N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sábado, 20 de maio de 2017

Conta-lhe tudo o que te acontece, honra-a

Deves ter uma intensa devoção à nossa Mãe. Ela sabe corresponder com finura aos obséquios que Lhe fizermos. Além disso, se rezares o Terço todos os dias com espírito de fé e de amor, Nossa Senhora encarregar-se-á de te levar muito longe pelo caminho do seu Filho. (Sulco, 691)

Quanto cresceriam em nós as virtudes sobrenaturais se conseguíssemos verdadeira devoção a Maria, que é Nossa Mãe! Não nos importemos de lhe repetir durante todo o dia – com o coração, sem necessidade de palavras – pequenas orações, jaculatórias. A devoção cristã reuniu muitos desses elogios carinhosos na Ladainha que acompanha o Santo Rosário. Mas cada um de nós tem a liberdade de os aumentar, dirigindo-lhe novos louvores, dizendo-lhe o que – por um santo pudor que Ela entende e aprova – não nos atreveríamos a pronunciar em voz alta.

Aconselho-te (...) que faças, se o não fizeste ainda, a tua experiência particular do amor materno de Maria. Não basta saber que Ela é Mãe, considerá-la deste modo, falar assim d'Ela. É tua Mãe e tu és seu filho; quer-te como se fosses o seu único filho neste mundo. Trata-a de acordo com isso: conta-lhe tudo o que te acontece, honra-a, ama-a. Ninguém o fará por ti, tão bem como tu, se tu não o fizeres. (Amigos de Deus, 293)

São Josemaría Escrivá

«Temos Mãe!»

É natural que os pais se alegrem com os êxitos dos seus filhos, mas não é comum que assumam as suas culpas quando sofrem a tristeza de um filho os ferir com a indignidade de um comportamento criminoso

Não foi sem emoção que ouvi, no dia 13 de Maio, no recinto do santuário de Fátima, como muitos outros milhares de fiéis, as palavras do Papa Francisco: “queridos peregrinos, temos Mãe, temos Mãe! Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus (…). Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último suspiro!”

Do que é ser mãe fala um desconhecido episódio que, depois de reveladas as três partes do segredo de Fátima – a visão do inferno, a conversão da Rússia depois da sua consagração ao Imaculado Coração de Maria e o atentado mortal contra ‘o bispo vestido de branco’ – bem poderia ser considerado como um novo segredo de Fátima. Não é que eu tenha sido vidente de qualquer aparição ou visão sobrenatural, mas fui confidente de um facto que está relacionado com a primeira vinda de São João Paulo II à Cova da Iria e que não me consta que já tenha sido revelado.

Corria o ano de 1982 e, em acção de graças por ter sobrevivido ao atentado que sofrera no dia 13 de Maio de 1981, em plena praça de São Pedro, em Roma, São João Paulo II veio a Fátima, em igual data do ano seguinte, para agradecer a protecção que, nesse dia, aniversário da primeira aparição mariana na Cova da Iria, Nossa Senhora lhe dispensara, salvando-lhe a vida. Mas, já em Fátima, viria a acontecer um lamentável incidente: um cidadão espanhol, Juan Fernández Krohn, envergando a batina sacerdotal, aproximou-se do Santo Padre com uma arma branca. Graças à pronta intervenção das forças de segurança, o atentado não resultou e o seu autor foi rapidamente imobilizado e retirado do local.

Juan Fernández Krohn nasceu em 1948 e frequentou o Seminário de Ecône, na Suíça, onde foi ordenado presbítero pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, mas rapidamente se desvinculou dessa organização tradicionalista. Pelo facto de ter atentado contra o romano pontífice, ficou automaticamente excomungado, ou seja fora da Igreja Católica, da qual eventualmente já se excluíra ao aderir ao movimento integrista do cismático bispo francês. Depois do seu atentado contra o Papa foi condenado, por um tribunal português, a seis anos de prisão mas, cumprida apenas metade da pena, foi libertado e expulso do território nacional. Estabeleceu-se então na Bélgica e, tendo já abandonado o ministério sacerdotal, que praticamente nunca exerceu, trabalhou como jornalista.

Pouco mais haveria a dizer sobre este triste episódio desta tão triste personagem, se não fosse um desenvolvimento ocorrido num dos dias seguintes ao da sua falhada tentativa de assassinar São João Paulo II. O facto foi-me então relatado por uma testemunha ocular, entretanto já falecida, mas como não corro o perigo de trair a confiança em mim depositada, nem de cometer nenhuma inconfidência, nada obsta a que, trinta e cinco anos depois, aqui o revele.

Num dos dias seguintes ao do frustrado atentado contra São João Paulo II, um muito discreto casal espanhol bateu à porta da Nunciatura Apostólica, em Lisboa, onde se alojou o Santo Padre durante a sua estada no nosso país. O semblante de ambos era grave, pesaroso até e a sua atitude era tão reservada, que deles não se apercebeu a comunicação social. Eram os desolados pais do frustrado assassino que, logo que souberam pela imprensa do acto tresloucado do seu filho, quiseram vir, pessoalmente, pedir perdão ao Papa. Nada os obrigava a fazê-lo, porque o autor do atentado era maior e, por isso, os seus progenitores não tinham qualquer responsabilidade naquele seu acto criminoso. A natureza infamante da acção até tornava compreensível que, pelo contrário, se tivessem remetido a um compreensível silêncio ou mesmo ocultassem um parentesco que, naquelas tão penosas circunstâncias, era particularmente vergonhoso. Mais pôde, contudo, o seu enorme sentido de justiça e de dignidade que, quanto mais os honra, tanto mais acusa o seu filho, cuja actuação desmerecia aqueles pais.

É compreensível que os pais se alegrem com os êxitos dos seus filhos, porque são seus também. Mas não é tão comum que assumam as suas culpas, que deem a cara quando sofrem a tristeza de um filho os ferir com a indignidade de algum comportamento criminoso. Estes pais, não obstante a sua imensa dor por saber que um seu filho atentara contra o Santo Padre, não se esconderam num cómodo anonimato, antes fizeram sua a culpa dele e tiveram a valentia de pedir perdão pelo seu hediondo crime.

Assim faz também a Igreja com os seus filhos pecadores: não os enjeita nem abandona na hora da desonra porque, como boa mãe que é, os acolhe e perdoa, se verdadeiramente arrependidos. Mais pode o seu amor à verdade e a sua caridade, do que a sua autoestima ou imagem pública.

Como dizia o Papa Francisco, na conclusão da sua homilia na celebração eucarística da canonização de Francisco e Jacinta Marto, a Igreja “brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”. Numa palavra, quando “o rosto jovem e belo da Igreja”, se manifesta não como poderosa organização, mas como mãe.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI
(seleção de imagens 'Spe Deus')

O Evangelho de Domingo dia 21 de maio de 2017

«Se Me amais, observareis os Meus mandamentos; e Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Paráclito, para que fique eternamente convosco, o Espírito de verdade, a Quem o mundo não pode receber, porque não O vê, nem O conhece; mas vós O conheceis, porque habita convosco e estará em vós. «Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós. Ainda um pouco, e depois já o mundo não Me verá. Mas ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai e vós em Mim e Eu em vós. Aquele que aceita os Meus mandamentos e os guarda, esse é que Me ama; e aquele que Me ama, será amado por Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele».

Jo 14, 15-21

São Josemaría nesta data em 1970

Faz a sua oração em voz alta em frente à imagem da Virgem de Guadalupe no México: “Ofereço-te um futuro de amor, com muitas almas. Eu – que não sou nada, que não posso nada – atrevo-me a oferecer-te muitas almas, uma infinidade de almas, vagas de almas, em todo o mundo e em todos os tempos, decididas a entregarem-se ao teu Filho, e ao serviço dos demais, para levá-los até Ele”.

O Terço rezado com o coração

«O Terço não se pronuncia só com os lábios, mastigando as Ave-Marias umas atrás das outras. Assim cochicham as beatas e os beatos. Para um cristão, a oração vocal há-de enraizar-se no coração, de modo que, durante a recitação do Terço, a mente possa penetrar na contemplação de cada um dos mistérios»

(S. Josemaría Escrivá - Sulco 477)

Uma responsabilidade dos pais

«Muitos pais, hoje em dia, não sabem educar os seus filhos. Parecem saturados e muito ocupados. Temos que ser nós a fazê-lo na escola aproveitando as aulas que damos. Estamos, na prática, a substituir os pais. Isto não me parece mal. Tenho a sensação de que, a partir da adolescência, a maioria dos progenitores perde a capacidade de dialogar com os seus filhos. Sobretudo, em temas que incluem valores que evoluíram com o passar das gerações. Os pais sentem que os tempos mudaram e que não podem obrigar os seus filhos a pensar como eles ou como os seus avós. A sociedade mudou e a vida também. Nós, professores que ensinamos matérias humanistas, temos maiores facilidades para esse diálogo com os adolescentes e os jovens».

Estas palavras de um professor fizeram-me pensar: será que o ideal na educação é substituir os pais, ou ajudá-los a educarem os seus filhos? Qual é a missão da escola? Que fazer se essa missão entra em confronto com a dos pais dos alunos?

Os pais são sempre os primeiros e os principais educadores dos seus filhos (Catecismo 1653). Por isso, nunca podem renunciar a ser educadores com o pretexto de que outros o fazem melhor ou estão mais preparados para isso. É evidente que necessitam ser auxiliados na sua tarefa educativa. No entanto, qualquer outro agente educativo só o pode ser por delegação dos pais e “subordinado” a eles.

Esta visão da educação ― fundamentada na natureza humana ― possui muitas consequências no modo como entendemos a missão da escola. Os estabelecimentos de ensino são instituições destinadas a colaborar com os pais ― nunca a substituí-los e muito menos a ir contra eles ― na sua missão educativa.

É contraproducente e profundamente injusto que os pais procurem transmitir aos seus filhos em casa valores que depois são descaradamente negados ou ridicularizados na sala de aula. Muitas vezes, isso acontece sob o falso pretexto de que é o professor quem sabe a matéria e os progenitores não passam de uns ignorantes.

Quantas dificuldades encontram muitos pais cristãos nos dias de hoje para educarem os seus filhos na fé, quando essa mesma fé é achincalhada na sala de aula! É ridicularizada com programas e livros propostos e aprovados por pessoas que se apresentam com uma “ideologia neutra”. No entanto, essa pretendida neutralidade de alguns é só aparente. Implica uma concreta posição ideológica: o desejo de “emancipar” a cultura humana de toda a concepção religiosa. Como se isso tornasse o ser humano mais livre, mais humanista e mais inteligente!

Por isso, é uma responsabilidade grave dos pais interessar-se pelo ambiente da escola dos seus filhos e pelos conteúdos que se transmitem na sala de aula. O interesse dos pais tem de ir mais além dos resultados escolares que se traduzem nas notas. Esses resultados podem ser relevantes, mas, por si só, não garantem a saúde moral e espiritual dos filhos. Saúde que terá muito mais influência no seu futuro do que as classificações obtidas.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Olhar para o Céu

Passeavam há uns minutos sem dizerem nada. As relações entre ambos estavam um pouco tensas. Ela não compreendia como é que alguém que tinha levado nas suas entranhas, que era carne da sua carne e sangue do seu sangue, vinha agora falar-lhe assim. Era uma rebeldia própria da juventude e o entusiasmo acabaria por passar-lhe. Talvez aquelas ideias fossem somente um exacerbado sentimento religioso próprio da idade. Nada para preocupar-se em demasia. A juventude é assim. É um tempo em que se sonha com elevados ideais. Depois, a realidade encarrega-se de “esfriar” os ânimos e, os que foram jovens, acabam por viver como todos os outros viveram. Nem melhor, nem pior.

«Olha para onde pisas» aconselhou-o. «Ainda vais tropeçar nalguma pedra». «Sabe, mãe, assim é a vida sem sentido. Olhar somente para onde pisamos». Ela não esperava uma resposta destas. Voltou a fazer-se silêncio. Ficar calada seria admitir a “derrota”. «E para onde vais olhar então? Para as estrelas?» perguntou com um certo acento irónico de quem deseja finalizar uma conversa que não lhe parecia ter nenhuma saída. «Exactamente. Para as estrelas. Tenho a sensação de que alguém as pôs lá em cima por algum motivo. Talvez seja para que, quando está escuro, não nos esqueçamos de olhar para o Céu».

Será que um cristão deve olhar para o Céu? Não manifesta essa atitude um certo egoísmo da sua parte? Não manifesta essa atitude uma certa indiferença em relação à vida nesta Terra? Em relação aos problemas reais que a todos nos angustiam?

Há uns anos atrás, dizia o então Cardeal Ratzinger que falar do Céu hoje em dia parece exprimir uma certa “fuga da realidade”. Temos receio de o fazer. Temos medo de parecer covardes em relação aos problemas do dia a dia. Um autor pagão chegou mesmo a afirmar, com um certo desprezo pelo Cristianismo, que devemos olhar sobretudo para a Terra e deixar o Céu para os pardais.

O problema é que sem o Céu a vida nesta Terra perde o seu sentido. Se o Céu está escuro e encoberto por densas nuvens, a vida fica cinzenta e melancólica. As alegrias tornam-se algo passageiro assim como a própria vida. O máximo que nos podem desejar no dia de anos é que vivamos alguns mais. Que desejo tão raquítico e deprimente para alguém que anseia viver para sempre!

Um cristão, ao olhar para o Céu, tem já nesta Terra a alegria da vida eterna. Uma alegria que, como disse Jesus Cristo, nada nem ninguém lhe poderá tirar. Não é uma alegria que vem “depois”. É uma alegria que está dentro. É uma esperança segura de quem sabe que o seu caminhar tem um sentido porque tem uma meta. Olhar para a eternidade leva a dar muito mais importância aos problemas do dia a dia. Leva a sentir a responsabilidade de ajudar os outros de verdade, não só na aparência. Olhar para o Céu recorda-nos que, do modo como vivermos aqui, depende o modo como viveremos depois.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 20 de maio de 2017

«Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim. Se fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que Eu vos disse: Não é o servo maior do que o senhor. Se eles Me perseguiram a Mim, também vos hão-de perseguir a vós; se guardaram a Minha palavra, também hão-de guardar a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do Meu nome, porque não conhecem Aquele que Me enviou.

Jo 15, 18-21