Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A SURPRESA “ALPHA”!

Há alguns anos atrás, (já não me lembro quantos), o meu Pároco da Marinha Grande convidou-me, (daquela maneira que a gente não consegue dizer não), a frequentar com outras pessoas, um evento que falava do Percurso Alpha, com vista a trazê-lo para a Vigararia e Paróquia da Marinha Grande.

Confesso que fui muito céptico, (ai, as nossas certezas de julgarmos que sabemos melhor), e sei que não era o único com tais pensamentos.
Fomos, vimos, trouxemos para a Marinha Grande e … começámos!
E também começou a surpresa, a admiração, a confirmação gratificante, que me levou àquela frase cá dentro: Afinal isto funciona e funciona bem!

Pois, não foi “amor à primeira vista”, mas foi amor à segunda, à terceira e até hoje, comprovando mais uma vez para mim que, nas coisas de Deus, é melhor primeiro ouvir, experimentar, entregando-se, e então tudo pode acontecer, porque é Deus quem faz, servindo-se do homem.
Mas, claro, “burro velho não aprende”, e por isso ainda hei-de muitas vezes fazer julgamentos à priori.
Mas ando a tratar-me, e como o meu “terapeuta” é o Espírito Santo, estou convicto que, mais tarde ou mais cedo, fico curado!

Neste fim-de-semana, aconteceu a Conferência Nacional Alpha na “minha” Paróquia da Marinha Grande, e eu, embora cansado, estou de coração cheio.
Ver tanta gente que Deus tocou nos Percursos Alpha que já fizemos, trabalhar com toda a dedicação, com todo o empenho, e sobretudo com uma alegria visível e tocante, na organização desta Conferência, fez-me sentir um homem de sorte, (não a sorte do homem, mas a sorte que Deus dá ao homem que toca), e fez-me dizer intimamente e em oração: Obrigado, meu Deus, por me teres chamado a fazer parte de tudo isto.

Houve algumas pessoas que disseram neste fim-de-semana, (eu também o senti na minha vida), que quando regressaram a Deus e à Igreja “perderam” amigos, e eu não pode deixar de pensar, que afinal não perdemos amigos, mas conhecidos, e que Deus na sua bondade nos deu amigos em dobro, e que com esses amigos novos em Deus, vamos construindo algo de extraordinário, imperecível e santo, que é a Igreja.

Depois, ouvir da boca de quem trouxe o Alpha para Portugal a afirmação de que o Alpha é enquanto Deus quiser, porque Ele suscita sempre coisas novas na Igreja, («Eu renovo todas as coisas.» Ap 21, 5), é ter a certeza de que fazemos a vontade de Deus, (que age de tantas e variadas formas), e centrar o Alpha no que verdadeiramente é o centro – Deus – que quer precisar de todos nós, seus filhos, para construir a Igreja, para que todos encontremos caminho de salvação.

A Deus já me rendi há muito tempo, (embora precise de continuamente me render a Ele), mas também, por Sua graça, me rendi ao Alpha, por todas as razões que aqui não consigo descrever, mas apenas esta: Ver a diferença que o Espírito Santo opera nas pessoas ao longo de um Percurso Alpha, muito especialmente no fim-de-semana, e perceber nelas a paz, a serenidade, a alegria de ter Deus, numa relação muito pessoal e íntima que depois extravasa, obviamente, no testemunho cristão.

Tudo e sempre para a maior glória de Deus!

Marinha Grande, 6 de Fevereiro de 2017

Joaquim Mexia Alves

A Santa Missa é acção divina

Não é estranho que muitos cristãos – pausados e até solenes na vida social (não têm pressa), nas suas pouco ativas atuações profissionais, na mesa e no descanso (também não têm pressa) – se sintam apressados e apressem o Sacerdote na sua ânsia de encurtar, de abreviar o tempo dedicado ao Santíssimo Sacrifício do Altar? (Caminho, 530)

Toda a Trindade está presente no sacrifício do Altar. Por vontade do Pai, com a cooperação do Espírito Santo, o Filho oferece-Se em oblação redentora. Aprendamos a conhecer e a relacionar-nos com a Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino, três pessoas divinas na unidade da sua substância, do seu amor e da sua acção eficaz e santificadora.

Logo a seguir ao lavabo, o sacerdote invoca: Recebei, ó Santíssima Trindade, esta oblação que Vos oferecemos em memória da Paixão, Ressurreição e Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, no final da Santa Missa, há outra oração de inflamada reverência ao Deus Uno e Trino: Placeat tibi, Sancta Trinitas, obsequium servitutis meae... agradável Vos, seja, ó Trindade Santíssima, o obséquio da minha vassalagem: fazei que por misericórdia este Sacrifício oferecido por mim, posto que indigno aos olhos da vossa Majestade, Vos seja aceitável, e que para mim e para todos aqueles por quem o ofereci, seja um sacrifício de perdão.

A Santa Missa – insisto – é acção divina, trinitária, não humana. O sacerdote que celebra serve o desígnio divino do Senhor pondo à sua disposição o seu corpo e a sua voz. Não age, porém, em nome próprio, mas in persona et in nomine Christi, na Pessoa de Cristo e em nome de Cristo.

O amor da Trindade pelos homens faz com que, da presença de Cristo na Eucaristia, nasçam para a Igreja e para a humanidade todas as graças. Este é o sacrifício que profetizou Malaquias: desde o nascer do sol até ao poente, o meu nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura. É o Sacrifício de Cristo, oferecido ao Pai com a cooperação do Espírito Santo, oblação de valor infinito, que eterniza em nós a Redenção, que os sacrifícios da Antiga Lei não conseguiam alcançar. (Cristo que passa, 86)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1960

“Começar é de muitos; acabar, de poucos. Nós que procuramos comportar-nos como filhos de Deus, temos de estar entre os segundos. Não o esqueçais: só as tarefas terminadas com amor, bem acabadas, merecem aquele aplauso do Senhor, que se lê na Sagrada Escritura: “é melhor o fim de uma obra do que o seu princípio” (Ecli VII, 9)”. Com estas palavras começa a homilia “Trabalho de Deus”, que prega nesta data e se recolhe no livro Amigos de Deus.

Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta

Brasão de Armas dos Cavaleiros, na fachada da igreja de San Giovannino dei Cavalieri, Florença.
A Ordem de Maltanota ou Cavaleiros Hospitalários (oficialmente Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta) é uma organização internacional católica que começou como uma ordem beneditina fundada no século XI na Palestina, durante as Cruzadas, mas que rapidamente se tornaria numa ordem militar cristã, numa congregação de regra própria, encarregada de assistir e proteger os peregrinos àquela terra4 e de exercer a Caridade.

Tinha como padroeiro São João Esmoler (550-619), patriarca de Alexandria.

Face às derrotas e consequente perda pelos cruzados dos territórios na Palestina, a ordem passou a operar a partir da ilha de Rodes, onde era soberana, e mais tarde desde Malta, como Estado vassalo do Reino da Sicília.

Actualmente, a Ordem de Malta é uma organização humanitária soberana internacional, reconhecida como entidade de direito internacional. A ordem dirige hospitais e centros de reabilitação. Possui 12.500 membros, 80.000 voluntários permanentes e 20.000 profissionais da saúde associados, incluindo médicos, enfermeiros, auxiliares e paramédicos. O seu obje
​c​
tivo é auxiliar os idosos, os deficientes, os refugiados, as crianças, os sem-abrigo e aqueles com doença terminal e hanseníase (esta a par com a Ordem de São Lázaro), actuando em cinco continentes do mundo, sem distinção de raça ou religião.

O nome completo oficial é Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, ou, em italiano, Sovrano Militare Ordine Ospedaliero di San Giovanni di Gerusalemme di Rodi e di Malta. Convencionalmente é também conhecida como Cavaleiros Hospitalários ou Ordem de Malta. A ordem tem um grande número de conventos e associações locais ao redor do mundo, mas também existe um certo número de organizações com semelhantes nomes sonantes que não estão relacionados, incluindo diversas ordens que procuram capitalizar sobre o nome.

Na heráldica eclesiástica da Igreja Católica Romana, a Ordem de Malta é uma das duas únicas (sendo a outra a Ordem do Santo Sepulcro), cuja insígnia pode ser exibida num brasão de armas clerical (Leigos não têm nenhuma restrição).

Por volta de 1099, alguns mercadores de Amalfi fundaram em Jerusalém, sob a regra de S. Bento e com a indicação de Santa Maria Latina, uma casa religiosa para recolha de peregrinos. Anos mais tarde construíram junto dela um hospital que recebeu, de Godofredo de Bulhão, doações que lhe asseguraram a existência, desligou-se da igreja de Santa Maria e passou-se a formar congregação especial, sob o nome de São João Baptista.

Em 1113, o Papa nomeou-a congregação, sob o título de São João, e deu-lhe regra própria. Em 1120, o francês Raimundo de Puy, nomeado grão-mestre, acrescentou ao cuidado com os doentes o serviço militar.

Assim é a origem da Ordem dos Hospitalários ou de São João de Jerusalém, designada por Ordem de Malta a partir de 1530, quando se estabeleceu na ilha do mesmo nome, doada por Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico.

Ordem de aristocratas, nunca teve entre os seus cavaleiros pessoas que não pertencessem à fidalguia. Actualmente, aceita também todos aqueles que tenham meramente Nobreza Civil. O hábito regular consistia numa túnica e num grande manto negro, no qual traziam, pregada no lado esquerdo, uma cruz de ouro, com esmalte branco.

Os hospitalários tomaram parte nas Cruzadas e tinham seu hospital em Jerusalém. Mesmo depois do fim das Cruzadas, a ordem continuou. A ordem enfrentou o Império Otomano em diversas batalhas, como a Batalha de Lepanto e o Cerco de Rodes.

A ordem na península Ibérica
Inicialmente, na península Ibérica havia só uma sede (língua), a de Aragão, que englobava os reinos de Portugal, Leão, Navarra, Aragão e Castela. Em Portugal, entre os bens da ordem, tinha especial importância o priorado do Crato. Os reis viram, receosos, crescer o poder dos senhores do Crato, que se acentuou com a rebelião de Nuno Gonçalves contra a regência do infante D. Pedro (1392-1449).

João III de Portugal, por morte do conde de Arouca, doou o priorado a um membro da família real, o infante D. Luís, em 1528, que se intitulou grão-prior. Então o rei, com vista a futuros protestos, consegue do papa Júlio III a bula pontifícia de 1551, que Dom António, filho natural do infante, fosse nomeado sucessor do pai. Maria I consegue do Papa a independência do grão-mestrado de Malta e, poucos anos depois, o mesmo Papa decretou por bula em 1793 que, assim como pelo lado temporal o grão-priorado de Portugal ficaria isento de qualquer interferência de Malta, também pelo lado espiritual dependeria apenas da Santa Sé. Assim, Pedro IV de Portugal e Miguel I foram grãos-priores do Crato. A ordem foi extinta em 1834 e os bens incorporados à Fazenda Pública.

O braço protestante da ordem
A Ordem de São João chegou à Alemanha durante os séculos XII e XIII, onde fundou um grão-priorado. Em 1530, uma secção do grão-priorado, a Bailia de Brandenburgo, aderiu à Reforma Protestante, sob a protecção dos marqueses de Brandemburgo, que se tornariam reis da Prússia. A bailia manteve relações amigáveis com a Ordem Soberana de Malta. Em 1811, a Bailia de Brandenburgo foi suprimida pelo príncipe da Prússia, que posteriormente fundou a Ordem Real Prussiana de São João como uma Ordem de Mérito. Em 1852, a ordem recuperou o nome de Bailia de Brandenburgo e tornou-se uma nobre ordem da Prússia.

Em 1918, após a queda da monarquia, foi separada do Estado e recuperou a sua independência. A Johanitter Orden está presente em diversos países europeus, além da América (Canadá, Estados Unidos, Colômbia, e Venezuela) e África do Sul trabalhando em especial na Alemanha mantendo hospitais e asilos, e é responsável por um importante serviço de ambulância - o Johanniter Unfallhilfe. Tem afiliações independentes nos Países Baixos, Suécia, Finlândia, França, Hungria, e Suíça.

Queda de Malta
A possessão mediterrânica de Malta foi capturada por Napoleão em 1798 durante a sua expedição para o Egipto. Este teria pedido aos cavaleiros um porto-salvo para reabastecer os seus navios e, uma vez em segurança em Valetta, virou-se contra os anfitriões. O grão-mestre Ferdinand von Hompesch, apanhado de surpresa, não soube antecipar ou precaver-se deste ataque, rapidamente capitulando para Napoleão. Este sucedido representou uma afronta para os restantes cavaleiros que se predispunham a defender a sua possessão e soberania.

A ordem continuou a existir, compactuando com os governos por uma retoma de poder. O imperador da Rússia doou-lhes o maior abrigo de Cavaleiros Hospitalários em São Petersburgo, o que marcou o início da tradição russa dos Cavaleiros do Hospital e posterior reconhecimento pelas Ordens Imperiais Russas. Em agradecimento, os cavaleiros depuseram Ferdinand von Hompesch e elegeram o imperador Paulo I como grão-mestre que, após o seu assassinato em 1801, seria sucedido por Giovanni Battista Tommasi em Roma, restaurando o Catolicismo Romano na ordem.

No início da década de 1800, a ordem encontrava-se severamente enfraquecida pela perda de priores em toda a Europa. Apenas 10% dos lucros chegavam das fontes tradicionais na Europa, sendo os restantes 90% provindos do Priorado Russo até 1810, facto cuja responsabilidade é parcialmente atribuída pelo governo da ordem, que era composta por tenentes, e não por grão-mestres entre 1805 e 1879, até o Papa Leão XIII restaurar um grão-mestre na ordem, Giovanni a Santa Croce. Esta medida representou uma reviravolta no destino da ordem, que se tornaria uma organização humanitária e cerimonial. Em 1834, a ordem, reactivada, estabeleceu nova sede em Roma e foi, a partir daí, designada como Ordem Militar Soberana de Malta.

A antiga organização e as línguas da ordem
 Superiormente a ordem era chefiada pelo grão-mestre, com o título eclesiástico de cardeal e secular de príncipe. O grão-mestre era coadjuvado por sete "bailios conventuais". Cada bailio conventual, além de exercer uma função específica na administração central da ordem (comendador, marechal, almirante, etc.), era o presidente ou governador de cada uma das grandes divisões territoriais em que ela se encontrava dividida (cada uma dessas divisões era chamada língua ou nação). As línguas e os seus respectivos bailios conventuais eram as seguintes:

I - Língua da Provença - presidida pelo grão-comendador, responsável pela superintendência dos celeiros. Subdividia-se em:

Grão-priorado de Santo Egídio; Grão-priorado de Toulouse; Baliagem capitular de Manoasca;

II - Língua de Alvernia - presidida pelo marechal, responsável pelo comando das forças militares da Ordem. Subdividia-se em:

Grão-priorado de Alvernia; Baliagem de Daveset;

III - Língua da França - presidida pelo hospitalário, responsável pela administração do hospital da ordem. O bailio conventual desta língua também tinha o cargo de tesoureiro geral. Subdividia-se em:

Grão-priorado da França; Grão-priorado da Aquitânia; Grão-priorado de Champanhe; Baliagem capitular da Morea;
IV - Língua de Itália - presidida pelo almirante, responsável pelo comando das forças navais da Ordem. Subdividia-se em:

Grão-priorado de Roma; Grão-priorado da Lombardia; Grão-priorado de Veneza; Grão-priorado de Pisa; Grão-priorado de Barleta; Grão-priorado de Messina; Grão-priorado de Cápua; Baliagem capitular de Santa Eufémia; Baliagem capitular de Santo Estevão; Baliagem capitular da Trindade de Veneza; Baliagem capitular de São João de Nápoles;

V - Língua de Aragão, Catalunha e Navarra - presidida pelo grão-conservador, responsável pela superintendência do fardamento dos soldados. Subdividia-se em:

Grão-priorado da Castelânia de Amposta; Grão-priorado da Catalunha; Grão-priorado de Navarra; Baliagem capitular de Maiorca; Baliagem capitular de Caspe;

VI - Língua da Alemanha - presidida pelo grão-balio, responsável pela cidade antiga de Malta e pelo castelo de Gozo. Subdividia-se em:

Grão-priorado da Alemanha; Grão-priorado da Boémia; Grão-priorado da Hungria; Grão-priorado da Dácia; Baliagem capitular de Brandeburgo;

VII - Língua de Portugal, Castela e Leão - presidida pelo grão-cancelário, servindo de Secretário de Estado e coadjuvado por um vice-cancelário. Subdividia-se em:

Grão-priorado do Crato; Grão-priorado de Leão e Castela;
Baliagem de Leça; Baliagem do Acre; Baliagem de Lango; Baliagem de Negroponte.

A Ordem de Malta em Portugal
 Vários autores remontam a sua existência em terra portuguesa ao período final do governo de D. Teresa. Segundo Rui de Azevedo, entre 1122 e 1128 a rainha D. Teresa teria concedido aos freires desta Ordem o mosteiro de Leça do Balio, sua primeira casa capitular. A carta de couto e privilégios outorgados à Ordem do Hospital em 1140 por Dom Afonso Henriques atesta a importância que já então teria. Em 1194, D. Sancho I doou aos cavaleiros de S. João do Hospital a terra de Guidintesta, junto ao Tejo, para aí construirem um castelo, o qual o monarca, no acto de doação denominou de Castelo de Belver.

D. Sancho II em 1232 doou-lhe os largos domínios da terra que, por essa altura, recebeu o nome de Crato, onde os freires fundaram uma casa que se tornou célebre.

O superior português da Ordem dos Hospitalários era designado pelo nome de prior do Hospital, e a partir de D. Afonso IV por prior do Crato.

Não consta que por esse tempo tivessem os Cavaleiros do Hospital mosteiro de freiras, embora tivessem fratisas que usavam hábito e viviam em suas casas. O primeiro mosteiro de freiras hospitalário foi fundado em Évora, em 1519, por Isabel Fernandes, e mais tarde transferido para Estremoz pelo infante D. Luís, quando este filho de D. Manuel I foi prior do Crato.

Por alvará de 1778, foram-lhes confirmadas todas as aquisições de bens de raiz feitas no Reino e permitiu-se que os cavaleiros sucedessem a seus parentes por testamento, no usufruto de quaisquer bens que não fossem da coroa ou vinculados em morgado, revertendo por morte destes para as casas de onde tinham sido saído. A ordem foi extinta pelo diploma de 1834 que extinguiu todos os conventos de religiosos.

A ordem atualmente
 A Ordem Soberana e Militar de Malta não tem a sua sede no país do mesmo nome, mas sim no minúsculo território de apenas 6 km² que consiste em um prédio em Roma e seu jardim.

A ordem, que possuía cavaleiros de diferentes nacionalidades, principalmente italiana, francesa, alemã, espanhola e portuguesa, fez de Malta sua base e quartel-general, mudando seu nome efectivamente para Ordem Soberana, Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém, Rodes e Malta. A ordem ficou ali até 1800, quando a Grã-Bretanha invadiu Malta, expulsando os cavaleiros. Estes então refugiaram-se na Itália, onde estão até hoje.

A soberania da Ordem de Malta só foi reconhecida em 1966, mas não é reconhecida como um Estado, tendo status de uma organização internacional, como a ONU ou a Cruz Vermelha. A sua população permanente é de apenas três pessoas, o "príncipe", o "grão-mestre" e o "chanceler". Todos os demais "habitantes" da Ordem de Malta possuem nacionalidade maltesa, mas também a nacionalidade do país onde nasceram (normalmente italiana). A soberania da ordem permite que ela imprima seus próprios selos e emita os seus próprios passaportes, concedendo, efectivamente, nacionalidade maltesa aos seus membros.

Países que mantêm relações diplomáticas com a Ordem de Malta.
 Atualmente, a Ordem de Malta mantém relações diplomáticas com o Vaticano e com 104 Estados, onde possui, inclusive, embaixadas. Os representantes diplomáticos da Ordem são todos cidadãos malteses. A ordem ainda possui representação na ONU (tendo até um Observador Internacional), e é filiada na Cruz Vermelha e a outras organizações internacionais. A Ordem de Malta actua como uma organização humanitária internacional, fundando hospitais e centros de reabilitação em diversos países, principalmente na África.

A Ordem de Malta tem algumas características de um Estado soberano, incluindo um hino, relações diplomáticas com diversos países e Observador nas Nações Unidas, e ostenta a personalidade jurídica do Direito das Gentes. Alguns doutrinadores questionam a personalidade jurídica internacional da Ordem de Malta, no entanto a Ordem é um dos primeiros entes de Direito Internacional que estão em actividade até aos nossos dias. A sua presença em certas conferências internacionais se, em geral, dá sob o estatuto de entidade observadora. A ordem não costuma ser parte em tratados multilaterais, e o Estado que porventura haja com ela pactuado, fê-lo bilateralmente dentro das suas atribuições soberanas, reconhecendo por sua vez a soberania da Ordem.

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Ordem Soberana e Militar de Malta

Lista dos Grão-mestres

The Blessed Gerard (1099-1120)
Raymond du Puy de Provence (1120-1160)
Auger de Balben (1160-1163)
Arnaud de Comps (1162-1163)
Gilbert d'Aissailly (1163-1170)
Gastone de Murols (c. 1170-1172)
Gilbert of Syria (1172-1177)
Roger de Moulins (1177-1187)
Hermangard d'Asp (1187-1190)
Garnier de Naplous (1190-1192)
Geoffroy de Donjon (1193-1202)
D. Afonso (1203-1206) (português)
Geoffrey le Rat (1206-1207)
Guerin de Montaigu (1207-1228)
Bertrand de Thessy (1228-1231)
Guerin de Montaigu (1231-1236)
Bertrand de Comps (1236-1240)
Pierre de Vielle-Bride (1240-1242)
Guillaume de Chateauneuf (1242-1258)
Hugues de Revel (1258-1277)
Nicolas Lorgne (1277-1284)
Jean de Villiers (1284-1294)
Odon de Pins (1294-1296)
Guillaume de Villaret (1296-1305)
Foulques de Villaret (1305-1319)
Helion de Villeneuve (1319-1346)
Dieudonné de Gozon (1346-1353)
Pierre de Corneillan (1353-1355)
Roger de Pins (1355-1365)
Raymond Berenger (1365-1374)
Robert de Juliac (1374-1376)
Jean Fernandez de Heredia (1376-1396)
Riccardo Caracciolo (1383-1395) Grão-Mestre rival
Philibert de Naillac (1396-1421)
Antonio Fluvian de Riviere (1421-1437)
Jean de Lastic (1437-1454)
Jacques de Milly (1454-1461)
Piero Raimondo Zacosta (1461-1467)
Giovanni Battista Orsini (1467-1476)
Pierre d'Aubusson (1476-1503)
Emery d'Amboise (1503-1512)
Guy de Blanchefort (1512-1513)
Fabrizio del Carretto (1513-1521)
D.Filippo Cavalcanti, cavaleiro florentino (1525)-nascimento
Philippe Villiers de L'Isle-Adam (1521-1534)
Piero de Ponte (1534-1535)
Didier de Saint-Jaille (1535-1536)
Jean de Homedes (1536-1553)
Claude de la Sengle (1553-1557)
Jean Parisot de la Valette (1557-1568)
Pierre de Monte (1568-1572)
Jean de la Cassiere (1572-1581)
Hugues Loubenx de Verdalle (1581-1595)
Martin Garzez (1595-1601)
Alof de Wignacourt (1601-1622)
Luís Mendes de Vasconcelos (1622-1623) (português)
Antoine de Paule (1623-1636)
Juan de Lascaris-Castellar (1636-1657)
Antoine de Redin (1657-1660)
Annet de Clermont-Gessant (1660)
Raphael Cotoner (1660-1663)
Nicolas Cotoner (1663-1680)
Gregorio Carafa (1680-1690)
Adrien de Wignacourt (1690-1697)
Ramon Perellos y Roccaful (1697-1720)
Marc'Antonio Zondadari (1720-1722)
António Manoel de Vilhena (1722-1736) (português)
Raymond Despuig (1736-1741)
Manuel Pinto de Fonseca (1741-1773) (português)
Francisco Ximenes de Texada (1773-1775)
Emmanuel de Rohan-Polduc (1775-1797)
Ferdinand von Hompesch zu Bolheim (1797-1799)
Paulo I da Rússia (1798-1801) de facto
Giovanni Battista Tommasi (1803-1805)
Innico Maria Guevara-Suardo (1805-1814) Tenente
André Di Giovanni (1814-1821) Tenente
Antoine Busca (1821-1834) Tenente
Carlo Candida (1834-1845) Tenente
Philippe di Colloredo-Mels (1845-1864) Tenente
Alessandro Borgia (1865-1871) Tenente
Giovanni Battista Ceschi a Santa Croce (1871-1879) Tenente
Giovanni Battista Ceschi a Santa Croce (1879-1905)
Caleazzo von Thun und Hohenstein (1905-1931)
Ludovico Chigi Albani della Rovere (1931-1951)
Antonio Hercolani-Fava-Simonetti (1951-1955) Tenente
Ernesto Paternó Castello di Carcaci (1955-1962) Tenente
Angelo de Mojana di Cologna (1962-1988)
Jean Charles Pallavicini (1988) Tenente
Andrew Willoughby Ninian Bertie (1988-2008)
Giacomo dalla Torre del Tempio di Sanguinetto (2008) Tenente ad interim
Matthew Festing (2008 - presente)

António Mexia Alves

Saibamos cumprir aqui na terra o que o Senhor nos ensinou e pediu

«Considerai como Jesus Cristo nos ensina a ser humildes, fazendo-nos ver que a nossa virtude não depende só do nosso trabalho, mas da graça de Deus. Aqui, Ele ordena a todo o fiel que ora a fazê-lo de modo universal, por toda a terra. Porque não diz "seja feita a vossa vontade" em mim ou em vós, mas "em toda a terra": para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu»

(São João Crisóstomo - In Matthaeum homilia l9, 5)

Acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós...

Deus quer que em toda a família, seja de origem natural ou sobrenatural, reine sempre a generosidade, que é fonte de harmonia e de paz. Assim, recreando dia a dia o ambiente de Nazaré, em cada lar, de cada vez que uma família guarda este mistério, mesmo que esteja na periferia do mundo, o mistério do Filho de Deus, o mistério de Jesus que vem salvar-nos está a atuar. E vem para salvar o mundo. Esta é a grande missão da família: fazer lugar para Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós... porque Jesus está aí. É preciso acolhê-Lo aí, para que cresça espiritualmente nessa família [7] e, analogamente, na grande família da Igreja.

A família baseada nos vínculos naturais tem como fundamento o casamento, situação estável e definitiva entre um homem e uma mulher para cumprirem o mandato de Deus na Criação [8]. Para os batizados, como bem sabemos, o casamento é, além disso, um sacramento: canal por onde chega aos cônjuges a graça específica do seu estado, imagem da união de Cristo com a Igreja [9]. É por isso, escreve o nosso Padre, que penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimónio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino – sacramentum magnum! (Ef 5, 32), grande sacramento – da união e do amor entre Cristo e a Sua Igreja. Devemos trabalhar para que estas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com a luta pela santidade, com a consciência de que o sacramento inicial – o Batismo – confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no caminho que lhe é próprio [10].

S. Josemaria dava aos esposos uns conselhos nascidos da sua experiência e do seu ministério sacerdotal. Uma vez, respondendo a uma pergunta que lhe fizeram em Buenos Aires, exortava: Amai-vos de verdade! (…). Sobretudo, nunca discutais diante dos filhos. Porque as crianças reparam em tudo e fazem logo o seu juízo. Não sabem que S. Paulo escreveu: qui iúdicat Dóminus est (1 Cor 4, 4), que é o Senhor Quem julga. Erigem-se em senhores, mesmo que tenham 3 ou 4 anos, e pensam: a mãe é má, ou o pai é mau. É uma confusão terrível, pobres criaturas! Não causeis essa tragedia nos corações dos vossos filhos. Esperai, tende paciência, e depois discutireis quando o miúdo estiver a dormir. Mas pouco, sabendo que não tendes razão [11].

Todos podemos fazer nossos estes conselhos que ajudam a salvaguardar o relacionamento fraterno com as outras pessoas. Temos de meter o caráter no bolso – dizia, com bom humor – e, por amor a Jesus Cristo, sorrir e tornar agradável a vida aos que temos junto de nós [12]. Não é nada estranho – somos seres humanos, não puros espíritos – que alguma vez se nos escape uma reação desabrida ou de mau génio, fruto da soberba pessoal, capaz de turvar o convívio com as pessoas. Mas contamos com o remédio ao alcance da mão: saber pedir desculpa, mostrar de uma forma ou de outra que nos dói ter causado um desgosto a alguém. E se alguma vez pensamos que nos ofenderam, expulsemos terminantemente do coração, com a ajuda do Senhor, qualquer ressentimento: não queiramos incubar germes nocivos que podem amargurar as relações com os outros.

O Senhor é muito claro neste ponto, como diz o Evangelho: Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em julgamento. Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar "imbecil" será réu diante do Conselho e quem lhe chamar "louco" será réu da Geena do fogo. Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Depois, volta para apresentar a tua oferta [13

[7]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 17-XII-2014.
[8]. Cfr. Gn 1, 26-28.
[9]. Cfr. Ef 5, 31-32.
[10]. S. Josemaria, Temas atuais do Cristianismo, n. 91.
[11]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 23-VI-1974.
[12]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 4-VI-1974.
[13]. Mt 5, 21-24.

(D. Javier Echevarría, na carta do mês de fevereiro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

O Evangelho do dia 6 de fevereiro de 2017

Tendo passado à outra margem, foram à região de Genesaré, e lá atracaram. Tendo desembarcado, logo O conheceram e, percorrendo toda aquela região, começaram a trazer-Lhe todos os doentes em macas, para onde sabiam que Ele estava. Em qualquer lugar a que chegava, nas aldeias, nas cidades ou nas herdades, punham os enfermos no meio das praças, e pediam-Lhe que, ao menos, os deixasse tocar a orla do Seu vestido. E todos os que O tocavam ficavam curados. 

Mc 6, 53-56