Lc 9 57

Lc 9 57
Indo eles pelo caminho, veio um homem que Lhe disse: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, porém, o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». (Lc 9, 57-58)

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Deus não te arranca do teu ambiente

Deus não te arranca do teu ambiente, não te tira do mundo, nem do teu estado, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional... mas, aí, quer-te santo! (Forja, 362)

Convencei-vos de que a vocação profissional é parte essencial e inseparável da nossa condição de cristãos. O Senhor quer que sejais santos no lugar onde estais e no trabalho que haveis escolhido pelas razões que vos aprouveram: pela minha parte, todos me parecem bons e nobres – desde que não se oponham à lei divina – e capazes de ser elevados ao plano sobrenatural, isto é, enxertados nessa corrente de Amor que define a vida de um filho de Deus. (...).

Temos de evitar o erro de considerar que o apostolado se reduz ao testemunho de algumas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos, mas, ao mesmo tempo e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com obrigações bem nítidas que temos de cumprir exemplarmente, se deveras queremos santificar-nos. É Jesus Cristo que nos estimula: Vós sois a luz do mundo. (Amigos de Deus,  60–61)

São Josemaría Escrivá

Papa Francisco na Audiência geral (resumo em português)

Locutor: O Senhor concede à Igreja todos os dons de que precisa para a sua caminhada na história. No número de tais dons, entram os carismas, que Deus Pai, através da acção do Espírito Santo, concede a cada pessoa, para que os ponha ao serviço da comunidade inteira. De facto, é no seio da comunidade que alguém pode reconhecer os carismas que tem. Por isso, cada um deverá interrogar-se: «Há qualquer carisma que o Senhor fez nascer em mim e que os meus irmãos, na comunidade cristã, reconheceram e encorajaram?» Mas, uma tal diversidade e multiplicidade de carismas na Igreja deve ser vista em sentido positivo ou como um problema? Sem dúvida, em sentido positivo! Todos eles são um dom do Pai do Céu à comunidade para que esta cresça harmoniosamente como um só corpo: o corpo de Cristo. Ai de nós, se fizéssemos de tais dons motivo de inveja ou de divisão! Como nos recorda
São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, todos os carismas são importantes aos olhos de Deus; isto quer dizer que, na comunidade cristã, precisamos uns dos outros e cada dom recebido só se realiza plenamente quando é partilhado com os irmãos para o bem de todos. Assim, a Igreja cresce com a graça do seu Senhor e torna-se, em todo o tempo e lugar, sinal credível e testemunho vivo do amor de Deus.

Santo Padre:
Carissimi pellegrini di lingua portoghese, vi saluto cordialmente tutti, con menzione speciale per i brasiliani presenti e per i membri dell’Associação Cristã de Empresários e Gestores, di Portogallo. Nel ringraziarvi per la presenza, v’invito a proseguire la vostra fedele testimonianza cristiana nella società. Lasciatevi guidare dallo Spirito Santo, per capire il vero senso della storia. Volentieri benedico voi e i vostri cari, incoraggiandovi nella recita del rosario al tramonto di ogni dì! Grazie!

Locutor: Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, com menção especial para os brasileiros presentes e para os membros da Associação Cristã de Empresários e Gestores, de Portugal. Agradeço a vossa presença e convido-vos a continuar a dar o vosso fiel testemunho cristão na sociedade. Deixai-vos guiar pelo Espírito Santo, para entenderdes o verdadeiro sentido da história. De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos, encorajando-vos na reza do terço ao anoitecer de cada dia!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1967

Visita ao Colégio Tajamar em Madrid. Ao chegar, na sala dos professores, explica que as iniciativas de carácter social – escolas, dispensários, centros de formação... – que os fiéis da Prelatura promovem em todo o mundo nascem “onde há pobreza, onde há falta de trabalho, onde há tristeza, onde há dor, para que se leve com alegria a dor, para que a pobreza seja eliminada, para que não falte trabalho – porque formamos as pessoas para que o possam arranjar -, para metermos Cristo na vida de cada um, na medida em que o quiser, porque somos muito amigos da liberdade”

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

Sábado 4 Out 15 h Caminhada pela Vida - Largo Camões - Lisboa


O caminho do amor

“Na nossa sociedade, muitas vezes permeada de uma cultura racionalista e de um difuso materialismo prático, a pequena Teresa de Lisieux indica, como resposta às grandes interrogações da existência, a pequena via, que na verdade visa o essencial das coisas. É o caminho do amor, capaz de envolver e dar sentido e valor a cada realidade e acontecimento humano. Caros amigos, segui o exemplo desta Santa: a estrada que ela percorreu está ao alcance de todos, porque é o caminho da confiança total em Deus, que é Amor e nunca nos abandona”.

(Bento XVI ao despedir-se dos colaboradores de Castelgandolfo em 01.10.2009)

Santa Teresa do Menino Jesus - Leonard Porter

João Paulo II por ocasião da atribuição do título de Doutora da Igreja a Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face a 19 de outubro de 1997

1. «As nações caminharão à tua luz» (Is 60, 3). Nas palavras do profeta Isaías já ressoa, como expectativa ardente e esperança luminosa, o eco da Epifania. Precisamente a ligação a esta solenidade permite-nos perceber melhor o carácter missionário deste domingo. A profecia de Isaías, com efeito, alarga à humanidade inteira a perspectiva da salvação, e desse modo também o gesto profético dos Magos do Oriente que, ao irem adorar o Menino divino nascido em Belém (cf.Mt 2, 1-12), anunciam e inauguram a adesão dos povos à mensagem de Cristo.

Todos os homens são chamados a acolher na fé o Evangelho que salva. A Igreja é enviada a todos os povos, a todas as terras e culturas: «Ide... fazei com que todos os povos se tornem Meus discípulos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28 19-20). Estas palavras, pronunciadas por Cristo antes de subir ao céu, juntamente com a promessa feita aos Apóstolos e aos sucessores de estar com eles até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20), constituem a essência do mandato missionário; na pessoa dos seus ministros, é Cristo mesmo que vai ad gentes, a quantos ainda não receberam o anúncio da fé.

Santa Teresa do Menino Jesus (Carta 254: Ao Padre Roulland)

Carta 254: Ao Padre Roulland

"Ser-vos-ei mais útil no céu do que na terra, Santa Teresinha"

J.M.J-T

Carmelo de Lisieux
14 de Julho 1897

Jesus +

Meu Irmão,(...) quando receberdes esta carta já terei deixado a terra. O Senhor na sua infinita misericórdia, ter-me-à aberto o Seu Reino e poderei dispor dos Seus tesouros para os prodigalizar às almas que me são queridas.

Ficai certo, meu Irmão, de que a vossa Irmãzinha cumprirá as suas promessas, e de que a alma dela, liberta do peso do invólucro mortal, voará feliz para as regiões que vós evangelizais.

Ah! meu irmão, pressinto que vos serei muito mais útil no céu do que na terra e é com alegria que venho anunciar-vos a minha próxima entrada nessa bem-aventurada cidade, certa de que partilhareis da minha alegria e agradecereis ao Senhor por me dar os meios de vos ajudar mais eficazmente nas vossas obras apostólicas.

Conto não ficar inactiva no Céu, o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas, peço isto a Deus e estou certa de que Ele mo concederá.

Não estão só Anjos continuamente ocupados connosco sem nunca cessarem de ver a Face Divina, de se perderem no Oceano sem limites do Amor? Porque não havia Jesus de me impedir que os imitasse?

Meu irmão, vedes que se abandono já o campo de batalha, não é com o desejo egoísta de descansar, o pensamento da eterna bem-aventurança a custo faz rejubilar o meu coração, desde há muito o sofrimento tornou-se o sofrimento cá na terra e tenho verdadeiramente dificuldade em imaginar como poderei adaptar-me num País onde a alegria reina sem qualquer sombra de tristeza.

Será preciso que Jesus transforme a minha alma e lhe dê a capacidade de gozar, de contrário não poderei suportar as delícias eternas.

O que me impele para a Pátria dos Céus é o chamamento do Senhor, é a esperança de O amar enfim como tanto tenho desejado e o pensamento de que O poderei fazer amar por uma multidão de almas que hão-de bendizê-l'O eternamente.

Meu Irmão, já não tereis tempo em me comunicar os vossos recados para o Céu, mas eu adivinho-os e, de resto, tereis apenas de mos dizer baixinho, ouvir-vos-ei e levarei fielmente as vossas mensagens ao Senhor, à Nossa Mãe Imaculada, aos Anjos, aos Santos de quem gostais.

Pedirei para vós a palma do martírio e estarei junto de vós, segurando na vossa mão para que ela colha sem esforço essa palma gloriosa, e depois, com alegria, voaremos juntos para a Pátria celeste, rodeados de todas as almas que tiverdes conquistado!

Até à vista, meu Irmão, rezai muito pela vossa Irmã, rezai pela Nossa Madre, cujo coração sensível e maternal tem muita dificuldade em aceitar a minha partida. Conto convosco para a consolar.

Sou para a eternidade a vossa Irmãzinha
Teresa do Menino Jesus e da Santa Face
rel. carm. ind.»

(Fonte: site Coisas de Santos com adaptação JPR)

Santa Teresa do Menino Jesus, Virgem e Doutora da Igreja

Discreta e silenciosa, durante a vida quase não chamou a atenção sobre si.

Parecia uma freira comum, sem nada de excepcional. Faleceu aos 24 anos, tuberculosa, depois de passar por terríveis sofrimentos. Enquanto agonizava, ouviu duas freiras comentarem entre si, do lado de fora de sua cela:

"Coitada da Irmã Teresa! Ela não fez nada na vida... O que nossa Madre poderá escrever sobre ela, na circular em que dará aos outros conventos a notícia da sua morte?" Assim viveu Santa Teresinha, desconhecida até mesmo das freiras que com ela compartilhavam a clausura do Carmelo. Somente depois de morta seus escritos e seus milagres revelariam ao mundo inteiro a verdadeira envergadura da grande Santa e Mestra da espiritualidade. A jovem e humilde carmelita que abriu, na espiritualidade católica, um caminho novo para atingir a santidade (a célebre "Pequena Via"), foi declarada pelo Papa João Paulo II Doutora da Igreja.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.»

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja 
Poesia «Jesus, meu amado, recorda-Te!»; str. 1, 6-8


Recorda-Te da glória do Pai
Recorda-Te dos divinos esplendores
Que deixaste quando Te exilaste na terra
Para resgatares os pobres pecadores.
Ó Jésus! Abaixando-Te ao ventre da Virgem Maria,
Ocultaste a tua grandeza e a tua glória infinitas
Ah! Do seio materno,
Que foi o teu segundo céu,
Recorda-Te. […]

Recorda-Te que noutras paragens
Os astros de ouro e a lua de prata,
Que contemplo no azul sem nuvens,
Rejubilaram, encantados com teus olhos de Menino.
Na mãozinha com que acariciavas Maria
Sustentavas o mundo e davas-lhe a vida.
E pensavas em mim,
Jesus, meu Rei,
Recorda-Te.

Recorda-Te que na solidão
Trabalhavas com tuas divinas mãos.
Viver oculto foi o teu suave estudo,
Rejeitaste o saber dos humanos.
A Ti, que com uma palavra sabias encantar o mundo,
Agradou-Te ocultar a tua sabedoria profunda.
Parecias ignorante,
Ó Senhor omnipotente!
Recorda-Te.

Recorda-Te que, estrangeiro neste mundo,
Andaste errante, Tu, o Verbo eterno,
Nada tinhas, nem sequer uma pedra,
Nem um abrigo, como as aves do céu.
Ó Jesus! Vem repousar em mim,
Vem, que minha alma está pronta para Te receber,
Meu amado Salvador,
Repousa no meu coração,
que é teu.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 1 de outubro de 2014

Indo eles pelo caminho, veio um homem que Lhe disse: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, porém, o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». A um outro disse: «Segue-Me». Mas ele disse: «Senhor, permite-me que eu vá primeiro sepultar meu pai». Mas Jesus replicou: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu vai anunciar o reino de Deus». Um outro disse-Lhe: «Senhor, seguir-Te-ei, mas permite que vá primeiro dizer adeus aos de minha casa». Jesus respondeu-lhe: «Ninguém que, depois de ter metido a mão no arado olha para trás, é apto para o reino de Deus».

Lc 9, 57-62

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Evitemos lamentações teatrais e rezemos por quem sofre verdadeiramente

Tantas vezes eu ouvi pessoas que estão vivendo situações difíceis, dolorosas, que perderam muito ou se sentem sós e abandonadas e vêm lamentar-se e fazem estas perguntas: Porquê? Porquê? Rebelam-se contra Deus. E eu digo: 'Continua a rezar assim, porque também isto é uma oração ". Era uma oração quando Jesus disse ao seu Pai: "Por que me abandonaste?!
(...)
Santa Teresa, rezava e pedia para andar em frente, na escuridão. Isto chama-se entrar em paciência. A nossa vida é demasiado fácil, as nossas lamentações, são lamentações de teatro. Perante estas, estas lamentações de tantas pessoas, de tantos irmãos e irmãs que estão na escuridão, que quase perderam a memória, que quase perderam a esperança – que vivem aquele exílio de si próprios, são exilados, também de si próprios – nada! E Jesus fez este caminho: da noite no Monte das Oliveiras até a última palavra da cruz: "Pai, por que me abandonaste!”

Papa Francisco - excertos homilia Casa de Santa Marta 30.09.2014

Ajuda-os sem que o notem

O pensamento da morte ajudar-te-á a cultivar a virtude da caridade, porque talvez esse instante concreto de convivência seja o último em que estás com este ou com aquele... Eles, ou tu, ou eu, podemos faltar em qualquer momento. (Sulco, 895)

Dir-me-ás talvez: e porque havia eu de me esforçar? Não sou eu quem te responde, mas S. Paulo: o amor de Cristo urge-nos. Todo o espaço de uma existência é pouco para alargar as fronteiras da tua caridade. Desde os primeiríssimos começos do Opus Dei, manifestei o meu grande empenho em repetir sem cessar, para as almas generosas que se decidam a traduzi-lo em obras, aquele grito de Cristo: nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. Conhecer-nos-ão precisamente por isso, porque a caridade é o ponto de arranque de qualquer actividade de um cristão. (…)

Queria fazer-vos notar que, após vinte séculos, ainda aparece com toda a pujança de novidade o Mandato do Mestre, que é uma espécie de carta de apresentação do verdadeiro filho de Deus. Ao longo da minha vida sacerdotal, tenho pregado com muitíssima frequência que, desgraçadamente para muitos, continua a ser novo, porque nunca ou quase nunca se esforçaram por praticá-lo. É triste, mas é assim. E não há dúvida nenhuma de que a afirmação do Messias ressalta de modo terminante: nisto vos conhecerão, que vos amais uns aos outros! Por isso, sinto a necessidade de recordar constantemente essas palavras do Senhor. S. Paulo acrescenta: levai os fardos uns dos outros e, desta maneira, cumprireis a lei de Cristo. Momentos perdidos, talvez com a falsa desculpa de que te sobra tempo... Se há tantos irmãos, amigos teus, sobrecarregados de trabalho! Com delicadeza, com cortesia, com um sorriso nos lábios, ajuda-os, de tal maneira que se torne quase impossível que o notem; e que nem se possam mostrar agradecidos, porque a discreta finura da tua caridade fez com que ela passasse inadvertida. (Amigos de Deus, 43–44)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Escreve: “Tenho uma verdadeira monomania de pedir orações: a religiosas e sacerdotes, a leigos piedosos, aos meus doentes, a todos peço a esmola de uma oração, pelas minhas intenções, que são, naturalmente, a Obra de Deus e vocações para ela”.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

Dois Álvaros

Em 1986 Álvaro del Portillo aterrou em Lisboa para uma curta estada. Era então o prelado do Opus Dei. Os responsáveis do aeroporto levaram-no à sala VIP, mas estava ocupada pelo... secretário-geral do PCP. Apesar da surpresa, Álvaro Cunhal consentiu amavelmente em dar também lugar ao recém-chegado. Quando no final se cruzaram, Álvaro del Portillo estendeu a mão, agradeceu a gentileza e disse: "Sei que é o secretário do Partido Comunista Português; eu sou o prelado do Opus Dei. Também me chamo Álvaro."

O encontro foi brevíssimo, fortuito, sem mais transcendência. Se o trago aqui é porque me serve de pretexto e me parece um símbolo. Serve-me de pretexto, para assinalar que o Papa Francisco decidiu beatificar esse homem afável e sorridente que foi Álvaro del Portillo, numa cerimónia que vai acontecer neste sábado. Também eu o conheci assim: simpático e sereno. Com todos: quer tivesse pela frente o cauteleiro, o líder comunista ou o maior amigo. Tanto nos bairros da periferia de Madrid onde em jovem passava tantos dias, como mais tarde ao lançar iniciativas sociais em África.

Ao mesmo tempo, esse encontro entre dois Álvaros é um sinal: o sinal de duas grandes visões que estão presentes no mundo contemporâneo.

Marx estava muito convencido do que dizia quando escreveu: o homem é para o homem o ser supremo. Não há ninguém acima dele. Destronámos Deus. E Deus - como muitas vezes na história - deixou. As rédeas do mundo passaram para as mãos dos homens. E temos assistido às consequências. Contudo, já alguém disse, com razão, que colocar-se no lugar de Deus, sem ser Deus, é a mais tola arrogância, é a mais perigosa aventura.

Outra visão é a que herdámos do povo judeu e se conserva na oração fundamental de Israel: "Escuta, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!"

Estamos tão habituados a considerar que só os problemas diários são problemas reais, e tão desabituados de valorizar o fator Deus, que podemos não sentir a diferença abissal entre uma visão e a outra.

Álvaro del Portillo era crente, mas não no sentido de admitir que Deus existe, sim, mas lá longe, indiferente e entretido com muitas outras coisas. Ele incorporou em si a grande intuição do cristianismo: que Deus - além das coisas "óbvias" de ser criador, poderoso, bondoso, providente, juiz - nos pediu amizade. Não só a uns eleitos. A todos. Essa amizade inclui, da parte dele, ter feito seus os nossos sofrimentos.

Não por ser um Deus que tenha um gosto especial por sofrer, mas por ter um jeito especial para amar. Tal como fazem os pais, que seguem cada minuto dos filhos, e gostariam de ser todo-poderosos para os ajudar. Nisso Deus leva vantagem. Paradoxalmente, este Deus paternal é aquele que alguns pretendem expulsar da realidade como se Deus fosse uma ameaça.

Álvaro del Portillo viveu com Deus muito perto, envolveu Deus no trabalho, atravessou as complicações na vida, não com a segurança de quem tem um Deus às ordens para afastar todas as dificuldades, mas como quem confia que - mesmo quando as coisas correm inapelavelmente mal - Deus é Pai e lá sabe o que faz.

Álvaro del Portillo se fosse vivo teria 100 anos. No dia em que morreu, João Paulo II foi velar o seu corpo.

Pedro Gil in Diário de Notícias

A MEDICINA DE SANTA HILDEGARDA apresentado por Aura Miguel - 30.09.2014


Alegrar-se com a fé

A fé dá alegria. Se Deus não está presente, o mundo desertifica-se e tudo se torna aborrecido, tudo é completamente insuficiente. Hoje, vê-se bem como um mundo sem Deus se desgasta cada vez mais, como se tornou um mundo sem nenhuma alegria. A grande alegria vem do facto de existir o grande amor, e é essa a afirmação essencial da fé. Você é alguém indefectivelmente amado. Foi por isso que o cristianismo encontrou a sua primeira expansão sobretudo entre os fracos e os que sofriam.

É claro que agora se pode interpretar isso num sentido marxista, e dizer que na época o cristianismo representou apenas uma consolação, quando devia ter sido uma revolução.

Mas penso que, de certa forma, já ultrapassamos essas fórmulas. O cristianismo estabeleceu novas relações entre senhores e escravos, de modo que já São Paulo podia dizer a um senhor: "Não faças mal ao teu escravo porque ele se tornou teu irmão" (cfr. Filemon).

Pode-se dizer que o elemento fundamental do cristianismo é a alegria. Não me refiro à alegria no sentido de um divertimento qualquer, que pode ter o desespero como pano de fundo; como sabemos, muitas vezes o divertimento é a máscara do desespero. Refiro-me à verdadeira alegria. É uma alegria que está presente numa existência difícil e torna possível que essa existência seja vivida. A história de Cristo começa, segundo o Evangelho, com o Anjo que diz a Maria: "Alegra-te!" Na noite do Natal, os anjos dizem outra vez: "Eis que vos anunciamos uma grande alegria". E Jesus diz: "Anuncio-vos a Boa Nova". Portanto, o núcleo de que aqui se trata é sempre: "Anuncio-vos uma grande alegria. Deus está presente, sois amados, e isso está estabelecido para sempre".

(Cardeal Joseph Ratzinger em O sal da terra’ págs. 23-24)

«QUE ALEGRIA QUANDO ME DISSERAM: VAMOS PARA A CASA DO SENHOR!»

Deve ser da idade, mas estava para aqui a pensar que o tempo vai passando, e que se vai aproximando o tempo de partir desta vida.

Claro que este aproximando não é nos dias, nem nos anos mais próximos, penso eu, mas curiosamente, ou talvez não, a ideia da morte é algo que se vai cruzando comigo, sem qualquer drama ou tristeza, mas apenas como algo inevitável à condição de estar vivo neste mundo.

Não tenho qualquer preocupação com isso e será quando Deus quiser, apenas cuido de vigiar e orar para estar pronto para daqui a pouco, daqui a um mês, daqui 30 anos!

Mas enquanto pensava nisso, veio à minha memória um cântico que muitas vezes entoo em surdina, nos mais diversos momentos.

«Que alegria quando me disseram: vamos para a casa do Senhor.
Os nossos passos se detêm às tuas portas, Jerusalém.»

Realmente, pensei eu, gostaria que fosse uma alegria, sobretudo porque naquele dia e naquela hora, os meus passos, pela graça de Deus, não se deterão às portas, mas entrarão decididos na Casa do Senhor, porque será Ele que os conduzirá.

E essa alegria, gerada pelo amor, será então para sempre!

Que bom é estar vivo e saber que Ele está connosco, nos ama, nos conduz e nunca nos abandona!

Monte Real, 6 de Junho de 2013

Joaquim Mexia Alves

Alegria

"Alegrai-vos, mais uma vez vos digo: alegrai-vos" (cfr. Fil 4, 4). A alegria é fundamental no cristianismo, que é por essência evangelium, "boa nova". No entanto, é neste ponto que o mundo se engana quando abandona a Igreja em nome da alegria, pretendendo que, com todos os seus preceitos e proibições, o cristianismo a arranca ao homem.

Não há dúvida de que a alegria de Cristo não é tão fácil de enxergar como o prazer banal que nasce de qualquer diversão. Mas seria falso traduzir as palavras Alegrai-vos no Senhor por estas outras: "Alegrai-vos, mas no Senhor", como se na segunda frase se quisesse recortar o que se afirmou na primeira. Significa simplesmente "alegrai-vos no Senhor", já que o Apóstolo evidentemente crê que toda a verdadeira alegria está no Senhor, e que fora dEle não pode haver nenhuma.

Com efeito, não há dúvida de que toda a alegria que se dá fora de Deus ou contra Ele não satisfaz, mas, pelo contrário, arrasta o homem para um redemoinho no qual não consegue experimentar um verdadeiro contentamento. Por isso, com essa expressão o Apóstolo informa-nos que a verdadeira alegria não chegará enquanto Cristo não a trouxer, e que aquilo que interessa na nossa vida é aprender a ver e compreender Cristo, o Deus da graça, a luz e a alegria do mundo. Pois a nossa alegria não será autêntica enquanto não deixar de se apoiar em coisas que possam ser arrebatadas das nossas mãos e destruídas, enquanto não encontrar um firme apoio na mais íntima profundidade da nossa existência, que não nos pode ser arrebatada por força alguma deste mundo. E toda a perda externa deveria fazer-nos avançar um passo para essa intimidade e tornar-nos mais amadurecidos para a nossa vida autêntica.

(Cardeal Joseph Ratzinger em Sentido del Adviento’)

«MINHA VIDA TEM SENTIDO…»

Este Domingo que passou (01.09.2013), por causa de uma Homenagem aos Combatentes do Ultramar em Monte Real, decidi participar na Missa Dominical na minha anterior paróquia.

Cheguei cedo, fiz as minhas orações e sentei-me à espera do início da celebração.

O coro, (no qual cantei quando vivia em Monte Real), ensaiava os cânticos para a Missa, e a certa altura, começaram a ensaiar um conhecido cântico: «Minha vida tem sentido, cada vez que eu venho aqui…»

Vieram-me as lágrimas aos olhos!

Aquele cântico, naquela altura, naquela igreja, naquele momento, teve um significado como nunca tinha tido para mim.

Teve o sentido óbvio do cântico, da vida ter sentido cada vez que procuramos Deus em Igreja.

Mas teve também um sentido mais particular, mais íntimo, mais vivido, para mim.

É que foi naquela igreja, que ao fim de quase 25 anos de afastamento de Deus e da Igreja, eu me comecei a sentar em frente do sacrário, (quando a igreja estava vazia), falando abertamente com Jesus, “provocando-O” a fazer qualquer coisa da minha vida, então sem sentido.

E foi ali, naqueles bancos, em frente daquele sacrário, que tive a minha primeira “experiência” de perdão, uma vontade intensa de pedir perdão, não só a Deus, mas também a todos que eu tinha ofendido na minha vida, acompanhada de uma vontade tranquila de perdoar a quem me tinha ofendido.

Talvez tenha sido ali também, (apesar de todo o meu percurso de catequese e prática religiosa na infância e adolescência), que pela primeira vez senti verdadeiramente Jesus Cristo presente, senti verdadeiramente o amor de Deus, senti verdadeiramente que Ele estava comigo e em mim.

E depois … depois fui recebido com alegria e sorrisos por aquelas e aqueles que iam chegando para a Missa e que até me pediram para fazer uma Leitura.

Como é bela a comunhão da e em Igreja!

Como fez sentido cantar naquela Missa: «Minha vida tem sentido, cada vez que eu venho aqui…»

Marinha Grande, 4 de Setembro de 2013

Joaquim Mexia Alves

Paz e alegria: este é o ar da Igreja

Uma organização ou programação perfeitas não são sinal da presença de Deus, mas sim a paz e a alegria. Isto é o essencial da homilia do Papa Francisco de 30.09.2013 na Casa Santa Marta. Os discípulos eram entusiastas e faziam programações sobre quem era o maior e discutiam entre si. Mas, Jesus, descentrou-lhes as ideias dirigindo-se para as crianças dizendo que os mais pequenos são... os maiores. Ao mesmo tempo, numa das leituras do dia de hoje do Profeta Zacarias, fala-se dos sinais da presença de Deus que, disse o Santo Padre, são os velhos e as crianças que são o futuro de um povo. E nem uns nem outros são descartáveis. Mas, os discípulos não compreendiam estes sinais e estavam mais preocupados com a eficácia da organização...

“Eu percebo que os discípulos queriam eficácia, queriam que a Igreja caminhasse sem problemas e esta pode ser uma tentação para a Igreja: a Igreja do funcionalismo! A Igreja bem organizada! Tudo certinho, mas sem memória e sem promessa! Esta Igreja assim não vai bem: será uma Igreja de luta pelo poder, será a Igreja dos ciúmes entre os batizados e tantas outras coisas que existem quando não há memória nem promessa.”

Assim a vitalidade da Igreja não vem dos documentos e reuniões para planificar e fazer bem as coisas, estas são realidades necessárias – diz o Papa Francisco – mas não são sinal da presença de Deus...

“O sinal da presença de Deus é este, assim disse o Senhor: Velhos e velhas estarão sentados nas praças de Jerusalém, cada um com o seu cajado para sua longevidade. E as praças da cidade estarão cheias de meninos e meninas que jogarão nas praças. Jogo faz-nos pensar em alegria: é a alegria do Senhor. E estes anciãos, sentados com o seu cajado na mão, tranquilos, fazem-nos pensar na paz. Paz e alegria: este é o ar da Igreja.” (RS)

(Fonte: 'news.va')

S. Jerónimo, presbítero, cardeal, Doutor da Igreja, séc. IV

Nasceu em Estridon (Dalmácia) cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi baptizado. Tendo abraçado a vida ascética, partiu para o Oriente e foi ordenado sacerdote. Regressou a Roma e foi secretário do papa Dâmaso. Nesta época começou a revisão das traduções latinas da Sagrada Escritura e promoveu a vida monástica. Mais tarde estabeleceu-se em Belém, onde continuou a tomar parte muito activa nos problemas e necessidades da Igreja. Escreveu muitas obras, principalmente comentários à Sagrada Escritura. Morreu em Belém no ano 420.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O caminho para Jerusalém

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Meditações, capítulo 18


O peso da nossa fragilidade faz-nos pender para as realidades deste mundo; o fogo do teu amor, Senhor, eleva-nos e conduz-nos às realidades do alto, para onde subimos pelo impulso do nosso coração, cantando os salmos das elevações; e deixando-nos queimar pelo teu fogo, o fogo da tua bondade, que nos transporta.

Para onde nos levas tu? Para a paz da Jerusalém celeste: «Que alegria quando me disseram: vamos para a casa do Senhor!» (Sl 121,1). Só o desejo de aí permanecer eternamente nos fará chegar. Enquanto estamos neste corpo, encaminhamo-nos para ti. Não temos aqui cidade permanente; procuramos sem cessar a nossa morada na cidade futura (Heb 13,14). Que a tua graça me conduza, Senhor, para o fundo do meu coração, para aí cantar o teu amor, meu Rei e meu Deus. […] E, recordando esta Jerusalém celeste, o meu coração ascenderá para Jerusalém, minha verdadeira pátria, Jerusalém, minha verdadeira mãe (Gal 4,26). Tu és o seu Rei, a sua luz, o seu defensor, o seu protector, o seu pastor; tu és a sua alegria inalterável; a tua bondade é a fonte de todos os seus bens inexprimíveis […], tu, meu Deus e minha misericórdia divina.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 30 de setembro de 2014

Aconteceu que, aproximando-se o tempo da Sua partida deste mundo, dirigiu-Se resolutamente para Jerusalém, e enviou adiante de Si mensageiros, que entraram numa aldeia de samaritanos para Lhe prepararem pousada. Não O receberam, por dar mostras de que ia para Jerusalém. Vendo isto, os Seus discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu que os consuma?». Ele, porém, voltando-Se para eles, repreendeu-os. E foram para outra povoação.

Lc 9, 51-56