N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Deus e a dignidade humana

«O reconhecimento de Deus não se opõe de modo algum à dignidade humana, já que esta dignidade tem no próprio Deus o seu fundamento e perfeição. É Deus criador que constitui o homem inteligente e livre na sociedade. E, sobretudo, o homem é chamado como filho à união com Deus e à participação na sua felicidade»

(Gaudium et spes, nº 21)

PRESSA EM SERVIR

«Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia.» Lc 1, 39

«Maria dirigiu-se à pressa.»

Maria podia ter ficado a “contemplar-se”, a “encher-se de gozo”, por saber agora ter sido a escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, a Mãe do Salvador!

Eu não tenho dúvidas que essa seria a minha atitude, ou seja, “deliciar-me” com a “escolha” feita por Deus da minha pessoa.

Sentir-me-ia importante, chamaria ou far-me-ia encontrado com outros para lhes contar do que me tinha acontecido, recordaria passo por passo a visitação e as palavras proferidas pelo Anjo, apenas para meu deleite!

Não conseguiria conter o orgulho de me sentir mais do que os outros, ou seja, ser servido em vez de servir.

Por isso é que nunca poderia ser escolhido!

Mas Maria não!

«Por aqueles dias», ou seja, logo a seguir a ter conhecimento do Mistério de graça a que o Senhor a tinha chamado, parte «à pressa», para servir a sua prima que precisa de ajuda.

Não devia ser esta a nossa atitude quando nos deixamos encontrar por Deus, quando O sentimos nas nossas vidas, porque Ele se nos dá a conhecer?

Não foi isso mesmo que o Pai fez em Jesus Cristo, que Se fez Homem por e entre nós: servir-nos a Palavra, servir-nos o Amor, servir-nos a Verdade, servir-nos o Caminho, servir-nos a Vida, dar-Se inteira e totalmente em serviço divino ao homem.

Pois é, quando o encontro de Deus com cada um de nós acontece, (por Sua graça, por Seu amor), a urgência das nossas vidas deve ser servir!

Servir a Deus, servir a Palavra, servir em Igreja.

Não podemos já adiar a missão que nos foi dada, (a nossa missão), que é uma missão de serviço em qualquer estado/vocação a que somos chamados.

Não podemos já pensar que amanhã é que começamos, não podemos já pensar que para o ano que vem é que damos inicio à missão, não podemos já pensar que ainda temos tempo e que a missão pode esperar.

Não, o tempo é agora e devemos nós também «dirigirmo-nos à pressa para a montanha», que é a missão a que somos chamados como filhos de Deus, discípulos de Cristo.

O tempo é agora, porque desde logo é tempo de oração, tempo de testemunho, tempo de entrega, tempo de servir, porque o tempo d’Ele é o tempo de estar connosco, sempre!

Não percamos tempo, e «dirijamo-nos à pressa para a montanha», que é caminho de e para Deus.

Monte Real, 16 de Agosto de 2010

Joaquim Mexia Alves

Nota: Esta reflexão foi provocada/inspirada pela bela e profunda homilia do Padre Manuel Henrique, (Vigário da minha paróquia da Marinha Grande), na Missa Vespertina da Assunção da Virgem Santa Maria.

A misericórdia e a clemência de Deus

«Nosso Senhor tem cuidado contínuo dos passos dos Seus filhos, isto é, daqueles que possuem a caridade, fazendo-os caminhar diante d’Ele, estendendo-lhe a Sua mão nas dificuldades. Assim o declarou por Isaías: ‘Sou o teu Deus que te toma pela mão e te diz: Não temas, Eu te ajudarei’ (Is 41,13). De modo que, além de muito ânimo, devemos ter suma confiança em Deus e no Seu auxílio, pois se não faltamos à graça, Ele concluirá em nós a boa obra da nossa salvação, que começou»

(São Francisco de Sales - Tratado do amor de Deus, liv. 3, cap. 4)

Santa Beatriz da Silva, religiosa, †1490

Nasceu em terras portuguesas, em Campo Maior ou, talvez, em Ceuta. Pertencia à mais alta nobreza de Portugal, sendo aparentada com a própria Família Real.

Ainda jovem, acompanhou como dama de honra sua prima D. Isabel, Infanta portuguesa que partiu para Castela a fim de se casar com o rei daquela nação, João II.

Na Corte castelhana, a beleza deslumbrante de Beatriz logo atraiu para ela todas as atenções e a nova rainha, com ciúmes, concebeu o propósito de matá-la. Para isso prendeu-a numa arca sem ventilação. Dias depois, abriu a arca esperando encontrar um cadáver, mas achou Santa Beatriz viva e em perfeita saúde. A Santíssima Virgem aparecera-lhe durante a prisão e fizera-lhe companhia, preservando miraculosamente sua vida e incumbindo-a de fundar uma Ordem religiosa destinada a venerar a Imaculada Conceição.

A rainha arrependeu-se da sua maldade e autorizou Beatriz a retirar-se para um convento dominicano, em Toledo, onde viveu mais de 30 anos, não como religiosa, mas como pensionista, à espera da hora em que pudesse realizar a fundação.

Já idosa, recebeu certo dia a visita da rainha Isabel, a Católica, filha daquela que tentara matá-la. Auxiliada por Isabel, fundou a Ordem das Concepcionistas.

Desde que se afastou da Corte, Beatriz havia adotado o costume de conservar sempre o rosto velado, para evitar que sua beleza fosse ocasião de pecado. No leito de morte, quando lhe foi ministrada a Santa Unção, descobriram-lhe o rosto e, para grande surpresa, constatou-se que ela, embora tivesse mais de 60 anos de idade, tinha conservado a mesma fisionomia de jovem. Deus quis, por esse milagre, mostrar como Lhe era agradável a ilibada pureza de Santa Beatriz.

(Fonte: 'Evangelho Quotidiano')

O Evangelho do dia 17 de agosto de 2017

Então, aproximando-se d'Ele Pedro, disse: «Senhor, até quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?». Jesus respondeu-lhe: «Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. «Por isso, o Reino dos Céus é comparável a um rei que quis fazer as contas com os seus servos. Tendo começado a fazer as contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos. Como não tivesse com que pagar, o seu senhor mandou que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo o que tinha, e se saldasse a dívida.26 Porém, o servo, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe: “Tem paciência comigo, eu te pagarei tudo”. E o senhor, compadecido daquele servo, deixou-o ir livre e perdoou-lhe a dívida. «Mas este servo, tendo saído, encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários e, lançando-lhe a mão, sufocava-o dizendo: “Paga o que me deves”. O companheiro, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe: “Tem paciência comigo, eu te pagarei”. Porém ele recusou e foi mandá-lo meter na prisão, até pagar a dívida. «Os outros servos seus companheiros, vendo isto, ficaram muito contristados e foram referir ao seu senhor tudo o que tinha acontecido. Então o senhor chamou-o e disse-lhe: “Servo mau, eu perdoei-te a dívida toda, porque me suplicaste. Não devias tu também compadecer-te do teu companheiro, como eu me compadeci de ti?”. E o seu senhor, irado, entregou-o aos guardas, até que pagasse toda a dívida. «Assim também vos fará Meu Pai celestial, se cada um não perdoar do íntimo do seu coração ao seu irmão»  Tendo Jesus acabado estes discursos, partiu da Galileia e foi para o território da Judeia, além Jordão.

Mt 18,21-35.19,1

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O perdão divino, motor de esperança (audiência)

Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Ouvimos a reação dos comensais de Simão, o fariseu: «Quem é este homem que até perdoa os pecados?» (Lc 7, 49). Jesus acabou de fazer um gesto escandaloso. Uma mulher da cidade, que todos conheciam como uma pecadora, entrou na casa de Simão, inclinou-se aos pés de Jesus e derramou sobre os seus pés o óleo perfumado. Todos aqueles que estavam ali à mesa murmuravam: se Jesus é um profeta, não deveria aceitar gestos deste tipo de uma mulher como aquela. Estas mulheres, desventuradas, que só serviam para ser encontradas às escondidas, inclusive pelos chefes, ou para ser lapidadas. Segundo a mentalidade dessa época, entre o santo e o pecador, entre o puro e o impuro, a separação devia ser clara.

Mas a atitude de Jesus é diferente. Desde o início do seu ministério na Galileia, Ele aproxima-se dos leprosos, dos endemoninhados, de todos os doentes e dos marginalizados. Um comportamento deste tipo não era nada habitual, a ponto que esta simpatia de Jesus pelos excluídos, pelos “intocáveis”, será uma das atitudes que mais desconcertarão os seus contemporâneos. Onde há uma pessoa que sofre, Jesus cuida dela e aquele sofrimento torna-se seu. Jesus não apregoa que a condição de pena deve ser suportada com heroísmo, à maneira dos filósofos estoicos. Jesus compartilha a dor humana, e quando se depara com ela, do seu íntimo irrompe aquela atitude que caracteriza o cristianismo: a misericórdia. Diante da dor humana, Jesus sente misericórdia; o coração de Jesus é misericordioso. Jesus experimenta compaixão. Literalmente: Jesus sente tremer as suas entranhas. Quantas vezes nos Evangelhos encontramos reações deste género. O coração de Cristo encarna e revela o coração de Deus, e onde há um homem ou uma mulher que sofre, Ele quer a sua cura, a sua libertação, a sua vida plena.

É por isso que Jesus abre de par em par os braços aos pecadores. Quanta gente perdura ainda hoje numa vida errada, porque não encontra ninguém disposto a olhar para ele ou para ela de modo diverso, com os olhos, melhor, com o coração de Deus, ou seja, olhar para eles com esperança. Jesus, ao contrário, vê uma possibilidade de ressurreição até em quantos acumularam muitas escolhas equivocadas. Jesus está sempre ali, com o coração aberto; escancara aquela misericórdia que tem no coração; perdoa, abraça, compreende, aproxima-se: Jesus é assim!

Às vezes esquecemos que para Jesus não se tratou de um amor fácil, barato. Os Evangelhos frisam as primeiras reações negativas em relação a Jesus, precisamente quando Ele perdoa os pecados de um homem (cf. Mc 2, 1-12). Era um homem que sofria duplamente: porque não podia caminhar e porque se sentia “errado”. E Jesus entende que a segunda dor é maior do que a primeira, a ponto que o recebe imediatamente com um anúncio de libertação: «Filho, os teus pecados te são perdoados!» (v. 5). Liberta-o daquela sensação de opressão de se sentir errado. Então, alguns escribas — aqueles que se julgam perfeitos: penso em tantos católicos que se consideram perfeitos e desprezam os outros... isto é triste... — alguns escribas ali presentes escandalizam-se com aquelas palavras de Jesus, que soam como uma blasfémia, porque somente Deus pode perdoar os pecados.

Nós que estamos habituados a experimentar o perdão dos pecados, talvez “a um preço muito baixo”, deveríamos recordar-nos de vez em quando de quanto custamos ao amor de Deus. Cada um de nós custou bastante: a vida de Jesus! Ele tê-la-ia dado até por um só de nós. Jesus não vai para a cruz porque cura os enfermos, porque prega a caridade, porque proclama as bem-aventuranças. O Filho de Deus vai para a cruz sobretudo porque perdoa os pecados, porque quer a libertação total e definitiva do coração do homem. Porque não aceita que o ser humano consuma toda a sua existência com esta “tatuagem” indelével, com o pensamento de não poder ser recebido pelo coração misericordioso de Deus. E com estes sentimentos Jesus vai ao encontro dos pecadores, que somos todos nós.

Assim os pecadores são perdoados. Não só tranquilizados a nível psicológico, porque libertados do sentido de culpa. Jesus faz muito mais: oferece às pessoas que erraram, a esperança de uma vida nova. “Mas Senhor, eu sou um miserável” — “Olha para a frente e Eu dou-te um coração novo”. Esta é a esperança que Jesus nos oferece. Uma vida marcada pelo amor. Mateus, o publicano, torna-se apóstolo de Cristo: Mateus, que é um traidor da pátria, um explorador do povo. Zaqueu, rico corrupto — ele certamente tinha um diploma em suborno — de Jericó, transforma-se num benfeitor dos pobres. A mulher da Samaria, que teve cinco maridos e agora convive com outro, ouve a promessa da “água viva” que poderá jorrar para sempre dentro dela (cf. Jo 4, 14). Deste modo Jesus muda o coração; faz assim com todos nós.

É bom pensar que Deus não escolheu como primeira massa, para formar a sua Igreja, pessoas que nunca erravam. A Igreja é um povo de pecadores que experimentam a misericórdia e o perdão de Deus. Pedro entendeu mais verdades sobre si mesmo ao canto do galo, do que dos seus impulsos de generosidade, que lhe enchiam o peito, levando-o a sentir-se superior em relação aos outros.

Irmãos e irmãs, todos nós somos pobres pecadores, necessitados da misericórdia de Deus, que tem a força de nos transformar e restituir esperança, e isto todos os dias. E fá-lo! E às pessoas que entenderam esta verdade basilar, Deus confia a missão mais bonita do mundo, ou seja, o amor aos irmãos e às irmãs, e o anúncio de uma misericórdia que Ele não nega a ninguém. E esta é a nossa esperança. Vamos em frente com esta confiança no perdão, no amor misericordioso de Jesus.

Saudações
Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, convidando todos a permanecer fiéis a Cristo Jesus. Ele desafia-nos a sair do nosso mundo limitado e estreito para o Reino de Deus e a verdadeira liberdade. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja.

Fiquei profundamente amargurado com o massacre ocorrido no domingo passado na Nigéria, dentro de uma igreja, onde foram mortas pessoas inocentes. E infelizmente hoje de manhã chegou a notícia de violências homicidas contra as comunidades cristãs na República Centro-Africana. Faço votos a fim de que cessem todas as formas de ódio e de violência, e que não se voltem a repetir crimes tão vergonhosos, perpetrados em lugares de culto, onde os fiéis se congregam para rezar. Pensemos nos nossos irmãos e irmãs da Nigéria e da República Centro-Africana. Oremos por eles, todos juntos: Ave Maria...

Enfim, dirijo o meu cordial pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados, vindos a Roma neste período. Caros jovens, desejo que o encontro com tantos lugares repletos de cultura, arte e fé seja ocasião propícia para conhecer e imitar o exemplo que nos foi deixado por numerosas testemunhas do Evangelho que viveram aqui, como São Lourenço, cuja festa se celebra amanhã. Diletos doentes, encorajo-vos a unir-vos constantemente a Jesus sofredor, carregando com fé a cruz para a redenção do mundo. Amados recém-casados, faço votos por que construais a vossa nova família sobre o fundamento sólido da fidelidade ao Evangelho do Amor.

Um querer sem querer é o teu

Um querer sem querer é o teu, enquanto não afastares decididamente a ocasião. – Não te queiras iludir dizendo-me que és fraco. És... cobarde, o que não é o mesmo. (Caminho, 714)

O mundo, o Demónio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho dum prazer – que nada vale – lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no Sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade. (Caminho, 708)

Outra queda..., e que queda!... Desesperar-te? Não; humilhar-te e recorrer, por Maria, tua Mãe, ao Amor Misericordioso de Jesus. – Um "miserere" e, coração ao alto! 

– A começar de novo. (Caminho, 711)

Bem fundo caíste. – Começa os alicerces a partir daí. – Sê humilde. – "Cor contritum et humiliatum, Deus, non despicies". – Não desprezará Deus um coração contrito e humilhado. (Caminho, 712)

Tu não vais contra Deus. – As tuas quedas são de fragilidade. – Concordo. Mas são tão frequentes essas fragilidades (não sabes evitá-las), que, se não queres que te tenha por mau, hei-de ter-te por mau e tolo. (Caminho, 713)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1959

Com os pais do P.e Dick Mulcahy à entrada da residência universitária Nullamore de Dublin, Irlanda. Nesse mesmo dia tinha celebrado a missa em Ely Residence, fazendo a acção de graças em voz alta junto dos que assistiram à celebração: “(O Senhor) escolheu-vos para começardes o trabalho na Irlanda e assim serdes instrumentos das suas maravilhas: apesar de ser tão pouca coisa, apesar de tudo eu também sou um pobre homem”.

NO CÉU, NO CÉU, COM MINHA MÃE ESTAREI

Venho devagarinho e deito-me no teu colo, minha querida Mãe do Céu.
Abandono-me nos teus braços de amor, para neles encontrar o amor do teu Filho, minha querida Virgem Mãe.
Contigo, hoje, subo também ao Céu, por um pouco.
Esse pouco, reforça a minha confiança, renova a minha esperança.
E canto, então, cheio de alegria:
«No Céu, no Céu, com minha Mãe estarei.»

Marinha Grande, 15 de Agosto de 2016

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2016/08/no-ceu-no-ceu-com-minha-mae-estarei.html

Satanás e a freira

Michaela conta na primeira pessoa uma história trepidante. O livro chama-se «Fuggita da Satana. La mia lotta per scappare dall'inferno» (Fugida de Satanás. A minha luta para escapar do inferno).

Michaela nasceu em 1970. Os pais deixaram-na abandonada na maternidade. Viveu 6 anos num orfanato, que foi encerrado por maus tratos a menores. Michaela conheceu tudo, menos o afecto. Talvez não tenha ajudado o facto (que ela própria reconhece) de ter sido, na escola, uma verdadeira peste.

Mas nem tudo correu mal. Aos 18 anos viu-se livre de todas as tutelas e começou a ganhar dinheiro. Alcançou uma certa fama como «chef» de cozinha internacional e, à conta disso, viajou pela Europa. Ganhou cada vez mais dinheiro, mas chegava ao fim do mês sem nada. Arranjava um namorado para cada estação do ano; dizia que eram namoros de «usar e deitar fora», mas cada história deixava-lhe o coração mais ferido.

Finalmente, encontrou um rapaz especial. Inteligente, boa pessoa, diferente de todos os outros pelas qualidades e também por um defeito que ela achava desagradável: era católico praticante. Essa característica estragava o sonho, porque quando Michaela lhe perguntava quando é que iam para a cama, Luca respondia que depois do casamento. Ela pôs os pontos nos is: «Luca, percebe-me isto bem. Relações a 3 não funcionam. Somos tu e eu. Ponto. Deus fica fora». Mas Luca era realmente diferente dos outros.

Ao fim de 2 anos, Luca apareceu em casa de Michaela, sem avisar. «Finalmente, vamos para a cama!», pensou ela. No entanto, o plano de Luca era outro: «Estive a falar com o pároco e podemos casar...». «Perfeito, vamos ao registo civil». «Não, o sacramento é importante para mim, quero casar-me contigo na igreja». «Quanto é que isso custa?». «Nada». «Nesse caso...». Combinou-se a data. O entusiasmo crescia, Luca era realmente fantástico. Apesar disso, nunca chegaram a casar. Luca morreu 4 dias antes da data marcada.

A reacção de Michaela foi pensar que, afinal, o dinheiro não chegava para comprar tudo o que lhe apetecia: a vida de Luca não estava à venda. Na noite do funeral foi à praia e ali jurou aos céus: «Deus, vou passar a minha vida a dizer a toda a gente que não existes; mas se existires realmente, vou empenhar-me em destruir-te». Assim começou a guerra.

Uma guerra à beira de várias experiências-limite, até chegar junto da sacerdotisa de uma seita satânica. Nessa última etapa, que durou 2 anos, viu degradações horrorosas, viu a morte e a violência. Na noite de Natal de 1996, no meio de um ritual satânico, propuseram-lhe ser também sacerdotisa. A prova de fogo era simples: ir a Roma matar uma rapariga, chamada Chiara Amirante, que tinha fundado uma comunidade – recente, mas muito protegida pela Igreja – responsável por ter afastado algumas pessoas da seita. Na tarde de 5 de Janeiro de 1997, Michaela partiu para Roma, com a morada da comunidade. Às 8 horas da noite tocou à porta.

Chiara Amirante com o Papa Francisco
Entretanto, do outro lado da porta, aconteceram coisas estranhas. Chiara estava a jantar com as outras quando ouviu uma voz interior: «Vai tu abrir a porta, que esta minha filha precisa muito de ajuda». Chiara abriu a porta e abraçou Michaela: «Por fim chegaste à tua casa!». Pegou-lhe na mão, levou-a para o quarto e perguntou-lhe como estava. Em silêncio, Michaela abriu a mão e entregou-lhe a arma com que a ia matar. Depois disso, acrescentou «Já não há esperança». Chiara respondeu com a conversa de sempre: «Deus perdoa tudo!...». Michaela foi mais explícita: «Chiara, eu conheço-os. Tenho pouco tempo. Vão matar-me. E a ti também». «Não, Michaela, Nossa Senhora quis que viesses para esta casa».

Realmente, havia um truque. Michaela lembrava-se do que tinha aprendido na seita: «Chiara, vocês têm uma rodela branca onde está Jesus. Quem come aquilo, salva-se». (Na altura, Michaela não sabia como é que os católicos chamavam à tal rodela branca). «Sim, mas precisas de te confessar, para receber bem Nosso Senhor». (Era preciso explicar tudo à Michaela).

Naquele caso, não bastava a confissão para arrumar completamente o passado. Por causa de todos os sacrilégios em que andara envolvida, era preciso informar por escrito a Santa Sé, através da Congregação para a Doutrina da Fé. A resposta chegou passados 2 dias, assinada por um tal Joseph Card. Ratzinger: «Hoje, a Igreja está em festa, porque um Filho regressou a casa».

Poucos dias depois, na capela das irmãs da Madre Teresa, em Roma, Michaela recebia a Comunhão e consagrava o seu coração ao Coração Imaculado de Maria, disposta a entrar para a comunidade de Chiara.
José Maria C.S. André
«Spe Deus»
16-VIII-2015

Fé, esperança e amor

«Jesus trouxe Deus e, com Ele, a verdade sobre o nosso destino e a nossa origem; a fé, a esperança e o amor. Só a dureza do nosso coração nos leva a pensar que isto seja pouco».

(Joseph Ratzinger / Bento XVI - “Jesus de Nazaré”)

S. Roque, peregrino, séc. XIV

Nascido no começo do século XIV, em Montpellier, na França, Roque ficou órfão de pai e mãe muito jovem e resolveu distribuir todos os seus bens aos pobres, deixando uma pequena parte confiada ao tio e partindo em peregrinação para Roma. No decorrer da viagem, encontrou vários necessitados e ofereceu-se como voluntário na assistência dos doentes no local de tratamento, onde operou as primeiras curas milagrosas. Onde surgia um foco de peste, lá estava Roque ajudando, pela sua corajosa e activa caridade.

Após muitos anos na Cidade Eterna, e de passagem por Placência, foi contagiado pela peste, aparecendo-lhe uma grande ferida numa perna, o que o impediu de prosseguir a sua obra de assistência aos atingidos pelo mesmo mal. Para não contaminar ninguém isolou-se na floresta.

Sempre vemos São Roque representado em trajes de peregrino com um cão que está a seu lado e lhe dá um pão. Esta gravura é inspirada numa passagem da sua vida, em que, atingido pela peste e fugindo para uma cabana, teria morrido de fome se um cachorro sem dono não lhe tivesse trazido diariamente um pão e se da terra não tivesse nascido uma fonte de água para lhe matar a sede.

Ao chegar a Montpellier, foi preso e levado diante do governador, que era seu tio, mas não o reconheceu, tendo sido confundido com um espião; jogado numa prisão, ficou aí desfalecendo cerca de cinco anos, até que a morte o colheu, abandonado e esquecido por todos. Alguns biógrafos dizem que, segundo a tradição, a sua avó o teria reconhecido pela mancha que trazia no peito em forma de cruz.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 16 de agosto de 2017

Se teu irmão pecar contra ti, vai e corrige-o entre ti e ele só. Se te ouvir, ganhaste o teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que pela palavra de duas ou três testemunhas se decida toda a questão. Se não as ouvir, di-lo à Igreja. Se não ouvir a Igreja considera-o como um gentio e um publicano. «Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra, será desligado no céu. «Ainda vos digo que, se dois de vós se unirem entre si sobre a terra a pedir qualquer coisa, esta lhes será concedida por Meu Pai que está nos céus. Porque onde se acham dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles».

Mt 18, 15-20

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Amar a Cristo...

Ai Meu Jesus, que estamos com receio de ser parcos nas palavras, pois para Te agradecer a Excelsa Mãe que nos ofereceste, não há palavras de gratidão e amor que possam ser bastantes.

A Tua amada Igreja soube em boa hora proclamar a Sua Dormição, que hoje celebramos, ajuda-nos a cheios da Tua caridade transmitir aos mais incrédulos esta extraordinária verdade de fé e àqueles cuja devoção à sempre Virgem e Imaculada Santa Maria ultrapassa em pureza e simplicidade a nossa para que através d’Ela conheçam melhor o Pai, a Ti e ao Espírito Santo que sois um só Deus.

Louvado seja Deus Nosso Senhor por todas a graças que nos inundam a todos de fé e amor por Nossa Senhora Rainha do Céu!

JPR  

Adormeceu a Mãe de Deus

Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)

Assumpta est Maria in coelum gaudent angeli! – Maria foi levada por Deus, em corpo e alma, para o Céu. E os Anjos rejubilam!

Assim canta a Igreja. – E é assim, com este clamor de regozijo, que começamos a contemplação, desta dezena do Santo Rosário.

Adormeceu a Mãe de Deus. – Em volta do seu leito encontram-se os doze Apóstolos.

– Matias substituiu Judas.

E nós, por graça que todos respeitam, estamos também a seu lado.

Mas Jesus quer ter Sua Mãe, em corpo e alma, na Glória. – E a Corte celestial ostenta todo o seu esplendor, para receber a Senhora. – Tu e eu – crianças, afinal – pegamos na cauda do esplêndido manto azul da Virgem e assim podemos contemplar aquela maravilha.

A Trindade Santíssima recebe e cumula de honras a Filha, Mãe e Esposa de Deus... – E é tamanha a majestade da Senhora, que os Anjos perguntam Quem é esta? (Santo Rosário, 4º mistério Glorioso)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Hoje escreve nos seus Apontamentos íntimos: “Vou fazer, a partir desta tarde, uma novena à nossa Mãe, celebrando a sua Assunção em corpo e alma aos céus. Realmente, alegro-me, parecendo-me que estou presente… com a Trindade beatíssima, com os Anjos que recebem a sua Rainha, com todos os Santos, que aclamam a Mãe e Senhora”.

A Assunção de Nossa Senhora

No  dia 15 de Agosto a Igreja celebra a festa da Assunção de Nossa Senhora. "Pensa em Santa Maria, a cheia de graça, Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo: no seu Coração cabe a humanidade inteira sem diferenças nem discriminações. Cada um é seu filho, ou sua filha."(S. Josemaría, Sulco, 801)

Assumpta est Maria in coelum gaudent angeli! – Maria foi levada por Deus, em corpo e alma, para o Céu. E os Anjos rejubilam!
Assim canta a Igreja. – E é assim, com este clamor de regozijo, que começamos a contemplação, desta dezena do Santo Rosário.
Adormeceu a Mãe de Deus. – Em volta do seu leito encontram-se os doze Apóstolos.
–Matias substituiu Judas.
E nós, por graça que todos respeitam, estamos também a seu lado.
Mas Jesus quer ter Sua Mãe, em corpo e alma, na Glória. – E a Corte celestial ostenta todo o seu esplendor, para receber a Senhora. – Tu e eu – crianças, afinal – pegamos na cauda do esplêndido manto azul da Virgem e assim podemos contemplar aquela maravilha.
A Trindade Santíssima recebe e cumula de honras a Filha, Mãe e Esposa de Deus... – E é tamanha a majestade da Senhora, que os Anjos perguntam Quem é esta?
Santo Rosário, 14

Assumpta est Maria, in coelum, gaudent angeli. Maria foi levada por Deus, em corpo e alma, para os Céus. Há alegria entre os anjos e os homens. Qual a razão desta satisfação íntima que descobrimos hoje, com o coração que parece querer saltar dentro do peito e a alma cheia de paz?. Celebramos a glorificação da nossa Mãe e é natural que nós, seus filhos, sintamos um júbilo especial ao ver como é honrada pela Trindade Beatíssima.

Cristo, seu Filho Santíssimo, nosso irmão, deu-no-la por Mãe no Calvário, quando disse a S. João: eis aqui a tua Mãe. E nós recebêmo-la, com o discípulo amado, naquele momento de imenso desconsolo. Santa Maria acolheu-nos na dor, quando se cumpriu a antiga profecia: e uma espada trespassará a tua alma. Todos somos seus filhos; ela é Mãe de toda a Humanidade. E agora, a Humanidade comemora a sua inefável Assunção: Maria sobe aos céus, Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo. Mais do que Ela, só Deus.
Cristo que passa, 171

A festa da Assunção de Nossa Senhora apresenta-nos a realidade dessa feliz esperança. Somos ainda peregrinos, mas a Nossa Mãe precedeu-nos e aponta-nos já o termo do caminho. Repete-nos que é possível lá chegar e que, se formos fiéis, lá chegaremos, pois a Santíssima Virgem não é só nosso exemplo, mas também auxílio dos cristãos. E perante a nossa petição – Monstra te esse Matrem, mostra que és Mãe – não pode nem quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal.
Cristo que passa, 177

Quando se dá a debandada dos Apóstolos, e o povo enraivecido rasga as gargantas em ódio a Cristo, Santa Maria segue de perto o seu Filho pelas ruas de Jerusalém. Não a arreda o clamor da multidão, nem deixa de acompanhar o Redentor enquanto todos os do cortejo, no anonimato, se fazem covardemente valentes para maltratar Cristo.
Invoca-a com força – «Virgo fidelis!», Virgem fiel! – e roga-lhe que os que nos dizemos amigos de Deus o sejamos deveras e a toda a hora
Sulco, 51

Hino a Nossa Senhora

Ó Virgem, ó Esposa excelsa, deslumbrante,
Em Vós se reuniu todo o fulgor dos Céus:
De estrelas refulgentes coroou-Vos Deus
E vestiu-Vos de sol.

Vencestes todo o mal, a morte e o inferno.
Com Cristo sois no Céu a nossa defensora
E toda a criação proclama-Vos, Senhora,
Rainha poderosa. Reinai,

Senhora, protegendo a santa Igreja.
Reconduzi a Deus os pródigos dispersos
E atraí a Cristo os povos inda imersos
Na escuridão da morte.

Aos pecadores alcançai-lhes o perdão,
Dulcíssima Advogada, que hoje ao Céu subistes.
Nos pobres, nos enfermos, nos corações tristes
Brilhe e vença a esperança.

Senhora da Assunção, Senhora da Alegria,
Convosco se eleve ao Céu o nosso canto:
Eterna glória ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo,
Por toda a eternidade.

A última etapa da peregrinação terrena da Mãe de Deus…

… convida-nos a olhar para o modo como Ela percorreu o seu caminho rumo à meta da eternidade gloriosa.
(…)
Então, em Maria que subiu aos céus nós contemplamos Aquela que, por um privilégio singular, com a alma e com o corpo, se tornou partícipe da vitória definitiva de Cristo sobre a morte. "Terminando o curso da sua vida terrena — diz o Concílio Vaticano II — foi levada à glória celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo, para que se parecesse mais com o seu Filho, Senhor dos Senhores" (cf. Ap 19, 16) e vencedor do pecado e da morte" (Lumen gentium, 59). Na Virgem da Assunção ao céu contemplamos a coroação da sua fé, daquele caminho de fé que Ela indica à Igreja e a cada um de nós: Aquela que em cada momento acolheu a Palavra de Deus, subiu ao céu, ou seja, Ela mesma foi acolhida pelo Filho naquela "morada", que nos preparou com a sua morte e ressurreição (cf. Jo 14, 2-3).
(…)
Com São Bernardo, místico cantor da Virgem Santa, assim a invocamos: "Suplicamos-te, ó bendita, pela graça que Tu encontraste, por aquelas prerrogativas que Tu mereceste, pela Misericórdia que Tu deste à luz, faz com que Aquele que por ti se dignou tornar-se partícipe da nossa miséria e enfermidade, graças à sua intercessão, nos torne partícipes das suas graças, da sua bem-aventurança e da sua glória eterna, Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que está acima de todas as coisas, Deus bendito nos séculos dos séculos. Amém" (Sermo 2 de Adventu, 5: pl 183, 43).

(Bento XVI – Excerto homilia da Santa Missa na Solenidade de Nossa Senhora da Assunção na Paróquia de São Tomás de Vilanova, Castelgandolfo - Sábado, 15 de Agosto de 2009)

Assumpta est Maria in cælum


Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Por ocasião desta solenidade, convido-vos a meditar e a pôr em prática, seguindo os ensinamentos do Santo Padre (Bento XVI) e à luz do exemplo de S. Josemaria, algumas consequências que podemos descobrir ao contemplar esta cena.

O autor da epístola aos Hebreus recorda que o local mais importante do antigo templo de Jerusalém, o Santo dos Santos, continha um altar de incenso, de oiro, e a arca da Aliança, coberta de oiro por todos os lados, na qual estava uma ânfora de oiro com o maná, a vara de Aarão, que germinou, e as tábuas da Aliança [4]. Detenhamo-nos na figura da arca, símbolo de Maria. O facto de se encontrar no lugar mais sagrado do templo fala­‑nos já da especial proximidade e intimidade da Virgem com Deus: mais do que tu, só Deus![5], exclamamos gozosamente e sentindo essa necessidade, unidos a S. Josemaria. As tábuas da lei, que Deus entregou a Moisés, manifestavam a vontade divina de manter a aliança com o seu povo, se este permanecesse fiel ao seu pacto. A Sagrada Escritura narra como, apesar dos cuidados do Senhor, Israel foi repetidamente infiel. A Santíssima Virgem não foi assim, pois como o Papa recalca, Maria é a arca da aliança, porque acolheu em si mesma Jesus; recebeu em si a Palavra viva, todo o conteúdo da vontade de Deus, da verdade de Deus; acolheu em si Aquele que constitui a nova e eterna aliança, culminada com a oferenda do seu corpo e do seu sangue: corpo e sangue recebidos de Maria [6].

Aqui descobrimos uma primeira lição da nossa Mãe, que desejamos assimilar mais profundamente para a praticar o convite a procurar diariamente a união mais plena possível com a Vontade santa de Deus, nos momentos agradáveis e especialmente nos que são incómodos e exigem sacrifício. A fidelidade ao querer divino nas circunstâncias custosas será a prova mais clara da retidão das nossas intenções e da firmeza dos nossos desejos de seguir Jesus de perto. Não vos vêm à memória aquelas palavras de S. Josemaria numa oração ao Espírito Santo? : quero o que quiseres, quero porque queres, quero como quiseres, quero quando quiseres... [7].

[4]. Hb 9, 4.
[5]. S. Josemaria, Caminho, n. 496.
[6]. Bento XVI, Homilia na Solenidade da Assunção, 15-VIII-2011.
[7]. S. Josemaria, Manuscrito autógrafo, abril de 1934.

(D. Javier Echevarría na carta de mês de agosto de 2012)

A Solenidade da Assunção de Maria

Uma das festas mais celebradas em todo o país (Portugal)

A Assunção de Maria é um dogma solenemente definido por Pio XII em 1 de Novembro de 1950, segundo o qual Nossa Senhora, no termo da sua vida mortal, foi elevada ao céu em corpo e alma.

Pio XII referia que “não só os simples fiéis, mas até aqueles que, em certo modo, personificam as nações ou as províncias eclesiásticas, e mesmo não poucos Padres do concílio Vaticano pediram instantemente à Sé Apostólica esta definição”. “Com o decurso do tempo essas petições e votos não diminuíram, antes foram aumentando de dia para dia em número e insistência”, acrescentava na Constituição Apostólica com a qual se deu a definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu.

A Assunção da Virgem é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos (Catecismo da Igreja Católica, 966). Os Orientais celebram este mistério desde o século V com o nome de “Dormição de Maria”. No calendário da Igreja latina celebra-se, com a categoria de solenidade, a 15 de Agosto.

Nota Histórica

Ao terminar a Sua missão na terra, Maria, a Imaculada Mãe de Deus, «foi elevada em corpo e alma à glória do céu» (Pio XII), sendo assim a primeira criatura humana a alcançar a plenitude da salvação.

Esta glorificação de Maria é uma consequência natural da Sua Maternidade divina: Deus «não quis que conhecesse a corrupção do túmulo Aquela que gerou o Senhor da vida».

É também o fruto da íntima e profunda união existente entre Maria e a Sua missão e Cristo e a Sua obra salvadora. Plenamente unida a Cristo, como Sua Mãe e Sua serva humilde, associada, estreitamente a Ele, na humilhação e no sofrimento, não podia deixar de vir a participar do mistério de Cristo ressuscitado e glorificado, numa conformação levada até às últimas consequências. Por isso, Maria é «elevada ao Céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha, para assim Se conformar mais plenamente com Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte» (LG. 59).

Este privilégio, concedido à Virgem Imaculada, preservada e imune de toda a mancha da culpa original, é «Sinal» de esperança e de alegria para todo o Povo de Deus, que peregrina pela terra em luta com o pecado e a morte, no meio dos perigos e dificuldades da vida. Com efeito, a Mãe de Jesus, «glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro» (LG. 68).

O triunfo de Maria, mãe e filha da Igreja, será o triunfo da Igreja, quando, juntamente com a Humanidade, atingir a glória plena, de que Maria goza já.

Definição solene do dogma

44. “Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à Virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da Sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos S. Pedro e S. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celestial”.

45. Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica.

46. Para que chegue ao conhecimento de toda a Igreja esta nossa definição da assunção corpórea da virgem Maria ao céu, queremos que se conservem esta carta para perpétua memória; mandamos também que, aos seus transuntos ou cópias, mesmo impressas, desde que sejam subscritas pela mão de algum notário público, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, se lhes dê o mesmo crédito que à presente, se fosse apresentada e mostrada.

47. A ninguém, pois, seja lícito infringir esta nossa declaração, proclamação e definição, ou temerariamente opor-se-lhe e contrariá-la. Se alguém presumir intentá-lo, saiba que incorre na indignação de Deus omnipotente e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo.

(Constituição Apostólica Munificentissimus Deus)

(Fonte: site Agência Ecclesia)

«O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador»

Liturgia latina 
Sequência dos séculos XIV/XV

Ó Virgem, Templo da Trindade, ao ver a vossa humildade o Deus de bondade enviou um mensageiro para vos dizer que de vós queria nascer. O anjo trouxe-vos a salvação da graça [...], vo-la explicou, nela consentistes e, acto contínuo, em vós encarnou o Rei da glória. Por essa alegria, vos rogamos, fazei-nos favorável este grande Rei. [...]

A vossa alegria seguinte foi terdes dado à luz o Sol, vós, a Estrela [...], sem que se produzisse em vós qualquer alteração ou mágoa: tal como a flor não perde o seu esplendor ao dar o seu perfume, assim também a vossa virgindade nada perdeu quando o Criador Se dignou nascer de vós. Maria, Mãe de bondade, sede-nos propícia no caminho que leva ao vosso Filho. [...]

A estrela que vistes pairar por sobre o vosso Menino anunciou a terceira alegria, a adoração dos Magos, que Lhe vieram oferecer as variadas riquezas da terra. [...] Maria, estrela do mundo, purificai-nos do pecado!

A vossa quarta alegria chegou quando Cristo ressuscitou dentre os mortos [...]: renasceu a esperança e foi banida a morte. Que quinhão repartis destas maravilhas, ó cheia de graça (Lc 1,28)! Ficou vencido o inimigo [...], o homem liberto e elevado até aos céus. Mãe do Criador, dignai-vos interceder assiduamente para que, depois desta alegria pascal e do labor duma vida inteira, sejamos aceites nos coros celestes!

A vossa quinta alegria foi terdes visto a vosso Filho subir ao céu envolvido em glória tal, que revelou mais do que nunca Aquele de quem sois a Mãe, o vosso próprio Criador, que ao elevar-Se mostrou aos homens o caminho das moradas celestes. [...] Por esta nova alegria, fazei-nos, ó Maria, subir ao céu para convosco e com o vosso Filho gozarmos da felicidade eterna! [...]

Foi o divino Paráclito quem, sob a forma de línguas de fogo, fortificando [...] e inflamando os apóstolos, vos trouxe ainda uma sexta alegria, curando o homem cuja boca o havia perdido e purificando a sua alma do pecado. Pela alegria desta visita, intercedei por nós junto do vosso Filho, ó Virgem Maria, para chegarmos ao dia do Juízo livres de toda a mancha.

Foi Cristo quem vos convidou à sétima alegria ao chamar-vos deste mundo à morada celeste e sentar-vos no trono onde recebeis incomparável devoção, envolvida por glória maior do que qualquer outro habitante do céu. [...] Fazei-nos sentir o efeito da vossa ternura, ó Virgem, mãe de bondade. [...] Por esta alegria purificai-nos e conduzi-nos à bem-aventurança eterna! Levai-nos convosco à glória do Paraíso. Amen.