Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

sábado, 20 de maio de 2017

O Evangelho de Domingo dia 21 de maio de 2017

«Se Me amais, observareis os Meus mandamentos; e Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Paráclito, para que fique eternamente convosco, o Espírito de verdade, a Quem o mundo não pode receber, porque não O vê, nem O conhece; mas vós O conheceis, porque habita convosco e estará em vós. «Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós. Ainda um pouco, e depois já o mundo não Me verá. Mas ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai e vós em Mim e Eu em vós. Aquele que aceita os Meus mandamentos e os guarda, esse é que Me ama; e aquele que Me ama, será amado por Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele».

Jo 14, 15-21

São Josemaría nesta data em 1970

Faz a sua oração em voz alta em frente à imagem da Virgem de Guadalupe no México: “Ofereço-te um futuro de amor, com muitas almas. Eu – que não sou nada, que não posso nada – atrevo-me a oferecer-te muitas almas, uma infinidade de almas, vagas de almas, em todo o mundo e em todos os tempos, decididas a entregarem-se ao teu Filho, e ao serviço dos demais, para levá-los até Ele”.

Pentecostes, o coroamento da Páscoa

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 155

O povo judeu celebrava a Páscoa, como sabeis, com a imolação de um cordeiro, que depois comia com pães ázimos. Esta imolação do cordeiro prefigurava a imolação de Jesus Cristo, e os pães ázimos, a vida nova purificada do velho fermento. [...] E, cinquenta dias depois da Páscoa, este mesmo povo festejava o momento em que Deus lhe dera, sobre o Monte Sinai, a Lei escrita com sua mão, com seu dedo. À figura da Páscoa sucede a Páscoa em plenitude (1Cor 5,7): Jesus Cristo foi imolado e fez-nos passar da morte à vida. A palavra Páscoa significa «passagem», e é isso que o evangelista exprime ao dizer: «Chegada a hora em que Jesus havia de passar deste mundo para o Pai...» (Jo 13,1) [...]

Cinquenta dias depois, o Espírito Santo, «o dedo de Deus» (Lc 11,20), desce sobre os discípulos. Mas vede que diferença de circunstâncias em relação ao Sinai. Lá, o povo mantinha-se ao longe, dominado pelo temor e não pelo amor. [...] Pelo contrário, quando o Espírito Santo desceu, os discípulos estavam todos reunidos num mesmo lugar, e o Espírito, longe de os atemorizar do alto da montanha, entra na casa onde eles estavam reunidos.

«Viram», diz a Escritura, «umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo». Tratar-se-ai de um fogo que semeava o temor? De maneira nenhuma! Essas línguas de fogo poisaram sobre cada um deles e eles começaram a falar diversas línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem. Escutai as línguas que eles falam e compreendei que é o Espírito quem escreve, não sobre a pedra, mas nos corações (2Cor 3,3). Assim, pois, a lei do Espírito de vida, escrita no coração e não sobre a pedra, a lei do Espírito de vida, digo, está em Jesus em quem a Páscoa foi celebrada na plenitude da verdade.

O Terço rezado com o coração

«O Terço não se pronuncia só com os lábios, mastigando as Ave-Marias umas atrás das outras. Assim cochicham as beatas e os beatos. Para um cristão, a oração vocal há-de enraizar-se no coração, de modo que, durante a recitação do Terço, a mente possa penetrar na contemplação de cada um dos mistérios»

(S. Josemaría Escrivá - Sulco 477)

Uma responsabilidade dos pais

«Muitos pais, hoje em dia, não sabem educar os seus filhos. Parecem saturados e muito ocupados. Temos que ser nós a fazê-lo na escola aproveitando as aulas que damos. Estamos, na prática, a substituir os pais. Isto não me parece mal. Tenho a sensação de que, a partir da adolescência, a maioria dos progenitores perde a capacidade de dialogar com os seus filhos. Sobretudo, em temas que incluem valores que evoluíram com o passar das gerações. Os pais sentem que os tempos mudaram e que não podem obrigar os seus filhos a pensar como eles ou como os seus avós. A sociedade mudou e a vida também. Nós, professores que ensinamos matérias humanistas, temos maiores facilidades para esse diálogo com os adolescentes e os jovens».

Estas palavras de um professor fizeram-me pensar: será que o ideal na educação é substituir os pais, ou ajudá-los a educarem os seus filhos? Qual é a missão da escola? Que fazer se essa missão entra em confronto com a dos pais dos alunos?

Os pais são sempre os primeiros e os principais educadores dos seus filhos (Catecismo 1653). Por isso, nunca podem renunciar a ser educadores com o pretexto de que outros o fazem melhor ou estão mais preparados para isso. É evidente que necessitam ser auxiliados na sua tarefa educativa. No entanto, qualquer outro agente educativo só o pode ser por delegação dos pais e “subordinado” a eles.

Esta visão da educação ― fundamentada na natureza humana ― possui muitas consequências no modo como entendemos a missão da escola. Os estabelecimentos de ensino são instituições destinadas a colaborar com os pais ― nunca a substituí-los e muito menos a ir contra eles ― na sua missão educativa.

É contraproducente e profundamente injusto que os pais procurem transmitir aos seus filhos em casa valores que depois são descaradamente negados ou ridicularizados na sala de aula. Muitas vezes, isso acontece sob o falso pretexto de que é o professor quem sabe a matéria e os progenitores não passam de uns ignorantes.

Quantas dificuldades encontram muitos pais cristãos nos dias de hoje para educarem os seus filhos na fé, quando essa mesma fé é achincalhada na sala de aula! É ridicularizada com programas e livros propostos e aprovados por pessoas que se apresentam com uma “ideologia neutra”. No entanto, essa pretendida neutralidade de alguns é só aparente. Implica uma concreta posição ideológica: o desejo de “emancipar” a cultura humana de toda a concepção religiosa. Como se isso tornasse o ser humano mais livre, mais humanista e mais inteligente!

Por isso, é uma responsabilidade grave dos pais interessar-se pelo ambiente da escola dos seus filhos e pelos conteúdos que se transmitem na sala de aula. O interesse dos pais tem de ir mais além dos resultados escolares que se traduzem nas notas. Esses resultados podem ser relevantes, mas, por si só, não garantem a saúde moral e espiritual dos filhos. Saúde que terá muito mais influência no seu futuro do que as classificações obtidas.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Olhar para o Céu

Passeavam há uns minutos sem dizerem nada. As relações entre ambos estavam um pouco tensas. Ela não compreendia como é que alguém que tinha levado nas suas entranhas, que era carne da sua carne e sangue do seu sangue, vinha agora falar-lhe assim. Era uma rebeldia própria da juventude e o entusiasmo acabaria por passar-lhe. Talvez aquelas ideias fossem somente um exacerbado sentimento religioso próprio da idade. Nada para preocupar-se em demasia. A juventude é assim. É um tempo em que se sonha com elevados ideais. Depois, a realidade encarrega-se de “esfriar” os ânimos e, os que foram jovens, acabam por viver como todos os outros viveram. Nem melhor, nem pior.

«Olha para onde pisas» aconselhou-o. «Ainda vais tropeçar nalguma pedra». «Sabe, mãe, assim é a vida sem sentido. Olhar somente para onde pisamos». Ela não esperava uma resposta destas. Voltou a fazer-se silêncio. Ficar calada seria admitir a “derrota”. «E para onde vais olhar então? Para as estrelas?» perguntou com um certo acento irónico de quem deseja finalizar uma conversa que não lhe parecia ter nenhuma saída. «Exactamente. Para as estrelas. Tenho a sensação de que alguém as pôs lá em cima por algum motivo. Talvez seja para que, quando está escuro, não nos esqueçamos de olhar para o Céu».

Será que um cristão deve olhar para o Céu? Não manifesta essa atitude um certo egoísmo da sua parte? Não manifesta essa atitude uma certa indiferença em relação à vida nesta Terra? Em relação aos problemas reais que a todos nos angustiam?

Há uns anos atrás, dizia o então Cardeal Ratzinger que falar do Céu hoje em dia parece exprimir uma certa “fuga da realidade”. Temos receio de o fazer. Temos medo de parecer covardes em relação aos problemas do dia a dia. Um autor pagão chegou mesmo a afirmar, com um certo desprezo pelo Cristianismo, que devemos olhar sobretudo para a Terra e deixar o Céu para os pardais.

O problema é que sem o Céu a vida nesta Terra perde o seu sentido. Se o Céu está escuro e encoberto por densas nuvens, a vida fica cinzenta e melancólica. As alegrias tornam-se algo passageiro assim como a própria vida. O máximo que nos podem desejar no dia de anos é que vivamos alguns mais. Que desejo tão raquítico e deprimente para alguém que anseia viver para sempre!

Um cristão, ao olhar para o Céu, tem já nesta Terra a alegria da vida eterna. Uma alegria que, como disse Jesus Cristo, nada nem ninguém lhe poderá tirar. Não é uma alegria que vem “depois”. É uma alegria que está dentro. É uma esperança segura de quem sabe que o seu caminhar tem um sentido porque tem uma meta. Olhar para a eternidade leva a dar muito mais importância aos problemas do dia a dia. Leva a sentir a responsabilidade de ajudar os outros de verdade, não só na aparência. Olhar para o Céu recorda-nos que, do modo como vivermos aqui, depende o modo como viveremos depois.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 20 de maio de 2017

«Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim. Se fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que Eu vos disse: Não é o servo maior do que o senhor. Se eles Me perseguiram a Mim, também vos hão-de perseguir a vós; se guardaram a Minha palavra, também hão-de guardar a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do Meu nome, porque não conhecem Aquele que Me enviou.

Jo 15, 18-21