Igreja

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A Igreja de Cristo precisa de ser construída e reconstruída, em oração peçamos ao Senhor que nos dê a humildade e inteligência de coração para que sejamos sempre agentes pela positiva nessa construção e reconstrução. Ámen

domingo, 31 de dezembro de 2017

Um ano que termina

Quando recordares a tua vida passada, passada sem pena nem glória, considera quanto tempo perdeste, e como podes recuperá-lo: com penitência e com maior entrega. (Sulco, 996)

Um ano que termina – já foi dito de mil modos, mais ou menos poéticos – com a graça e a misericórdia de Deus, é mais um passo que nos aproxima do Céu, nossa Pátria definitiva.

Ao pensar nesta realidade, compreendo perfeitamente aquela exclamação que S. Paulo escreve aos de Corinto: tempus breve est!, que breve é a nossa passagem pela terra! Para um cristão coerente, estas palavras soam, no mais íntimo do seu coração, como uma censura à falta de generosidade e como um convite constante a ser leal. Realmente é curto o nosso tempo para amar, para dar, para desagravar. Não é justo, portanto, que o malbaratemos, nem que atiremos irresponsavelmente este tesouro pela janela fora. Não podemos desperdiçar esta etapa do mundo que Deus confia a cada um de nós.

Pensemos na nossa vida com valentia. Por que é que às vezes não conseguimos os minutos de que precisamos para terminar amorosamente o trabalho que nos diz respeito e que é o meio da nossa santificação? Por que descuidamos as obrigações familiares? Por que é que se nos mete a precipitação no momento de rezar ou de assistir ao Santo Sacrifício da Missa? Por que nos faltará a serenidade e a calma para cumprir os deveres do nosso estado e nos entretemos sem qualquer pressa nos caprichos pessoais? Podeis responder-me: são coisas pequenas. Sim, com efeito, mas essas coisas pequenas são o azeite, o nosso azeite, que mantém viva a chama e acesa a luz. (Amigos de Deus, 39–41)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1973

No último dia do ano de 1973, diz: “Hoje daremos graças ao Senhor, pelos benefícios que recebemos no ano que termina. Para o que começa, vendo como estão as coisas deste mundo em que vivemos e o modo de proceder de tanta gente, queremos ter a rectidão de intenção de sermos humildes, de voltarmos sempre à verdade e de nos agarrarmos com mais força a Nosso Senhor. Pedir-me-eis talvez outras palavrinhas para este ano que vem, e eu desejaria antes que nos decidíssemos a servir de verdade, completamente. Então, dir-vos-ei, concretizando: servite Domino in laetitia! (“servi ao Senhor com alegria!”); e também: gaudete in Domino semper! (“alegrai-vos sempre no Senhor!”)

Bom Domingo do Senhor!

Imitemos a profetisa Ana de que nos fala o Evangelho de hoje (Lc 2, 22-40) servindo Deus e a família noite e dia em oração e amor ao próximo.

Que o Senhor seja reconhecido e louvado pelos séculos dos séculos!

«Non finito», pintura do Infinito

Vou transcrever extensos parágrafos de Maria Zarco sobre um quadro de Leonardo da Vinci [1], que vem a propósito deste Natal de 2017. O quadro, que tinha sido levado em 2011 para restauro, voltou agora a casa, na «Galleria degli Uffizi», em Florença. Uma entrada espectacular por uma janela alta do edifício, à uma da manhã, com escolta de «carabinieri», suspenso de um guindaste, à luz dos holofotes. É que o quadro mede 6 m2 e está pintado sobre grossas pranchas de madeira. É grande e pesa muito.

Tudo começou, corria o ano de 1481. Leonardo já era famoso quando recebeu, com 29 anos, esta encomenda do convento de San Donato. A grande superfície de madeira esperava o pincel, para se transformar num presépio com a adoração dos Magos. Foi preciso trabalhar longamente, porque os pintores têm muito que fazer antes de acometer a obra propriamente dita. Os quadros nascem nos bosquejos que se sucedem, experimentando a composição, os planos, as feições. É assim que, aos poucos, a obra ganha vida e amadurece, até à forma definitiva.

Passados 200 anos, o retábulo mudou-se para a «Galleria degli Uffizi», aonde agora voltou, depois de 6 anos de restauro, muito mais colorido e com algumas figuras secundárias que se tinham apagado com o tempo.

O interessante é recuar 536 anos, àqueles dois anos intensos que Leonardo gastou a pintar o quadro. A peça tem um impacto notável e parte desse efeito vem de que Leonardo levou ao extremo a estética do «non finito», do «não acabado». Em vez do retoque minucioso, preferiu sublinhar o essencial e, sobretudo, não dar a ilusão (talvez pretensiosa) da completude. A beleza e o equilíbrio da cena estão lá, mas concentradas na mensagem principal.

A criatividade fervilhante do pintor rompeu com as convenções artísticas, facilitando a coabitação de vários cenários, diferenciados pela ordenação em perspectiva, que era ainda um expediente invulgar. Este domínio exímio da profundidade permitiu hierarquizar as cenas em graus de distância. O recurso a sombreados e claridades acentuou esse efeito de perspectiva, alongando a vista até lonjuras então inimagináveis. E, tudo isto, com a aplicação exponenciada do «non finito».

O pintor encontrou uma nova posição para a Mãe e o Filho, ao centrá-los no primeiro plano, em vez da localização tradicional, numa das laterais, que desenrolava a cena bíblica em linha horizontal, a fluir de um lado ao outro. Neste quadro, o presépio passa para o epicentro de uma narrativa que se desenvolve na profundidade (em vez de em fila transversal), abarcando um espaço maior, em que se sobrepõem episódios de épocas diferentes. Leonardo coloca o presépio no contexto da história da humanidade, no vértice do tempo.
Qual é esta luz potente que se projecta sobre a história dos homens?

O retábulo organiza-se em torno da harmonia, do enlevo de uma jovem Mãe com o seu Menino. O traço subtil e aparentemente inacabado coloca a ternura divina no centro. O gesto espontâneo do Pequenino, maravilhado com a sumptuosidade dos presentes dos Magos, contrasta com o aparato do mundo, porque o trono não pertence a esses reis. O trono é Maria. A sobriedade vence a riqueza, a Mãe vale mais que os cofres cheios.

Os Magos em adoração rodeiam Maria e Jesus, no meio de um corrupio de acompanhantes (dizem que um jovem no lado direito seria o próprio Leonardo). Num plano mais recuado, sobre a esquerda, assomam as ruínas de um templo romano pagão. Ao mesmo nível, sobre a direita, um par de cavaleiros digladia-se ferozmente. Mais ao fundo, surge uma paisagem rochosa e desértica. Tudo isto, e outros pormenores, representa o mundo afastado de Cristo, longe da doçura da Mãe.
Árvores carregadas de simbolismo marcam presença em pontos significativos. Palmeiras, símbolo de vitória, imagem do Cântico dos Cânticos que a liturgia aplica a Nossa Senhora (Ct. 7, 7), símbolo também da palma do martírio, emergem, plantadas sobre as ruínas: triunfam pacificamente sobre a morte e a Roma imperial, ali representadas pela violência sanguinária e pelo esboroar dos monumentos pagãos. A segunda árvore, ao meio, é uma alfarrobeira, cujas sementes eram utilizadas na pesagem de pedras e metais preciosos. Está ali como testemunha silenciosa, a proclamar Cristo Rei do Universo e Maria Rainha dos Céus e da Terra.

O costume era pintar com régua e minúcia, Leonardo teve o arrojo deste traço vibrante, num estilo que ficou conhecido como «non finito», não «acabadinho». Maria Zarco classifica o resultado como inexcedível. Concordo.



[1] Acessível no blogue «http://adeus-ate-ao-meu-regresso.blogspot.pt/2017/12/vai-um-gin-do-peters_20.html», na secção «Vai um Gin do Peter’s?», 20 de Dezembro de 2017.
José Maria C.S. André
31-XII-2017
Spe Deus

São Silvestre, Papa

Era um homem piedoso e santo com uma personalidade pouco marcada. Foi um homem apagado ao lado de um Imperador culto e ousado, o qual mais que servi-lo se terá antes servido dele, da sua simplicidade e humanidade, agindo como verdadeiro bispo da Igreja. E, na realidade, nos assuntos externos da Igreja, o Imperador considerava-se acima dos próprios Bispos, o Bispo dos Bispos, com inevitáveis intromissões nos próprios assuntos internos, uma vez que, com a sua mentalidade ainda pagã, não estava capacitado para entender e aceitar um poder espiritual diferente e acima do civil ou político. Apesar de tudo, S. Silvestre terá sido o Papa ideal para as circunstâncias, pois ainda estava muito viva a lembrança dos horrores que passara a Igreja e, como testemunha de tudo isso, terá preferido agradecer este dom inesperado da proteção imperial e agir com moderação e prudência.

Entretanto, novas pregações tinham voltado a negar a divindade da 2ª Pessoa e por conseguinte o Mistério da Santíssima Trindade. Constantino, dando conta desta agitação doutrinária, manda convocar os bispos do império para discutirem de novo esta questão. Sabemos que o Papa dá o seu acordo, e envia como representantes seus, Oslo, Bispo de Córdova, acompanhado por dois presbíteros. Ele próprio, como dignidade suprema, não se imiscuía nas disputas, reservando-se a aprovação do veredicto final, pois não convinha parecer demasiado submisso ao Imperador.

Depois de 21 anos de pontificado, cheio de acontecimentos e transformações profundas na vida da Igreja, morre S. Silvestre I no último dia do ano 335, dia em que a Igreja venera a sua memória.

Sepultado no cemitério de Priscíla, os seus restos mortais seriam transladados por Paulo I (757-767) para a Igreja erguida em sua memória.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Assim começa a nova humanidade

O vosso Salvador não surgirá
De algum palácio de famoso rei:
Na casa de José vos aparece
Tão pobre e humilde como sua Mãe.

Cresce na idade e na sabedoria
Aquele que do mundo é o Senhor;
Quem adivinhará nesta criança
O prometido Príncipe da Paz?

O Verbo não Se fez apenas homem,
Mas homem oprimido pela dor;
No próprio nascimento prenuncia
A morte redentora sobre a cruz.

Assim começa a nova humanidade
Na sagrada família em Nazaré;
Ali encontrarás a tua imagem,
Povo de Deus, Igreja Universal!

Hino à Sagrada Família de Leão XIII - O LUX BEATA CAELITUM

Festa da Sagrada Família

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Poucos dias depois do Natal, a Igreja contempla hoje a Sagrada Família. Na escola de Nazaré cada família aprende a ser o centro de amor, de unidade e de abertura à vida.

No nosso tempo, um mal-entendido sentido dos direitos por vezes perturba a própria natureza da instituição familiar e do vínculo conjugal. É preciso que, a todos os níveis se unam os esforços de quantos crêem na importância da família baseada no matrimónio. Trata-se de uma realidade humana e divina que deve ser defendida e promovida como bem fundamental da sociedade.

2. Os cristãos, recorda o Concílio Vaticano II, atentos aos sinais dos tempos, devem promover "activamente o bem do matrimónio e da família, quer pelo testemunho da sua vida pessoal, quer pela acção harmónica com todos os homens de boa vontade" (Gaudium et spes, 52). É necessário proclamar com alegria e com coragem o Evangelho da família. Para esta finalidade, elevemos a nossa oração comum a Jesus, a Maria e a José por todas as famílias, sobretudo pelas que se encontram em dificuldades materiais e espirituais.

São João Paulo II – Excerto do Angelus de 28 de dezembro de 2003

Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José

A liturgia desta festa propõe-nos a família de Jesus como exemplo e modelo das nossas comunidades familiares… Como a família de Jesus – diz-nos a liturgia deste dia – as nossas famílias devem viver numa atenção constante aos desafios de Deus e às necessidades dos irmãos.

O Evangelho põe-nos diante da Sagrada Família de Nazaré apresentando Jesus no Templo de Jerusalém. A cena mostra uma família que escuta a Palavra de Deus, que procura concretizá-la na vida e que consagra a Deus a vida dos seus membros. Nas figuras de Ana e Simeão, Lucas propõe-nos também o exemplo de dois anciãos de olhos postos no futuro, capazes de perceber os sinais de Deus e de testemunhar a presença libertadora de Deus no meio dos homens.

A segunda leitura sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos dos que vivem “em Cristo” e aceitaram ser “Homem Novo”. Esse amor deve atingir, de forma muito especial, todos os que connosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em determinadas atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.

A primeira leitura apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais… É uma forma de concretizar esse amor de que fala a segunda leitura.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele.»

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homilia para o Natal; PG 56, 392


Que posso eu dizer sobre este mistério? Vejo um operário, uma manjedoura, um Menino, uns paninhos, uma Virgem que dá à luz privada do necessário; vejo as marcas de indigência, o fardo da pobreza. Alguma vez vistes a riqueza em tal penúria? Como é que Aquele que era rico Se fez pobre por nós (cf 2Cor 8,9), ao ponto de, privado de berço e de mantas, estar deitado numa dura manjedoura? […] Oh! Riqueza imensa, sob a aparência de pobreza! Ele dorme numa manjedoura, mas abala o universo. Envolto em panos, rompe as cadeias do pecado. Embora ainda não saiba falar, instruiu os magos para que regressassem por outro caminho. O mistério ultrapassa em muito a palavra!

Eis o Bebé envolto em panos, deitado numa manjedoura; e Maria, Virgem e Mãe; e também José, a quem chamamos seu pai. Este desposou Maria, mas o Espírito Santo cobriu Maria com a sua sombra. Por isso José ficou angustiado, não sabendo que nome dar ao Menino. […] Nessa ansiedade, chegou-lhe uma mensagem através dum anjo: «José, não temas receber Maria, tua esposa, pois O que ela concebeu é obra do Espírito Santo» (Mt 1,20). […] Porque nasceu o Salvador duma Virgem? Eva, que era virgem, deixou-se seduzir e deu à luz a causa da nossa morte; Maria, tendo recebido do anjo a Boa Nova, deu à luz o Verbo feito carne, que nos traz a vida eterna.

sábado, 30 de dezembro de 2017

A UMA VELHA CRUZ, PERDIDA NUM PALMAR NA VELHA GOA

Imagem não corresponde à Cruz exaltada no poema
Amo-te, ò cruz na solidão perdida,
na sombra de um palmar amortalhada,
erguendo ao alto a fronte mutilada,
já das monções a tês enegrecida.

No silêncio da urbe adormecida,
o crocitar da gralha é gargalhada,
de ti zombando, ó cruz abandonada,
que dia a dia vais perdendo a vida.

Choras, ó cruz? Porquê? Não chores, deixa:
esquece as tuas cãs o teu degredo,
no peito faz calar a amarga queixa.

Morres, sim, mas a Fé que representas,
mais firme que a montanha, que o rochedo,
resistirá a todas as tormentas.

(Parede, Dezembro de 1962)

Luís Filipe Reis Thomaz

A tarefa dos pais de família é importantíssima

Admira a bondade do nosso Pai Deus: não te enche de alegria a certeza de que o teu lar, a tua família, o teu país, que amas com loucura, são matéria de santidade? (Forja, 689)

Comove-me que o Apóstolo qualifique o matrimónio cristão como "sacramentum magnum", sacramento grande. Também daqui deduzo que o trabalho dos pais de família é importantíssimo.

– Participais do poder criador de Deus e, por isso, o amor humano é santo, nobre e bom: uma alegria do coração, à qual Nosso Senhor, na sua providência amorosa, quer que outros livremente renunciemos.

Cada filho que Deus vos concede é uma grande bênção divina: não tenhais medo aos filhos! (Forja, 691)


Nas minhas conversas com tantos casais, insisto em que, enquanto eles viverem e os filhos também viverem, devem ajudá-los a ser santos, sabendo que na terra ninguém será santo. Não faremos mais que lutar, lutar e lutar.
E acrescento: – Vós, mães e pais cristãos, sois um grande motor espiritual, que manda aos vossos filhos fortaleza de Deus para essa luta, para vencer, para que sejam santos. Não os defraudeis! (Forja, 692)

Não tenhas medo de querer bem às almas, por Ele; e não te importes de amar ainda mais aos teus, sempre que, querendo-lhes muito, o ames a Ele milhões de vezes mais. (Sulco, 693)

Pela tua intimidade com Cristo, estás obrigado a dar fruto: Fruto que sacie a fome das almas, quando se aproximarem de ti, no trabalho, no convívio, no ambiente familiar... (Forja, 981)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 31 de dezembro de 2017 - Festa da Sagrada Família

Depois que se completaram os dias da purificação de Maria, segundo a Lei de Moisés, levaram-n'O a Jerusalém para O apresentar ao Senhor segundo o que está escrito na Lei do Senhor: “Todo o varão primogénito será consagrado ao Senhor”, e para oferecerem em sacrifício, conforme o que também está escrito na Lei do Senhor: “Um par de rolas ou dois pombinhos”. Havia então em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem era justo e piedoso; esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte sem ver primeiro o Cristo do Senhor. Foi ao templo conduzido pelo Espírito. E, levando os pais o Menino Jesus, para cumprirem as prescrições usuais da Lei a Seu respeito, ele tomou-O nos braços e louvou a Deus, dizendo: «Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz segundo a Tua palavra; porque os meus olhos viram a Tua salvação, que preparaste em favor de todos os povos; luz para iluminar as nações, e glória de Israel, Teu povo». O Seu pai e a Sua mãe estavam admirados das coisas que d'Ele se diziam. Simeão abençoou-os e disse a Maria, Sua mãe: «Eis que este Menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel e para ser sinal de contradição. E uma espada trespassará a tua alma. Assim se descobrirão os pensamentos escondidos nos corações de muitos». Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada. Tinha vivido sete anos com o seu marido, após o seu tempo de donzela, e tinha permanecido viúva até aos oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações. Ela também, vindo nesta mesma ocasião, louvava a Deus e falava de Jesus a todos os de Jerusalém que esperavam a redenção.Depois que cumpriram tudo, segundo o que mandava a Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. O Menino crescia e fortificava-Se, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava com Ele.

Lc 2, 22-40

São Josemaría Escrivá nesta data em 1933


“Todos os pecados da tua vida parecem ter-se posto de pé. – Não desanimes. – Pelo contrário, chama por tua Mãe, Santa Maria, com fé e abandono de criança. Ela trará o sossego à tua alma”, anota hoje.

REFLEXÃO PARA UM NOVO ANO, OU PARA UM COMEÇAR DE NOVO!

Por vezes subo à minha cruz e nela me deixo pregar pelas provações, pelas tristezas, pelos sofrimentos da minha vida.
Mas não resisto muito tempo e, perante a imediata falta de alívio, arranco eu mesmo os cravos, guardo a minha cruz no armário das coisas do passado e tento caminhar como se ela não existisse.
Mas de nada vale, porque ela me acompanha, pesa-me sobre os ombros e não me deixa esquecer.

É então que Ele vem, com aquele imenso olhar de ternura e amor, e me diz:
Porque não confiaste em Mim? Porque não esperaste em Mim? Porque preferiste ouvir o mundo que te disse: «Se és homem desce da tua cruz, porque tu és capaz sozinho.»

E eu respondo, envergonhado:
Mas, Senhor, Tu demoraste tanto!

Olha-me então nos olhos e fala-me cheio de amor:
Não vês, meu filho, que tu queres sempre começar pelo fim? Estás à espera que Eu chegue ao pé de ti e te diga - «Levanta-te, pega na enxerga e vai para tua casa.» Lc 5, 24 – quando é preciso que Eu comece por - «Homem, os teus pecados estão perdoados.» Lc 5, 20

Mas, Senhor, eu quero crer, eu quero confiar, eu quero esperar, mas é tão difícil, quando me deixo pregar na minha cruz!

Ele responde na sua amorosa e eterna paciência:
Sabes bem, meu filho, que se não for Eu a arrancar os cravos das tuas provações, das tuas tristezas, dos teus sofrimentos, eles ficarão sempre em ti, a ferir-te, magoar-te, a condicionar-te. Só Eu te posso libertar, porque só Eu te amo com amor eterno e só Eu me dei inteiramente por ti.

Olho-O nos olhos e digo com o coração transbordando:
Eu sei, Senhor, eu sei. Ajuda-me a crer mais, a confiar totalmente, a esperar sem desistir.

Toma-me então pela mão, aperta-me junto a Si e diz-me:
Sobe para a tua cruz. Crê que Eu estou sempre contigo. Espera e confia, porque vai chegar a hora em que Eu mesmo arrancarei das tuas mãos e dos teus pés os cravos que te prendem a vida. Depois subirás para a minha Cruz, feita Vida Nova para ti, e nela viverás comigo, «pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

Marinha Grande, 30 de Dezembro de 2015

Joaquim Mexia Alves
Nota:
Desejo a todas as pessoas amigas que leem este espaço, um Novo Ano cheio das bênçãos de Deus.

Degradação

«A presunção que pretende fazer de Deus um objecto e impor-Lhe as nossas condições experimentais de laboratório, não pode encontrar Deus. De facto, assenta num pressuposto que nega Deus enquanto Deus, pois colocamo-nos acima d’Ele. Pondo de lado toda a dimensão do amor, da escuta interior, e reconhecemos como real apenas o que é experimentável, o que nos foi posto nas mãos. Quem assim pensa, faz-se a si mesmo deus e, deste modo, degrada não só a Deus, mas também ao mundo e a si mesmo».

(“Jesus de Nazaré” – Joseph Ratzinger / Bento XVI)

Pedido para o Novo Ano

Querido Jesus

Cá estamos de novo a pedir-Te algo e, como sempre, contamos com a Tua ajuda, para enfrentar as dificuldades que nos esperam no próximo ano, pedimos-Te que nos ajudes a partir delas aproveitarmos a oportunidade para renovarmos e fortalecermos a nossa Fé e nos aproximarmos mais e mais de Ti e dos verdadeiramente precisados.

Dificuldades? Com que direito Te falamos nelas, quando há muitíssimos mais milhões de seres humanos em grande sofrimento sem acesso a cuidados de saúde e que não têm nem nunca tiveram o bem-estar que usufruímos.

Bem! Está certo, há um certo exagero, mas elas além de previsíveis poderão em momentos de franqueza abalar os nossos alicerces, pelo que Te rogamos com humildade e fé para que tal não só nunca venha a suceder e que sejam sim instrumentos de crescimento espiritual enquanto cristãos.

Leva-nos e eleva-nos ainda, para que um dia do próximo ano e para sempre, sejamos merecedores de dizer como Paulo «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20), já que o nosso barro ainda é de finíssima espessura e está envelhecido.

JPR

O Evangelho do dia 30 de dezembro de 2017

Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada. Tinha vivido sete anos com o seu marido, após o seu tempo de donzela, e tinha permanecido viúva até aos oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações. Ela também, vindo nesta mesma ocasião, louvava a Deus e falava de Jesus a todos os de Jerusalém que esperavam a redenção. Depois que cumpriram tudo, segundo o que mandava a Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. O Menino crescia e fortificava-Se, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava com Ele.

Lc 2, 36-40

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário...

Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário... Porém, mais humilhação e mais aniquilamento na Hóstia Santíssima; mais que no estábulo, e que em Nazaré, e que na Cruz. Por isso, que obrigação tenho de amar a Missa! (A "nossa" Missa, Jesus...) (Caminho, 533)

Meus filhos, pasmai agradecidos ante este mistério e aprendei: todo o poder, toda a formosura, toda a majestade, toda a harmonia infinita de Deus, com as suas grandes e incomensuráveis riquezas – todo um Deus – ficou escondido na Humanidade de Cristo para nos servir. O Omnipotente apresenta-se decidido a ocultar por algum tempo a sua glória, para facilitar o encontro redentor com as suas criaturas.

Escreve o evangelista S. João: ninguém jamais viu Deus; o Filho Unigénito que está no seio do Pai é que o deu a conhecer, comparecendo ante o olhar atónito dos homens: primeiro, como um recém-nascido, em Belém; depois, como um menino igual aos outros; mais tarde, no Templo, como um adolescente, inteligente e vivo; e, por fim, com aquela figura amável e atraente do Mestre que movia os corações das multidões que o acompanhavam entusiasmadas. (Amigos de Deus, 111)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Hoje acontece pela rua, algo que dará origem ao ponto n. 2 de Caminho. Anota-o no dia seguinte: “Na rua de Santa Engrácia, quando ia a casa de Romeo, lendo o cap. segundo de São Lucas, que era o que me correspondia ler, encontrei um grupo de operários. Ainda que eu fosse embrenhado na minha leitura, ouvi que diziam em voz alta algo, sem dúvida perguntando o que iria a ler o padre. E um daqueles homens respondeu também em voz alta: “a vida de Jesus Cristo”. Como os meus evangelhos são um livro pequeno, que trago sempre no bolso, e as capas estão forradas com pano, aquele operário acertou na sua resposta, mais que por casualidade, por providência. E pensei e penso que oxalá fossem tais as minhas atitudes e as minhas palavras que todos pudessem dizer ao ver-me ou ao ouvir-me falar: este lê a vida de Jesus Cristo”.

Sempre juntos à Sagrada Família

Neste ano mariano, rezemos especialmente por esta intenção. Talvez possamos usar alguma jaculatória que nos ajude a lembrar-nos dela. O nosso Padre rezava com frequência: Jesus, Maria e José, que esteja sempre com os Três. Nós insistiremos em pedir que todas as famílias do mundo estejam sempre bem abrigadas pela Sagrada Família de Nazaré.

Ao mesmo tempo que elevamos ao Céu esta oração, incluamos também os governantes e aqueles que dirigem as instituições internacionais, os que têm a responsabilidade de velar pela integridade desta célula fundamental da sociedade. Peçamos a Deus que se garanta a unidade e indissolubilidade do matrimónio e a sua abertura à vida, o direito dos pais a educarem os seus filhos de acordo com a sua fé, de modo que as leis civis não só não dificultem o desenvolvimento harmonioso da família, mas que facilitem o cumprimento dos objetivos que Deus estabeleceu ao criá-la.

É necessário um esforço decidido na nova evangelização da sociedade, começando por cada lar. Cada família cristã – como Maria e José – pode primeiro acolher Jesus, ouvi-Lo, falar com Ele, conservá-Lo, protegê-Lo e crescer com Ele, e assim melhorar o mundo [13]. É preciso cultivar na própria casa as virtudes que a liturgia nos recorda numa das leituras da festa da Sagrada Família. Portanto, como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência. Apoiai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se alguém tiver queixas contra outros. Cada um perdoe ao outro, como o Senhor vos perdoou a vós. E acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Que a paz de Cristo reine nos vossos corações [14].

Estas recomendações comprometem todos os membros: pais, filhos, irmãos e outros familiares. E embora o termo "família" se use mais especificamente para designar o ambiente onde uma pessoa nasce e cresce, também sabemos que a Igreja é a família de Deus na Terra. E é também família esta porção viva da Igreja que é o Opus Dei. S. Josemaria salientava que podem pertencer à Obra, de uma forma ou de outra, uma imensa variedade de pessoas, com as suas maneiras de ser e as suas características muito pessoais. Não digo isto por dizer, comentava em certa ocasião, quando digo que a Obra é uma família divina e humana, em que acontece o mesmo que nas famílias que o Senhor abençoou com abundância, que têm muitos filhos: uns são mais altos, outros mais baixos, uns mais morenos, outros mais louros (…). E além disso, temos ao nosso lado esses parentes que tanto estimamos: os Cooperadores (…). E ainda tantos amigos e tantos colegas que, de alguma forma, participam da nossa família [15].

[13]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 17-XII-2014.
[14]. Cl 3, 12-15.
[15]. S. Josemaria, Notas de uma meditação, 5-III-1963.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de janeiro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Valor da Família - A separação dos pais é sempre um sofrimento

Terminamos mais um ano falando de família, porque ela é o valor maior que temos na vida. É aí que acontecem as relações fundamentais no amor, relações estas vindas de Deus. É na família que as pessoas precisam ser mais amadas e respeitadas. Só assim, na harmonia, podemos construir a verdadeira vida humana na terra e dar possibilidade de uma vida feliz, pautada pelos valores cristãos.

Começa um novo ano com a esperança da paz, do respeito para com os verdadeiros valores da vida, principalmente pela pessoa humana. Cada ser humano é criatura de Deus, é filho de Deus e, como tal, tem uma dignidade própria, que não pode ser “ferida” por ninguém. Ela tem a dimensão da vida familiar, de amor e carinho.

No Natal contemplamos a Família de Nazaré. Sobre ela estava contida a vontade de Deus-Pai, a realização de seu Reino, criando um clima de responsabilidade, de autoridade dos pais sobre os filhos e, destes, assentimento de obediência para com seus pais. Toda família, autenticamente constituída, existe por vontade divina.família, Deus deve ser o grande referencial para todos, formando comunidade de amor e de estima, onde acontece o desenvolvimento humano e espiritual. A separação dos pais é sempre um sofrimento, um impacto que prejudica fortemente a unidade do lar. Há, com isto, fraturas profundas, e até difíceis de ser superadas.

A honra em relação aos pais é um princípio básico. Isto significa assentimento filial a Deus. É atitude que se expressa em algumas das manifestações, como: bondade, compaixão, humildade, mansidão, respeito etc. Tudo isto depende de esforço pessoal e capacidade de ver no irmão a dignidade que toca a todos nós.

O valor da família depende muito da forma de agir de seus membros, de se deixarem modelar profundamente pelos princípios do Evangelho. A Palavra de Deus modifica e edifica a vida das pessoas capacitando-as para superar todo tipo de diferença que impede a harmonia no lar. Seja assim a vida familiar no Brasil.

D. Paulo Mendes Peixoto Arcebispo de Uberaba - Brasil - 29.12.2013

«Agora, Senhor, segundo a Tua palavra, deixarás ir em paz o Teu servo»

Hoje, começo a ser discípulo. Que criatura alguma, visível ou invisível, me impeça de ir ter com Jesus Cristo. [...] Nem os mais cruéis suplícios me perturbam, a única coisa que desejo é estar com Jesus Cristo. De que me servem as doçuras deste mundo e os impérios da terra? Mais vale morrer por Cristo Jesus que reinar até aos confins do universo. É a Ele que procuro, a Ele que morreu por nós; é a Ele que desejo, a Ele que ressuscitou por nós.

Aproxima-se o momento do meu nascimento. [...] Deixai-me abraçar a luz puríssima. Nessa altura, serei um homem. Permiti-me imitar a paixão do meu Deus. [...] Os meus desejos terrenos estão crucificados, já não tenho em mim fogo para amar a matéria, mas apenas a «água viva» (Jo 7, 38) que murmura e me segreda ao coração: «Vem para junto do Pai.» Não quero continuar a saborear os alimentos perecíveis nem as doçuras desta vida. É do pão de Deus que tenho fome, da carne de Jesus Cristo, Filho de David, e como bebida quero o Seu sangue, que é o amor incorruptível.

Santo Inácio de Antioquia (?-c. 110), bispo e mártir
Carta aos Romanos, 5-7

São Tomás Becket, bispo, mártir, †1170

S. Tomás Becket nasceu na Normandia, era senhor de grande riqueza e considerado um dos homens de grandes capacidades no seu tempo. Foi até comparado a Richelieu, com o qual na realidade se parecia pelas qualidades de homem de Estado e grande amor às grandezas.

Em 1155, Henrique II rei de Inglaterra nomeou-o seu chanceler. Quando vagou a Sé de Canterbury, Henrique II escolheu-o para a ocupar. Tomás foi ordenado sacerdote a 1 Junho de 1162 e sagrado Bispo dois dias depois. Desde então, passou a ser a pessoa mais importante a seguir ao rei e mudou inteiramente de vida, convertendo-se num dos prelados mais austeros.

Convencido de que o cargo de primeiro-ministro e o de príncipe de Inglaterra eram incompatíveis, Tomás pediu demissão do cargo de chanceler, o que descontentou muito o rei. Henrique II ficou ainda mais aborrecido quando, em 1164, por ocasião dos “concílios” de Clarendon e Northampton, o Arcebispo tomou o partido do Papa contra ele. Tomás viu-se obrigado a fugir, disfarçado em irmão leigo, e foi procurar asilo em Compiegne, junto de Luis VII.

Passou, a seguir, à abadia de Pontigny e depois à de Santa Comba, na região de Sens (França). Decorridos 4 anos, a pedido do Papa e do rei de França, Henrique II acabou por consentir em que Tomás regressasse à Inglaterra, O rei estava persuadido de que podia contar dai em diante com a submissão cega do Arcebispo, mas em breve reconheceu que muito se tinha enganado, pois este continuava a defender a Igreja Romana contra as pretensões régias. Desesperado, o rei exclamou um dia: “Malditos sejam os que vivem do meu pão e não me livram deste padre insolente”. Quatro cavaleiros tomaram à letra estas palavras, que não eram sem dúvida mais que uma exclamação de desespero. A 29 de Dezembro de 1170, à tarde, vieram encontrar-se com Tomás no seu palácio, exigindo-lhe que levantasse as censuras que tinha imposto. Recusou-se a isso e foi com eles tranquilamente para uma capela lateral da Sé.

“Morro de boa vontade por Jesus e pela Santa Igreja”, disse-lhes; e eles abateram-no com as espadas.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 29 de dezembro de 2017

Depois que se completaram os dias da purificação de Maria, segundo a Lei de Moisés, levaram-n'O a Jerusalém para O apresentar ao Senhor segundo o que está escrito na Lei do Senhor: “Todo o varão primogénito será consagrado ao Senhor”, e para oferecerem em sacrifício, conforme o que também está escrito na Lei do Senhor: “Um par de rolas ou dois pombinhos”. Havia então em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem era justo e piedoso; esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte sem ver primeiro o Cristo do Senhor. Foi ao templo conduzido pelo Espírito. E, levando os pais o Menino Jesus, para cumprirem as prescrições usuais da Lei a Seu respeito, ele tomou-O nos braços e louvou a Deus, dizendo: «Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz segundo a Tua palavra; porque os meus olhos viram a Tua salvação, que preparaste em favor de todos os povos; luz para iluminar as nações, e glória de Israel, Teu povo». O Seu pai e a Sua mãe estavam admirados das coisas que d'Ele se diziam. Simeão abençoou-os e disse a Maria, Sua mãe: «Eis que este Menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel e para ser sinal de contradição. E uma espada trespassará a tua alma. Assim se descobrirão os pensamentos escondidos nos corações de muitos».

Lc 2, 22-35

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Diante de Deus tu és uma criança

Diante de Deus, que é Eterno, tu és uma criança mais pequena do que, diante de ti, um miúdo de dois anos. E, além de criança, és filho de Deus. – Não o esqueças. (Caminho, 860)

Se reparardes bem, é muito diferente a queda de uma criança e a queda de uma pessoa crescida. Para as crianças, uma queda, em geral, não tem importância; tropeçam com tanta frequência! E se começam a chorar, o pai lembra-lhes: os homens não choram. Assim se encerra o incidente com o empenho do miúdo por contentar o seu pai.

(…) Se procurarmos portar-nos como eles, os tropeções e os fracassos – aliás inevitáveis – na vida interior, nunca se transformarão em amargura. Reagiremos com dor, mas sem desânimo, e com um sorriso que brota, como a água límpida, da alegria da nossa condição de filhos desse Amor, dessa grandeza, dessa sabedoria infinita, dessa misericórdia, que é o nosso Pai. Aprendi durante os meus anos de serviço ao Senhor a ser filho pequeno de Deus. E isto vos peço: que sejais quasi modo geniti infantes, meninos que desejam a palavra de Deus, o pão de Deus, o alimento de Deus, a fortaleza de Deus para se comportarem de agora em diante, como homens cristãos. (Amigos de Deus, 146)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Escreve, absorto em oração: “Ó Jesus – dir-lhe-ei – quero ser uma fogueira de loucura de Amor! Quero que a minha simples presença seja bastante para incendiar o mundo, em muitos quilómetros em redor, com um incêndio inextinguível. Quero saber que sou teu. Depois, venha a Cruz : nunca terei medo da expiação... Sofrer e amar. Amar e sofrer. Magnífico caminho! Sofrer, amar e acreditar: fé e amor. Fé de Pedro. Amor de João. Zelo de Paulo”.

Tentar fintar a morte

«O optimismo ideológico é uma tentativa de esquecer a morte com o contínuo decorrer duma história virada para a sociedade perfeita. Aqui esquece-se de falar de algo autêntico e o homem é aclamado com uma mentira; isto vê-se sempre que a própria morte se avizinha. Ao contrário, a esperança da fé abre caminho para um verdadeiro futuro além da morte, e só assim os verdadeiros progressos existentes se tornam futuro também para nós, para mim, para todos».

(Joseph Ratzinger - Olhar para Cristo)

A visão de Deus

«Poderás então ver-Me por detrás. Quanto à face, ela não pode ser vista»

(Livro do Êxodo, 33, 23)

«Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único que está no seio do Pai é que O deu a conhecer.»

(Jo 1,18)

«Em Jesus, cumpriu-se a promessa do novo profeta. N’Ele realizou-se agora plenamente o que em Moisés se encontrava apenas de modo imperfeito: Ele vive na presença de Deus, não apenas como amigo, mas como Filho; vive em profunda unidade com o Pai».

(Joseph Ratzinger / Bento XVI - “Jesus de Nazaré”)

A nós, enquanto peregrinarmos na Terra, só saber que Ele existe e O podermos amar além dialogar através da oração, é um grande consolo, mas maior é ainda a esperança/certeza de que está ao nosso alcance conhecê-Lo no Seu Reino se de tal formos tidos como merecedores.

JPR

Santos Inocentes, mártires, séc. I

A Igreja honra como mártires este coro de crianças, vítimas do terrível e sanguinário rei Herodes, arrancadas dos braços das suas mães para escrever com o seu próprio sangue a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e merecer a glória eterna, segundo a promessa de Jesus:"Quem perder a vida por amor a mim há-de encontrará-la." Para eles a liturgia repete hoje as palavras do poeta Prudêncio: "Salvé, ó flores dos mártires, que na alvorada do cristianismo fostes massacrados pelo perseguidor de Jesus, como um violento furacão arranca as rosas apenas desabrochadas! Vós fostes as primeiras vítimas, a tenra grei imolada, num mesmo altar recebestes a palma e a coroa."

O episódio é narrado somente pelo evangelista Mateus, que se dirigia principalmente aos leitores hebreus e, portanto, tencionava demonstrar a messianidade de Jesus, no qual se realizaram as antigas profecias: "Quando Herodes descobriu que os sábios o tinham enganado ficou furioso. Mandou matar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios. Foi assim que se cumpriu o que o profeta Jeremias tinha dito: Em Ramá se ouviu um grito: coro amargo, imensa dor. É Raquel a chorar seus filhos; e não quer ser consolada, porque eles já não existem."

A origem desta festa é muito antiga. Aparece já no calendário cartaginês do século IV e cem anos mais tarde em Roma no Sacramentário Leonino. Hoje, com a nova Reforma Litúrgica, a celebração tem um carácter jubiloso e não mais de luto, como o era antigamente, e isto em sintonia com os simpáticos costumes medievais, que celebravam nestas circunstâncias a festa dos meninos do coro e do serviço do altar. Entre as curiosas manifestações temos aquela de fazer descer os cónegos dos seus lugares ao canto do versículo: "Depôs os poderosos do trono e exaltou os humildes."

Deste momento em diante, os meninos, revestidos das insígnias dos cónegos, dirigiam todo o ofício do dia. A nova liturgia, embora não querendo ressaltar o carácter folclórico que este dia teve no curso da história, quis manter esta celebração, elevada ao grau de festa por São Pio V, muito próxima da festa do Natal. Assim colocou as vítimas inocentes entre os companheiros de Cristo, para circundar o berço de Jesus Menino de um coro gracioso de crianças, vestidas com as cândidas vestes da inocência, pequena vanguarda do exército de mártires que testemunharão, com o sangue, a sua pertença a Cristo.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 28 de dezembro de 2017

Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: «Levanta-te, toma o Menino e Sua mãe, foge para o Egipto, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para O matar». ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e Sua mãe, e retirou-se para o Egipto. Lá esteve até à morte de Herodes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta: “Do Egipto chamei o Meu filho”. Então Herodes, percebendo que tinha sido enganado pelos Magos, irou-se em extremo, e mandou matar, em Belém e em todos os seus arredores, todos os meninos de idade de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Cumpriu-se então o que estava anunciado pelo profeta Jeremias: “Uma voz se ouviu em Ramá, pranto e grande lamentação; Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem”. 

Mt 2, 13-18