N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Servidores de todos os homens

Quando se vive deveras a caridade, não sobra tempo para procurar-se a si próprio; não há espaço para a soberba; só nos ocorrerão ocasiões de servir! (Forja, 683)

Pensai nas características dum jumento, agora que vão ficando tão poucos. Não falo dum burro velho e teimoso, rancoroso, que se vinga com um coice traiçoeiro, mas dum burriquito jovem, com as orelhas tesas como antenas, austero na comida, duro no trabalho, com o trote decidido e alegre. Há centenas de animais mais formosos, mais hábeis e mais cruéis. Mas Cristo preferiu este para se apresentar como rei diante do povo que O aclamava, porque Jesus não sabe que fazer da astúcia calculadora, da crueldade dos corações frios, da formosura vistosa mas vã. Nosso Senhor ama a alegria dum coração moço, o passo simples, a voz sem falsete, os olhos limpos, o ouvido atento à sua palavra de carinho. E é assim que reina na alma.

Se deixarmos que Cristo reine na nossa alma, não nos tornaremos dominadores; seremos servidores de todos os homens. Serviço. Como gosto desta palavra! Servir o meu Rei e, por Ele, todos os que foram redimidos com o seu sangue. (Cristo que passa, 181–182)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1967

“Temos a obrigação de procurar que cada vez haja menos pobres, menos ignorantes, menos gentes sem fé, menos desvalidos pela doença ou pela velhice sem assistência cristã carinhosa. Não por uma concessão de caridade, mas por direito. O trabalho, a especialização, a formação profissional é que dão a riqueza, meus filhos, e a Obra tem como fundamento o trabalho. Onde trabalhamos? No meio da rua. Não podemos estar separados dos nossos colegas nem por uma mortalha de papel de fumar”, diz nesta data.

A longa história das comissões no Vaticano

Quando o Papa João Paulo II publicou a sua primeira Encíclica social, a «Laborem exercens» (1981), seguida da «Sollicitudo rei socialis» (1987), da «Centesimus annus» (1991) e de outros documentos, vários economistas e os responsáveis de várias multinacionais, em particular norte-americanas, manifestaram-se surpreendidos e desagradados.

Não eram católicos – muitos deles – mas, até então, reconheciam uma certa autoridade moral à Igreja católica, porque defendia a liberdade, a propriedade privada e temperava tudo isso com uma preocupação real pelos pobres. A doutrina da Igreja parecia-lhes equilibrada, até o Papa João Paulo II publicar a «Laborem exercens».

Gostavam da defesa dos direitos humanos na sua amplitude religiosa, política, social..., mas parecia-lhes que falhava no aspecto económico. Por exemplo, declarar a primazia do trabalhador sobre o capital parecia-lhes uma forma de roubo: então os donos das empresas valem menos que os empregados?! Que reviravolta é esta? O Papa polaco foi infectado pelos russos?

Para esclarecer o assunto e estudar a «Laborem exercens», constituiu-se uma comissão conjunta, que teve algum impacto no mundo da finança. Os responsáveis de várias multinacionais compreenderam que a Igreja se movia por um critério de amor pelas pessoas, que ultrapassava largamente a honestidade da relação contratual. Nem todos gostaram. Achavam que esse critério criava uma insegurança jurídica: onde é que a coisa pára? Cumprimos o contrato e isso não basta? Temos de fazer ainda mais? Outros ficaram verdadeiramente impressionados com a preocupação do Papa pelos pobres. Parecia-lhes que o Papa olhava para eles com se estivesse na perspectiva de Deus. – «É que é isso mesmo!», respondiam os representantes da Santa Sé, perante a cara atónita dos homens de negócios. Nalguns casos, aquelas sessões foram importantes num percurso pessoal até à conversão.

Quando Bento XVI publicou a Encíclica «Caritas in veritate» houve uma reacção parecida. E quando fez o discurso de Ratisbona (Regensburg), que irritou alguns a ponto de assassinarem católicos, os principais líderes muçulmanos rejeitaram a violência e aproveitaram para pedir ao Vaticano que lhes explicasse a doutrina da Igreja. Assim se constituiu uma comissão de alto nível, católico-muçulmana, que tem dado frutos maravilhosos.

Quando o Papa Francisco começou a falar «da economia que mata», «da globalização da indiferença», «de uma Europa que tem o coração endurecido» com os refugiados que lhe batem à porta, da ganância que «destrói a nossa casa comum»... voltaram as incompreensões. E, claro, constituiu-se uma comissão. No passado dia 15 de Abril, o Vaticano acolheu vários líderes mundiais, para debaterem a dimensão social da doutrina da Igreja, aproveitando os 25 anos da «Centesimus annus» de João Paulo II. Havia opiniões para todos os gostos. Alguns dos presentes, entre os quais o candidato presidencial norte-americano Bernie Sanders, mostraram compreender a posição da Igreja em matéria económica. Outros, não tanto. Talvez, aos poucos, o mundo ocidental perceba que o cuidado dos pobres não se esgota em cumprir uma relação contratual ou dar um subsídio.

Isto de Deus amar os homens, cada um de nós, tão radicalmente é uma coisa muito séria. Um pouco vertiginosa. Faz-nos perceber a diferença entre o olhar de Deus e o nosso. Para alguns, este é um primeiro passo no caminho da conversão.
José Maria C.S. André
Spe Deus
24-IV-2016

Só Jesus é a Estrada!

“Entre vós haverá quem diga: ´Padre, o senhor é um fundamentalista´ Não, isto foi simplesmente dito por Jesus: ´Eu sou a porta´, ´Eu sou o caminho´, fonte da vida. Com esta simplicidade. É uma porta bela, uma porta de amor, é porta que não nos engana, não é falsa. Diz sempre a verdade. Talvez existam ´sentires mais fáceis, mas são enganadores, não são verdadeiros, são falsos. Só Jesus é a Estrada!”

Papa Francisco na homilia do dia 12.04.2014 (tradução a partir do italiano de JPR)

Existência de Deus e existência humana

Li recentemente as afirmações de um intelectual alemão que, em relação à "questão de Deus", se dizia agnóstico e, ao mesmo tempo, acrescentava que não se poderia nem provar nem excluir totalmente a existência de Deus, de modo que esse problema permaneceria sempre em aberto. No entanto, declarava-se firmemente convencido da existência do inferno: bastava-lhe ligar a televisão para comprová-lo sem sombra de dúvida.

Se a primeira parte dessa afirmação corresponde plenamente ao sentir moderno, a segunda parece extravagante, ao menos à primeira vista. Como é possível crer no inferno se Deus não existe? Mas, se considerarmos essas palavras com um pouco mais de atenção, veremos que encarnam uma certa lógica. O inferno é, por definição, viver na ausência de Deus. Onde Deus não está, ali está o inferno. Certamente, não é tanto o espetáculo diário da televisão que nos fornece a prova, quanto um olhar sobre o século que terminou e que nos deixou palavras como "Auschwitz" ou "Arquipélago Gulag", e nomes como Hitler, Stalin, Pol Pot. Esses infernos foram construídos para preparar um mundo futuro de homens auto-suficientes que não teriam nenhuma necessidade de Deus.

Mas onde Deus não está, surge o inferno, e o inferno persiste, muito simplesmente, pela ausência de Deus. Pode-se chegar a esse extremo também de maneiras subtis, que quase sempre afirmam que o que se busca é o bem dos homens. Hoje, quando se comercializam órgãos humanos, quando se fabricam fetos para dispor de órgãos de reposição ou para promover o avanço da ciência e da prevenção médicas, muitos consideram implícito o carácter humanitário dessas práticas. Mas o desprezo pelo homem que esse usar e abusar do ser humano pressupõe, conduz, quer se queira quer não, à descida aos infernos.

Isto não significa que não possa haver ou não haja ateus com um grande senso ético.

Seja como for, atrevo-me a afirmar que essa ética se baseia na luz que emanou um dia do Monte Sinai e que continua a brilhar até hoje: a luz de Deus. Nietzsche tinha razão ao sublinhar que, quando a notícia da morte de Deus se tornasse conhecida por todo o mundo, quando a sua luz se tivesse apagado definitivamente, esse momento seria necessariamente terrível.

O cristianismo não é uma filosofia complicada e envelhecida com o passar do tempo, não é uma imensa coleção de dogmas e preceitos: a fé cristã consiste em sermos tocados por Deus e sermos as suas testemunhas.

Precisamente por isso podemos dizer: a Igreja existe para que Deus, o Deus vivente, seja anunciado, para que o homem possa aprender a viver com Deus, sob o seu olhar e em comunicação com Ele. A Igreja existe para evitar o avanço do inferno sobre a terra e para fazer com que esta se torne mais habitável à luz de Deus.. Graças a Ela, e somente graças a Ela, a terra será humana. Nem que seja apenas por este motivo, a Igreja deve continuar a existir, porque a sua eventual desaparição arrastaria a humanidade para o torvelinho das trevas, da escuridão, até à destruição de tudo o que torna humano o homem. [...] Sem Deus, o mundo não consegue iluminar-se. A Igreja serve ao mundo fazendo com que Deus viva nela, permitindo que Ele transpareça nEla, e estando pronta assim para levá-lo à humanidade.

(Cardeal Joseph Ratzinger em ‘Testigos de Ia luz de Dios’, in La Razôn, 23.04.2001)

O Evangelho do dia 24 de abril de 2017

Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais entre os judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-Lhe: «Rabi, sabemos que foste enviado por Deus como mestre, porque ninguém pode fazer estes milagres que Tu fazes, se Deus não estiver com ele». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo que não pode ver o reino de Deus, senão aquele que nascer de novo». Nicodemos disse-Lhe: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e renascer?». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo que quem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. Aquilo que nasceu da carne, é carne, aquilo que nasceu do Espírito, é espírito. Não te maravilhes de Eu te dizer: É preciso que nasçais de novo. O vento sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes donde ele vem nem para onde vai; assim é todo aquele que nasceu do Espírito». 

Jo 3, 1-8