Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

domingo, 23 de abril de 2017

Do you want to know Pope Francis?

São Josemaría Escrivá nesta data em 1912

Faz a Primeira Comunhão: “Tinha eu dez anos. Quem me preparou foi um velho escolápio, homem piedoso, simples e bom. Foi ele que me ensinou a oração da comunhão espiritual”. Diz assim: “Eu quisera, Senhor, receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que vos recebeu a vossa Santíssima Mãe; com o espírito e o fervor dos Santos”.

Bom Domingo do Senhor!

Hoje a Igreja celebra a Festa da Divina Misericórdia, certos dela entreguemo-nos totalmente na mão de Deus e renovemos os nossos propósitos de ser bons filhos Seus e imitadores dos Santos e Santas.

No Evangelho de hoje (Jo 20, 19-31) o Senhor, na sua infinita misericórdia, através do Espírito Santo conferiu aos apóstolos o dom de perdoar os pecados, saibamos pois nós ser dignos dela e fujamos a qualquer tentação de não acreditar n'Ele, como fez Tomé, que precisou de ver para crer.

Glória e gratidão a Jesus Cristo Nosso Senhor pelos séculos dos séculos!

Quer conhecer o Papa Francisco?

A oportunidade acontece a partir do dia 4 de Maio, quando estrear nos cinemas «Francisco – o Papa do povo» (no título original «Call me Francesco»).

É caso para dizer, a vida deste homem dá um filme. O argumento (de Martín Salinas e Daniele Luchetti) é magnífico, as interpretações muito convincentes (com destaque para Rodrigo de la Serna no papel principal), a realização está à altura (do italiano Daniele Luchetti) e a fotografia também. Para os cinéfilos, é um filme a não perder. Para quem se quer informar sobre a vida de Jorge Bergoglio até ele se tornar Papa, ainda vale mais a pena.

Bergoglio vence obstáculos aparentemente intransponíveis, desafios atrás de desafios, conferindo à acção um ritmo de «thriller». O argumento consegue contar histórias densas de forma cinematográfica: a imagem apresenta a situação, uns diálogos breves explicam o resto e o espectador capta a complexidade do problema e a ambiguidade dos detalhes. Os recursos do cinema permitem esta eficiência narrativa, que ocuparia várias páginas para se transmitir por palavras.

Rodrigo de la Serna interpreta de modo muito convincente
o jovem Pe. Bergoglio
O filme é fiel à realidade na medida em que não escamoteia as múltiplas facetas dos acontecimentos, incluindo a imprecisão própria de quem os vive no momento. Estão lá o medo, a alegria, a ternura, a frustração, a admiração, a riqueza das relações humanas, sem caricatura. Ao mesmo tempo, emerge a solidez interior de um homem que reza. A relação de Bergoglio com Deus não é o tema do filme, mas é talvez o aspecto mais interessante. No filme, não há praticamente homilias, nem cerimónias e orações. Subentende-se que um padre faz homilias, mas o argumento não o explicita. A espiritualidade do padre Bergoglio descobre-se implícita nas reacções e em indícios subtis. Por exemplo, a mão que vai ao bolso buscar o terço, sem interromper a vivacidade da acção e quase sem se notar. Depois de tantas emoções fortes, em rajada, é difícil recordar em pormenor todas as aventuras, contudo uma certeza fica clara: Bergoglio vivia em diálogo com Deus.

A vida do padre Jorge Bergoglio foi tão intensa que, apesar da capacidade de síntese dos argumentistas, foi preciso resumir. Por exemplo, não se fala da situação dramática que levou à nomeação do jovem Bergoglio para provincial dos Jesuítas da Argentina. No início da década de 1960 havia mais de 400 jesuítas, passados 10 anos estavam reduzidos a metade, a desorientação era grande, os conflitos pessoais muito agudos, não se via ninguém experiente com capacidade para ultrapassar a crise. Pelo caminho, atravessou-se a guerrilha marxista e a violência descontrolada da resposta militar. Com este ponto de partida, o jovem padre remodelou a formação da Companhia, recuperou o ímpeto evangélico e, por milagre, as vocações afluíram em qualidade e quantidade. Mas nada disto aparece no filme.

Uma época que o filme omite quase totalmente foi um tempo posterior ao mandato de provincial, em que os obstáculos foram ainda mais graves. A sua acção pastoral ficou muito limitada, viu-se proibido de contactar com algumas pessoas e os que tinham trabalhado com ele tiveram de ir para o estrangeiro. A crise agudiza-se ao longo dos anos, até que, quando o Papa João Paulo II beatificou Josemaria Escrivá em Roma, no dia 17 de Maio de 1992, o padre Bergoglio reza ao novo beato para que o ajude. Pouco depois, o Núncio comunica-lhe que o Papa decidira nomeá-lo bispo, notícia que se tornou pública no dia 20 de Maio. O filme não fala do sofrimento destes anos e limita-se a oferecer um «flash» simbólico: o padre Bergoglio está sozinho a cuidar de uma capoeira pobre num local remoto, quando chega um cardeal a transmitir-lhe a nomeação episcopal.

O filme conta algumas histórias do tempo de bispo auxiliar de Buenos Aires, mas salta novamente o período em que ele se tornou o arcebispo titular da diocese e foi feito cardeal.

Apesar destes saltos inevitáveis, o filme é esplêndido. A narrativa está bem construída e, sobretudo, a vida do padre Bergoglio é realmente interessante.

Há apenas um pormenor desagradável, que dura um segundo. Durante um segundo, a despropósito, surge num canto do «écran» um nu feminino, sem rosto, num segundo plano. Dá a sensação de ser a assinatura de alguém que quis mostrar quem manda no mundo do cinema. Noutro filme, nem se notava, numa obra tão valiosa, faz pena.
José Maria C.S. André
23-IV-2017
Spe Deus

Grande lição: «Amai os vossos inimigos»

Nada nos encoraja tanto ao amor pelos nossos inimigos, no qual consiste a perfeição do amor fraterno, como meditar com gratidão na admirável paciência do «mais belo entre os filhos dos homens» (Sl 44, 3). Ele estendeu o Seu belo rosto aos ímpios, para que o cobrissem de escarros. Permitiu-lhes taparem-Lhe os olhos, esses olhos que governam o universo. Expôs as costas ao látego. [...] Submeteu a cabeça às pontas dos espinhos, essa cabeça diante da qual devem tremer príncipes e poderosos. Entregou-Se, Ele próprio, às afrontas e às injúrias. Enfim, suportou pacientemente a cruz, os pregos, a lança, o fel, o vinagre, permanecendo sempre cheio de doçura e de serenidade. «Não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53, 7).

Ao ouvir estas palavras admiráveis, cheias de doçura, de amor e de imperturbável serenidade - «Pai, perdoa-lhes» (Lc, 23, 24) - o que podemos nós juntar à doçura e à caridade desta oração?

E, contudo, o Senhor juntou alguma coisa. Ele não Se contentou com a oração; também quis perdoar: «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem», disse. São com certeza grandes pecadores, mas quase não têm consciência disso; portanto, Pai, perdoa-lhes. Crucificam, mas não sabem Quem é Aquele que estão a crucificar. [...] Pensam que se trata de um transgressor da lei, de um usurpador da divindade, de um sedutor do povo. Eu dissimulei-lhes o Meu rosto. Eles não reconheceram a Minha majestade. Por isso, «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem».

Assim, pois, se quer aprender a amar, o homem não pode deixar-se levar pelos impulsos da carne. [...] Deve atentar na doce paciência da carne do Senhor. Se quer encontrar repouso perfeito e feliz nas delícias da carne fraterna, deve estreitar nos braços do verdadeiro amor também os que são seus inimigos. Mas, para que o fogo divino não diminua por causa das injúrias, deve fixar os olhos do espírito na serena paciência do seu Senhor, do seu bem-amado Salvador.

(O Espelho da Ceridade III, 5 - Aelred de Rielvaux [1110-1167], monge cisterciense)

Domingo da Divina Misericórdia

A liturgia deste Domingo apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.

Na primeira leitura temos, numa das "fotografias" que Lucas apresenta da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade formada por pessoas diversas, mas que vivem a mesma fé num só coração e numa só alma; é uma comunidade que manifesta o seu amor fraterno em gestos concretos de partilha e de dom e que, dessa forma, testemunha Jesus ressuscitado.

No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta dele que a comunidade se estrutura e é dele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho), que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.

A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã os critérios que definem a vida cristã autêntica: o verdadeiro crente é aquele que ama Deus, que adere a Jesus Cristo e à proposta de salvação que, através dele, o Pai faz aos homens e que vive no amor aos irmãos. Quem vive desta forma, vence o mundo e passa a integrar a família de Deus.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Recebei o Espírito Santo»

São João Paulo II (1920-2005), papa
Encíclica «Dominum et vivificantem» §2

Os eventos pascais — a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo — são também o tempo da nova vinda do Espírito Santo, como Paráclito e Espírito da verdade (Jo 14,16-17). Eles constituem o tempo do «novo princípio» da comunicação de Si mesmo da parte de Deus uno e trino à humanidade, no Espírito Santo, por obra de Cristo Redentor. Este novo princípio é a Redenção do mundo: «Com efeito, Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho unigénito». (Jo 3,16). Ao «dar» o Filho, no dom do Filho, já se exprime a essência mais profunda de Deus, o qual, sendo Amor, é uma fonte inexaurível de generosidade. No dom concedido pelo Filho completam-se a revelação e a prodigalidade do Amor eterno: o Espírito Santo, que nas profundezas imperscrutáveis da divindade é uma Pessoa-Dom, por obra do Filho, isto é, mediante o mistério pascal de Cristo, é dado de uma maneira nova aos Apóstolos e à Igreja e, por intermédio deles, à humanidade e ao mundo inteiro.

A expressão definitiva deste mistério surge no dia da Ressurreição. Neste dia, Jesus de Nazaré, «nascido da descendência de David segundo a carne» — como escreve o apóstolo São Paulo —, é «constituído Filho de Deus com todo o poder, segundo o Espírito de santificação, mediante a ressurreição dos mortos» (Rm 1,3-4).  Pode dizer-se, assim, que a «elevação» messiânica de Cristo no Espírito Santo atingiu o auge na Ressurreição, quando Ele Se revelou como Filho de Deus, «cheio de poder». E este poder, cujas fontes jorram da imperscrutável comunhão trinitária, manifesta-se, antes de mais nada, pelo duplo feito de Cristo Ressuscitado: realizar, por um lado, a promessa de Deus já expressa pela boca do Profeta: «Dar-vos-ei um coração novo. [...] Porei dentro de vós um espírito novo, o Meu espírito»; (Ez 36,26-27), e cumprir, por outro lado, a Sua própria promessa, feita aos Apóstolos com estas palavras: «Quando Eu for, vo-Lo enviarei» (Jo 16,7). É Ele: o Espírito da verdade, o Paráclito enviado por Cristo Ressuscitado para nos transformar e fazer de nós a própria imagem do Ressuscitado.