desejo de salvação,
Suscita a confiança no coração dos jovens
Para que haja sempre pastores zelosos,
Que guiem o povo cristão no caminho da vida,
E almas consagradas capazes de testemunhar
Pela castidade, a pobreza e a obediência,
A presença libertadora do teu Filho ressuscitado.
Ámen.

O Evangelho do dia 7 de julho de 2015

Logo que estes se retiraram, apresentaram-Lhe um mudo possesso do demónio. Expulso o demónio, falou o mudo, e admiraram-se as multidões, dizendo: «Nunca se viu coisa assim em Israel». Os fariseus, porém, diziam: «É pelo príncipe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Jesus ia percorrendo todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino, e curando toda a doença e toda a enfermidade. Vendo aquelas multidões, compadeceu-Se delas, porque estavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Então disse a Seus discípulos: «A messe é verdadeiramente grande, mas os operários são poucos. Rogai pois ao Senhor da messe, que mande operários para a Sua messe»

Mt 9, 32-38

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Lindíssima homilia do Papa em Guayaquil sobre as Bodas de Caná, a importância de Maria, das Mães e da família (texto integral)

A passagem do Evangelho que acabámos de ouvir é o primeiro sinal portentoso que se realiza segundo a narrativa do Evangelho de João. A preocupação de Maria, transformada em súplica a Jesus: «Não têm vinho!» e a referência à «hora» compreender-se-ão nos relatos da Paixão.

É bom que assim seja, porque permite-nos ver a ânsia de Jesus por ensinar, acompanhar, curar e alegrar a começar da súplica de sua Mãe: «Não têm vinho!»

As bodas de Caná repetem-se em cada geração, em cada família, em cada um de nós e nossas tentativas de fazer com que o nosso coração consiga apoiar-se em amores duradouros, fecundos e felizes. Demos um lugar a Maria, «a mãe», como diz o evangelista. Façamos com Ela o itinerário de Caná.

Maria está atenta naquelas bodas já iniciadas, é solícita pelas necessidades dos esposos. Não Se fecha em Si mesma, não Se encerra no seu mundo; o seu amor fá-La «ser para» os outros. E, por isso, Se dá conta da falta de vinho. O vinho é sinal de alegria, de amor, de abundância. Quantos dos nossos adolescentes e jovens percebem que, em suas casas, há muito que não existe nenhum! Quantas mulheres, sozinhas e tristes, se interrogam quando foi embora o amor, quando se diluiu da sua vida! Quantos idosos se sentem deixados fora da festa das suas famílias, abandonados num canto e já sem beber do amor diário. A falta de vinho pode ser efeito também da falta de trabalho, doenças, situações problemáticas que as nossas famílias atravessam. Maria não é uma mãe «reclamadora», não é uma sogra que espia para se consolar com as nossas inexperiências, erros ou descuidos. Maria é mãe! Permanece ao nosso lado, atenta e solícita.

Maria, porém, dirige-Se com confiança a Jesus, Maria reza. Não vai ao chefe de mesa; apresenta a dificuldade dos esposos directamente a seu Filho. A resposta que recebe parece desalentadora: «Que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora» (v. 4). Mas, entretanto, já deixou o problema nas mãos de Deus. A sua solicitude pelas necessidades dos outros apressa a «hora» de Jesus. Parte desta hora, desde o presépio até à cruz – Ela soube «transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura» (EG 286), e recebeu-nos como filhos quando uma espada Lhe trespassava o coração –, Maria ensina-nos a deixar as nossas famílias nas mãos de Deus; a rezar, acendendo a esperança que nos indica que as nossas preocupações também preocupam a Deus.

Rezar sempre nos arranca do perímetro das nossas preocupações, fazendo-nos transcender aquilo que nos magoa, agita ou falta a nós mesmos para nos colocarmos na pele dos outros, calçarmos os seus sapatos. A família é uma escola onde a oração também nos lembra que há um nós, que há um próximo vizinho, patente: vive sob o mesmo tecto, compartilha a vida e está necessitado.

Maria, finalmente, actua. As palavras «fazei o que Ele vos disser» (v. 5), dirigidas aos serventes, são um convite dirigido também a nós para nos colocarmos à disposição de Jesus, que veio para servir e não para ser servido. O serviço é o critério do verdadeiro amor. E isto aprende-se especialmente na família, onde nos tornamos servidores uns dos outros por amor. Dentro da família, ninguém é descartado; nela, «aprende-se a pedir licença sem servilismo, a dizer “obrigado” como expressão duma sentida avaliação das coisas que recebemos, a dominar a agressividade ou a ganância, e a pedir desculpa quando fazemos algo de mal. Estes pequenos gestos de sincera cortesia ajudam a construir uma cultura da vida compartilhada e do respeito pelo que nos rodeia» (LS 213). A família é o hospital mais próximo, a primeira escola das crianças, o grupo de referência imprescindível para os jovens, o melhor asilo para os idosos. A família constitui a grande «riqueza social», que outras instituições não podem substituir, devendo ser ajudada e reforçada para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos. Com efeito, estes não são uma espécie de esmola, mas uma verdadeira «dívida social» para com a instituição familiar, que tanto contribui para o bem comum de todos.

A família também forma uma pequena Igreja, uma «Igreja doméstica» que, juntamente com a vida, canaliza a ternura e a misericórdia divina. Na família, a fé mistura-se com o leite materno: experimentando o amor dos pais, sente-se envolvido pelo amor de Deus.

E, na família, os milagres fazem-se com o que há, com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão. Muitas vezes não é o ideal, não é o que sonhamos, nem o que «deveria ser». O vinho novo das bodas de Caná nasce das talhas de purificação, isto é, do lugar onde todos tinham deixado o seu pecado. «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5, 20). Na família de cada um de nós e na família comum que todos formamos, nada se descarta, nada é inútil. Pouco antes de começar o Ano Jubilar da Misericórdia, a Igreja vai celebrar o Sínodo Ordinário dedicado às famílias, para amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras dificuldades e importantes desafios que a família deve enfrentar nos nossos dias. Convido-vos a intensificar a vossa oração por esta intenção: para que, mesmo aquilo que nos pareça impuro, nos escandalize ou espante, Deus – fazendo-o passar pela sua «hora» - possa milagrosamente transformá-lo.

Tudo começou porque «não tinham vinho» e tudo se pôde fazer porque uma mulher – a Virgem Maria – esteve atenta, soube pôr nas mãos de Deus as suas preocupações e agiu com sensatez e coragem. Mas, não é menos significativo o dado final: saborearam o melhor dos vinhos. E esta é a boa nova: o melhor dos vinhos ainda não foi bebido, o mais gracioso, profundo e belo para a família ainda não chegou. Ainda não veio o tempo em que saboreamos o amor diário, onde os nossos filhos redescobrem o espaço que partilhamos, e os mais velhos estão presentes na alegria de cada dia. O melhor dos vinhos ainda não veio para cada pessoa que aposta no amor. E ainda não veio, mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário; o melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje vêem desmoronar-se tudo. Murmurai até acreditá-lo: o melhor vinho ainda não veio; e sussurrai-o aos desesperados ou que desistiram do amor. Deus sempre Se aproxima das periferias de quantos ficaram sem vinho, daqueles que só têm desânimos para beber; Jesus sente-Se inclinado a desperdiçar o melhor dos vinhos com aqueles que, por uma razão ou outra, sentem que já se lhes romperam todas as talhas.

Como Maria nos convida, façamos «o que Ele nos disser» e agradeçamos por, neste nosso tempo e nossa hora, o vinho novo, o melhor, nos fazer recuperar a alegria de ser família.

Assim seja!

A oração deve enraizar-se na alma

A verdadeira oração, a que absorve todo o indivíduo, não a favorece tanto a solidão do deserto como o recolhimento interior. (Sulco, 460)

O caminho que conduz à santidade é o caminho da oração; e a oração deve enraizar-se a pouco e pouco na alma, como a pequena semente que se tornará mais tarde árvore frondosa.

Começamos com orações vocais, que muitos de nós repetimos desde crianças: são frases ardentes e simples, dirigidas a Deus e à Sua Mãe, que é nossa Mãe. De manhã e à tarde, não um dia, mas habitualmente, ainda renovo aquele oferecimento que os meus pais me ensinaram: Ó Senhora minha, ó minha mãe, eu me ofereço todo a Vós. E, em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração... Não será isto, de algum modo, um princípio de contemplação, uma demonstração evidente de confiante abandono? Que dizem aqueles que se querem, quando se encontram? Como se comportam? Sacrificam tudo o que são e tudo o que possuem pela pessoa que amam.

Primeiro uma jaculatória, e depois outra e outra... Até que parece insuficiente esse fervor, porque as palavras se tornam pobres...: e abrem-se as portas à intimidade divina, com os olhos postos em Deus sem descanso e sem cansaço. Vivemos então como cativos, como prisioneiros. Enquanto realizamos com a maior perfeição possível, dentro dos nossos erros e limitações, as tarefas próprias da nossa condição e do nosso ofício, a alma anseia escapar-se. Vai até Deus como o ferro atraído pela força do íman. Começa-se a amar Jesus de forma mais eficaz, com um doce sobressalto. (Amigos de Deus, 295–296)

São Josemaría Escrivá

A importância de todos os membros da família

São inúmeras as manifestações de gratidão a S. Josemaria, em todo o mundo, pelas suas palavras de estímulo aos casais, às famílias. Dizia ele, com uma frase da Sagrada Escritura: Dícite iusto quóniam bene (cf Is 3, 10), estais a fazer tudo muito bem, porque não trouxestes os vossos filhos ao mundo como os animais os trazem. Vós sabeis que eles têm alma, e que há uma vida para além da morte, uma vida de felicidade eterna ou de condenação eterna, e quereis que os vossos filhos sejam felizes aqui e lá. Deus vos abençoe! [7].

Também os outros membros da família, especialmente os irmãos mais velhos, os avós, etc., têm a especial responsabilidade de ajudar os mais novos no crescimento da fé e da vida cristã. E em todos os sítios onde procuramos implantar o ambiente de Nazaré, havemos de atuar assim, com o testemunho do exemplo e com a palavra adequada, procurando prestar este serviço fraterno, que é o mais importante que podemos prestar.

Contudo, não podemos esquecer que nalgumas famílias e lugares onde se cuida a formação na doutrina cristã, introduzem-se às vezes gérmenes que debilitam ou apagam mesmo a fé dos que acreditam. Com sentido de responsabilidade, sem inquietações nem desânimos, as mães e os pais hão-de esmerar-se no seu jubiloso dever de educadores na fé. Não basta confiar os filhos a uma escola com reto critério doutrinal, nem contentar-se com o facto de frequentarem ambientes onde se lhes oferece formação católica adequada à idade de cada um. Tudo isso constitui uma ajuda, uma ótima ajuda, mas a primeira responsabilidade compete sempre aos pais.

Quando questionavam o nosso Fundador sobre estes temas, costumava aconselhar: tendes que defender a fé dos vossos filhos de duas maneiras: primeiro com a vossa atuação cristã, com o vosso exemplo. E depois com a doutrina, procurando rever o Catecismo (…). E sem aborrecer muito os vossos filhos, haveis de os ir formando na boa doutrina. E assim salvareis a sua fé [8].

[7]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 18-X-1972.
[8]. Ibid.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de julho de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

São Josemaría Escrivá nesta data em 1974


No Chile, uma jornalista faz-lhe uma pergunta sobre a intimidade com o Espírito Santo, a quem São Josemaría chama com frequência o Grande Desconhecido: “Na tua profissão, o Grande Desconhecido actua como em todas as profissões. Tu sentes, como eu sinto, a vacilação, a dúvida: posso ir para a direita, para a esquerda; posso falar disto ou calar-me. Eu noto-o perfeitamente, neste preciso momento. E tu também, quando escreves ou quando fazes uma reportagem, não é verdade? Pois, deixa-te conduzir pelo Espírito Santo. Decide-te pelo mais árduo, sempre que seja bom e nobre. E então seguirás o impulso do Espírito Santo, e Ele te ajudará, e serás uma boa jornalista, e farás muito bem às pessoas”.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

A importância da maternidade em geral e a de Maria enquanto Mãe de Jesus


«: … o ser humano em devir (de novo ao contrário do animal) depende tão profundamente do seu “estar-com” outros seres humanos que só através desse próximo, normalmente a mãe, desperta para a sua auto-consciência. No sorriso desvela-se-lhe o facto de haver um mundo em que ele é recebido, em que é bem-vindo, e, nesta experiência primordial, pela primeira vez, toma consciência de si próprio. Este acontecimento fundamente de toda a existência humana, cujo alcance só no nosso tempo passou a ser apreciado como merece, acompanha as restantes funções do crescimento e da educação: a alimentação e o cuidado da criança, a sua introdução no mundo e respectiva tradição histórica. Muito antes da aprendizagem da fala se desenvolve um diálogo sem palavras entre mãe e filho na base do “estar-com-os-outros” (Mitsein) constitutivo para cada ser humano consciente.

Isto diz, pois, que também Jesus deve principalmente a sua mãe a sua autoconsciência humana, se não quisermos admitir que, como criança prodígio sobrenatural, ele não devesse essa consciência a ninguém. Mas isso seria pôr em causa a sua humanidade verdadeira»

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

São Thomas More foi executado nesta data em 1535

“Morro um fiel servo do Rei, mas de Deus primeiro”. Terão sido estas as últimas palavras de São Tomás More, antes de ser decapitado. A frase traduz, lealmente, a vida deste político, que chegou a ser o braço direito de Henrique VIII e que teria tido uma carreira ainda mais frutuosa, se tivesse fechado os ouvidos ao brado da sua própria consciência.

Nascido em 1478, More destacou-se como erudito homem de letras. Contra a tendência do seu tempo, defendeu que a capacidade intelectual das mulheres era igual à dos homens e deu às suas filhas uma educação rigorosa e rica.

Nomeado chanceler em 1529, foi-se tornando um colaborador cada vez mais próximo do rei. Quando começaram a chegar às ilhas britânicas ecos das revoltas de Lutero contra a Igreja, More redigiu fortes e firmes defesas da Igreja Católica, em nome de Henrique VIII, posições que valeram ao rei o título “Defensor da Fé”, atribuído pelo Papa.

A conhecida polémica resultante da recusa por parte de Roma de reconhecer a anulação do casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão e o consequente afastamento do trono Inglês do poder Papal traduziram-se numa tensão terrível entre duas instituições pelas quais More sentia uma tremenda fidelidade.

O amor à Igreja falou mais alto. More recusou colaborar com as medidas anti-católicas de Henrique VIII. Absteve-se de participar na cerimónia de coroação de Ana Bolena e o Rei decidiu agir judicialmente.

Apresentaram-se falsos testemunhos e os juízes, entre os quais o pai, um irmão e um tio de Bolena, condenaram-no por alta traição.

Maria José Nogueira Pinto, que, enquanto política católica, cultiva um grande interesse e admiração pela figura deste santo, explica que o processo de More tem três vertentes importantes:

“É uma questão de consciência, mas é também o sacrifício de uma amizade, porque Thomas More e o rei tinham uma relação quase filial. E é, finalmente, uma questão de Estado, porque Thomas More percebe o que se está a passar e as repercussões de tudo aquilo que, aliás, ainda hoje se manifesta, no campo religioso”.

Para Maria José Nogueira Pinto, More é uma referência muito actual, porque “na política, continua a haver a tentação do caminho mais fácil. Uma visão pragmática, no pior sentido da palavra. Thomas More representa o oposto disso, elevando o respeito pelas convicções e pela consciência”.

Os relatos que nos chegaram dos seus últimos momentos referem que More manteve sempre a sua dignidade e até uma boa dose de humor. Quando lhe ofereceram ajuda para subir ao cadafalso aceitou, agradecido, mas logo adiantou: “Eu depois desço sozinho”.

A sua firmeza na defesa da fé valeu-lhe a canonização na Igreja Católica em 1935, tendo sido nomeado mais recentemente padroeiro dos políticos.

Filipe d’Avillez

(Fonte: ‘Página 1’, grupo Renascença na sua edição de 06.07.2010)

Santa Maria Goretti, virgem, mártir, †1902

Santa Maria Goretti ou Marieta, como também era chamada, foi uma daquelas santas que morreram pelo facto de não quererem cometer pecado. Nascida na cidade de Corinaldo, província de Ancona, Itália, Maria Goretti e sua família foram obrigados a mudar-se para o inóspito Agro Pontino, na localidade de Ferrieri di Conca, em busca de trabalho.

Seus pais trabalhavam na lavoura enquanto Maria cuidava dos seus quatro irmãos mais novos.

Pouco tempo depois, quando a menina tinha dez anos, seu pai morreu de doença grave. Sua mãe, Assunta, trabalhava duramente no campo para ganhar o sustento da casa. Além de cuidar da casa e dos irmãos, Maria aproveitava o tempo que lhe restava para correr até à Igreja mais próxima e aprender o catecismo. Aos doze anos, num domingo de Maio, pôde fazer a primeira comunhão. Apesar de ter somente doze anos, Maria Goretti era muito crescida, o que chamou a atenção de um jovem garoto de 18 anos, Alexandre Serenelli. Um dia, aproveitando um momento em que Maria estava sozinha com sua irmã mais nova, Alexandre procurou seduzí-la. Diante da resistência da jovem menina, Alexandre apunhalou-a com vários golpes. A santa foi transportada ao hospital e antes de morrer perdoou ao assassino com as seguintes palavras: "Por amor a Jesus perdôo e quero que venha comigo para o paraíso". Alexandre foi condenado a trabalhos forçados até os 27 anos, altura em que foi absolvido por boa conduta. Ele conta ter tido uma visão da pequena mártir, que o fez mudar de vida. Maria Goretti foi canonizada em 1950.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada»

São Francisco de Assis (1182-1226), fundador dos Frades Menores
Carta a toda a ordem

Escutai, meus irmãos. Se a Bem-aventurada Virgem Maria é digna de louvor - e é-o com justiça - porque trouxe a Cristo no seu seio bendito, se o bem-aventurado João Baptista estremeceu, não ousando sequer tocar na cabeça sagrada do seu Deus, se o túmulo em que o corpo de Cristo foi encerrado durante algum tempo está rodeado de veneração, quão santo, justo e digno há-de ser aquele que toca a Cristo com as mãos, O recebe na boca e no coração e O dá aos outros em alimento, este Cristo que deixou de ser mortal, mas que é eternamente vencedor e glorioso, que é Aquele que os anjos desejam contemplar.

Reparai na vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede santos porque Ele é santo (1P 1, 16) [...] Grande miséria e miserável fraqueza se, tendo-O assim presente nas mãos, vos entreteis com qualquer outra coisa!

Que todo o homem tema, que o mundo inteiro trema, que o céu exulte quando Cristo, o Filho de Deus vivo, Se encontra sobre o altar, entre as mãos do sacerdote. Que grandeza admirável, que bondade extraordinária! Que humildade sublime! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, humilha-Se pela nossa salvação, a ponto de Se ocultar numa pequena hóstia de pão. Vede, irmãos, a humildade de Deus; prestai-Lhe homenagem no vosso coração. Sede humildes, vós também, para serdes por Ele exaltados. Nada guardeis para vós, a fim de que Aquele que a vós Se entrega por inteiro vos receba por inteiro.

O Evangelho do dia 6 de julho de 2015

Enquanto lhes dizia estas coisas, eis que um chefe da sinagoga se aproxima e se prostra diante d'Ele, dizendo: «Senhor, morreu agora minha filha; mas vem, põe a Tua mão sobre ela, e viverá». Jesus, levantando-Se, seguiu-o com os Seus discípulos. E eis que uma mulher que padecia de um fluxo de sangue havia doze anos, se chegou por detrás d'Ele, e tocou na orla do Seu vestido. Dizia para si mesma: «Ainda que eu toque somente o Seu vestido, serei curada». Voltando-Se Jesus e, olhando-a, disse: «Tem confiança, filha, a tua fé te salvou». E ficou sã a mulher desde aquele momento. Tendo Jesus chegado a casa do chefe da sinagoga viu os tocadores de flauta e uma multidão de gente que fazia muito barulho. «Retirai-vos, disse, porque a menina não está morta, mas dorme». Mas riam-se d'Ele. Tendo-se feito sair a gente, Ele entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. E divulgou-se a fama deste milagre por toda aquela terra.

Mt 9, 18-26