Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

terça-feira, 7 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 6ª Reflexão

Senhor, tantas coisas me vêm à mente que preciso de Te pedir.

Inclinas-Te sobre mim e olhando-me nos olhos, dizes-me:
Sabes, meu filho, Eu gosto que me peças, apesar de Eu saber de tudo o que necessitas. Mas já viste bem quanto me pedes e quanto conversas comigo, apenas para conversarmos, como amigos, (como sabes bem mais do que amigos), que somos?
Quantas vezes dizes que Me amas, e quantas vezes me pedes seja o que for?
Eu amo-te sempre, mas tu precisas alimentar o teu amor por Mim, afirmando-o com o coração, mas também com gestos e orações.

Oh, Senhor, apetece-me dizer como Pedro: «Senhor, Tu sabes que eu te amo!»
Mas depois apercebo-me de quão poucas vezes To digo e demonstro.

Então recebe mais este meu pedido:
Ensina-me, Senhor, a viver o amor, o Teu amor por mim e o meu amor por Ti.
Que eu saiba pedir, mas que também saiba louvar-Te e adorar-Te, não porque Te é devido, mas “apenas” porque Te amo, pois Tu me amaste primeiro.
Que em tudo e em todos, eu Te ame sempre a Ti primeiro.

Glória e louvor a Ti, Senhor!

Monte Real, 16 de Fevereiro de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

Vivei uma particular Comunhão dos Santos

Comunhão dos Santos. – Como to hei-de dizer? – Sabes o que são as transfusões de sangue para o corpo? Pois assim vem a ser a Comunhão dos Santos para a alma. (Caminho, 544)

Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um sentirá, à hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria e a força de não estar só. (Caminho, 545)

Aqui estamos, consummati in unum, em unidade de petição e de intenções, dispostos a começar este tempo de conversa com o Senhor com renovado desejo de sermos instrumentos eficazes nas suas mãos. Diante de Jesus Sacramentado – como gosto de fazer um acto de fé explícita na presença real do Senhor na Eucaristia! – fomentai nos vossos corações o desejo de transmitir, pela vossa oração, um impulso fortíssimo que chegue a todos os lugares da terra, até ao último recanto do planeta, onde houver alguém gastando a sua existência ao serviço de Deus e das almas. Com efeito, graças à inefável realidade da Comunhão dos Santos, somos solidários – cooperadores, diz S. João – na tarefa de difundir a verdade e a paz do Senhor. (Amigos de Deus, 154)

São Josemaría Escrivá

QUARESMA 2017

E a viagem continua pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Na pedra em que sento está escrito: Tristeza!

Nesta então, diz-me o “outro”, é que não te deves sentar.
Tu és sempre tão alegre, tão bem disposto!

Desta vez enfrento-o e digo-lhe com toda a convicção: Não me queiras enganar! Há momentos de tristeza, com certeza, e esses momentos devem ser vividos com a tristeza a eles inerente, mas sem nunca esquecer a esperança que reside nAquele que tudo é e tudo pode.
És tu, enganador, que quando peco, que quando repito os meus “pecados de estimação”, me vens colocar essa tristeza de me considerar fraco e sem forças para vencer, para me vencer.

E essa tristeza que por vezes permito que instiles em mim, é que me afasta dEle, porque pretende “bloquear” a confiança inabalável que devo ter no Seu amor e no Seu perdão.
Vai-te, que a minha alegria vem de Deus!

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da tristeza, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver sempre na Tua alegria, a alegria do amor, a alegria da confiança, a alegria do perdão, a alegria de saber que a minha salvação, é a Tua única vontade.

Monte Real, 7 de Março de 2017

Joaquim Mexia Alves

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

Anota no seu caderno: “Menino, o abandono exige docilidade”.

Sejamos um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos

Interessa-me e muito, minhas filhas e filhos, que apliquemos estas considerações ao cuidado dos doentes: uma obra de misericórdia que Jesus Cristo premeia de modo especial. Rezemos também diariamente pelos que sofrem perseguição por causa das suas convicções religiosas. Ninguém nos é alheio! Roguemos ao Senhor que os assista com a Sua graça e lhes dê forças. E como a caridade é ordenada, ela deve chegar em primeiro lugar a quem está mais perto – membros da nossa família sobrenatural ou humana, amigos e vizinhos, colegas de trabalho –, a todos aqueles a quem nos unem laços especiais de fraternidade, pelas variadas situações em que nos encontramos.

Muito claras são as sugestões que transcrevo: consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simulta¬neamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e peque¬ninos? Ou refugiamo-nos num amor universal, pronto a comprometer-se lá longe, no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cfr. Lc 16, 19 31)? [5]

Aproveito estas linhas para agradecer novamente às minhas filhas e filhos, e a tantas pessoas que cuidam dos doentes e dos idosos, a sua generosa dedicação a esse trabalho: como Deus lhes sorri! Bem sei que, às vezes, surge nessa tarefa o cansaço. Mas voltemos então o olhar para uma realidade muito clara à luz da fé: atender quem não se pode valer por si mesmo, tanto na própria casa como noutros sítios, introduz-nos diretamente no Coração misericordioso do Senhor. Esmeremo-nos em dedicar-lhes os nossos melhores serviços, sem nunca regatear o sacrifício pessoal. Leio com frequência registos de como S. Josemaria visitava, alegre, os doentes – era uma necessidade, também para fazer o Opus Dei –, saía para estar com elas ou com eles. E daqueles momentos tirava forças para cumprir o que Deus lhe pedia.

Contamos na Obra com uma ampla experiência destas obras de misericórdia: não foi em vão, repito, que o Opus Dei nasceu e se consolidou entre os pobres e os doentes. É muito significativo para o nosso caminhar que no dia 19 de março de 1975, poucos meses antes de ir para o Céu – passaram quarenta anos – o nosso Padre tenha recordado com clareza aqueles começos, durante uma tertúlia familiar. Convido-vos a deter-nos novamente nas suas palavras.

Fui buscar fortaleza nos bairros mais pobres de Madrid. Horas e horas por todo o lado, todos os dias, a pé, de um lugar a outro, entre pobres envergonhados e pobres miseráveis, que não tinham nada de nada. Entre crianças de ranho na boca, sujos, mas crianças, que quer dizer almas agradáveis a Deus (…). E que salutar, que alegria! Foram muitas horas naquele trabalho, mas tenho pena que não tenham sido mais. E nos hospitais, e nas casas onde havia doentes, se se podem chamar casa àqueles casebres… Eram gente abandonada e doente, alguns com uma doença que na altura era incurável, a tuberculose (…).

Foram anos intensos, em que o Opus Dei crescia para dentro, sem darmos conta. Mas quis dizer-vos – algum dia vo-lo contarão com mais detalhe, com documentos e papéis – que a fortaleza da Obra foram os doentes dos hospitais de Madrid: os mais miseráveis, os que viviam nas suas casas, perdida até a última esperança humana, os mais ignorantes daqueles bairros mais periféricos [6].

Às doentes e aos doentes, sugiro que sejam dóceis e se deixem cuidar, que agradeçam o carinho humano e cristão que o próprio Jesus Cristo lhes dá através dos que se ocupam delas e deles. Quantas pessoas, também entre as que não possuem o tesouro da fé, ficam tocadas perante as manifestações de verdadeiro amor cristão e humano, e acabam por descobrir o rosto de Jesus nos doentes ou nas pessoas que por eles se gastam!

[5]. Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma de 2015, 4-X-2014.
[6]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 19-III-1975 ("Por las sendas de la fé", ed. Cristiandad, 2013, pp. 146-147).

(D. Javier Echevarría na carta do mês de março de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Estórias sobre Jesus

Uma probabilidade não é um facto e a história constrói-se a partir da realidade e não na base de meras suposições

Reza a crónica que Reza Aslan, de 41 anos, muçulmano iraniano mas a residir nos Estados Unidos da América desde 1972, é académico e professor de escrita criativa na Universidade da Califórnia, Riverside. O seu recente livro, «O Zelota – A vida e o tempo de Jesus de Nazaré», agora vertido para português e objecto de ampla reportagem no jornal «i» de 15/02/2014, confirma a sua enorme criatividade, porque mais não é do que uma obra de ficção histórica, em que qualquer parecença com a realidade é mera coincidência.

É curioso que, embora nascido numa família não crente, Aslan, desde cedo, sentiu um especial fascínio pelo transcendente. Contudo, a sua vida conheceu não poucas ambiguidades: entusiasma-se com o fervor religioso da revolução iraniana, mas expatria-se na supostamente terra de Satã, que nem agora, que é muçulmano praticante, troca pelos rigores da ortodoxia maometana da sua pátria. Mais tarde, depois de participar num campo de férias evangélico, adere ao cristianismo, mas numa versão protestante e fundamentalista. Finalmente abraça a fé islâmica mas, paradoxalmente, continua a dizer que Jesus de Nazaré «é um homem interessante, que (…) deu um exemplo que devemos seguir», muito embora ele não só não o siga como o tenha trocado por Alá e pelo seu profeta…

É de saudar este interesse de autores muçulmanos por Cristo, mas é estranho o seu silêncio sobre Maomé. Será que a sua religião, ao contrário da cristã, que reconhece liberdade de pensamento e de expressão teológica aos seus fiéis, não lhes permite opinar em termos teológicos? Ou será que este mal disfarçado empenho em desacreditar Jesus de Nazaré é, afinal, uma acção da vanguarda do proselitismo islâmico no ocidente?

Apesar de se dizer, na referida reportagem, que «O Zelota» é «um retrato histórico, fruto de uma investigação intensa», a verdade é que a pesquisa deve ter sido escassa, porque as conclusões nada têm de histórico, nem de inédito.

Alguns exemplos. Afirma-se que o nascimento de Jesus em Belém é um mito, mas não se apresenta nenhum dado histórico, nem se cita nenhuma fonte que permita negar a veracidade dos dois textos bíblicos do século I que o atestam, nem a antiquíssima tradição local nesse sentido. Sendo de Nazaré Maria e José, julga Aslan que Jesus «deve ter nascido» lá, mas esta suposição carece de fundamento. Não é inverosímil que se nasça noutra terra que não a de que são naturais os progenitores: sei de uma família de oito irmãos, cujos pais e avós eram todos de Lisboa e, no entanto, quatro filhos nasceram no estrangeiro. Na história, como na vida, nem tudo o que parece, é.

Outra afirmação infundada: Jesus era «provavelmente um homem casado». Alguma prova? Nenhuma, mas Aslan acha que «é mais provável que Jesus tenha tido filhos e sido casado». Com a mesma razão, ou falta dela, poderia também supor que, sendo a maioria dos actuais cidadãos portugueses casados e com filhos, também qualquer padre deveria ser, para ele, «provavelmente um homem casado» e com geração… Acontece que uma mera probabilidade não é um facto e a história constrói-se a partir da realidade e não na base de fantasiosas suposições.

Talvez para aproximar o nosso Cristo do seu Maomé, apresenta Jesus como um mal-sucedido revolucionário. Esquece, no entanto, que o divino carpinteiro de Nazaré nunca pretendeu qualquer poder humano, mesmo quando este lhe foi oferecido pelo povo, que o aclamou como rei. Mais ainda, a ambição do poder é, para o Evangelho, a pior tentação, que Cristo liminarmente rejeitou. Não assim para Maomé, cuja crença se assume como política e está na origem dos regimes islâmicos teocráticos.

É tal a imaginação do autor que chega a pormenores que resultam ridículos, como quando sentencia que «Pilatos não terá lavado as mãos» (?!). O facto é irrelevante em si mesmo, mas não a gratuidade da afirmação, para a qual não apresenta, mais uma vez, nenhum suporte histórico credível.

Afinal, «O Zelota» não é uma outra história de Jesus de Nazaré, mas uma estória de um Jesus imaginário, que não o Jesus da história. Só este é, de facto, o Cristo da fé.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

O Evangelho do dia 7 de março de 2017

Nas vossas orações não useis muitas palavras como os gentios, os quais julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais. «Vós, pois, orai assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome. «Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso supersubstancial nos dá hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. «Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não perdoará as vossas ofensas. 

Mt 6, 7-15