Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

quinta-feira, 2 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 1ª Reflexão

Primeiro dia da Quaresma, após o reconhecimento de que sou apenas pó e cinza, perante Ti, Senhor!

Que reflectir, que meditar, que mudar em tudo aquilo que sou e faço?

Colocas no meu coração a crítica fácil aos outros que, de cabeça baixa, confesso tantas vezes fazer.

Olho eu, por acaso, para os meus defeitos?

Meço-os com o mesmo rigor com que meço os dos outros?
Por acaso tens Tu, Senhor, o mesmo rigor comigo que eu tenho tantas vezes com os outros?

Deixa-me ficar por aqui, Senhor, que já me dói o coração ferido pela minha hipocrisia!

Eu sei, Senhor, que Tu me conheces, que Tu me perdoas, mas preciso muito mais de Ti, para me vencer a mim, fraco que sou.

Por isso este meu primeiro pedido a Ti nesta Quaresma:

Cala em mim, na minha boca, no meu coração, na minha mente, a crítica aos outros, e sempre que ela vier sorrateira fazer-me ceder à tentação, lembra-me com dureza, (peço-Te, Senhor), os meus enormes defeitos e fraquezas, para voltar essa crítica apenas e só para mim próprio.
Obrigado, Senhor, por me ires mostrando caminho!

joaquim mexia alves

Monte Real, 11 de Fevereiro de 2016


Fonte blogue NUNC COEPI http://amexiaalves-nunccoepi.blogspot.pt/2016/02/reflexoes-quaresmais.html

Que não me apegue a nada

Pede ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e à tua Mãe, que te façam conhecer-te e chorar por esse montão de coisas sujas que passaram por ti, deixando – ai! – tanto depósito... E ao mesmo tempo, sem quereres afastar-te dessa consideração, diz-lhe: – Dá-me, Jesus, um Amor como fogueira de purificação, onde a minha pobre carne, o meu pobre coração, a minha pobre alma, o meu pobre corpo se consumam, limpando-se de todas as misérias terrenas... E, já vazio de todo o meu eu, enche-o de Ti: que não me apegue a nada daqui de baixo; que sempre me sustente o Amor. (Forja, 41) 

O Senhor ouve-nos para intervir, para Se meter na nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de bem: eripiam eum et glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do homem. Portanto: esperança do Céu. E aqui temos, como doutras vezes, o começo desse movimento interior que é a vida espiritual. A esperança da glorificação acentua a nossa fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as três virtudes teologais – virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai, Deus – põem-se em movimento. (...)

Não é possível deixar-se ficar imóvel. É necessário avançar para a meta que S. Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim. A ambição é alta e nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho, se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se ao desenvolvimento normal da vida cristã. Porque o fogo do amor de Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas. Por isso, se não aumenta, está a caminho de se extinguir. (Cristo que passa, 57–58)

São Josemaría Escrivá

Quaresma 2017

Começo a minha caminhada pelo deserto da Quaresma.

Vou devagar, não tenho pressa. Passo a passo para me poder encontrar, ou melhor, para deixar que o Espírito Santo me faça encontrar naquilo que sou realmente e sobretudo naquilo que desejava ser, segundo a vontade de Deus.

Uma pedra no caminho e sento-me.

A pedra tem escrito em toda a sua largura: mentira!

Uma voz estranha, incómoda, diz para eu me levantar e continuar a caminhar, porque nada tenho a ver com a mentira.

Pois, o inimigo passeia pelo deserto da minha Quaresma!

Afasto essa voz de mim, entro no meu coração e reflicto, medito, nessa pedra em que me sento.
Sim, não vejo grandes mentiras, mentiras que prejudiquem outros, mas vejo tantas outras, sem sentido e por vezes perniciosas até para mim.

Mentiras para me fazer melhor do que os outros, mentiras para me desculpar de tantos erros, mentiras ocasionais sobre coisas sem sentido, mentiras até a mim próprio, para tentar enganar a minha consciência.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da mentira, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que só a verdade, sempre, é a Tua única vontade. 

Monte Real, 2 de Março de 2017 

Joaquim Mexia Alves

São Josemaría Escrivá nesta data em 1952

“A tradição cristã descreve os Anjos da Guarda como grandes amigos, colocados por Deus junto de cada homem para o acompanharem nos seus caminhos. E por isso estimula-nos a ganhar intimidade com eles e a recorrer a eles”, diz àqueles que o escutam nesta mesma data.

O camponês e o burro

Era uma vez um camponês que tinha um burro. Um dia o animal caiu acidentalmente num poço e não conseguia sair de lá. O camponês tentou várias vezes libertar o burro, mas não era possível. Pediu ajuda a uns amigos, mas mesmo assim não conseguiram nada. Ao fim de vários dias desistiu. O poço estava seco, o burro estava velho e a única solução era enterrá-lo lá.

Pegou numa pá e começou a deitar terra no poço. O burro ficou desesperado ao aperceber-se do que estava a acontecer. Começou a zurrar cheio de amargura. Fazia dó ao camponês, mas ele não via outra solução. Até que num momento determinado deixou de ouvir o animal. Aproximou-se com temor da boca do poço para contemplar o cemitério. Com espanto viu algo insólito. Cada vez que o burro recebia a terra em cima, sacudia-a com decisão e pisava sobre ela. Com esta operação, na qual estava profundamente concentrado, já tinha subido mais de um metro dentro do poço. O camponês sorriu. Continuou a deitar terra e em pouco tempo o burro estava cá fora.

Todos nós temos dificuldades na vida. A diferença está no modo como reagimos diante delas. Existem pessoas que passam a existência a queixar-se, deixando-se soterrar pelas contrariedades. São pessimistas por natureza. Olham com ironia para aqueles que parecem felizes. Pensam que são ingénuos, doidos, que ainda não descobriram que esta vida não tem nenhum sentido. Não respeitam nada. Para eles não há nada que seja sagrado. Tudo se pode banalizar, ridicularizar, porque nada tem sentido. E se tem, não pensam dedicar nem cinco minutos a pensar nele. Talvez tivessem que mudar de vida, de atitude. Isso exige esforço e dá trabalho. Nada vale a pena, porque a alma é pequena.

Um cristão sabe que isso não é verdade. Sabe que foi criado por Deus por amor e que está chamado a viver com Ele para sempre na eternidade. Sabe que a sua vida tem um sentido e que as dificuldades que lhe surgem também. Tem uma profunda confiança em Deus e não duvida que, como diz São Paulo, “tudo é para bem” (Rom 8, 28). Esta certeza fá-lo encarar as contrariedades como aquilo que são: uma oportunidade para crescer. Crescer no amor a Deus e crescer no amor ao próximo. Por isso, quando as dificuldades aparecem, sacode-as de cima com oração, esforço e optimismo. Também com a serenidade de quem sabe que a felicidade em plenitude não pode ser alcançada nesta vida. Está reservada para a futura.

E depois pisa essas dificuldades e assim robustece a sua fé e aproxima-se mais da vida que não terá fim. Diante das contradições não perde a paz, porque sabe que tudo procede do amor. Tudo está ordenado à salvação do homem, e Deus, que é Amor, não permite nada que não seja com essa finalidade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

CHEGARAM OS DIAS DE PENITÊNCIA

Chegaram os dias da penitência!

Este é um tempo favorável para podermos procurar dentro de nós a vontade de Deus e aferirmos como vivemos a Fé que afirmamos professar.
Entremos dentro de nós e peçamos que a nossa consciência seja iluminada pelo Espírito Santo.
Não queiramos ser nós a “aconselhar” a nossa consciência, mas deixemos que seja ela, “livre das nossas certezas”, a aconselhar-nos, mostrando-nos o caminho da vontade de Deus.
Temos tantas certezas! Temos tantas convicções! Temos tanto convencimento de que nos conhecemos!
E afinal, caímos, voltamos a cair, procurando na nossa vontade a vontade de Deus.

Chegaram os dias da penitência!

Não a penitência como um castigo ou uma tristeza inabalável, mas a penitência que nos afirma que Deus está connosco e nos quer revelar em cada momento a sua vontade para a vida que nos deu.
Se nos vestimos de saco, se colocamos cinzas na cabeça, façamo-lo com o sorriso sereno, provocado pela tranquila alegria de sabermos que Ele já nos salvou.
Lembremo-nos sempre que a vontade de Deus é a nossa felicidade.

Chegaram os dias da penitência!

Não queiramos mudar tudo de uma só vez.
Não comecemos pelas faltas grandes, porque dessas temos nós consciência plena de que as devemos mudar.
Comecemos antes pelas mais pequenas, aquelas que nos perseguem todos os dias, aquelas que mais vezes repetimos na Confissão, aquelas em que caímos já tão rotineiramente, que delas só nos apercebemos quando chega o tempo do exame de consciência.
E lembremo-nos que sozinhos nada somos, sozinhos nada conseguimos, só com Ele, no amor do Pai, iluminados pelo Espírito Santo, em Igreja, conseguiremos mudar o que precisa ser mudado, primeiro em nós, e depois dando testemunho no dia a dia, nos outros também.
E se mudarmos o “pequeno”, então o “grande” será mudado também!

Chegaram os dias da penitência!

Louvado seja o Senhor!

Marinha Grande, 18 de Fevereiro de 2015

Joaquim Mexia Alves

Conversão


«A conversão a que somos chamados não deve ser entendida como um simples ajustamento na nossa vida, mas como uma autêntica inversão de marcha. Converter-se significa precisamente ir em contra-corrente. Converter-se significa mudar direcção no caminho da vida : não um pequeno ajustamento, mas uma autêntica inversão de marcha.

Converter-se significa caminhar em contra-corrente, entendendo por corrente um estilo de vida superficial e incoerente que muitas vezes nos arrasta, nos domina e nos torna prisioneiros do mal e da mediocridade».

(Bento XVI na Audiência geral de quarta feira de Cinzas de 2010)

O Evangelho do dia 2 de março de 2017

Acrescentando: «É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, que seja morto e ressuscite ao terceiro dia. Depois, dirigindo-Se a todos disse: «Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias, e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida por causa de Mim, salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se se perde a si mesmo ou se faz dano a si?

Lc 9, 22-25