N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 23 de abril de 2017

Do you want to know Pope Francis?

Descobrir a misericórdia divina

Outra queda... e que queda!... Desesperar-te?... Não; humilhar-te e recorrer, por Maria, tua Mãe, ao Amor Misericordioso de Jesus. - Um «miserere» e coração ao alto! - A começar de novo. (Caminho, 711).

Se lerdes as Santas Escrituras, descobrireis constantemente a presença da misericórdia de Deus: enche a terra, estende-se a todos os seus filhos, super omnem carnem; cerca-nos, antecede-nos, multiplica-se para nos ajudar e foi continuamente confirmada. Deus tem-nos presente na sua misericórdia, ao ocupar-se de nós como Pai amoroso. É uma misericórdia suave, agradável, como a nuvem que se desfaz em chuva no tempo da seca.

Jesus Cristo resume e compendia toda a história da misericórdia divina: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. E, noutra ocasião: Sede pois misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso. Ficaram também muito gravadas em nós, entre muitas outras cenas do Evangelho, a clemência com a mulher adúltera, a parábola do filho pródigo, a da ovelha perdida, a do devedor perdoado, a ressurreição do filho da viúva de Naim. Quantas razões de justiça para explicar este grande prodígio! Era o filho único daquela pobre viúva; era ele quem dava sentido à sua vida; só ele poderia ajudá-la na sua velhice! Mas Cristo não faz o milagre por justiça; fá-lo por compaixão, porque interiormente se comove perante a dor humana.

Que segurança deve produzir-nos a comiseração do Senhor! Se ele clamar por mim, ouvi-lo-ei, porque sou misericordioso. É um convite, uma promessa que não deixará de cumprir. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça a fim de alcançar misericórdia e o auxílio da graça, no tempo oportuno. Os inimigos da nossa santificação nada poderão, porque essa misericórdia de Deus nos defende. E se caímos por nossa culpa e da nossa fraqueza, o Senhor socorre-nos e levanta-nos. Tinhas aprendido a afastar a negligência, a afastar de ti a arrogância, a adquirir piedade, a não ser prisioneiro das questões mundanas, a não preferir o caduco ao eterno. Mas, como a debilidade humana não pode manter o passo decidido num mundo resvaladiço, o bom médico indicou-te também os remédios contra a desorientação e o juiz misericordioso não te negou a esperança do perdão. (Cristo que passa, 7)

Repara que entranhas de misericórdia tem a justiça de Deus! - Porque, nos julgamentos humanos, castiga-se quem confessa a culpa; e, no divino, perdoa-se.
Bendito seja o santo Sacramento da Penitência! (Caminho, 309)

- Sim, tens razão: que profundidade a da tua miséria! Por ti, onde estarias agora, até onde terias chegado?...
"Somente um Amor cheio de misericórdia pode continuar a amar-me" – reconhecias.
Consola-te: Ele não te negará nem o seu Amor nem a sua Misericórdia, se O procurares. (Forja, 897)

(...) É preciso pedir incessantemente à Santíssima Trindade que tenha compaixão de todos. Ao falar destas coisas fico perturbado se recorro à justiça de Deus. Apelo para a sua misericórdia, para a sua compaixão, a fim de que não olhe para os nossos pecados, mas para os méritos de Cristo e de sua Santa Mãe, e que é também nossa Mãe, para os do Patriarca S. José, que Lhe serviu de Pai, para os dos Santos. (Cristo que passa, 82)

São Josemaria Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1912

Faz a Primeira Comunhão: “Tinha eu dez anos. Quem me preparou foi um velho escolápio, homem piedoso, simples e bom. Foi ele que me ensinou a oração da comunhão espiritual”. Diz assim: “Eu quisera, Senhor, receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que vos recebeu a vossa Santíssima Mãe; com o espírito e o fervor dos Santos”.

Bom Domingo do Senhor!

Hoje a Igreja celebra a Festa da Divina Misericórdia, certos dela entreguemo-nos totalmente na mão de Deus e renovemos os nossos propósitos de ser bons filhos Seus e imitadores dos Santos e Santas.

No Evangelho de hoje (Jo 20, 19-31) o Senhor, na sua infinita misericórdia, através do Espírito Santo conferiu aos apóstolos o dom de perdoar os pecados, saibamos pois nós ser dignos dela e fujamos a qualquer tentação de não acreditar n'Ele, como fez Tomé, que precisou de ver para crer.

Glória e gratidão a Jesus Cristo Nosso Senhor pelos séculos dos séculos!

Quer conhecer o Papa Francisco?

A oportunidade acontece a partir do dia 4 de Maio, quando estrear nos cinemas «Francisco – o Papa do povo» (no título original «Call me Francesco»).

É caso para dizer, a vida deste homem dá um filme. O argumento (de Martín Salinas e Daniele Luchetti) é magnífico, as interpretações muito convincentes (com destaque para Rodrigo de la Serna no papel principal), a realização está à altura (do italiano Daniele Luchetti) e a fotografia também. Para os cinéfilos, é um filme a não perder. Para quem se quer informar sobre a vida de Jorge Bergoglio até ele se tornar Papa, ainda vale mais a pena.

Bergoglio vence obstáculos aparentemente intransponíveis, desafios atrás de desafios, conferindo à acção um ritmo de «thriller». O argumento consegue contar histórias densas de forma cinematográfica: a imagem apresenta a situação, uns diálogos breves explicam o resto e o espectador capta a complexidade do problema e a ambiguidade dos detalhes. Os recursos do cinema permitem esta eficiência narrativa, que ocuparia várias páginas para se transmitir por palavras.

Rodrigo de la Serna interpreta de modo muito convincente
o jovem Pe. Bergoglio
O filme é fiel à realidade na medida em que não escamoteia as múltiplas facetas dos acontecimentos, incluindo a imprecisão própria de quem os vive no momento. Estão lá o medo, a alegria, a ternura, a frustração, a admiração, a riqueza das relações humanas, sem caricatura. Ao mesmo tempo, emerge a solidez interior de um homem que reza. A relação de Bergoglio com Deus não é o tema do filme, mas é talvez o aspecto mais interessante. No filme, não há praticamente homilias, nem cerimónias e orações. Subentende-se que um padre faz homilias, mas o argumento não o explicita. A espiritualidade do padre Bergoglio descobre-se implícita nas reacções e em indícios subtis. Por exemplo, a mão que vai ao bolso buscar o terço, sem interromper a vivacidade da acção e quase sem se notar. Depois de tantas emoções fortes, em rajada, é difícil recordar em pormenor todas as aventuras, contudo uma certeza fica clara: Bergoglio vivia em diálogo com Deus.

A vida do padre Jorge Bergoglio foi tão intensa que, apesar da capacidade de síntese dos argumentistas, foi preciso resumir. Por exemplo, não se fala da situação dramática que levou à nomeação do jovem Bergoglio para provincial dos Jesuítas da Argentina. No início da década de 1960 havia mais de 400 jesuítas, passados 10 anos estavam reduzidos a metade, a desorientação era grande, os conflitos pessoais muito agudos, não se via ninguém experiente com capacidade para ultrapassar a crise. Pelo caminho, atravessou-se a guerrilha marxista e a violência descontrolada da resposta militar. Com este ponto de partida, o jovem padre remodelou a formação da Companhia, recuperou o ímpeto evangélico e, por milagre, as vocações afluíram em qualidade e quantidade. Mas nada disto aparece no filme.

Uma época que o filme omite quase totalmente foi um tempo posterior ao mandato de provincial, em que os obstáculos foram ainda mais graves. A sua acção pastoral ficou muito limitada, viu-se proibido de contactar com algumas pessoas e os que tinham trabalhado com ele tiveram de ir para o estrangeiro. A crise agudiza-se ao longo dos anos, até que, quando o Papa João Paulo II beatificou Josemaria Escrivá em Roma, no dia 17 de Maio de 1992, o padre Bergoglio reza ao novo beato para que o ajude. Pouco depois, o Núncio comunica-lhe que o Papa decidira nomeá-lo bispo, notícia que se tornou pública no dia 20 de Maio. O filme não fala do sofrimento destes anos e limita-se a oferecer um «flash» simbólico: o padre Bergoglio está sozinho a cuidar de uma capoeira pobre num local remoto, quando chega um cardeal a transmitir-lhe a nomeação episcopal.

O filme conta algumas histórias do tempo de bispo auxiliar de Buenos Aires, mas salta novamente o período em que ele se tornou o arcebispo titular da diocese e foi feito cardeal.

Apesar destes saltos inevitáveis, o filme é esplêndido. A narrativa está bem construída e, sobretudo, a vida do padre Bergoglio é realmente interessante.

Há apenas um pormenor desagradável, que dura um segundo. Durante um segundo, a despropósito, surge num canto do «écran» um nu feminino, sem rosto, num segundo plano. Dá a sensação de ser a assinatura de alguém que quis mostrar quem manda no mundo do cinema. Noutro filme, nem se notava, numa obra tão valiosa, faz pena.
José Maria C.S. André
23-IV-2017
Spe Deus

Grande lição: «Amai os vossos inimigos»

Nada nos encoraja tanto ao amor pelos nossos inimigos, no qual consiste a perfeição do amor fraterno, como meditar com gratidão na admirável paciência do «mais belo entre os filhos dos homens» (Sl 44, 3). Ele estendeu o Seu belo rosto aos ímpios, para que o cobrissem de escarros. Permitiu-lhes taparem-Lhe os olhos, esses olhos que governam o universo. Expôs as costas ao látego. [...] Submeteu a cabeça às pontas dos espinhos, essa cabeça diante da qual devem tremer príncipes e poderosos. Entregou-Se, Ele próprio, às afrontas e às injúrias. Enfim, suportou pacientemente a cruz, os pregos, a lança, o fel, o vinagre, permanecendo sempre cheio de doçura e de serenidade. «Não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53, 7).

Ao ouvir estas palavras admiráveis, cheias de doçura, de amor e de imperturbável serenidade - «Pai, perdoa-lhes» (Lc, 23, 24) - o que podemos nós juntar à doçura e à caridade desta oração?

E, contudo, o Senhor juntou alguma coisa. Ele não Se contentou com a oração; também quis perdoar: «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem», disse. São com certeza grandes pecadores, mas quase não têm consciência disso; portanto, Pai, perdoa-lhes. Crucificam, mas não sabem Quem é Aquele que estão a crucificar. [...] Pensam que se trata de um transgressor da lei, de um usurpador da divindade, de um sedutor do povo. Eu dissimulei-lhes o Meu rosto. Eles não reconheceram a Minha majestade. Por isso, «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem».

Assim, pois, se quer aprender a amar, o homem não pode deixar-se levar pelos impulsos da carne. [...] Deve atentar na doce paciência da carne do Senhor. Se quer encontrar repouso perfeito e feliz nas delícias da carne fraterna, deve estreitar nos braços do verdadeiro amor também os que são seus inimigos. Mas, para que o fogo divino não diminua por causa das injúrias, deve fixar os olhos do espírito na serena paciência do seu Senhor, do seu bem-amado Salvador.

(O Espelho da Ceridade III, 5 - Aelred de Rielvaux [1110-1167], monge cisterciense)

São Jorge, mártir, †303

Devem ter sido espetaculares as circunstâncias da sua morte para que os orientais lhe tenham sempre chamado "o grande mártir" e para que a sua pessoa se tenha tornado bem depressa, lendária. Não há culto mais antigo nem mais espalhado. Já no séc. IV Constantino lhe levantava uma igreja. Em Inglaterra, principalmente, o seu culto tornou-se, ainda e é, mais popular. Em 1222 o concílio nacional de Oxónia ou Oxford estabeleceu uma festa de preceito em sua honra. Nos primeiros anos do séc. XV o arcebispo de Cantuária ordenou que tal festa fosse celebrada com tanta solenidade como o Natal. Antes disso o rei Eduardo III tinha fundado, em 1330, a célebre Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, conhecidos também pelo nome de Cavaleiros da Jarreteira. Vários artistas: Rafael, Donatello e Carpaccio representaram São Jorge. No lugar onde esteve içada a bandeira de Portugal por ocasião da batalha de Aljubarrota foi construída, em 1388, uma ermida dedicada a São Jorge. Em 1387 começou a incorporar-se na procissão do Corpo de Deus, por ordem de D. João I, a imagem deste Santo, a cavalo.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Domingo da Divina Misericórdia

A liturgia deste Domingo apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.

Na primeira leitura temos, numa das "fotografias" que Lucas apresenta da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade formada por pessoas diversas, mas que vivem a mesma fé num só coração e numa só alma; é uma comunidade que manifesta o seu amor fraterno em gestos concretos de partilha e de dom e que, dessa forma, testemunha Jesus ressuscitado.

No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta dele que a comunidade se estrutura e é dele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho), que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.

A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã os critérios que definem a vida cristã autêntica: o verdadeiro crente é aquele que ama Deus, que adere a Jesus Cristo e à proposta de salvação que, através dele, o Pai faz aos homens e que vive no amor aos irmãos. Quem vive desta forma, vence o mundo e passa a integrar a família de Deus.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Recebei o Espírito Santo»

São João Paulo II (1920-2005), papa
Encíclica «Dominum et vivificantem» §2

Os eventos pascais — a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo — são também o tempo da nova vinda do Espírito Santo, como Paráclito e Espírito da verdade (Jo 14,16-17). Eles constituem o tempo do «novo princípio» da comunicação de Si mesmo da parte de Deus uno e trino à humanidade, no Espírito Santo, por obra de Cristo Redentor. Este novo princípio é a Redenção do mundo: «Com efeito, Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho unigénito». (Jo 3,16). Ao «dar» o Filho, no dom do Filho, já se exprime a essência mais profunda de Deus, o qual, sendo Amor, é uma fonte inexaurível de generosidade. No dom concedido pelo Filho completam-se a revelação e a prodigalidade do Amor eterno: o Espírito Santo, que nas profundezas imperscrutáveis da divindade é uma Pessoa-Dom, por obra do Filho, isto é, mediante o mistério pascal de Cristo, é dado de uma maneira nova aos Apóstolos e à Igreja e, por intermédio deles, à humanidade e ao mundo inteiro.

A expressão definitiva deste mistério surge no dia da Ressurreição. Neste dia, Jesus de Nazaré, «nascido da descendência de David segundo a carne» — como escreve o apóstolo São Paulo —, é «constituído Filho de Deus com todo o poder, segundo o Espírito de santificação, mediante a ressurreição dos mortos» (Rm 1,3-4).  Pode dizer-se, assim, que a «elevação» messiânica de Cristo no Espírito Santo atingiu o auge na Ressurreição, quando Ele Se revelou como Filho de Deus, «cheio de poder». E este poder, cujas fontes jorram da imperscrutável comunhão trinitária, manifesta-se, antes de mais nada, pelo duplo feito de Cristo Ressuscitado: realizar, por um lado, a promessa de Deus já expressa pela boca do Profeta: «Dar-vos-ei um coração novo. [...] Porei dentro de vós um espírito novo, o Meu espírito»; (Ez 36,26-27), e cumprir, por outro lado, a Sua própria promessa, feita aos Apóstolos com estas palavras: «Quando Eu for, vo-Lo enviarei» (Jo 16,7). É Ele: o Espírito da verdade, o Paráclito enviado por Cristo Ressuscitado para nos transformar e fazer de nós a própria imagem do Ressuscitado.