N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 27 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 26ª Reflexão

Hoje, Senhor, trazes ao meu coração a humildade.

Olhas-me nos olhos e dizes-me:
Meu filho, a humildade é uma virtude inestimável que Eu posso ver, mas aos homens é bem mais difícil perceber.
A humildade não é a negação dos dons e talentos que cada um tem, mas o reconhecimento de que os mesmos são graça Minha à vida de cada um, e assim sendo, devem ser usados constantemente, nunca para orgulho ou elogio do próprio, mas sim como testemunho das maravilhas que Deus faz em cada um.
Por isso a humildade é também disponibilidade permanente para os outros, e também, e ainda, o reconhecimento sereno das fraquezas que cada um, como pecador que é, tem.
Cuidado, meu filho, com a falsa humildade que o inimigo pode instilar no coração de cada um, levando-o a não fazer uso dos dons e talentos que por graça lhe dou para Me servir, servindo os homens, sob a “capa” de que seria um pretenso orgulho fazer uso desses mesmos dons e talentos.
Lembra-te ainda, que o testemunho que cada um dá de Mim e do meu amor, parte sempre de Mim, e por isso Eu o posso fazer chegar aos corações dos que Me procuram, isento das fraquezas de quem dá esse testemunho.

Humildemente baixo a cabeça e peço-Te:
Ensina-me, Senhor, a humildade.
A humildade de Te reconhecer Senhor de tudo, e também a humildade de Te servir com e em tudo o que me dás.
Não deixes que o inimigo me engane, me confunda e me afaste de Te servir por um pretenso orgulho, mas sim que, reconhecendo as minhas fraquezas, eu Te sirva, servindo os outros, entregando-me sem reservas a Ti, confiando sempre que és Tu que fazes, e se és Tu que fazes, então tudo está bem feito por Tua graça e apenas e só por Tua graça.

Humildemente, Senhor, obrigado!

Monte Real, 7 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

Nota: A humildade é o mais perfeito conhecimento de nós mesmos
(São Bernardo de Claraval)

Deus ama quem dá com alegria

Sofres! – Pois olha: "Ele" não tem o coração mais pequeno do que o nosso. – Sofres? É porque convém. (Caminho, 230)

Advirto-te que as grandes penitências são compatíveis também com as quedas espalhafatosas, provocadas pela soberba. Em contrapartida, com esse desejo contínuo de agradar a Deus nas pequenas batalhas pessoais – como sorrir quando não se tem vontade: asseguro-vos, aliás, que em certas ocasiões torna-se mais custoso um sorriso do que uma hora de cilício – é difícil alimentar o orgulho, a ridícula ingenuidade de nos considerarmos heróis notáveis: ver-nos-emos como uma criança que apenas consegue oferecer ninharias ao seu pai, que as recebe, no entanto, com imensa alegria.

Então, um cristão há-de ser sempre mortificado? Sim, mas por amor. (…)Talvez até agora não nos tivéssemos sentido urgidos a seguir tão de perto os passos de Cristo. Talvez não nos tivéssemos apercebido de que podemos unir ao seu sacrifício reparador as nossas pequenas renúncias: pelos nossos pecados, pelos pecados dos homens de todas as épocas, por esse trabalho malvado de Lúcifer que continua a opor a Deus o seu non serviam! Como nos atreveremos a clamar sem hipocrisia: Senhor, doem-me as ofensas que ferem o teu Coração amabilíssimo, se não nos decidimos a privar-nos de uma ninharia ou a oferecer um sacrifício minúsculo em honra do seu Amor? A penitência – verdadeiro desagravo – lança-nos pelo caminho da entrega, da caridade. Entrega para reparar e caridade para ajudar os outros, como Cristo nos ajudou a nós.

De agora em diante, tende pressa de amar. O amor impedir-nos-á a queixa e o protesto. Porque com frequência suportamos a contrariedade, sim; mas lamentamo-nos; e então, além de desperdiçar a graça de Deus, cortamos-lhe as mãos para futuros pedidos. Hilarem enim datorem diligit Deus. Deus ama o que dá com alegria, com a espontaneidade que nasce de um coração enamorado, sem os espalhafatos de quem se entrega como se prestasse um favor.  (Amigos de Deus, 139–140)

São Josemaría Escrivá

ABENÇOADA TENTAÇÃO!

Às vezes, vem-me assim um abatimento, uma tristeza, não entendo de onde e porquê, como que a dizer-me que estou só, espiritualmente falando, como se Deus se tivesse apartado de mim e me deixasse entregue a mim próprio e às minhas fraquezas e defeitos.

E se me distraio e não luto, há uma secura, um vazio, que me quer iludir, colocando-me dúvidas, que insidiosamente entra na minha mente e me faz perguntar a mim próprio se tudo isto faz sentido, se Deus existe, se toda esta entrega me leva realmente a algum lado.

E hoje, como tantas vezes, o dia começou assim.

Mas estamos na Quaresma e à minha mente, à minha imaginação veio a imagem de Jesus Cristo no deserto, só, em jejum, e a ser tentado pelo demónio.

Qualquer comparação, entre as duas situações, seria absolutamente absurda, mas abriu-me a mente para a realidade de que, afinal estes momentos de abatimento, de tristeza, são também uma tentação do inimigo, a querer afastar-me da certeza de Deus, da alegria de Deus, da companhia, (mesmo que aparentemente ausente), de Deus.

E quero perceber porque é que Deus permite tais momentos, permite tais tentações, como um modo de me fortalecer na fé, tornando mais consciente em mim a necessidade espiritual e de vida, de cada vez mais estar unido a Ele em oração e vigília permanente, não só por mim, mas para dar testemunho de que Ele está realmente no meio de nós e em nós.

E então, a secura pode ainda permanecer, a sensação de estar só pode ainda continuar, mas no fundo do coração brilha a luz da certeza do que Ele me diz, do que Ele nos diz, se O quisermos escutar:
Eu estou aqui e nunca daqui sairei, a não ser que conscientemente me queiras rejeitar.

Abençoada tentação, que acaba por produzir tais frutos da graça de Deus!

Monte Real, 27 de Março de 2017

Joaquim Mexia Alves

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

É Quinta-feira Santa, véspera das suas bodas de ouro sacerdotais. Mal havia iniciado um tempo de meditação começa a orar em voz alta: Adauge nobis fidem! Aumenta-nos a fé!, estava eu a dizer ao Senhor. Quer que eu lhe peça isto: que nos aumente a fé. Amanhã não vos direi nada; e agora nem sei o que vos vou dizer... Que me ajudeis a dar graças a Deus Nosso Senhor por este cúmulo imenso, enorme, de favores, de providência, de carinho... de pancadas! Que também são carinho e providência (...). Passados cinquenta anos, estou aqui como uma criança que balbucia: estou a começar, a recomeçar, como na minha luta interior de cada dia. E assim até ao fim dos dias que me restam: sempre a recomeçar. O Senhor assim o quer”.

O fio da meada

As notícias do Vaticano atropelam-se, com novos livros e documentos a sair a cada momento. Destaco três: o livro «O Nome de Deus é Misericórdia», com uma entrevista ao Papa Francisco; uma lição de Bento XVI, também sob a forma de entrevista, e a Exortação de 200 páginas «Sobre a Família Hoje» promulgada pelo Papa Francisco.

Qual é o fio da meada deste turbilhão editorial?

«O Nome de Deus é misericórdia» é leitura obrigatória para perceber a Igreja do século XXI e o actual pontificado. Formalmente, é uma entrevista; na realidade é uma síntese, em primeira pessoa, do pensamento de Francisco. O tema central é a reconciliação, o actual ano jubilar dedicado à misericórdia, a pacificação das relações sociais e internacionais, mas sobretudo aquilo que o Papa considera o elemento característico da reconciliação: a Confissão. As explicações são vivas e claras. Por exemplo, acerca da razão para nos confessarmos a um padre em vez de só pedirmos perdão a Deus. São abundantes os neologismos e os «slogans». Por exemplo, «pecadores sim, corruptos não!»: não interessa se as faltas são grandes ou pequenas; pecadores são aqueles que se arrependem e se confessam, corruptos são aqueles que acham que não precisam de se confessar. O Papa alegra-se porque o número de confissões está a aumentar no mundo. Já na Bula do Ano da Misericórdia tinha falado de «tantas pessoas que se estão a aproximar do sacramento da Reconciliação, especialmente muitos jovens... coloquemos novamente no centro, com convicção, o sacramento da Reconciliação, porque permite tocar com a mão a grandeza da misericórdia» («Misericordiæ vultus», 17). Quando o jornalista lhe pergunta o que espera do ano jubilar, o Papa responde: que cada cristão faça uma confissão bem feita.

A entrevista a Bento XVI é uma peça rara, porque o Papa emérito decidiu que a sua actual função é rezar e não discursar. A entrevista dirige-se a um congresso de teologia reunido em Roma e vários dos argumentos inserem-se em discussões teológicas um pouco técnicas. No entanto, o texto tem interesse para o público em geral, sobretudo por dois pontos. Primeiro, que a insistência de Francisco na misericórdia é um «sinal dos tempos», em sentido teológico, ou seja, uma intervenção do Espírito Santo na história da Igreja. Segundo, evangelizar o mundo é um dever de lealdade e de amor para com Jesus Cristo.

O Papa Francisco promulgou a Exortação pós-sinodal sobre a família no dia 19 de Março, festa de S. José. Já se pode reservar, mas vai demorar uns dias a chegar às livrarias. Recentemente, em Lisboa, o Presidente do Pontifício Conselho para a Família deu a primeira notícia: trata-se de um «hino ao amor», de uma afirmação da beleza da vida familiar, de um encorajamento a comprometermo-nos num amor mais forte. O próprio Papa acrescentou algumas explicações: Deus perdoa todos os erros dos homens, ama-nos mais do que podemos imaginar. Ninguém deve pensar que a sua vida está tão embrulhada que não tem solução, como se a saída justa fosse demasiado difícil para o próprio ou para os outros. Mesmo que a pessoa não esteja de momento em condições de comungar, há um caminho a percorrer cheio de confiança. É preciso pedir ajuda a Deus. E o Deus da Misericórdia dará a coragem e mostrará em cada caso o caminho, que é também o caminho do Céu.

O Papa escreve um hino ao amor verdadeiro, quando alguns esperavam que a Igreja declarasse guerra a si própria. O Cardeal Müller (colaborador próximo do Papa, responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé) justifica – num livro que também acaba de sair – que «a misericórdia não é renunciar aos Mandamentos de Deus (...). O maior escândalo da Igreja seria ela desistir de chamar pelo nome a diferença entre o bem e o mal (...)». Em resumo, o nome da misericórdia é conversão.

Por estes dias, o Arcebispo Georg Gänswein (que trabalha com Francisco como Prefeito da Casa Pontifícia e continua a ser o secretário de Bento XVI) deu uma longa entrevista à emissora alemã «Deutsche Welle», que também vale a pena mencionar, sobretudo pelas referências à sintonia entre o Papa actual e o Papa emérito, e porque antecipa que a Exortação que está a chegar às bancas se situa nessa linha.
José Maria C.S. André
Spe Deus
27-III-2016

Conhecer o sentido da nossa vida

Ele era muito despistado. Viajava há horas num comboio submergido na leitura dum romance policial. Estava de tal modo concentrado, que não apreciava a magnífica paisagem que aparecia na sua janela. Num determinado momento, passou o revisor. Com muita delicadeza, chamou-o à realidade deste mundo e pediu-lhe, por favor, que lhe mostrasse o bilhete. Ele começou a procurá-lo em todos os bolsos. Não o conseguia encontrar.

Os outros passageiros olhavam para a cena com uma certa apreensão. Aquele cavalheiro, tão elegante no modo de vestir, não aparentava nem remotamente estar a viajar de graça. Ele parecia estar desorientado. Fechou o livro sem lhe deixar uma marca. Suava por todos os poros e tinha muitos, porque era corpulento. O revisor ficou com pena. Era evidente que aquele senhor não o estava a enganar. Tantas vezes tinha lidado com situações dessas. Aquela era diferente. «Não se preocupe. Quando encontrar o bilhete, diga-me alguma coisa. Vou continuar o meu trabalho. Não lhe farei pagar outra vez». «Não é pagar outro bilhete que me preocupa. O que de verdade me preocupa é que eu já não me lembro para onde é que vou».

Uma pessoa não pode viajar sem saber antes para onde é que se dirige. Tal afirmação é tão óbvia que parece ridícula. No entanto, hoje em dia, vemos muitas pessoas que viajam nesta vida sem saberem muito bem para onde é que vão. A pergunta pelo sentido da vida parece-lhes própria de pessoas mais velhas. Própria de quem não soube aproveitar a juventude vivendo-a intensamente. Uma pergunta teórica, que não muda nada, e que nunca terá uma resposta séria. Como as respostas não se podem provar cientificamente, todas elas são válidas. Logo, nenhuma pode considerar-se verdadeira. Logo, a própria pergunta não tem muito sentido.

Quem viaja por esta vida sem um norte, acaba por pensar que o que verdadeiramente tem sentido é viver intensamente o momento presente. Conhecer a vida e tudo aquilo que ela tem para nos dar. Acumular experiências. Quanto mais experiências, melhor. Dentro de pouco acaba-se o tempo e seria uma pena sair deste mundo sem ter experimentado tudo. Seria um verdadeiro fracasso. Um fracasso, além disso, irremediável.

Existe algo mais importante do que conhecer profundamente esta vida? Do que conhecer tudo o que ela tem para nos dar? Sim. Existe. Conhecer o sentido que ela tem. Que este conhecimento não seja científico nem experimental, não significa que não seja verdadeiro. E muito menos que nos seja inútil. Este sentido só se pode descobrir com um pouco de silêncio. E pode continuar a ignorar-se depois de muitas experiências variadas. Nem sempre o conhecimento que provém da experiência é o melhor. Se assim fosse, como disse alguém de um modo ousado, uma pessoa de má vida saberia melhor o que é o amor humano do que qualquer pessoa casada. E não parece que seja assim.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

S. João Damasceno, presbítero, Doutor da Igreja, †749

João de Damasceno nasceu mais ou menos na metade do século VII de família árabe cristã e morreu em 749. É considerado o último representante da patrística grega e equivalente oriental de Santo Isidoro de Sevilha, por suas obras monumentais como " A Fonte do Conhecimento". A sua atividade literária é multiforme: passeia com autoridade da poesia à liturgia, da eloquência à filosofia e à apologética. Filho de um alto funcionário do califa de Damasco, João foi companheiro de brinquedos do príncipe Yazid, que mais tarde o promoveu ao mesmo encargo do pai, que corresponde mais ou menos ao de ministro das finanças. Na qualidade de Logoteta, foi representante civil da comunidade cristã junto às autoridades árabes.

A um determinado ponto João deixou a corte, demitindo-se do alto cargo, provavelmente pelas tendências anti-cristãs do califa. Em companhia do irmão Cosme, futuro bispo de Maiouma, retirou-se para o mosteiro de São Sabas, preparando-se para o cargo de regedor titular da basílica do Santo Sepulcro.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 27 de março de 2017

Passados dois dias, partiu Jesus dali para a Galileia. Porque o mesmo Jesus tinha afirmado que um profeta não é respeitado na sua própria pátria. Tendo chegado à Galileia receberam-n'O bem os galileus porque tinham visto todas as coisas que fizera em Jerusalém durante a festa; pois também eles tinham ido à festa. Foi, pois, novamente a Caná da Galileia, onde tinha convertido a água em vinho. Havia em Cafarnaum um funcionário real, cujo filho estava doente. Este, tendo ouvido dizer que Jesus chegara da Judeia à Galileia, foi ter com Ele e pediu-Lhe que fosse a sua casa curar o filho que estava a morrer. Jesus disse-lhe: «Vós, se não virdes milagres e prodígios não acreditais». O funcionário real disse-Lhe: «Senhor, vem antes que o meu filho morra». Jesus disse-lhe: «Vai, o teu filho vive». Deu o homem crédito ao que Jesus lhe disse e partiu. Quando já ia para casa, vieram os criados ao seu encontro dizendo que o filho vivia. Perguntou-lhes a hora em que o doente se sentira melhor. Disseram-lhe: «Ontem, à hora sétima, a febre deixou-o». Reconheceu então o pai ser aquela mesma a hora em que Jesus lhe dissera: «Teu filho vive». Acreditou ele, assim como toda a sua família. Foi este o segundo milagre que Jesus fez depois de ter vindo da Judeia para a Galileia.

Jo 4, 43-54