N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Nossa Senhora de Fátima na ONU

Coincidindo com a visita do Papa a Portugal, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima viajou às Nações Unidas, em Nova York, numa iniciativa patrocinada pela Missão Permanente da Santa Sé e pela Missão de Portugal nas Nações Unidas. A viagem anterior desta imagem às Nações Unidas remonta a 1952, portanto, não convinha perder uma oportunidade tão rara. O convite dizia «RSVP até 9 de Maio». RSVP é a abreviatura dos convites diplomáticos, que significa «responda por favor».

Eu já tinha marcado estar em Fátima com o Papa naquela data e tenho alguma dificuldade em estar ao mesmo tempo em dois sítios. Assim, perdi aquelas sessões que devem ter sido bem interessantes. Os oradores falaram do contributo da mensagem de Fátima para a construção da paz; do exemplo de tolerância e de paz dos líderes religiosos; de Maria, da dignidade das mulheres e do seu papel na cultura do diálogo; e ainda das crianças e da paz.

Paciência. Por favor, da próxima vez, talvez dentro de 65 anos, avisem-me com alguns dias de antecedência.
José Maria C.S. André
15-V-2017

Santo Rosário - Primeiro Mistério Glorioso

Ressurreição de Jesus

Não sabemos, os Evangelhos não dizem nada sobre o assunto, mas não custa crer que a primeira pessoa a ver o Senhor Ressuscitado foi a Sua Santíssima Mãe.

Qual o filho que não tem como primeira preocupação “sossegar” a sua mãe quando a amargura, pena e saudade da sua ausência requerem a sua presença imediata?

Com maior razão, Jesus, O teu amado Filho, teria urgência em estar contigo para que O visses glorioso e triunfante da morte.

As cenas do Calvário ficaram gravadas no teu coração amantíssimo e a derradeira visão de Jesus morto nos teus braços, mutilado e destroçado como um verme, não se apaga nem consegues revivê-la cada minuto que passou desde Sexta-Feira ao fim da tarde.

Junto de ti os Apóstolos, as mulheres que O acompanharam cuidando que nada faltasse, os teus familiares, tentam em vão consolar-te, impedir-te de chorar.

Estás, Senhora minha, tranquila e esta tranquilidade nada tem que ver com conformismo ou aceitação inevitável mas sim com uma confiança sem limites nem condicionantes.

Sabes muito bem Quem É o Teu Jesus, o mesmo que deste à luz numa gruta de Belém há trinta e poucos anos atrás. Durante todo esse tempo seguramente que na vossa intimidade de Mãe e Filho se foram esclarecendo muitas coisas e Ele não deixaria de te revelar tudo quanto se iria passar.
Talvez te tivesse poupado os detalhes mais inopinados: a traição de um que tinha como amigo, as negações de outro que tinha instituído como chefe, o abandono de quase todos os íntimos dos últimos anos.
E outros ainda, escabrosos, terríveis, dolorosos: a farsa do julgamento, a flagelação, a coroa de espinhos, a cruz, os insultos, troças e vitupérios.

Mas, agora, que tudo acabara e o teu Filho jazia finalmente em paz num sepulcro emprestado, esperas e confias… confias e esperas.

Daqui a minha convicção que Jesus Ressuscitado terá ido ter contigo e, carinhosamente, sossegar-te definitivamente.

A formosura da santa pureza

Não se pode levar uma vida limpa sem a ajuda divina. Deus quer a nossa humildade, quer que lhe peçamos a sua ajuda, através da nossa Mãe e sua Mãe. Tens que dizer a Nossa Senhora, agora mesmo, na solidão acompanhada do teu coração, falando sem ruído de palavras: – Minha Mãe, este meu pobre coração rebela-se algumas vezes... Mas se Tu me ajudares... E ajudar-te-á, para que o conserves limpo e continues pelo caminho a que Deus te chamou: Nossa Senhora facilitar-te-á sempre o cumprimento da Vontade de Deus. (Forja, 315)

Devemos ser o mais limpos possível em relação ao corpo, mas sem medo, porque o sexo, é algo santo e nobre – participação no poder criador de Deus–, foi feito para o matrimónio. Assim, limpos e sem medo, dareis com a vossa conduta o testemunho da viabilidade e da formosura da santa pureza. (…)

Cuidai com esmero da castidade e também das virtudes que a acompanham e a salvaguardam: a modéstia e o pudor. Não olheis com ligeireza as normas, tão eficazes, que nos ajudam a conservarmo-nos dignos do olhar de Deus: a guarda atenta dos sentidos e do coração; a valentia de ser cobarde para fugir das tentações; a frequência dos sacramentos, especialmente da Confissão sacramental; a sinceridade total na direcção espiritual pessoal; a dor, a contrição e a reparação depois das faltas. E tudo isto ungido com uma terna devoção a Nossa Senhora, de modo que ela nos obtenha de Deus o dom de uma vida limpa e santa. (Amigos de Deus, 185)

São Josemaría Escrivá 

São Josemaría Escrivá nesta data em 1935

“Desde que temos a Jesus no Sacrário desta Casa, nota-se extraordinariamente: Ele veio, e aumentou a extensão e a intensidade do nosso trabalho”, escreve, referindo-se à Residência de estudantes de Ferraz (Madrid).

Filha pródiga

Clara Ferreira Alves escreveu uma importante confissão no livro “Fátima, 1979-2016”. Intitulada “Deus, fala comigo!”, é uma confissão corajosa, porque desafia o ateísmo austero e o cinismo engraçadista que dominam o meio intelectual. Hoje em dia, a fé ou é esmagada pela bota cardada do cientismo ou é gozada pelo engraçadismo cínico que recusa acreditar em algo superior ao “eu” pósmoderninho. Estas duas predisposições dominam os círculos bem pensantes, as faculdades, os festivais disto e daquilo, as editoras, as redações. Ao assumir o regresso à fé, Clara Ferreira Alves demonstra coragem, que é, foi e será sempre a grande virtude moral e estética do escritor. Além de corajosa, a confissão é comovente. Revela alguém que, depois da revolta clássica contra Deus, regressa à sua casa de sempre, à sua infância, à sua Rosebud teológica. “Se o homem é o princípio e o m de todas as coisas, então a solidão humana é insuportável e a extinção também”, diz Ferreira Alves de forma clara.

A escritora regressa à fé da sua infância, garantindo que a “reconversão” é mais “inclemente do que a conversão”. E acrescenta: “Do ponto de vista de quem nasceu e cresceu dentro da fé, os convertidos são uma espécie bafejada. Fizeram a viagem em sentido contrário, tiveram mais sorte”. Discordo. Como convertido, como ex-ateu, não sinto esse superior conforto ou sorte. Sinto, aliás, o oposto. Por muito que se esforce, Paulo nunca será Pedro. Por muito que se esforce, Zaqueu nunca terá a sorte do Filho Pródigo: este regressa a casa, aquele entra pela primeira vez nessa casa já na vida adulta. Zaqueu nunca sentirá a comoção pura que brota deste regresso à Ítaca religiosa, que é mais íntima do que Ítaca propriamente dita; sentir-se-á sempre deslocado, sentir-se-á uma perpétua visita e não uma peça da mobília. Não é fácil chegar a uma casa aos 35 anos.

Além disso, a fé do convertido tardio tende a ser demasiado intelectualizada, demasiado afastada do “sexto sentido” invocado por Ferreira Alves. Esse instinto moral desenvolve-se na infância e está relacionado com as memórias dos nossos pais, com os bolos que a Clara ainda menina comia em Óbidos antes da caminhada final até Fátima. Eu comia sanduíches mistas no Canal Caveira a caminho de um deserto geográfico e religioso; eram e são as melhores sanduíches mistas do mundo, mas não são grande conforto teológico. Sim é evidente que a fé tem um lado racional. As leis da física e da química remetem para uma universalidade centralizador. A moral do direito natural remete para direitos inalienáveis que não dependem de poderes terrenos e direitos positivos, mas sim de uma esfera transcendente. Esta racionalidade porém não chega. Kant não chega. É preciso o tal sexto sentido, que está mais perto de quem passou a infância com o sacho da fé na mão. Uma terra que nunca foi amanhada é difícil de quebrar. Seja como for, a divisão entre convertidos e reconvertidos é um pormenor. Acima de tudo convertidos e reconvertidos devem estar conscientes de que “haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão” (Lc 15, 7).

Henrique Raposo in Expresso semanal AQUI
(seleção de imagem 'Spe Deus')

A MÃE

Seguia cabisbaixo para casa.
As coisas não estavam a correr lá muito bem neste inicio de semana!
Tinha na mochila um teste com uma negativa muito “feia” e já receava pelas consequências desse facto.
Nos últimos tempos o seu comportamento na escola e as suas notas deixavam muito a desejar, e o seu pai já cansado de tanto o avisar tinha-lhe dito da última vez que tinha trazido para casa uma nota baixa:
«Aparece-me em casa com outra negativa e nem sabes o que te faço!»
E ele não era para brincadeiras!
Era justo nos castigos que dava, mas tinha a mão pesada.
Não que lhe batesse, mas os castigos que dava eram sempre muito penosos de cumprir.
Ainda para mais, no fim de semana depois da Catequese, tinha tido aquela discussão estúpida com eles!
É pá, ele não compreendia aquela história da Virgem Maria, da Mãe do Céu, como Lhe chamavam!
Se havia Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e já eram orações que chegassem, para quê agora também Maria a Mãe de Jesus!
E tinha sido malcriado a ponto do pai se irritar e o mandar calar já de mão aberta!
Chegou à porta de casa e entrou em silêncio, dizendo apenas um, “boa tarde mãe”, e escapuliu-se para o quarto.
Tinha de pensar numa maneira de resolver as coisas com um mínimo de problemas.
A mãe entrou no quarto e perguntou-lhe o que se passava, pois não tinha ido dar-lhe um beijo como fazia sempre que chegava a casa.
Disse-lhe que não, que estava tudo bem, mas ela sentou-se a seu lado e disse-lhe:
«Eu conheço-te. A mim não podes mentir. Passa-se alguma coisa contigo.»
Ele pensou rapidamente e chegou á conclusão que se havia alguém que acalmasse o pai quando lhe desse as noticias, era de certeza a mãe.
Cabeça baixa, disse quase em surdina:
«Ó mãe, tive outra negativa.»
Ela pegou-lhe na cara e fê-lo olhá-la nos seus olhos.
Os olhos dela estavam tristes, mas cheios de uma ternura imensa, de tal modo que não resistiu e umas lágrimas correram-lhe pela cara.
Antes que ela dissesse alguma coisa, ele começou a falar com a voz embargada:
«Ó mãe, eu não sei o que se passa comigo! Quero portar-me bem, quero estudar, quero agradar-vos e só faço asneiras! Ajuda-me mãe!»
Ela olhou-o mais uma vez e disse com voz terna:
«Meu filho eu amo-te muito e estou aqui para te ajudar. Conta-me tudo e vamos arranjar uma maneira de encontrares um caminho diferente daquele que estás a seguir».
Abriu o coração à sua mãe e disse tudo o que lhe veio à cabeça, das suas dificuldades, das amizades não muito boas, do despertar da adolescência, de todas as coisas que parecia o impeliam a não ser aquilo que ele até gostaria de ser.
Ela ouvia-o cheia de atenção, enquanto ternamente lhe passava as mãos pelo cabelo.
«Eu compreendo-te meu filho e se confiares em mim, se me fores contando o que se vai passando na tua vida, eu ir-te-ei ajudando a corrigires comportamentos, a descobrires caminho.»
Agradecido pela sua mãe tão compreensiva, não esqueceu no entanto que ainda tinha de “enfrentar” o pai e disse pegando-lhe nas mãos:
«E o pai, mãe? E o pai?»
Ela fazendo-lhe uma festa, respondeu:
«Não te preocupes, eu falo com ele. Claro vais ter um castigo, mas eu vou dizer-lhe que já falaste comigo, que estás arrependido, que prometeste portar-te bem e que eu confio em ti. Vais ver que te vai ralhar certamente, mas como ele sabe que eu tomo conta de ti e confia em mim, vai dar-te um castigo com certeza, mas vai ficar à espera da tua mudança de vida».
Olhou-a profundamente nos olhos, agarrou-se a ela cheio de ternura agradecida e disse-lhe ao ouvido:
«Ó mãe, obrigado. O que é que eu faria sem ti, sem o teu amor, sem os teus conselhos, sem a tua ajuda junto do pai?»
Ela levantou-se e saiu do quarto com um sorriso.
Aquele sorriso que as mães têm quando sentem os filhos perto delas.
O resto foi mais fácil.
O pai chegou, a mãe falou com ele e depois foi chamá-lo ao quarto para falar com o pai:

«A tua mãe já falou comigo. Estou triste meu filho pelo modo como te comportaste, mas ao mesmo tempo contente pela conversa que tiveste com a tua mãe e as promessas que lhe fizeste, que nos fizeste. Vais ficar de castigo, mas eu confio que de agora em diante tudo vai melhorar. Agora dá-me um beijo e podes ir.»

Tranquilo deu um beijo ao pai, e quando ia a sair da sala ele chamou-o novamente dizendo-lhe:
«Percebes agora como nos faz falta a Virgem Maria, a Mãe de Jesus, a Mãe do Céu?»

Monte Real, 13 de Maio de 2008

Joaquim Mexia Alves

Aprender com Maria

«Aprendamos de Maria a falar pessoalmente com o Senhor, ponderando e conser­vando na nossa vida e no nosso coração a palavra de Deus, para que se converta em verdadeiro alimento para cada um. Deste modo, Maria guia-nos numa escola de oração, num contacto pessoal e profundo com Deus».

(Bento XVI - Encontro com sacerdotes em Roma, 22-II-2007)

O Evangelho do dia 15 de maio de 2017

Aquele que aceita os Meus mandamentos e os guarda, esse é que Me ama; e aquele que Me ama, será amado por Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele». Judas, não o Iscariotes, disse-Lhe: «Senhor, qual é a causa por que Te hás-de manifestar a nós e não ao mundo?». Jesus respondeu-lhe: «Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele, e faremos nele a Nossa morada. Quem não Me ama não observa as Minhas palavras. E a palavra que ouvistes não é Minha, mas do Pai que Me enviou. «Disse-vos estas coisas, estando convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos disse.

Jo 14, 21-26