N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

São Mateus, um dos quatro evangelistas

S. Mateus com Anjo de Guido Reni
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as heresias, III, 11, 8-9

Não pode haver mais nem menos evangelhos. Com efeito, uma vez que são quatro as regiões do mundo no qual nos encontramos, e quatro os ventos principais, e uma vez que, por outro lado, a Igreja está espalhada por toda a terra e tem por «coluna e sustentáculo» (1Tim 3,15) o Evangelho e o Espírito da vida, é natural que haja quatro colunas que sopram a imortalidade de todos os lados e dão vida aos homens. Quando o Verbo, o artesão do universo, que tem o trono sobre os querubins e que sustenta todas as coisas (Sl 79,2; Heb 1,3), Se manifestou aos homens, deu-nos um evangelho com quatro formas, embora mantido por um único Espírito. Implorando a sua vinda, David dizia: «Manifestai-Vos, Vós que tendes o vosso trono sobre os querubins» (Sl, 79,2). Porque os querubins têm quatro figuras (Ez 1,6), que são as imagens da atividade do Filho de Deus.

«O primeiro [destes seres vivos] era semelhante a um leão» (Ap 4,7), e caracteriza o poder, a preeminência e a realeza do Filho de Deus; «o segundo, a um touro», manifestando a sua função de sacrificador e de sacerdote; «o terceiro tinha um rosto como que de homem», evocando claramente a sua face humana; «o quarto era semelhante a uma águia em pleno voo», indicando o dom do Espírito que paira sobre a Igreja. Os evangelhos segundo João, Lucas, Mateus e Marcos estão, pois, de acordo com estes seres vivos sobre os quais Cristo Jesus tem o seu trono. […]

Encontramos estes mesmos traços no próprio Verbo de Deus; aos patriarcas que existiram antes de Moisés, falava Ele segundo a sua divindade e a sua glória; aos homens que viveram sob a Lei, atribuiu uma função sacerdotal e ministerial; em seguida, fez-Se homem por nós; por fim, enviou o dom do Espírito a toda a terra, escondendo-os à sombra das suas asas (Sl 16,8). […] São, pois, fúteis, ignorantes e presunçosos os que rejeitam a forma como se apresenta o evangelho, ou nele introduzem um número de figuras maior ou menor do que as que referimos.

S. Mateus, apóstolo e evangelista

Trata-se de um dos apóstolos, homem decidido e generoso desde o primeiro momento da sua vocação. É também evangelista - o primeiro que, por inspiração divina, pôs por escrito a mensagem messiânica de Jesus.

Foi Judeu. Exercia as funções de cobrador de direitos de portagem, ao serviço de Herodes Antipas. Um dia, Jesus saía de Cafarnaum em direcção ao Lago, olhou para ele com atenção e disse-lhe: "Mateus, segue-me". E Mateus seguiu-o e foi generoso ao seguir o chamamento e agradecido ao mesmo tempo. Acompanhou sempre o Salvador. Foi testemunha da Ressurreição, assistiu à Ascensão e recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes.

A glória principal de S. Mateus é o seu Evangelho, escrito primeiro em aramaico e traduzido pouco depois para o grego.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 21 de setembro de 2017

Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus, que estava sentado na banca das cobranças, e disse-lhe: «Segue-Me». E ele, levantando-se, O seguiu. Aconteceu que, estando Jesus sentado à mesa em casa deste homem, vieram muitos publicanos e pecadores, e se sentaram à mesa com Jesus e com os Seus discípulos. Vendo isto, os fariseus diziam aos Seus discípulos: Por que motivo come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, ouvindo isto, disse: «Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. Ide, e aprendei o que significa: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».

Mt 9, 9-13

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Não há trabalhos de pouca categoria

No serviço de Deus, não há trabalhos de pouca categoria: todos são de muita importância. A categoria do trabalho depende do nível espiritual de quem o realiza. (Forja, 618)

Compreendem porque é que uma alma deixa de saborear a paz e a serenidade quando se afasta do seu fim, quando se esquece de que Deus a criou para a santidade? Esforcem-se por nunca perder este ponto de mira sobrenatural, nem sequer nos momentos de diversão ou de descanso, tão necessários como o trabalho na vida de cada um.

Bem podem chegar ao cume da vossa actividade profissional, alcançar os triunfos mais retumbantes, como fruto da livre iniciativa com que exercem as actividades temporais; mas se abandonarem o sentido sobrenatural que tem de presidir todo o nosso trabalho humano, enganaram-se lamentavelmente no caminho.

(...) Perante Deus, que é o que conta em última análise, quem luta por comportar-se como um cristão autêntico, é que consegue a vitória: não existe uma solução intermédia. Por isso vocês conhecem tantas pessoas que deviam sentir-se muito felizes, ao julgar a sua situação de um ponto de vista humano e, no entanto, arrastam uma existência inquieta, azeda; parece que vendem alegria a granel, mas aprofunda-se um pouco nas suas almas e fica a descoberto um sabor acre, mais amargo que o fel. Isto não há-de acontecer a nenhum de nós, se deveras tratarmos de cumprir constantemente a Vontade de Deus, de dar-lhe glória, de louvá-lo e de espalhar o seu reinado entre todas as criaturas. (Amigos de Deus, 10–12).

São Josemaría Escrivá

Educar na esperança (audiência)

Locutor: A catequese de hoje pretende «educar para a esperança», desenvolvendo-se sob a forma dum colóquio direto com um «tu», um jovem, uma pessoa qualquer disposta a aprender: Vive, ama, acredita. E, com a graça de Deus, nunca desesperes. Vive para algo que está acima de ti: cultiva ideais. E se um dia estes ideais te custarem sacrifício, não deixes de trazê-los no coração; a fidelidade obtém tudo. Nos contrastes, sê paciente: um dia descobrirás que cada um é depositário de um fragmento da verdade. Ama as pessoas; ama-as uma a uma. Respeita o caminho de todos, seja ele linear ou enviesado, porque cada um tem a sua história a contar. Cada criança que nasce é a promessa duma vida que de novo se demonstrou mais forte do que a morte. E cada amor que desponta é uma força de transformação que aspira à felicidade. Sente-te responsável por este mundo e pela vida de cada ser humano. Cada injustiça contra um pobre é uma ferida aberta na humanidade e diminui a tua própria dignidade. Sonha um mundo que ainda não se vê, mas de certeza chegará. A vida não está circunscrita à tua existência e, neste mundo, à tua geração sucederão outras gerações. A esperança crê na existência duma criação que se prolonga até à sua realização definitiva, quando Deus for tudo em todos. Não penses que, no fim da existência, nos espere o naufrágio; em nós, palpita uma semente de absoluto. Deus não dececiona: se colocou uma esperança nos nossos corações, não foi para coarctá-la com contínuas frustrações. Tudo nasce para florir numa eterna primavera. Confia em Deus Criador, confia no Espírito Santo que tudo move para o bem, confia no abraço de Cristo que espera cada pessoa no fim da sua existência.

Santo Padre:
Saluto cordialmente i pellegrini di lingua portoghese,in particolare i fedeli brasiliani e il gruppo di benefattori, storici e editori dell’opera letteraria «Portugal católico», e li incoraggio a cercare sempre lo sguardo della Madonna che conforta quanti sono nella prova e tiene aperto l’orizzonte della speranza. Nell’affidare voi e le vostre famiglie alla sua protezione, invoco su tutti la Benedizione di Dio.


Locutor: Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular os fiéis brasileiros e o grupo de benfeitores, historiadores e editores da obra literária «Portugal Católico», e animo-os a procurar sempre o olhar de Nossa Senhora que conforta todos aqueles que estão na provação e mantém aberto o horizonte da esperança. Enquanto vos entrego, vós e as vossas famílias à sua proteção, invoco sobre todos a Bênção de Deus.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1934

Escreve uma carta em que explicou a fundo o Opus Dei à sua mãe e aos irmãos: “Depois de um quarto de hora de chegar a esta povoação (escrevo de Fonz, ainda que deite estas folhas, no correio, amanhã em Barbastro), falei à minha mãe e aos meus irmãos, a traços largos, da Obra. Quanto tinha importunado, para este instante, os nossos amigos do Céu! Jesus fez com que as minhas palavras caíssem bem”.

Saber medir as nossas palavras

Estávamos os três a tomar uma cerveja. A esplanada, quase vazia. Depois de um dia extenuante de trabalho, logicamente, o cansaço fazia-se notar. De repente, um deles fez ao outro uma pergunta indelicada, com uma certa ironia e até violência. Mais do que perguntar, parecia que estava a brincar com uma atitude que não entendia. Instintivamente, fiquei à espera de uma resposta à altura das circunstâncias. Mas ela não veio. Pelo contrário, a contestação foi cordial e sem azedume.

Fez-me pensar. Aquela pessoa levava consigo o seu próprio ambiente. Um ambiente que não dependia de circunstâncias nem de provocações. Podendo fazê-lo, por uma questão de “estrita justiça”, não tinha devolvido o mal com o mal. Demonstrava com isto um senhorio de si próprio fora do comum. Ao outro só restavam duas opções: pedir desculpas pelo modo como tinha abordado o assunto ou fingir que nada tinha acontecido. Escolheu esta última por ser a mais cómoda, e, pensava ele erradamente, a menos humilhante. Que diferença tão grande de nível humano em duas pessoas com a mesma profissão.

O meu amigo cordial tinha um tom humano impressionante. Um tom que facilitava o relacionamento mútuo, que fazia com que os outros se sentissem bem ao seu lado. Sabia estar com todos. Irradiava à sua volta um ambiente agradável, de profunda dignidade. Oferecia uma amizade sincera, sem ocultar a sua identidade de cristão coerente por medo a ser rejeitado. E foi devido a essa sua coerência que a pergunta irónica tinha surgido. Ao fazer-lhe ver a minha admiração pelo modo como tinha actuado, respondeu-me: “não há caridade sem respeito, e não há respeito se não sabemos medir as nossas palavras”.

Saber medir as nossas palavras. Quantas vezes ferimos os outros porque não sabemos medir as nossas palavras. E isso não é hipocrisia nem falta de sinceridade. É simplesmente respeito. É capacidade de nos pormos na situação dos outros e descobrir que não gostaríamos que nos falassem assim. Dizer o que pensamos sem pensar no que dizemos, geralmente, é uma atitude bastante irresponsável. É como atirar uma pedra pela janela sem preocuparmo-nos com os estragos que possa provocar.

Cuidar o modo como dizemos as coisas também não é algo superficial. Quantas vezes, tendo alguma razão, a perdemos não por aquilo que dizemos, mas pelo modo como o fazemos. Quase tudo depende da forma de dizer as coisas. Há muitos modos de dizer a mesma coisa e, habitualmente, não é necessário tornar a verdade antipática a ninguém. A verdade é como uma flor. Não é a mesma coisa oferecê-la a alguém ou atirá-la à sua cara. A segunda atitude não é mais sincera, ainda que muitas pessoas nos tentem convencer do contrário.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Como se deve haver e falar cada um em seus desejos

Oração para cumprir a vontade de Deus:

Concedei-me, benigníssimo Jesus, que a vossa graça esteja comigo, comigo trabalhe e persevere comigo até ao fim. Dai-me que deseje e queira sempre o que mais vos for aceito e agradável. Vossa vontade seja a minha, e a minha acompanhe sempre a vossa e se conforme em tudo com ela. Tenha eu convosco o mesmo querer e não querer, de modo que não possa querer ou não querer, senão o que vós quereis ou não quereis.

Imitação de Cristo, 3, 15, 2

Cireneus

São João Paulo II foi vítima de um atentado a 12 de Maio de 1982, em Fátima. A 13 de Maio de 1981 tinha sido alvejado em Roma, tendo então perigado a sua vida. A providencial coincidência deste incidente com o aniversário da primeira aparição, em Fátima, levou João Paulo II a atribuir a Maria a sua sobrevivência. Por esta razão, fez uma peregrinação, um ano depois, à Cova da Iria. Foi então que um padre espanhol, não católico, atentou, sem êxito, contra a vida daquele Papa.

Logo depois deste segundo atentado, um casal madrileno apresentou-se na nunciatura, em Lisboa: eram os pais do clérigo que pusera em risco a vida de São João Paulo II. A razão da sua precipitada vinda ao nosso país, que passou desapercebida à imprensa, era só uma: pedir desculpa.

Aqueles pais, católicos, não tinham nenhuma responsabilidade no delito perpetrado pelo filho, maior de idade. Naquela hora amarga, de tanta angústia e vergonha, era compreensível que se tivessem escondido mas, pelo contrário, deram a cara em nome de um crime que não era deles. Outros teriam entendido, com razão, que nada tinham a ver com aquele acto criminoso, mas aqueles pais carregaram com a culpa do seu filho. Muitos progenitores ter-se-iam orgulhado de uma glória filial, mas aqueles desgraçados pais humilharam-se com a desonra do seu descendente e, em seu nome, ofereceram-se à vítima, em expiação dessa falta. Como é rara a nobreza de uma voluntária humilhação! Como é belo pedir perdão!

“Nisto consiste o amor: (…) em ter sido Deus que nos amou e enviou o seu Filho, como vítima de expiação pelos nossos pecados. (…) Se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros” (1Jo 4,10-11). Neste mundo, sobram os Pilatos e os Herodes acusadores, mas faltam Cireneus que carreguem as cruzes alheias.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

O Evangelho do dia 20 de setembro de 2017

«A quem, pois, compararei os homens desta geração? A quem são semelhantes? São semelhantes a essas crianças que estão sentadas na praça, e que falam umas para as outras, dizendo: Tocámos flauta e vós não dançastes; entoámos música triste, e não chorastes. Porque veio João Batista, que não come pão nem bebe vinho, e dizeis: está possesso do demónio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: eis um glutão e um bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos».

Lc 7, 31-35

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ser cada um outro Cristo

Custou-te muito ir afastando e esquecendo as tuas preocupaçõezitas, os teus sonhos pessoais, pobres e poucos, mas enraizados. Agora, pelo contrário, estás bem seguro de que o teu entusiasmo e a tua ocupação são os teus irmãos, e só eles, porque aprendeste a descobrir Jesus Cristo no próximo. (Sulco, 765)

Se não queremos desperdiçar o tempo inutilmente – nem sequer com falsas desculpas das dificuldades exteriores do ambiente, que nunca faltaram desde o princípio do cristianismo – devemos ter muito presente que, de um modo normal, Jesus Cristo vinculou à vida interior a eficácia da nossa acção para arrastar os que nos rodeiam. Cristo pôs a santidade como condição para a eficácia da acção apostólica; corrijo-me, o esforço da nossa fidelidade, porque na terra nunca seremos santos. Parece inacreditável, mas Deus e os homens precisam que, da nossa parte, haja uma fidelidade sem condições, sem eufemismos, que chegue até às últimas consequências, sem mediocridade ou concessões, em plenitude de vocação cristã assumida e praticada com delicadeza.

Talvez entre vocês algum esteja a pensar que me refiro exclusivamente a um sector de pessoas selectas. Não se deixem enganar tão facilmente, movidos pela cobardia ou pelo comodismo. Pelo contrário, que cada um sinta a urgência divina de ser outro Cristo, ipse Christus, o próprio Cristo; em poucas palavras, a urgência de que a nossa conduta seja coerente com as normas da fé, pois a nossa santidade – a que temos de aspirar – não é uma santidade de segunda categoria, que não existe. (Amigos de Deus, 5–6)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá comentando o casamento dos Pais em 19-09-1898

Casamento dos pais de São Josemaría. Referindo-se a eles diz no Chile em 1974: “Amavam-se muito, e sofreram muito na vida, porque o Senhor me tinha de preparar a mim (…). Vi-os sempre sorridentes”.

Ser anunciadores da alegria do Evangelho

Apesar da boa vontade que, graças a Deus, não nos falta, imploremos o perdão pelas faltas de correspondência concretas, perante os dons divinos, ou seja, a nossa pouca generosidade algumas vezes, os nossos erros pessoais que podem desedificar os que estão mais próximos. Vamos fazê-lo com uma contrição alegre, que não nos deve tirar a paz. Porque, assim como nós, os homens, escrevemos com uma caneta, o Senhor escreve com a perna da mesa, para que se veja que é Ele quem escreve: isso é o incrível, isso é o maravilhoso [8].
© Opus Dei - Brasil
O Papa insiste em que todos nós, os cristãos, devemos iluminar com a fé as situações e as pessoas com quem nos encontramos no caminho. Sintamo-nos chamados, neste novo ano da Obra, a anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demoras, porque a alegria do Evangelho é para todo o povo, não pode excluir ninguém [9]. É este o eco de umas palavras de Cristo, que ardiam na alma do nosso Fundador desde que começou a notar os pressentimentos da chamada divina, dez ou doze anos antes de 1928. Ignem veni mittere in terram et quid volo nisi ut accendatur? (Lc 12, 49), Eu vim trazer fogo à terra e que quero senão que se ateie? E a resposta: Ecce ego quia vocasti me! (1 Sm 3, 8), aqui estou porque me chamaste. Voltamos a dizê-lo agora, todos, ao nosso Deus? [10].
O dia 2 de outubro é um apelo que ressoa em cada um de nós com a certeza da missão que o Senhor nos confiou: estamos no mundo para fazer a Obra como parte da missão da Igreja. Por isso nos sabemos – no lugar onde estamos – na primeira linha da evangelização.
Continuamente se nos apresenta o tempo de se abrir em leque, para servir a mais pessoas, também aos que não têm experiência da vida cristã, ou não têm fé, ou habitualmente não a põem em prática. Esperam-nos e esperam que lhes transmitamos a nossa alegria de ter encontrado Jesus Cristo.
Cultivemos uma consciência profunda e real de sermos anunciadores da alegria do Evangelho no próprio ambiente e em todos os momentos. Mulheres e homens capazes de estabelecer amizade com todos – prestáveis, cheios de disponibilidade, de amabilidade, de generosidade –, que não se limitam a realizar diligências apostólicas, mas que procuram viver como apóstolos em todo o tempo e circunstâncias. E isso, meus filhos, tem muitas manifestações concretas: levar muito a sério as implicações práticas da santificação do trabalho (justiça, caridade, humildade, interesse pelos outros, tom positivo, etc.); atuarmos como pessoas que unem, que colaboram, capazes de aprender o que, de bom, cada um pode trazer à sociedade.
Conseguiremos manter vivo este sentido de missão se cultivarmos uma profunda vida interior e se fundamentarmos a nossa ação nos meios sobrenaturais, na contemplação de Cristo. Transmitir a mensagem evangélica é um bem que humaniza e dá resposta aos desejos de felicidade de todos, cristãos e não-cristãos. Às vezes, será oportuno advertir alguém, com afeto, sobre algum aspeto do seu comportamento externo em que pode melhorar: a correção fraterna que Jesus Cristo recomenda no Evangelho! Falei longamente sobre este ponto na carta que escrevi no início do Ano jubilar, por isso não me detenho mais neste tema. Só queria referir que, seguindo o bom critério do nosso Fundador, temos de exercer esta obra de misericórdia com prudência, com serenidade, com humildade, conscientes de que todos precisamos desta ajuda tão humana e tão sobrenatural.
Termino pedindo, como sempre, orações pelo Santo Padre, em concreto, pela viagem à Geórgia e ao Azerbaijão que está a realizar agora, e pela que o levará à Suécia no final do mês. As duas são no âmbito da ação ecuménica do Papa, seguindo os passos dos seus antecessores.
Muito unidos às minhas intenções, rezai também pelos 31 fiéis da Prelatura a quem ordenarei diáconos no próximo dia 29, e por todos os ministros sagrados da Igreja.
Com serenidade, e ainda com profunda dor, convido-vos a recordar as minhas filhas que faleceram no México, num acidente. A dor mantém-se, porque somos uma família unida. E a serenidade vem também da reação unânime de orações que houve em todo o mundo. Peçamos ao Senhor que lhes conceda um Céu muito grande, à medida da Misericórdia divina.
[8] S. Josemaria, Meditação, 2-X-1962 (AGP, biblioteca, P09, p. 59).
[9] Papa Francisco, Ex. apost. A alegria do Evangelho, 24-XI-2013, n. 23.
[10] S. Josemaria, Meditação, 2-X-1962 (AGP, biblioteca, P09, p. 62).

(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de outubro de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Envergonhar-se perante Deus é uma graça

É verdade que nenhum de nós matou ninguém, mas tantas pequenas coisas, tantos pecados quotidianos, de todos os dias... E quando pensamos: ‘Mas que coisa, que coração pequenino: eu fiz isto ao Senhor!’ E envergonhar-se! Envergonhar-se perante Deus e esta vergonha é uma graça: é a graça de ser pecador. ‘Eu sou pecador e envergonho-me perante Deus e peço perdão.’ É simples, mas é tão difícil dizer: Eu pequei.
(...)
O homem e a mulher misericordiosos têm um coração largo: sempre desculpam os outros e pensam nos seus pecados. Viste o que aquele fez? Mas eu já tenho que chegue com o que fiz e não me meto nisso. Este é o caminho da misericórdia que devemos ter. Mas se todos nós, todos os povos, as pessoas, as famílias, os bairros, tivessem esta atitude, quanta paz existiria no mundo, quanta paz nos nossos corações! Porque a misericórdia leva-nos à paz. Recordai-vos sempre: Quem sou eu para julgar? Envergonhar-se e alargar o coração. Que o Senhor nos dê esta graça.

Papa Francisco - Excertos homilia de 17.03.2014 na Casa de Santa Marta

A santa vergonha

Um dos fenómenos culturais mais interessantes da actualidade é a atitude de muitos católicos perante a história da sua Igreja. Numerosos fiéis, sem deixarem de ser devotos e dedicados, costumam alinhar com a sociedade num coro de censuras à própria instituição a que pertencem, o que constitui sem dúvida um facto insólito. Nenhuma comunidade é tão autocriticada quanto a eclesial.

Basta alguém referir as realizações cristãs no mundo para isso suscitar irritação da parte dos adversários da Igreja, o que é normal, mas também de muitas pessoas que fazem questão de se afirmar católicos praticantes, mas incapazes de ouvir esses elogios sem alegar críticas. O cânone da irritação é bem conhecido: Inquisição, Cruzadas, poder temporal do Papado, agora pedofilia, etc. O problema desta atitude não está na verdade do que afirma, que é indiscutível, mas que não se dê conta de como é descabida e injusta.

Imagine alguém que, ouvindo outrem admirar-se dos extraordinários avanços da Medicina em curas espantosas, discordasse referindo as atrocidades dos antigos cirurgiões-barbeiros e tropelias de curandeiros e charlatães. Ninguém disputa a veracidade desses casos, mas eles são totalmente irrelevantes para a discussão. O facto de se terem cometido múltiplos erros médicos ao longo dos séculos, aliás inevitáveis, e ainda hoje muitos abusarem da condição terapêutica, nada tem a ver com a justa admiração pelas ciências da saúde. Suponha que, falando-se do papel decisivo da Alemanha no combate à actual crise europeia, alguém se indignasse pelos horrores cometidos pelos nazis ou cavaleiros teutónicos. Essas barbaridades são indubitáveis, mas invocá-las a este propósito seria justamente considerado preconceito e xenofobia.

Ora essas atitudes, inadmissíveis na consideração da história de qualquer profissão, ciência, comunidade ou povo, acontecem a cada passo quando se fala da Igreja, sem que ninguém note o evidente despropósito. Pior que isso, uma avaliação justa e serena de tais críticas mostra-as também sumamente injustas.

A Igreja acumulou ao longo dos séculos inúmeros erros, abusos, conflitos, violências e injustiças. Isso é inaceitável, mas infelizmente comum a todas as instituições humanas. Só que, além disso, ela tem algo que é muito difícil de encontrar nos outros: uma incomparável história de santidade, caridade, fraternidade e heroicidade, junto com inúmeras realizações sociais, intelectuais e artísticas, sem par em instituições comparáveis. É impossível enumerar os contributos que a Igreja deu à civilização, educação, saúde, assistência e equilíbrio social, um pouco por todo o lado e em todos os séculos. Além disso gerou efeitos únicos, como a conservação da cultura clássica nos mosteiros, a criação das universidades e de múltiplas formas de arte sacra e profana, inúmeros campos da filosofia, ciência, junto com contributos na economia, diplomacia, progresso social e muito mais. A Igreja é realmente única em termos históricos.

Finalmente, mesmo considerando o cânone da injúria, a realidade mostra-se muito diferente da imagem. A grande maioria das pessoas que enche a boca com a Inquisição, Cruzadas e afins, pouco sabe sobre elas, para lá de vulgarizações distorcidas de autores anticatólicos. A historiografia séria, sem negar as terríveis atrocidades, aliás comuns na época, mostra por exemplo que os tribunais da Inquisição se distinguiam, face aos juízes de então, pela benevolência e absolvição e que o Papado e hierarquia frequentemente procuraram controlar os seus abusos, motivados por interesse de reis. As Cruzadas foram, não uma agressão, mas reacção ao expansionismo turco, aplaudida pelos árabes do tempo, oprimidos pelos invasores orientais.

O magno ataque dos últimos séculos contra o Cristianismo mudou a face cultural do Ocidente, mas a Igreja sobreviveu e encontrou novas formas de existir e se exprimir. Numa dimensão, no entanto, o ataque foi largamente vitorioso: conseguiu que muitos católicos se envergonhem hoje da gloriosa história da sua fé.

João César das Neves in DN online em 2011

Nossa Senhora de La Salette

Nossa Senhora de La Salette (em francês Notre-Dame de La Salette) é o nome dado à Santíssima Virgem Maria nas suas aparições na montanha de La Salete, Isére, nos Alpes franceses. Nossa Senhora apareceu a 19 de Setembro de 1846 a duas crianças, Maximin Giraud de 11 anos e Mélanie Calvat de 15 anos.

O culto a Nossa Senhora de La Salette floresceu no século XX e, assim como Nossa Senhora de Lourdes (1858) e Nossa Senhora de Fátima (1917), continua a ser uma das mais famosas aparições marianas da idade moderna. Tem fortes ligações com essas duas aparições através da linha do tempo do segredo de La Salette e da confirmação em Fátima das recomendações de Lourdes.

O Evangelho do dia 19 de setembro de 2017

No dia seguinte foi para uma cidade, chamada Naim. Iam com Ele os Seus discípulos e muito povo. Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado a sepultar um defunto, filho único de uma viúva; e ia com ela muita gente da cidade. Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: «Não chores». Aproximou-Se, tocou no caixão, e os que o levavam pararam. Então disse: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». E o que tinha estado morto sentou-se, e começou a falar. Depois, Jesus, entregou-o à sua mãe. Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus visitou o Seu povo». Esta opinião a respeito d'Ele espalhou-se por toda a Judeia e por toda a região circunvizinha.

Lc 7, 11-17

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

“Quantos comerciantes terão sido santos?”

Está a ajudar-te muito, dizes-me, este pensamento: desde os primeiros cristãos, quantos comerciantes terão sido santos? E queres demonstrar que também agora isso é possível... O Senhor não te abandonará nesse empenho. (Sulco, 490)

O único objectivo do Opus Dei sempre foi este: contribuir para que, no meio do mundo, das realidades e afãs seculares, homens e mulheres de todas as raças e de todas as condições sociais procurem amar e servir a Deus e a todos os outros, no seu trabalho ordinário e através dele. (...).

Se alguma comparação se quer fazer, a maneira mais fácil de entender o Opus Dei é pensar na vida dos primeiros cristãos. Eles viviam profundamente a sua vocação cristã; procuravam muito a sério a perfeição a que eram chamados, pelo facto, ao mesmo tempo simples e sublime, do Baptismo. Não se distinguem exteriormente dos outros cidadãos. Os membros do Opus Dei são como toda a gente: realizam um trabalho corrente; vivem no meio do mundo conforme aquilo que são – cidadãos cristãos que querem responder inteiramente às exigências da sua fé. (Temas Actuais do Cristianismo, 10 e 24)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1933

Escreve o ponto 286 do Caminho: “Não há nada melhor no mundo do que estar em graça de Deus”.

Pecado

«Pecado. O catecismo diz-nos, de modo simples e fácil de recordar, que ele é transgressão do mandamento de Deus. O pecado é, sem dúvida, transgressão dum princípio moral, violação duma "norma'' — e sobre isto estão todos de acordo, mesmo os que não querem ouvir falar de "mandamentos de Deus". Também eles estão concordes em admitir que as principais normas morais, os mais elementares princípios de comportamento, sem os quais a vida e a convivência entre os homens não é possível, são precisamente aqueles que nós conhecemos como "mandamentos de Deus" (em particular o quarto, o quinto, o sexto, o sétimo e o oitavo). A vida do homem, a convivência entre os homens, decorre numa dimensão ética, e nisto está a sua característica essencial, e é também a dimensão essencial da cultura humana».

(João Paulo II - Audiência geral em 20/XII/1978)

«A natureza, ferida pelo pecado, gera cidadãos da cidade terrena, e a graça que liberta do pecado, gera cidadãos da cidade celestial»

(Santo Agostinho - De civitate Dei, XV, 2)

“O maior pecado de hoje é que os homens perderam o sentido do pecado”

Quando Deus está menos presente na nossa vida aparece a ‘mediocridade cristã’. Assim, um pecado grave como o adultério parece algo pouco importante.
(...)
Todos somos pecadores e todos somos tentados e as tentações é o pão nosso de cada dia. Se algum de nós dissesse: ‘Mas eu nunca tive tentações, ou és um anjo ou és um tolo!
(...)
Quando o Reino de Deus está menos presente, quando o Reino de Deus diminui, um dos sinais é que se perde o sentido do pecado.
(...)
Vai-nos fazer bem hoje rezar por nós, para que o Senhor nos dê sempre a graça de não perder o sentido do pecado, para que o Reino não baixe em nós.

Papa Francisco - Excertos homilia de 31.01.2014 na Casa de Santa Marta

S. José de Cupertino, religioso, †1663

São José de Cupertino nasceu em Cupertino, na Puglia, no ano de 1603. Paupérrimo, viveu os primeiros meses de vida num estábulo, porque o pai, endividado, teve de vender tudo.

A vida deste santo tem aspectos desconcertantes. Aos 17 anos queria ser frade, mas os frades menores não o aceitaram porque era muito ignorante, e os capuchinhos que o haviam acolhido como irmão leigo, pouco depois impuseram-lhe que depusesse o hábito por causa da sua grande confusão mental. Em lugar algum o queriam de volta, nem a sua própria mãe.

Finalmente, os frades menores de Grotella abriram-lhe as portas do convento, confiando-lhe os mais humildes serviços, como cuidar de uma mula. José auto-definiu-se: “irmão burro”, e não obstante isso queria estudar para padre. Nos exames foi sorteada a única questão que ele sabia: comentar o Evangelho. Desde aquele momento começaram a aparecer na vida desse frade diferente os sinais da predileção divina e fenómenos que atestam a santidade interior.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 18 de setembro de 2017

Tendo terminado este discurso ao povo, entrou em Cafarnaum. Ora um centurião tinha doente, quase a morrer, um servo que lhe era muito querido. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-Lhe alguns anciãos dos judeus a pedir-Lhe que viesse curar o seu servo. Eles, tendo ido ter com Jesus, pediam-Lhe instantemente, dizendo: «Ele merece que lhe faças esta graça, porque é amigo da nossa nação e até nos edificou a sinagoga». Jesus foi com eles. Quando estava já perto da casa, o centurião mandou uns amigos a dizer-Lhe: «Senhor, não Te incomodes, porque eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto. Por essa razão nem eu me achei digno de ir ter contigo; mas diz uma só palavra, e o meu servo será curado. Porque também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: Vai! e ele vai; e a outro: Vem! e ele vem; e ao meu servo: Faz isto! e ele faz». Jesus, ao ouvir isto, ficou admirado e, voltando-Se para a multidão que O seguia, disse: «Em verdade vos digo que não encontrei tanta fé em Israel». Voltando para casa os que tinham sido enviados, encontraram o servo curado.

Lc 7, 1-10

domingo, 17 de setembro de 2017

São João Paulo II há 30 anos

O trabalho, um sinal do amor de Deus

Está a ajudar-te muito, dizes-me, este pensamento: desde os primeiros cristãos, quantos comerciantes terão sido santos? E queres demonstrar que também agora isso é possível... O Senhor não te abandonará nesse empenho. (Sulco, 490)

O que sempre ensinei – desde há quarenta anos – é que todo o trabalho humano honesto, tanto intelectual como manual, deve ser realizado pelo cristão com a maior perfeição possível: com perfeição humana (competência profissional) e com perfeição cristã (por amor à vontade de Deus e em serviço dos homens). Porque, feito assim, esse trabalho humano, por humilde e insignificante que pareça, contribui para a ordenação cristã das realidades temporais – a manifestação da sua dimensão divina – e é assumido e integrado na obra prodigiosa da Criação e da Redenção do mundo: eleva-se assim o trabalho à ordem da graça, santifica-se, converte-se em obra de Deus, operatio Dei, opus Dei.

Ao recordar aos cristãos as palavras maravilhosas do Génesis – que Deus criou o homem para que trabalhasse –, fixámo-nos no exemplo de Cristo, que passou a quase totalidade da sua vida terrena trabalhando numa aldeia como artesão. Amamos esse trabalho humano que Ele abraçou como condição de vida, e cultivou e santificou. Vemos no trabalho – na nobre e criadora fadiga dos homens – não só um dos mais altos valores humanos, meio imprescindível para o progresso da sociedade e o ordenamento cada vez mais justo das relações entre os homens, mas também um sinal do amor de Deus para com as suas criaturas e do amor dos homens entre si e para com Deus: um meio de perfeição, um caminho de santificação. (Temas Actuais do Cristianismo, 10)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1943

Assim relata uma viagem de comboio, numa carta escrita hoje de Monzón (Espanha): “Dediquei-me, desde que saí de Madrid, a um desporto divino: observar o horizonte, para dizer algo a Jesus nos Sacrários do caminho. Além disso esta manhã rezei o Breviário com mais solenidade que no coro de uma Catedral: convidei a cantar, comigo, os louvores do Senhor todos os Anjos da guarda que vinham na minha carruagem. Nunca percais de vista os Anjos, meus filhos!”.

Bom Domingo do Senhor!

Sigamos o conselho e ensinamento de Jesus Cristo conforme nos fala o Evangelho de hoje (Mt 18, 21-35) e tenhamos a nossa mente e coração sempre disponível para perdoar o próximo que como nós é pecador.

Obrigado Senhor pela Tua infinita bondade e misericórdia!

Unidade-Comunhão

«Fé e vida, verdade e vida, eu e nós não são separáveis, e só no contexto da comunhão de vida no nós dos crentes, no nós da Igreja, a fé desenvolve a sua lógica, a sua forma orgânica.»

(Olhar para Cristo – Joseph Ratzinger)

Apelo à unidade

Eu, o prisioneiro no Senhor, exorto-vos, pois, a que procedais de um modo digno do chamamento que recebestes; com toda a humildade e mansidão, com paciência: suportando-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, atua por meio de todos, Se encontra em todos.

(São Paulo - Efésios 4,1-6)

Unidade afectiva e efectiva entre todos os filhos da Igreja

Oxalá chegue muito longe o desejo expresso por estas palavras de São Josemaría, fundador do Opus Dei:Gostaria (…) que, na Igreja Santa, todos nos sentíssemos membros de um só corpo, como nos pede o Apóstolo; e que vivêssemos a fundo, sem indiferenças, as alegrias, as tribulações, a expansão da nossa Mãe, una, santa, católica, apostólica, romana.

Quereria que vivêssemos a identidade de uns com os outros e de todos com Cristo.” (Forja, 630). É a isto que o Papa Francisco nos chama, com o seu sorriso, com o seu coração de pastor de todos.

O Pentecostes fala-nos de línguas, de expansão, de sairmos de nós próprios, mas também nos anima à unidade afetiva e efetiva entre todos os filhos da Igreja. Uma unidade que é um sinal de esperança.

Javier Echevarría

(Excerto artigo publicado no jornal italiano ‘Avvenire’ do dia 18.05.2013 com tradução de JPR)

«Não devias também ter piedade do teu companheiro?»

São João Paulo II
Encíclica «Dives in misericordia», § 14

Em todas as fases da história mas especialmente na época atual, a Igreja deve considerar como um dos seus principais deveres proclamar e introduzir na vida o mistério da misericórdia, revelado no mais alto grau em Jesus Cristo. Este mistério é, não só para a própria Igreja, como comunidade dos fiéis, mas também, em certo sentido, para todos os homens, fonte de vida diferente daquela que o homem é capaz de construir quando exposto às forças prepotentes da tríplice concupiscência que nele operam. É precisamente em nome deste mistério que Cristo nos ensina a perdoar sempre. Quantas vezes repetimos as palavras da oração que Ele próprio nos ensinou, pedindo: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6,12), isto é, aos que são culpados em relação a nós!

É realmente difícil expressar o valor profundo da atitude que tais palavras designam e inculcam. Quantas coisas dizem a cada homem acerca do seu semelhante e também acerca de si próprio! A consciência de sermos devedores uns para com os outros anda a par com o apelo à solidariedade fraterna, que São Paulo exprimiu concisamente, convidando-nos a suportar-nos «uns aos outros com caridade» (Ef 4,2). Que lição de humildade não está encerrada aqui, em relação ao homem, ao próximo e também a nós mesmos! Que escola de boa vontade para a vida comum de cada dia, nas várias condições da nossa existência!

sábado, 16 de setembro de 2017

Insatisfação

Uma aparente insatisfação de não fazer o que devia fazer, como é quando. Sinto está ânsia de perfeição pessoal que a cada momento parece estar ao meu alcance para logo se afastar para bem longe.
Queria um julgamento agora, que o Senhor me dissesse claramente:

‘Não posso prosseguir sem que primeiro aproveites todas as oportunidades que te dou continuamente.

Choras?

Mas choras por Mim ou por ti?

Porque não alcanças o que desejas ou porque não te esforças o suficiente?

Choras porque és pouca coisa e gostavas de ser mais ou choras porque nem mesmo o pouco que és consegues fazer o que deves?

Falta-te a vontade e sobra-te o desejo.

Choras porque não passas das intenções, das belas palavras, dos propósitos bem estruturados e não segues em frente como deves com o que tens, tudo o que tens e é muito porque fui Eu Quem to deu e bem sabes como sou generoso.

Sim, António, o que tens é o bastante, suficiente para me dares o que te exijo: que sejas bom, puro e santo’.

(ama, Malta, 20 de Maio 2016)

Que a tua vida não seja uma vida estéril

S. Josemaria proclamou que a santidade está ao alcance de todo o cristão. Publicamos alguns textos nos que fala dessa chamada divina à qual ele respondeu.

Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor.

Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração. (Caminho, 1)

Todos os que aqui estamos fazemos parte da família de Cristo, porque Ele mesmo nos escolheu antes da criação do mundo, por amor, para sermos santos e imaculados diante dele, o qual nos predestinou para sermos seus filhos adoptivos por meio de Jesus Cristo para sua glória, por sua livre vontade. Esta escolha gratuita de que Nosso Senhor nos fez objecto, marca-nos um fim bem determinado: a santidade pessoal, como S. Paulo nos repete insistentemente: haec est voluntas Dei: sanctificatio vestra, esta é a vontade de Deus: a vossa santificação. Portanto, não nos esqueçamos: estamos no redil do Mestre, para alcançar esse fim. (Amigos de Deus, 2)

A meta que proponho – ou melhor, a que Deus indica a todos – não é uma miragem ou um ideal inatingível: podia contar-vos tantos exemplos concretos de mulheres e de homens correntes, como vocês e como eu, que encontraram Jesus que passa quasi in occulto pelas encruzilhadas aparentemente mais vulgares e decidiram segui-lo, abraçando com amor a cruz de cada dia. Nesta época de desmoronamento geral, de concessões e de desânimos, ou de libertinagem e de anarquia, parece-me ainda mais actual aquela convicção simples e profunda que, no princípio da minha actividade sacerdotal e sempre, me consumiu em desejos de comunicar à humanidade inteira: estas crises mundiais são crises de santos. (Amigos de Deus, 4)

Estamos decididos a procurar que a nossa vida sirva de modelo e de ensinamento aos nossos irmãos, aos nossos iguais, os homens? Estamos decididos a ser outros Cristos? Não basta dizê-lo com a boca. Tu – pergunto-o a cada um de vós e pergunto-o a mim mesmo – tu, que por seres cristão estás chamado a ser outro Cristo, mereces que se repita de ti que vieste facere et docere, fazer tudo como um filho de Deus, atento à vontade de seu Pai, para que deste modo possas levar todas as almas a participar das coisas boas, nobres, divinas e humanas, da Redenção? Estás a viver a vida de Cristo na tua vida de cada dia no meio do mundo?

Fazer as obras de Deus não é um bonito jogo de palavras, mas um convite a gastar-se por Amor. Temos de morrer para nós mesmos a fim de renascermos para uma vida nova. Porque assim obedeceu Jesus, até à morte de Cruz, mortem autem crucis. Propter quod et Deus exaltavit illum. Por isso Deus O exaltou. Se obedecermos à vontade de Deus, a Cruz será também Ressurreição, exaltação. Cumprir-se-á em nós, passo a passo, a vida de Cristo; poder-se-á afirmar que vivemos procurando ser bons filhos de Deus, que passamos fazendo o bem, apesar da nossa fraqueza e dos nossos erros pessoais, por mais numerosos que sejam. (Cristo que passa, 21)

Asseguro-vos, meus filhos, que, quando um cristão realiza com amor a mais intranscendente das acções diárias, ela transborda da transcendência de Deus. Por isso vos tenho repetido, com insistente martelar, que a vocação cristã consiste em fazer poesia heróica da prosa de cada dia. Na linha do horizonte, meus filhos, parecem unir-se o céu e a terra. Mas não; onde se juntam deveras é nos vossos corações, quando viveis santamente a vida de cada dia... (Temas actuais do cristianismo, 116)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 17 de setembro de 2017

Então, aproximando-se d'Ele Pedro, disse: «Senhor, até quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?». Jesus respondeu-lhe: «Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. «Por isso, o Reino dos Céus é comparável a um rei que quis fazer as contas com os seus servos. Tendo começado a fazer as contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos. Como não tivesse com que pagar, o seu senhor mandou que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo o que tinha, e se saldasse a dívida. Porém, o servo, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe: “Tem paciência comigo, eu te pagarei tudo”. E o senhor, compadecido daquele servo, deixou-o ir livre e perdoou-lhe a dívida. «Mas este servo, tendo saído, encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários e, lançando-lhe a mão, sufocava-o dizendo: “Paga o que me deves”. O companheiro, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe: “Tem paciência comigo, eu te pagarei”. Porém ele recusou e foi mandá-lo meter na prisão, até pagar a dívida. «Os outros servos seus companheiros, vendo isto, ficaram muito contristados e foram referir ao seu senhor tudo o que tinha acontecido. Então o senhor chamou-o e disse-lhe: “Servo mau, eu perdoei-te a dívida toda, porque me suplicaste. Não devias tu também compadecer-te do teu companheiro, como eu me compadeci de ti?”. E o seu senhor, irado, entregou-o aos guardas, até que pagasse toda a dívida. «Assim também vos fará Meu Pai celestial, se cada um não perdoar do íntimo do seu coração ao seu irmão»

Mt 18,21-35