Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

sábado, 7 de janeiro de 2017

«AI, JESUS!»

Estou sentado na sala de espera das urgências do hospital de Leiria.

Numa sala de tratamentos mesmo ao lado ouvem-se os contínuos lamentos e ais de um homem já com alguma idade, percebendo-se que deve estar a sofrer dores difíceis de suportar.

Faz impressão porque não se ouve ninguém a falar com ele, a tentar distrai-lo do seu sofrimento, a tentar de algum modo amenizar a situação em que se encontra, embora muita gente passe por ele continuamente.
Pelas pessoas que estão na sala, percebe-se que foi deixado no hospital por alguém que já ali não está e que nestes momentos se deve encontrar sozinho, sem ninguém.

Pelo meio dos simples ais, ouve-se de quando em vez um “ai Jesus” que parece ser mais uma manifestação de dor, do que uma invocação do Santo Nome do Senhor.

Interiormente faço uma oração a Deus, ao Pai, que o envolva no seu amor, ao Filho que lhe dê a mão e ao Espírito Santo que o cure e liberte do sofrimento.
Mesmo com a oração, o sentimento de impotência, (pois não posso entrar ali), é enorme e o meu coração derrete-se com os ais de quem nem sequer conheço, nem reconheço.

Lembro-me da poesia, “mas às crianças Senhor porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim”, e troco as crianças pelos velhos, (dos quais rapidamente me aproximo em idade), e fico ainda mais triste, revoltado mesmo, porque a juntar às dores, ao sofrimento, vem sempre acompanhado um certo abandono, que leva à terrível sensação de que “já não estou a fazer nada nesta vida”.

Em que momento deixamos nós, sociedade, de nos preocupar verdadeiramente, emocionalmente, com os outros, sobretudo com aqueles que estão no início da vida, (matamo-los até no ventre da mãe), e no fim da vida, criando em tudo o que é lugar “dispensários de velhos”, mais ou menos abandonados?
Tem compaixão, Senhor, não de nós egoístas, fechados nas nossas vidas, mas daqueles de quem se ouvem os ais, que entram no coração e fazem chorar sentimentos antigos, de famílias reunidas à volta de todos, custasse o que custasse.

Aos poucos parecem esbater-se os ais!

Acredito que foste Tu, Senhor, que ouviste os “ai Jesus”, ou então foi o cansaço que venceu a dor.

De qualquer modo, obrigado Senhor, porque só em Ti encontramos o descanso que vence a dor, só em Ti encontramos a paz e a vida.

Leiria, 7 de Janeiro de 2017 (05:30)

Joaquim Mexia Alves

A riqueza da fé

Não sejas pessimista. – Não sabes que tudo quanto sucede ou pode suceder é para bem? – O teu optimismo será a consequência necessária da tua fé. (Caminho, 378)

No meio das limitações inseparáveis da nossa situação presente, porque o pecado ainda habita em nós de algum modo, o cristão vê com nova clareza toda a riqueza da sua filiação divina, quando se reconhece plenamente livre porque trabalha nas coisas do seu Pai, quando a sua alegria se torna constante por nada ser capaz de lhe destruir a esperança.

Pois é também nesse momento que é capaz de admirar todas as belezas e maravilhas da Terra, de apreciar toda a riqueza e toda a bondade, de amar com a inteireza e a pureza para que foi criado o coração humano.

Também é nessa altura que a dor perante o pecado não degenera num gesto amargo, desesperado ou altivo porque a compunção e o conhecimento da fraqueza humana conduzem-no a identificar-se outra vez com as ânsias redentoras de Cristo e a sentir mais profundamente a solidariedade com todos os homens. É então, finalmente, que o cristão experimenta em si com segurança a força do Espírito Santo, de tal maneira que as suas quedas pessoais não o abatem; são um convite a recomeçar e a continuar a ser testemunha fiel de Cristo em todas as encruzilhadas da Terra, apesar das misérias pessoais, que nestes casos costumam ser faltas leves, que apenas turvam a alma; e, ainda que fossem graves, acudindo ao Sacramento da Penitência com compunção, volta-se à paz de Deus e a ser de novo uma boa testemunha das suas misericórdias.

Tal é, em breve resumo que mal consegue traduzir em pobres palavras humanas a riqueza da fé, a vida do cristão, quando se deixa guiar pelo Espírito Santo. (Cristo que passa, 138)

São Josemaría Escrivá

Os dois centenários de 2017

Neste centenário das aparições na Cova da Iria e da revolução comunista russa, não se pode deixar de reconhecer que a ‘conversão’ da Rússia, depois da sua consagração a Maria, impôs Fátima ao mundo.

Em 2017 ocorrerão muitas efemérides, mas talvez nenhuma seja tão significativa como o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Um aniversário que guarda uma misteriosa relação com um outro centenário que, seguramente, não será esquecido no outro extremo do continente europeu: os cem anos da revolução comunista, na Rússia.

Segundo o relato escrito por Lúcia, a vidente que pôs por escrito, por ordem do bispo de Leiria, o relato das aparições, foi a 13 de Julho de 1917 que foi revelado o ‘segredo’ em que se fazia uma alusão à Rússia. Depois de ter sido profetizada uma nova guerra mundial, foi também dito aos pastorinhos que, “para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem os meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.

As aparições de Fátima ocorreram em plena primeira Guerra Mundial, que os pastorinhos conheciam através de vários soldados portugueses, seus conterrâneos, que estavam a combater em França. Mas, crianças analfabetas como eram, ignoravam a existência da longínqua Rússia que, por aquelas datas, sofria um doloroso processo revolucionário, de que mais tarde resultou a tristemente famosa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Por isso, quando na aparição de 13 de Julho de 1917, foi dito que a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja e que várias nações seriam aniquiladas, ninguém podia sequer imaginar que “erros” seriam esses, nem as nações que seriam aniquiladas, nem muito menos porque teria o Papa que consagrar a Rússia a Maria para que esta se convertesse! Com efeito, a aparição em que estas profecias foram reveladas ocorreu a 13 de Julho de 1917 e a chamada revolução de Outubro, que instaurou o regime comunista, teve lugar no dia 25 desse mês, mas que corresponde ao dia 7 de Novembro do calendário ocidental, ou seja quatro meses depois da referência à necessidade da consagração a Maria, para a conversão daquele país!

Graças ao trabalho de José Milhazes (A mensagem de Fátima na Rússia, Aletheia, 2016), sabe-se hoje que, na imprensa russa, não foram conhecidas, em 1917, as aparições da Cova da Iria, nem muito menos a referência à Rússia e à necessidade da sua consagração, como condição prévia à sua conversão. A bem dizer, perante um período de grande turbulência política, seria imprudente qualquer prognóstico em relação ao seu futuro a médio ou longo prazo e, por isso, despropositado qualquer apelo à sua mudança política, ou seja, à sua conversão. Como esta revelação fazia parte do ‘segredo’, a vidente que sobreviveu aos dois pastorinhos mais novos, só a ela se referiu em 1942, por insistência do então bispo de Leiria e porque para o efeito se sentiu autorizada por Deus.

Muitas foram as consagrações feitas a Nossa Senhora mas, segundo a própria vidente, só a que a 25 de Março de 1984 realizou São João Paulo II, em união com o episcopado mundial, foi válida. É verdade que algumas pessoas questionaram essa última consagração, mas a Irmã Lúcia foi perentória a este propósito, declarando que aquele “acto solene e universal de consagração correspondia aos desejos de Nossa Senhora”, em carta de 8 de Novembro de 1989, véspera da queda do muro de Berlim… Por isso, como então expressa e formalmente declarou o Cardeal Tarcísio Bertone, que viria a ser Secretário de Estado da Santa Sé com o Papa Bento XVI, “toda discussão, assim como outro pedido ulterior, carece de fundamento”.

Note-se que foi de forma absolutamente imprevisível e de todo surpreendente que se deu a queda do muro de Berlim e o pacífico desmoronamento da URSS. Ninguém tinha então previsto o colapso da União Soviética, nem a libertação de todos os países do Pacto de Varsóvia. É irónico que esta aliança político-militar, constituída pela URSS e pelos seus satélites, tivesse por nome a capital polaca, quando foi a Polónia o primeiro país comunista a libertar-se do jugo soviético, graças à acção pastoral e diplomática de São João Paulo II, bem como à corajosa actuação de Lech Walesa e do seu sindicato livre, o Solidariedade. Não deixa de ser paradoxal que o comunismo tenha sido derrubado pelo proletariado, ou seja, por aqueles que era suposto serem os protagonistas e principais beneficiários do regime…

Em 1917, os principais inimigos de Fátima não foram os ateus, nem os comunistas, mas os católicos, que só tardiamente, depois de uma minuciosa e exaustiva investigação, reconheceram a credibilidade das aparições marianas. Como dizia o Cardeal Cerejeira, “não foi a Igreja que impôs Fátima, mas foi Fátima que se impôs à Igreja”. Neste centenário das aparições na Cova da Iria e da revolução comunista russa, já ninguém pode negar, mesmo sendo ateu ou agnóstico, que a ‘conversão’ da Rússia, depois da sua consagração ao Imaculado Coração de Maria, impôs Fátima ao mundo.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI
(Seleção de imagens da responsabilidade do 'Spe Deus')

O Evangelho de Domingo dia 8 de janeiro de 2016 (Solenidade da Epifania do Senhor)

Tendo nascido Jesus em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que uns Magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo: «Onde está o rei dos Judeus, que acaba de nascer? Porque nós vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-l'O». Ao ouvir isto, o rei Herodes turbou-se, e toda a Jerusalém com ele. E, convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Messias. Eles disseram-lhe: «Em Belém de Judá, porque assim foi escrito pelo profeta: “E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que apascentará Israel, Meu povo”». Então Herodes, tendo chamado secretamente os Magos, inquiriu deles cuidadosamente acerca do tempo em que lhes tinha aparecido a estrela; depois, enviando-os a Belém, disse: «Ide, informai-vos bem acerca do Menino, e, quando O encontrardes, comunicai-mo, a fim de que também eu O vá adorar». Tendo ouvido as palavras do rei, eles partiram; e eis que a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando sobre o lugar onde estava o Menino, parou. Vendo novamente a estrela, ficaram possuídos de grandíssima alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, Sua mãe, e, prostrando-se, O adoraram; e, abrindo os seus tesouros ofereceram-Lhe presentes de ouro, incenso e mirra. Em seguida, avisados em sonhos por Deus para não tornarem a Herodes, voltaram para a sua terra por outro caminho.

Mt 2, 1-12

São Josemaría Escrivá nesta data em 1934


“Doem-te as faltas de caridade do próximo para contigo. Quanto não hão-de doer a Deus as tuas faltas de caridade – de Amor – para com Ele!”, escreve.

A união conjugal foi estabelecida por Deus

O Papa Francisco, na primeira catequese sobre este tema, comenta que a encarnação do Filho de Deus abre um novo início na História universal do homem e da mulher. E este novo início tem lugar no seio de uma família, em Nazaré. Jesus nasceu numa família. Podia ter vindo de forma espetacular, como um guerreiro ou um imperador... Mas não: veio como filho, numa família. Por isso é importante olhar, no presépio, para esta cena tão bonita! [11]

Como refere a Escritura, o nascimento de Jesus significa o início da plenitude dos tempos, o momento escolhido por Deus para manifestar plenamente o Seu amor aos homens, entregando-nos o Seu próprio Filho. Essa vontade divina realiza-se no meio das circunstâncias mais normais e correntes: uma mulher que dá à luz, uma família, uma casa. A omnipotência divina, o esplendor de Deus passam através das coisas humanas, unem-se às coisas humanas. Desde esse momento, nós, os cristãos, sabemos que, com a graça do Senhor, podemos e devemos santificar todas as realidades honestas da nossa vida. Não há situação terrena, por mais pequena e vulgar que pareça, que não possa ser ocasião de um encontro com Cristo e uma etapa da nossa caminhada para o Reino dos Céus [12].

A união conjugal foi estabelecida por Deus desde o momento da criação do homem e da mulher, mas infelizmente descuida-se agora em tantos lugares. A família está tão maltratada! Pretende-se apresentar como normais situações que são um duríssimo ataque ao desígnio criador e salvador de Deus. Em muitos sítios e ambientes – não apenas por parte do povo, mas das próprias autoridades públicas, através de leis e decisões de governo –, debilita-se a instituição familiar ou tenta-se mesmo transformá-la numa coisa muito diferente. Não se apercebem – o demónio é muito hábil para tornar cegas as inteligências – que, esvaziando o conceito de família, se causa um enorme prejuízo à sociedade civil.

No domingo passado celebrámos a festa da Sagrada Família. Nesse dia, como fazemos todos os anos, renovámos a consagração dos nossos pais, irmãs e irmãos à Sagrada Família de Nazaré, tal como o nosso Fundador estabeleceu para essa data. E convidámos os nossos familiares e amigos, e todos os que participam na tarefa apostólica da Prelatura, a unir-se a nós nesse ato. Como sempre, pedimos por todos os lares cristãos da Terra, para que sejam e vivam de acordo com o divino modelo que se nos mostrou em Belém e em Nazaré.

[11]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 17-XII-2014.
[12] . S. Josemaria, Cristo que passa, n. 22.

(D. Javier Echevarría, na carta do mês de janeiro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Obediência

«Neste mundo, temos de opor-nos às ilusões de falsas filosofias e reconhecer que não vivemos só de pão, mas primariamente de obediência à palavra de Deus. E somente onde esta obediência for vivida é que nascem e crescem aqueles sentimentos que permitem remediar também pão para todos».

(Joseph Ratzinger / Bento XVI - “Jesus de Nazaré”)

O Evangelho do dia 7 de janeiro de 2016

Três dias depois, celebrava-se um casamento. Jesus com os Seus discípulos foi também convidado para a boda. Faltando o vinho, a mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que nos importa isso a Mim e a ti? Ainda não chegou a Minha hora». Disse Sua mãe aos que serviam: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Ora estavam ali seis talhas de pedra preparadas para a purificação judaica, que levavam cada uma duas a três medidas. Jesus disse-lhes: «Enchei as talhas de água». Encheram-nas até cima. Então Jesus disse-lhes: «Tirai agora, e levai ao chefe de mesa». Eles levaram. Logo que o chefe de mesa provou a água convertida em vinho (ele não sabia donde viera, ainda que o sabiam os serventes, porque tinham tirado a água), chamou o esposo e disse-lhe: «Todos servem primeiro o bom vinho e, quando já os convidados têm bebido bem, servem o inferior; tu, pelo contrário, tiveste o bom vinho guardado até agora». Foi este o primeiro milagre de Jesus; fê-lo em Caná da Galileia. Assim manifestou a Sua glória, e os Seus discípulos acreditaram n'Ele.

Jo 2, 1-11