N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sábado, 22 de abril de 2017

Vigília de oração (2016) sobre a espiritualidade do Domingo da Divina Misericóridia

Queridos irmãos e irmãs, boa tarde!

Com alegria e gratidão, partilhamos estes momentos de oração que nos introduzem no Domingo da Misericórdia, tão desejado por São João Paulo II para satisfazer um pedido de Santa Faustina. Os testemunhos que nos foram oferecidos – e que agradecemos – e as leituras que ouvimos abrem clareiras de luz e de esperança para entrar no grande oceano da misericórdia de Deus. Quantas são as faces da misericórdia com que Ele vem ao nosso encontro? São verdadeiramente muitas; é impossível descrevê-las todas, porque a misericórdia de Deus cresce sem cessar. Deus nunca Se cansa de a exprimir, e nós não deveríamos jamais recebê-la, procurá-la e desejá-la por hábito. É sempre algo de novo que gera surpresa e maravilha à vista da imaginação criadora de Deus, quando vem ao nosso encontro com o seu amor.

Deus revelou-Se, manifestando várias vezes o seu nome; este nome é «misericordioso» (cf. Ex 34, 6). Tal como é grande e infinita a natureza de Deus, assim é grande e infinita a sua misericórdia, de tal modo que se revela uma árdua tarefa conseguir descrevê-la em todos os seus aspetos. Repassando as páginas da Sagrada Escritura, vemos que a misericórdia é, antes de mais nada, a proximidade de Deus ao seu povo. Uma proximidade que se manifesta principalmente como ajuda e proteção. É a proximidade dum pai e duma mãe que se espelha numa bela imagem do profeta Oseias: «Segurava-os com laços humanos, com laços de amor, fui para ele como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto; inclinei-me para ele, para lhe dar de comer» (11, 4). É muito expressiva esta imagem: Deus pega em cada um de nós e levanta-nos até ao seu rosto. Quanta ternura contém e quanto amor manifesta! Pensei nesta palavra do profeta quando vi o logótipo do Jubileu. Jesus não só leva aos seus ombros a humanidade, mas tem o seu rosto tão chegado ao de Adão, que os dois rostos parecem fundir-se num só.

Nós não temos um Deus que não saiba compreender e compadecer-Se das nossas fraquezas (cf. Heb 4, 15). Pelo contrário! Foi precisamente em virtude da sua misericórdia que Deus Se fez um de nós: «Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (Gaudium et spes, 22). Por conseguinte, em Jesus, podemos não só palpar a misericórdia do Pai, mas somos impelidos a tornar-nos nós mesmos instrumentos da sua misericórdia. Falar de misericórdia pode ser fácil; mais difícil é tornar-se suas testemunhas na vida concreta. Trata-se dum percurso que dura toda a vida e não deveria registar interrupções. Jesus disse-nos que devemos ser «misericordiosos como o Pai» (cf. Lc 6, 36).

Muitas são, portanto, as faces com que se apresenta a misericórdia de Deus! É-nos dada a conhecer como proximidade e ternura, mas, em virtude disto, também como compaixão e partilha, como consolação e perdão. Quem dela mais recebe, mais é chamado a oferecer, a partilhar; não pode ser mantida oculta nem retida só para nós mesmos. É algo que faz arder o coração e o desafia a amar, reconhecendo a face de Jesus Cristo, sobretudo em quem está mais longe, fraco, abandonado, confuso e marginalizado. A misericórdia vai à procura da ovelha perdida e, quando a encontra, irradia uma alegria contagiosa. A misericórdia sabe olhar cada pessoa nos olhos; cada uma delas é preciosa para ela, porque cada uma é única.

Queridos irmãos e irmãs, a misericórdia não pode jamais deixar-nos tranquilos. É o amor de Cristo que nos «inquieta» enquanto não tivermos alcançado o objetivo; que nos impele a abraçar e estreitar a nós, a envolver quantos necessitam de misericórdia, para permitir que todos sejam reconciliados com o Pai (cf. 2 Cor 5, 14-20). Não devemos ter medo; é um amor que nos alcança e envolve de tal maneira que se antecipa a nós mesmos, permitindo-nos reconhecer a sua face na dos irmãos. Deixemo-nos conduzir docilmente por este amor, e tornar-nos-emos misericordiosos como o Pai.

Para isso é bom que seja o Espírito Santo a guiar os nossos passos: Ele é o Amor, Ele é a misericórdia que é comunicada aos nossos corações. Não ponhamos obstáculos à sua ação vivificante, mas sigamo-Lo docilmente pelas sendas que nos aponta. Permaneçamos de coração aberto, para que o Espírito possa transformá-lo; e assim, perdoados e reconciliados, nos tornemos testemunhas da alegria que brota de ter encontrado o Senhor Ressuscitado, vivo no meio de nós.

A Páscoa não é para todos

Não sei o que seja mais terrível: se estes atentados contra os cristãos do próximo Oriente, que se sucedem a um ritmo acelerado e com efeitos devastadores, se a aparente indiferença do Ocidente.

Este ano, por uma muito feliz coincidência, a celebração da Páscoa católica coincidiu com a ortodoxa mas, apesar de quase todos os cristãos, nomeadamente os destas duas principais Igrejas, terem festivamente comemorado a gloriosa ressurreição de Jesus Cristo no mesmo dia, nem todos os cristãos tiveram direito a celebrar a festa mais importante do calendário litúrgico. Com efeito, a comunidade copta foi, no passado Domingo de Ramos, mais uma vez, alvo de dois criminosos atentados terroristas, cuja autoria foi reivindicada pelo Daesh, o auto-proclamado Estado islâmico.

Não sei o que seja mais terrível: se estes atentados, que se sucedem a um ritmo cada vez mais acelerado e com efeitos sempre mais devastadores, se a aparente indiferença do Ocidente, como já aqui foi referido em muito oportuna crónica de Rui Ramos: O Cristianismo arrancado pelas raízes. É natural que os europeus sintam mais os crimes ocorridos no continente, embora o Cairo não esteja longe do sul da Europa. Mas é estranho que, quando se trata de um terrorismo que se propõe o genocídio dos cristãos egípcios – os coptas assassinados foram-no, única e exclusivamente, por serem cristãos – um tal crime não suscite maior indignação por parte dos governos e dos povos europeus que, historicamente, devem ao Cristianismo o melhor da sua cultura e dos seus valores civilizacionais.

Os coptas representam, aproximadamente, dez por cento dos 92 milhões de egípcios: ‘copta’ quer dizer, precisamente, ‘egípcio’, porque são os mais antigos habitantes do país, anteriores à chegada dos muçulmanos, no século VII depois de Cristo. O Egipto, que foi cenário de inúmeros episódios da história bíblica, desde o exílio dos judeus, no tempo de José e seus irmãos, até à sua libertação por Moisés, foi também o único país, para além da Palestina, em que Jesus Cristo viveu, logo após o seu nascimento e até à morte de Herodes quando, com Maria e José, regressou à Terra Santa e se estabeleceu em Nazaré. Segundo a tradição, o Egipto conheceu o Cristianismo graças à pregação de São Marcos, evangelista, que terá sido bispo de Alexandria, o segundo maior patriarcado da cristandade primitiva, logo após Roma.

A designação copta tanto se aplica a cristãos ortodoxos como católicos; os primeiros, que se separaram da Igreja Católica depois do Concílio de Calcedónia, são a quase totalidade dos coptas e estão sob a autoridade do patriarca de Alexandria que, desde 2012, é o papa Tawadros II. A Igreja Católica copta conta apenas com algumas centenas de milhares de fiéis, mas também há igrejas coptas protestantes, bem como inúmeras comunidades coptas na diáspora, sobretudo na Austrália, nos Estados Unidos da América e no Reino Unido.

Como minoria cristã num país maioritariamente islâmico, os coptas têm sido objecto de inúmeras perseguições. Quando a Irmandade Muçulmana ganhou as eleições realizadas depois da queda de Mubarak, agravou-se consideravelmente a situação dos cristãos no Egipto, o que explica o seu apoio ao General Abdul al-Sisi, agora no poder.

O papa copta, Tawadros II, presidiu às celebrações pascais na sua catedral de São Marcos, na cidade do Cairo, com a maior simplicidade possível, por respeito às vítimas e ao luto das suas famílias. Dadas as circunstâncias, a celebração pascal ficou limitada à celebração da Eucaristia.

Nos ataques do passado Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa, protagonizados por terroristas islâmicos do Daesh, contra igrejas coptas em Tanta e Alexandria, morreram 45 fiéis. Não são, contudo, uma novidade: em Dezembro passado, um combatente suicida do Estado Islâmico fez-se explodir em plena igreja copta do Cairo, matando 29 fiéis. Em Fevereiro de 2015, numa praia da Líbia, os jihadistas decapitaram 21 cristãos coptas. Já nesta semana há a lamentar, de um ataque do Daesh nas imediações do mosteiro de Santa Catarina, no sopé do Monte Sinai, uma vítima mortal e quatro feridos.

Os atentados do primeiro dia da Semana Santa ocorreram apenas três semanas antes da programada visita apostólica do Papa Francisco ao Egipto, prevista para os dias 28 e 29 de Abril e que se mantém. Mais uma vez, o Papa Francisco é uma voz solitária na defesa da liberdade religiosa e dos mais elementares direitos humanos, nomeadamente dos que, por serem uma minoria, como acontece com os cristãos no Médio Oriente, estão mais à mercê das forças políticas e religiosas dominantes.

Se os assassinados tivessem sido 45 jornalistas, teriam saído à rua edições especiais, com grandes tarjas negras na primeira página, e ter-se-ia aberto uma subscrição pública a favor das suas famílias. Se, para maior desgraça, houvesse menores entre as vítimas, atapetar-se-iam as ruas das capitais europeias com ursinhos de peluche e outros brinquedos, em sua memória, porque é justo e necessário denunciar todas as injustiças contra crianças. Se fossem activistas das minorias alternativas, não haveria artista, poeta, actor ou cançonetista que, em solidariedade com as vítimas, não usasse um lacinho preto ao peito. Se fosse uma equipa de futebol, todos os jogos dessa jornada se iniciariam com uns minutos de silêncio. Se fossem todos cidadãos do mesmo país, decretava-se o luto nacional, punha-se a bandeira a meia haste e enchiam-se as praças com pequenas velas e flores em sua honra. Mas, como são tão só crianças, mulheres e homens cristãos, encolhem-se os ombros e diz-se apenas: “Coitados!”

Ante a perseguição aos cristãos, talvez haja ateus e agnósticos, ou até outros crentes que respirem de alívio, por não serem, ainda, o alvo do ódio terrorista dos fundamentalistas islâmicos. A esses convém recordar as dramáticas palavras do pastor protestante Martin Niemölder que, como opositor do nazismo, foi prisioneiro no campo de concentração de Dachau: “Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque eu não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque eu não era judeu. Quando me levaram a mim, já não havia ninguém que pudesse protestar…”

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI
(seleção de imagem 'Spe Deus')

Veio revelar-nos o amor

Cristo, que subiu à Cruz com os braços abertos de par em par, com gesto de Sacerdote Eterno, quer contar connosco - que não somos nada! - para levar a "todos" os homens os frutos da sua Redenção. (Forja, 4)

 Porque a vida corrente e ordinária, a vida de cada homem entre os seus concidadãos e seus iguais, não é coisa baixa e sem relevo; é precisamente nessas circunstâncias que o Senhor quer que se santifique a imensa maioria dos seus filhos. É necessário repetir uma e mais vezes que Jesus não se dirigiu a um grupo de privilegiados, mas veio revelar-nos o amor universal de Deus. Todos os homens são amados por Deus; de todos eles espera amor, de todos, quaisquer que sejam a sua condição, a sua posição social, a sua profissão ou oficio. A vida corrente e ordinária não é coisa de pouco valor; todos os caminhos da Terra podem ser uma ocasião de encontro com Cristo, que nos chama a identificar-nos com Ele, para realizarmos - no lugar onde estamos - a sua missão divina. Deus chama-nos através dos incidentes da vida de cada dia, no sofrimento e na alegria das pessoas com quem convivemos, nas preocupações dos nossos companheiros, nas pequenas coisas da vida familiar. Deus também nos chama através dos grandes problemas, conflitos e ideais que definem cada época histórica, atraindo o esforço e o entusiasmo de grande parte da Humanidade. (Cristo que passa, 110)

São Josemaria Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 23 de abril de 2017

Chegada a tarde daquele mesmo dia, que era o primeiro da semana, e estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam juntos, por medo dos judeus, foi Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se muito ao ver o Senhor. Ele disse-lhes novamente: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também vos envio a vós». Tendo dito esta palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Os outros discípulos disseram-lhe: «Vimos o Senhor!». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas Suas mãos a abertura dos cravos, se não meter a minha mão no Seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, colocou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Em seguida disse a Tomé: «Mete aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos, aproxima também a tua mão e mete-a no Meu lado; e não sejas incrédulo, mas fiel!». Respondeu-Lhe Tomé: «Meu Senhor e Meu Deus!». Jesus disse-lhe: «Tu acreditaste, Tomé, porque Me viste; bem-aventurados os que acreditaram sem terem visto». Outros muitos prodígios fez ainda Jesus na presença de Seus discípulos, que não foram escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos a fim de que acrediteis que Jesus é o Messias, Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em Seu nome.

Jo 20, 19-31

São Josemaría Escrivá nesta data em 1941

Morre, em Madrid, Dolores Albás, mãe de São Josemaría, enquanto o filho prega um retiro para sacerdotes em Lérida: “Oferece as tuas dores por este trabalho que vou fazer, pedi eu à minha mãe ao despedir-me. Anuiu, embora não tenha podido evitar dizer baixinho: este meu filho!”.

Exigência de “conversão”

«Disse isto, e, perturbado pelo parto para uma nova vida, voltou de novo os olhos para aquelas páginas: e lia, e transformava-se interiormente, onde Tu o vias, e a sua alma despojava-se do mundo, como logo em seguida foi manifesto. Pois, enquanto lia e revolvia os turbilhões do seu coração, de vez em quando gemia, e viu claramente o que era melhor e optou por isso, e, já Teu, disse ao amigo: “Eu já rompi com aquela nossa esperança, e decidi servir a Deus, e começo desde já nesse lugar”. (…)»

(Confissões, Livro VIII, VI, 15 - Santo Agostinho)

«As Bem-Aventuranças opõem-se – é verdade – ao nosso gosto espontâneo pela vida, à nossa fome e sede de vida; exigem “conversão”, inversão de marcha interior relativamente à direção que tomaríamos espontaneamente. Mas esta conversão traz à luz o que é puro, o que é mais elevado; a nossa existência ordena-se retamente».

(“Jesus de Nazaré” - Joseph Ratzinger / Bento XVI)

Uma demonstração de amor

«Não é nada fácil, hoje em dia, encontrar alguém que saiba escutar. Muitos ouvem, mas são poucos os que escutam. Já o diferencia o dicionário da nossa amada língua portuguesa: “ouvir” é ter o sentido da audição; “escutar” é ouvir prestando atenção. Prestar atenção não é um detalhe de pouca importância ― faz toda a diferença! Sobretudo, quando experimentamos a necessidade vital de que alguém nos compreenda.

«Nesse caso, agradecemos que a pessoa com quem falamos não somente nos ouça, mas pedimos-lhe encarecidamente que também nos escute. Que procure sintonizar com aquilo que lhe estamos a tentar dizer. Só assim, sentimos de verdade paz na alma e alívio no coração».

Sábias palavras! De se lhe tirar o chapéu, sim senhor! É verdade: actualmente são poucos os que realmente escutam os outros com interesse. E é certo e sabido que, se as pessoas não se escutam umas às outras, a sociedade deixa de existir.

E se a “sociedade” é a lá de casa, deixa de haver família. No lugar dos familiares que convivem no mesmo lar, surge um conjunto de indivíduos que, por pura coincidência, vivem na mesma casa. E, evidentemente, não desejam ser aborrecidos com problemas que não são os seus. “Está alguém metido numa alhada? Que se desenvencilhe sozinho! O que é que eu tenho a ver com isso?”.

É uma descrição ― talvez um pouco exagerada ― daquilo que conhecemos como isolamento. E o isolamento, por muito atraente e simplificador que possa parecer à primeira vista, acaba por gerar apatia. E a apatia, se não for contrariada, mais cedo ou mais tarde leva ao desespero, por muito dissimulado que ele esteja.

É relativamente fácil constatar que, na vida de um casal, quando há problemas no relacionamento mútuo, geralmente esses problemas começaram quando se deixou de escutar o outro. Escutar às vezes pode ser sinónimo de sofrer, como diz A. Polaino. E o sofrimento leva à infelicidade ― quando não se aceita como uma demonstração de amor. Sem sentido cristão, o sofrimento no convívio com os familiares pesa muito, fecha o horizonte de felicidade e torna-se uma tragédia. Se não for “curado” a tempo, pode gerar cinismo com o passar dos anos.

Escutar é, naturalmente, uma demonstração de amor. Uma demonstração de genuíno interesse pela pessoa amada. Deixar de escutar é, simplificando, começar a deixar de amar. Porque ainda que possa parecer exagerado, quando marido e mulher não se escutam, estão a começar a perder o respeito um pelo outro. E sem respeito, não há amor ― excepto nas sociedades da caverna onde a marretada era uma demonstração de carinho.

Aprender a escutar com interesse. Escutar é, entre outras coisas, saber colocarmo-nos nas circunstâncias dos outros. Assim, veremos os acontecimentos com serenidade e compreensão. E mais facilmente desculparemos, quando isso for necessário. Mas sobretudo, como dizia S. Josemaria, encheremos este nosso mundo de caridade, que é aquilo que ele tem mais necessidade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 22 de abril de 2017

Jesus, tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios. Ela foi noticiá-lo aos que tinham andado com Ele, os quais estavam tristes e chorosos. Tendo eles ouvido dizer que Jesus estava vivo e que fora visto por ela, não acreditaram. Depois disto, mostrou-Se de outra forma a dois deles, enquanto iam para a aldeia; os quais foram anunciar aos outros, que também a estes não deram crédito. Finalmente, apareceu aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a sua incredulidade e dureza de coração, por não terem dado crédito aos que O tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura.

Mc 16, 9-15