Tríduo Pascal

Tríduo Pascal
Tríduo Pascal

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Quinta-feira Santa


Tríduo Pascal

Jesus iniciou o Tríduo Pascal reunindo-se com os Apóstolos no Cenáculo de Jerusalém. Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar [Lc 22, 15], desejei ardentemente celebrar esta Páscoa convosco, antes da Minha Paixão. Com estas palavras se exprime S. Lucas ao escrever o relato da última Ceia. Em cada uma se adivinha o infinito amor do Coração de Jesus pelos homens, a viva consciência de que já tinha chegado a Sua hora, o momento da salvação do género humano, tão longamente esperado.
(…)
Como não pensar também no desejo de ser correspondido, que embargava Nosso Senhor? Contudo, os que O rodeavam não eram conscientes da transcendência daquele acontecimento, como mostra o facto de, precisamente nessa altura, surgirem entre eles discussões sobre quem seria considerado o maior [Cfr. Lc 22, 24].

Copyright © Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei, na sua carta de Abril de 2012)

QUINTA FEIRA SANTA por Joaquim Mexia Alves

Nas tuas doces mãos
colocas o Pão do amor.

Olhas enternecido para os teus,
fitas neles o teu olhar,
e em cada um deles,
vês um de nós,
daqueles que agora existem,
e os mais que hão-de vir.

Docemente,
em oração profunda,
proferes as palavras,
que tornam em Ti o pão,
que fazem do vinho o teu Sangue!

Oh que sublime momento,
em que dando-lhes o Pão a comer,
o Vinho abençoado a beber,
lhes abres o coração,
fazes-Te para todos alimento.

«Quem comer deste Pão,
quem beber deste Vinho,
terá a vida eterna»,
dizes Tu,
olhando-nos nos olhos,
estendendo-nos a tua mão,
num sussurro de mansinho,
feito de Palavra terna.

E eu,
ali presente,
no Pedro, no João,
no André,
um nada que ninguém vê,
a não ser o teu coração,
que me acolhe docemente,
que me aperta e me ama,
de um modo tão ingente,
que me faz acreditar,
e torna a minha incerteza
numa inabalável fé.

Sim,
é verdade,
eu estive na Última Ceia,
dela participo em cada dia,
em que saindo das dúvidas,
me entrego todo inteiro,
na Santa Eucaristia.

Monte Real, 04 de Abril de 2012

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2012/04/quinta-feira-santa.html

«in Cena Domini»

De tarde, durante a Missa in Cena Domini, celebraremos especialmente a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. O hoje da renovação sacramental do Mistério pascal, o hoje da Cruz – que o Senhor antecipou na Última Ceia –, torna-se presente em cada celebração eucarística e, com particular relevo, na Quinta-feira Santa. Assombremo-nos ante a perene actualidade do Sacrifício do Calvário, de forma especial na Missa in Cena Domini. Neste dia, antes de realizar a Consagração, o Cânone Romano põe nos lábios do sacerdote umas palavras próprias desta solenidade: Ele que hoje, na véspera de sofrer pela nossa salvação e pela de todos os homens, tomou o pão em Suas santas e adoráveis mãos….

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei, na sua carta de Abril de 2011)

«Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22,27)

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja 
Sermões para o Domingo e as festas, Quinta-feira Santa


«Jesus levantou-Se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos». Lemos no Génesis uma narração do mesmo género. Abraão diz aos mensageiros, aos três anjos que o visitam: «Trarei um pouco de água para vos lavar os pés. Descansai debaixo desta árvore. Vou buscar um bocado de pão e quando as vossas forças estiverem restauradas…» (18,4-5). O que Abraão fez aos três anjos, Cristo fê-lo aos seus apóstolos, os mensageiros da verdade que iriam anunciar ao mundo inteiro a fé na Santíssima Trindade.

Ele inclina-Se perante eles como uma criança; inclina-Se e lava-lhes os pés. Que humildade incompreensível, que bondade inexprimível! Aquele que os anjos do céu adoram está aos pés destes pescadores! Esta face que faz tremer os anjos inclina-Se sobre os pés destes pobres! É por isso que Pedro é tomado de temor. […] Após ter-lhes lavado os pés, fá-los «descansarem debaixo da árvore», como está dito no Cântico dos Cânticos: «Anelo sentar-me à sua sombra, e o seu fruto é doce à minha boca» (2,3). Este fruto é o seu Corpo e o seu Sangue, que Ele lhes deu nesse dia. É o «bocado de pão» que colocou à frente deles e que os reconfortou para os trabalhos que haveriam de realizar. […]

Eis «o banquete de viandas gordas e tenras que o Senhor do universo prepara para todos os povos sobre este monte» (Is 25,6). […] Na sala alta, onde os apóstolos receberão o Espírito Santo no dia de Pentecostes, hoje o Senhor do universo prepara um festim para todos os povos que crêem nele. […] É isso que a Igreja faz hoje no mundo inteiro. Foi para ela que Cristo preparou este festim no monte Sião, este alimento que nos restaura, o seu verdadeiro Corpo, rico em todas as virtudes espirituais e em toda a caridade. Ele deu-o aos seus apóstolos e ordenou-lhes que o dessem àqueles que acreditam nele.

O Evangelho do dia 2 de abril de 2015

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a Sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Durante a ceia, tendo já o demónio posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a determinação de O entregar,3Jesus, sabendo que o Pai tinha posto nas Suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e voltava para Deus, levantou-Se da mesa, depôs as vestes e, pegando numa toalha, cingiu-Se com ela. Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou, pois, a Simão Pedro. Pedro disse-Lhe: «Senhor, Tu lavares-Me os pés?». Jesus respondeu-lhe: «O que Eu faço, tu não o compreendes agora, mas compreendê-lo-ás depois». Pedro disse-Lhe: «Jamais me lavarás os pés!». Jesus respondeu-lhe: «Se Eu não te lavar não terás parte comigo». Simão Pedro disse-Lhe: «Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus disse-lhe: «Aquele que tomou banho não tem necessidade de se lavar, pois todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos». Ele sabia quem era o que O ia entregar, por isso disse: «Nem todos estais limpos». Depois que lhes lavou os pés e que retomou as Suas vestes, tendo tornado a pôr-Se à mesa disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem porque o sou. Se Eu, pois, sendo vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais vós também.

Jo 13, 1-15

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Se alguém não luta...

A alegria é um bem cristão, que possuímos enquanto lutarmos, porque é consequência da paz. A paz é fruto de ter vencido a guerra, e a vida do homem sobre a terra, lemos na Escritura Santa, é luta. (Forja, 105)

A tradição da Igreja sempre se referiu aos cristãos como milites Christi, soldados de Cristo; soldados que dão serenidade aos outros enquanto combatem continuamente contra as suas próprias más inclinações. Às vezes, por falta de sentido sobrenatural, por uma descrença prática, não querem compreender de forma alguma como milícia a vida na Terra. Insinuam maliciosamente que, se nos consideramos milites Christi, há o perigo de utilizarmos a fé para fins temporais de violência, de sedições. Esse modo de pensar é um triste e pouco lógico simplismo, que costuma andar unido ao comodismo e à cobardia.

Nada há de mais estranho à fé católica do que o fanatismo. Este conduz a estranhas confusões, com os mais diversos matizes, entre o que é profano e o que é espiritual. Tal perigo não existe, se a luta se entende como Cristo no-la ensinou, isto é, como guerra de cada um consigo mesmo, como esforço sempre renovado por amar mais a Deus, por desterrar o egoísmo, por servir todos os homens. Renunciar a esta contenda, seja com que desculpa for, é declarar-se de antemão derrotado, aniquilado, sem fé, com a alma caída e dissipada em complacências mesquinhas.

Para o cristão, o combate espiritual diante de Deus e de todos os irmãos na fé é uma necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, se alguém não luta, está a trair Jesus Cristo e todo o Corpo Místico, que é a Igreja. (Cristo que passa, 74) 

São Josemaría Escrivá

Papa Francisco na Audiência geral (resumo em português)

Locutor: Nos próximos dias do Tríduo Pascal, não nos limitemos a comemorar a paixão, morte e ressurreição de Cristo, mas façamos nossos os sentimentos e atitudes d’Ele, como nos diz o apóstolo São Paulo: «Tende os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus». São sentimentos de entrega e serviço, como vemos quando lavou os pés aos seus discípulos e Se deu todo a eles sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho na Última Ceia. Na Eucaristia, entramos em comunhão com Cristo Servo para podermos amar-nos uns aos outros como Ele nos amou. E Ele amou-nos até ao dom total da sua vida, realizado em Sexta-feira Santa na Cruz, transformando então o suplício mais celerado no mais perfeito, pleno e puro acto de amor. Assim temos de fazer nós também, porque só nos tornamos capazes de salvação, oferecendo a nossa própria carne: devemos carregar aos ombros o mal do mundo e compartilhar o seu sofrimento, absorvendo-o profundamente na nossa carne, como fez Jesus, como fizeram os mártires. É verdade que às vezes a escuridão parece envolver a alma: «Já não há nada a fazer!» E o coração sente-se sem forças para amar. São as trevas que envolvem a terra. Jesus conheceu-as: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?». Tinha ainda o Pai e, nas suas mãos, entregou o espírito. Quando caiu o silêncio da morte, quando a criação mergulhou na escuridão, permanece Maria, sua Mãe, mantendo acesa a chama da fé esperando, contra toda a esperança, na ressurreição de Jesus. E tinha razão! Na Vigília, ressoa de novo o Aleluia pascal. É-nos dada a luz do Ressuscitado para que, em nós, já não viva o lamento «não há nada a fazer» mas a esperança de quem se abre a um presente cheio de futuro: Cristo venceu a morte, e nós vencemo-la com Ele.

Santo Padre:
Carissimi pellegrini di lingua portoghese, benvenuti! Di cuore vi saluto tutti, augurandovi un Triduo Pasquale davvero santo che vi aiuti a vivere la Pasqua, pieni di gioia, consolazione e speranza, come si addice a quanti sono risorti con Cristo. Buona Pasqua!

Locutor: Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! De coração vos saúdo a todos, desejando-vos um Tríduo Pascal verdadeiramente santo que vos ajude a viver a Páscoa, cheios de alegria, consolação e esperança, como convém a quantos ressuscitaram com Cristo. Boa Páscoa!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1933

“Não julgueis sem ouvir as duas partes. Mesmo as pessoas que se têm por piedosas se esquecem muito facilmente desta norma elementar de prudência”, anota nesta data.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

Beijemos repetidamente o Crucifixo e digamos, obrigado!

Hoje, no meio da Semana Santa, a liturgia apresenta-nos um episódio triste: a narração da traição de Judas, que vai ter com os chefes do Sinédrio para negociar e para lhes entregar o seu Mestre. «Quanto me dais, se eu vo-lo entregar?». Naquele momento, Jesus tem um preço. Este gesto dramático marca o início da Paixão de Cristo, um percurso doloroso que Ele escolhe com liberdade absoluta. Di-lo claramente Ele mesmo: «Eu dou a minha vida... Ninguém a tira de mim, mas sou Eu mesmo que a dou e tenho o poder de a dar, do mesmo modo como tenho o poder de a retomar» (Jo 10, 17-18). E assim, com esta traição, começa o caminho da humilhação, do despojamento de Jesus. Como se fosse no mercado: isto custa trinta moedas... Uma vez empreendido o caminho da humilhação e do despojamento, Jesus percorre-o até ao fundo.

Jesus alcança a humilhação completa mediante a «morte de cruz». Trata-se da pior morte, aquela que era reservada aos escravos e aos delinquentes. Jesus era considerado um profeta, mas morre como um bandido. Olhando para Jesus na sua paixão, nós vemos como que num espelho os sofrimentos da humanidade e encontramos a resposta divina para o mistério do mal, da dor e da morte. Sentimos muitas vezes horror diante do mar e do sofrimento que nos circundam, e interrogamo-nos: «Por que permite Deus isto?». Para nós, é uma ferida profunda ver o sofrimento e a morte, especialmente dos inocentes! Quando vemos sofrer as crianças, é uma ferida no coração: é o mistério do mal! E Jesus assume sobre si todo este mal, todo este sofrimento. Durante esta semana far-nos-á bem a todos contemplar o Crucificado, beijar as chagas de Jesus, beijá-las no crucifixo. Ele assumiu sobre si mesmo todo o sofrimento humano, revestindo-se desta dor.

Nós esperamos que Deus, na sua omnipotência, derrote a injustiça, o mal, o pecado e o sofrimento, com uma vitória divina triunfante. Deus mostra-nos, ao contrário, uma vitória humilde que, humanamente, parece uma falência. Podemos dizer que Deus vence na derrota! Com efeito, o Filho de Deus demonstra-se na cruz como um homem derrotado: padece, é atraiçoado, vilipendiado e finalmente morre. Mas Jesus permite que o mal se desencadeie sobre Ele, e assume-o sobre si para o derrotar. A sua paixão não é um acidente; a sua morte — aquela morte — estava «escrita». Verdadeiramente, não encontramos muitas explicações. Trata-se de um mistério desconcertante, o mistério da grande humildade de Deus: «Com efeito, Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único» (Jo 3, 16). Esta semana pensemos muito na dor de Jesus e digamos: isto é para mim. Ainda que eu fosse a única pessoa no mundo, Ele tê-lo-ia feito. Fê-lo por mim. Beijemos o Crucificado e digamos: por mim, obrigado Jesus, por mim!

Quando tudo parece perdido, quando já não houver ninguém, porque hão-de ferir «o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas» (Mt 26, 31), é então que Deus intervém com o poder da ressurreição. A ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma bonita fábula, não é o happy end de um filme; mas a intervenção de Deus Pai sobrevém onde se rompe a esperança humana. O momento em que tudo parece perdido, na hora do sofrimento, no qual numerosas pessoas sentem como que a necessidade de descer da cruz, é o momento mais próximo da ressurreição. A morte torna-se mais obscura precisamente antes que desponte a manhã, antes que surja a luz. É na hora mais obscura que Deus intervém e ressuscita.

Jesus, que quis passar por este caminho, chama-nos a segui-lo na sua vereda de humilhação. Quando, em certos momentos da vida, não encontramos saída alguma para as nossas dificuldades, quando precipitamos na escuridão mais densa, é o momento da nossa humilhação e despojamento total, a hora em que experimentamos que somos frágeis e pecadores. É precisamente então, naquele momento, que não devemos disfarçar a nossa derrota, mas abrir-nos confiantes à esperança em Deus, como fez Jesus. Estimados irmãos e irmãs, nesta semana far-nos-á bem pegar no crucifixo, beijá-lo reiteradas vezes e dizer: obrigado Jesus, obrigado Senhor! Assim seja.

Papa Francisco na Audiência geral de 16 de abril de 2014

Quarta-Feira Santa

«Porventura sou eu, Mestre?»
E esta pergunta que faço minha,
Atormenta-me a alma.
Enraíza-se como erva daninha,
Tira-me a paz e a calma
Fico distante e absorto!

Serei eu, Senhor?

Esse que Te trai todos os dias
Fazendo mal que não quero
Não fazendo o bem que devo?

Serei eu, Senhor?

E… quase me atrevo
E sendo, por uma vez, sincero,
Dir-te-ei:

Ah! Se não me ajudas,
Como Judas,
Trair-te-ei!

ama, Quarta-Feira Santa, 2013.03.27 em NUNC COEPI

Viver o Tríduo Pascal

À medida que a Páscoa se aproximava, crescia em D. Álvaro a preparação para aproveitar bem o Tríduo pascal. Dizia-nos uma vez: «Havemos de procurar ser mais um, vivendo em intimidade de entrega e de sentimentos os diversos passos do Mestre durante a Paixão, acompanhar Nosso Senhor e a Santíssima Virgem com o coração e a cabeça, naqueles tremendos acontecimentos, dos quais não estivemos ausentes quando eles aconteceram, porque o Senhor sofreu e morreu pelos pecados de cada uma e de cada um de nós. Pedi à Santíssima Trindade que nos conceda a graça de entrar mais a fundo na dor que cada um causou a Jesus Cristo, para adquirirmos o hábito da contrição, que foi tão profundo na vida do nosso santo Fundador e o levou a heroicos graus de Amor» [7].

A liturgia de Quinta-feira Santa impressionava, naturalmente, D. Álvaro. E cheio de esperança, de alegria, também humana, considerava a entrega de Cristo à Igreja, por cada alma, manifestada na instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Visitava os Monumentos com ânimo de meditar e assumir o Sacrifício supremo de Jesus. Gostava de passar pelas igrejas onde O colocavam com maior solenidade, também com o desejo de se preparar melhor para acolher constantemente Deus na sua alma.

Várias vezes comentou que o comoviam as leituras dos diversos ofícios litúrgicos desses dias, e de forma muito particular a narração da Paixão segundo S. João. Recomendava a leitura e meditação da Paixão do Senhor e a adoração da Santa Cruz. Detinha-se a rezar o canto das Lamentações, na Sexta-feira Santa, e o Exsúltet, o pregão da Vigília Pascal.

Em sinal de gratidão e de esperança, beijava com frequência o crucifixo que trazia no bolso, ou o que punha sobre a mesa de trabalho. Tratemos Jesus com autêntico carinho de enamorados, como D. Álvaro fazia, segundo o conselho do nosso Padre: o teu Crucifixo. – Como cristão, deverias trazer sempre contigo o teu Crucifixo. E colocá-lo sobre a tua mesa de trabalho. E beijá-lo antes de te entregares ao descanso e ao acordar. E quando o pobre corpo se rebelar contra a tua alma, beija-o também [8]. Testemunhei que este modo de proceder contagiava outras pessoas, que acabavam por imitá-lo nessas práticas cheias de vigorosa piedade e de naturalidade cristã.

[7]. D. Álvaro del Portillo, Carta, 1-IV-1987.
[8]. S. Josemaria, Caminho, n. 302.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de abril de 2014)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

«Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?»

Santa Teresa - Benedita da Cruz [Édith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
A Oração da Igreja

Sabemos pelos relatos evangélicos que Cristo rezou como um judeu crente e fiel à Lei. [...] Pronunciou as antigas orações de bênção, que ainda hoje se dizem, pelo pão, pelo vinho e pelos frutos da terra, como mostram as narrações da última Ceia, totalmente consagrada à execução de uma das obrigações religiosas mais santas: a solene refeição da Páscoa, que comemorava a libertação da servidão do Egipto. Talvez seja aqui que nos é dada a visão mais profunda da oração de Cristo, como chave que nos introduz na oração de toda a Igreja. [...]

A bênção e a partilha do pão e do vinho faziam parte do rito da refeição pascal. Mas tanto uma como a outra recebem aqui um sentido inteiramente novo. Aqui nasce a vida da Igreja. É certo que é apenas no Pentecostes que Ela nasce como comunidade espiritual e visível. Mas aqui, na Ceia, realiza-se o enxerto da vara na cepa que torna possível a efusão do Espírito. As antigas orações de bênção tornaram-se, na boca de Cristo, palavras criadoras de vida. Os frutos da terra tornaram-se a Sua carne e o Seu sangue, cheios da Sua vida. [...] A Páscoa da Antiga Aliança tornou-se a Páscoa da Nova Aliança.

O Evangelho do dia 1 de abril de 2015

Então um dos doze, que se chamava Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, e disse-lhes: «Que me quereis dar e eu vo-l'O entregarei?». Eles prometeram-lhe trinta moedas de prata. E desde então buscava oportunidade para O entregar. No primeiro dia dos ázimos, aproximaram-se de Jesus os discípulos, dizendo: «Onde queres que Te preparemos o que é necessário para comer a Páscoa?». Jesus disse-lhes: «Ide à cidade, a casa de um tal, e dizei-lhe: “O Mestre manda dizer: O Meu tempo está próximo, quero celebrar a Páscoa em tua casa com os Meus discípulos”». Os discípulos fizeram como Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. Ao entardecer, pôs-se Jesus à mesa com os doze. Enquanto comiam, disse-lhes: «Em verdade vos digo que um de vós Me há-de trair». Eles, muito tristes, cada um começou a dizer: «Porventura sou eu, Senhor?» Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse é que Me há-de trair. O Filho do Homem vai certamente, como está escrito d'Ele, mas ai daquele homem por quem será entregue o Filho do Homem! Melhor fora a tal homem não ter nascido». Judas, o traidor, tomou a palavra e disse: «Porventura, sou eu, Mestre?». Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste». 

Mt 26, 14-25