N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 4 de junho de 2017

Homilia Santo Padre Missa da Solenidade de Pentecostes

Chega hoje ao seu termo o tempo de Páscoa, desde a Ressurreição de Jesus até ao Pentecostes: cinquenta dias caraterizados de modo especial pela presença do Espírito Santo. De facto, o Dom pascal por excelência é Ele: o Espírito criador, que não cessa de realizar coisas novas. As Leituras de hoje mostram-nos duas novidades: na primeira, o Espírito faz dos discípulos um povo novo; no Evangelho, cria nos discípulos um coração novo.

Um povo novo. No dia de Pentecostes o Espírito desceu do céu em «línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas» (At 2, 3-4). Com estas palavras, é descrita a ação do Espírito: primeiro, pousa sobre cada um e, depois, põe a todos em comunicação. A cada um dá um dom e reúne a todos na unidade. Por outras palavras, o mesmo Espírito cria a diversidade e a unidade e, assim, molda um povo novo, diversificado e unido: a Igreja universal. Em primeiro lugar, com fantasia e imprevisibilidade, cria a diversidade; com efeito, em cada época, faz florescer carismas novos e variados. Depois, o mesmo Espírito realiza a unidade: liga, reúne, recompõe a harmonia. «Com a sua presença e ação, congrega na unidade espíritos que, entre si, são distintos e separados» (Cirilo de Alexandria, Comentário ao Evangelho de João, XI, 11). E desta forma temos a unidade verdadeira, a unidade segundo Deus, que não é uniformidade, mas unidade na diferença.

Para se conseguir isso, ajuda-nos o evitar duas tentações frequentes. A primeira é procurar a diversidade sem a unidade. Sucede quando se quer distinguir, quando se formam coligações e partidos, quando se obstina em posições excludentes, quando se fecha nos próprios particularismos, porventura considerando-se os melhores ou aqueles que têm sempre razão - são os chamados guardiões da verdade. Desta maneira escolhe-se a parte, não o todo, pertencer primeiro a isto ou àquilo e só depois à Igreja; tornam-se «adeptos» em vez de irmãos e irmãs no mesmo Espírito; cristãos «de direita ou de esquerda» antes de o ser de Jesus; inflexíveis guardiães do passado ou vanguardistas do futuro em vez de filhos humildes e agradecidos da Igreja. Assim, temos a diversidade sem a unidade. Por sua vez, a tentação oposta é procurar a unidade sem a diversidade. Mas, deste modo, a unidade torna-se uniformidade, obrigação de fazer tudo juntos e tudo igual, de pensar todos sempre do mesmo modo. Assim, a unidade acaba por ser homologação, e já não há liberdade. Ora, como diz São Paulo, «onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17).

Então a nossa oração ao Espírito Santo é pedir a graça de acolhermos a sua unidade, um olhar que, independentemente das preferências pessoais, abraça e ama a sua Igreja, a nossa Igreja; pedir a graça de nos preocuparmos com a unidade entre todos, de anular as murmurações que semeiam cizânia e as invejas que envenenam, porque ser homens e mulheres de Igreja significa ser homens e mulheres de comunhão; é pedir também um coração que sinta a Igreja como nossa Mãe e nossa casa: a casa acolhedora e aberta, onde se partilha a alegria multiforme do Espírito Santo.

E passemos agora à segunda novidade: um coração novo. Quando Jesus ressuscitado aparece pela primeira vez aos seus, diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados» (Jo 20, 22-23). Jesus não condenou os seus, que O abandonaram e renegaram durante a Paixão, mas dá-lhes o Espírito do perdão. O Espírito é o primeiro dom do Ressuscitado, tendo sido dado, antes de mais nada, para perdoar os pecados. Eis o início da Igreja, eis a cola que nos mantém unidos, o cimento que une os tijolos da casa: o perdão. Com efeito, o perdão é o dom elevado à potência infinita, é o amor maior, aquele que mantém unido não obstante tudo, que impede de soçobrar, que reforça e solidifica. O perdão liberta o coração e permite recomeçar: o perdão dá esperança; sem perdão, não se edifica a Igreja.

O Espírito do perdão, que tudo resolve na concórdia, impele-nos a recusar outros caminhos: os caminhos apressados de quem julga, os caminhos sem saída de quem fecha todas as portas, os caminhos de sentido único de quem critica os outros. Ao contrário, o Espírito exorta-nos a percorrer o caminho com duplo sentido do perdão recebido e do perdão dado, da misericórdia divina que se faz amor ao próximo, da caridade como «único critério segundo o qual tudo deve ser feito ou deixado de fazer, alterado ou não» (Isaac da Estrela, Discurso 31). Peçamos a graça de tornar o rosto da nossa Mãe Igreja cada vez mais belo, renovando-nos com o perdão e corrigindo-nos a nós mesmos: só então poderemos corrigir os outros na caridade.

Peçamos ao Espírito Santo, fogo de amor que arde na Igreja e dentro de nós, embora muitas vezes o cubramos com a cinza das nossas culpas: «Espírito de Deus, Senhor que estais no meu coração e no coração da Igreja, Vós que fazeis avançar a Igreja, moldando-a na diversidade, vinde! Precisamos de Vós, como de água, para viver: continuai a descer sobre nós e ensinai-nos a unidade, renovai os nossos corações e ensinai-nos a amar como Vós nos amais, a perdoar como Vós nos perdoais. Amen».

Carta do Prelado (4 junho 2017), sobre o cuidar da família

Queridíssimos: que Jesus me guarde as minhas filhas e os meus filhos!
Como o recente Congresso Geral recordou[1], a família ocupa, nas últimas décadas, um lugar destacado entre as prioridades da Igreja e, portanto, da Prelatura. Com estas linhas gostaria de me deter de novo, brevemente, neste apostolado tão urgente e necessário.
É notório que muitas pessoas veem hoje como um modelo mais, e até questionam como um conceito arcaico, aquilo que na realidade é o desígnio de Deus para a união entre o homem e a mulher. Contudo, devemos encher-nos de esperança: a luz da verdade sobre a família está inscrita por Deus no coração humano, e por isso abre e sempre abrirá caminho no meio das tempestades.
Cada família, com a sua dinâmica e o seu desejo de avançar unida, “volta a entregar a direção do mundo à aliança do homem e da mulher com Deus”[2]. Ao pensar sobre esta realidade, vêm-me ao pensamento umas palavras de S. Josemaria: “Tarefa do cristão: afogar o mal em abundância de bem. Não se trata de campanhas negativas, nem de ser anti nada. Pelo contrário, viver de afirmação, cheios de otimismo, com juventude, alegria e paz, olhar para todos com compreensão: aos que seguem Cristo e aos que O abandonam ou não o conhecem. Mas compreensão não significa abstencionismo, nem indiferença, antes sim atividade”[3]. Não percamos a serenidade e a força lamentando-nos perante as dificuldades que tantas famílias enfrentam, assim como a própria instituição familiar. Procuremos proteger e promover, com fortaleza e profissionalismo, a família cristã: algo que não é só nosso, mas que pertence a Deus, e às gerações que vêm e que hão-de vir.
A família e o casamento são um caminho de santidade: “Ris-te porque te digo que tens «vocação para o casamento»? Mas tens: isso mesmo, vocação”[4]. Vocação à santidade, que é felicidade. A família é o lugar natural do amor, é o primeiro lugar em que o Amor de Deus se torna presente nas nossas vidas, para além do que podemos fazer ou deixar de fazer: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4,19). A paternidade e a maternidade dizem-nos quem somos, cada uma e cada um: um presente de Deus, um fruto do Amor. No meio das mil dificuldades que podem surgir na vida de uma família, saber que, quer nós quer os outros, somos um presente de Deus, leva-nos a amá-los mais. E a sociedade requer sempre esse amor sem condições.
Mais do que noutras épocas, nota-se hoje, a todos os níveis, a urgência de ajudar as famílias com mais problemas. Não se nasce ensinado, sabendo como ser pai, marido ou esposa: convém ajudar outros esposos e pais a formar-se. Famílias que ajudam outras famílias! Com a experiência que a vida familiar dá, pode-se colaborar de forma eficaz nesse campo imenso da obra de misericórdia que é ensinar quem não sabe. Sem “dar lições”, com naturalidade, quanto se pode fazer para se prepararem bem os casamentos e para acompanhar os recém-casados ou aqueles que estão a passar um mau bocado! Além disso, às vezes, a família em dificuldade poderia ser a de algum de vós. Será então a altura de abrir o coração e de vos deixardes ajudar, com a mesma simplicidade com que apoiastes outros.
Pensai também, com coração grande, em como ajudar aqueles que se encontram nas chamadas situações irregulares. O Papa Francisco reafirmou que a doutrina não muda[5], mas é urgente melhorar a atenção a estes irmãos e irmãs, a quem é preciso acompanhar com um olhar mais próximo, de acolhimento e discernimento, que lhes facilite superar essas situações, com a graça de Deus.
Reparai no diálogo de Jesus com a Samaritana (cfr. Jo 4, 1-45). Aquela mulher, mesmo estando longe de Deus, começou a rezar sem saber: começou a falar com Deus, que se fez encontradiço, e que a foi ajudando, pouco a pouco, até perspetivar a sua vida na sua verdadeira luz. A Samaritana não fica só diante da sua ferida: está, ao mesmo tempo, sob o olhar amabilíssimo do “Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações” (2 Cor 1, 3-4). O Senhor chama-nos a ser para todas essas pessoas, apesar da nossa pequenez e miséria pessoal, transmissores da Sua proximidade e do Seu consolo.
Importa, em todo o caso, que procuremos chegar antes: “aprender a amar alguém não é algo que se improvisa (...). Na verdade, cada pessoa prepara-se para o casamento desde o nascimento”[6]. Gostaria de lembrar que, nas atividades apostólicas com jovens se deve tratar da beleza do celibato apostólico e também da vocação para constituir uma família cristã, abordando com criatividade os vários aspetos do namoro e do casamento[7]: testemunhos de famílias; cursos de orientação familiar para solteiros, palestras, projeções, leituras, atividades para os pais nas escolas; colaboração nas paróquias; promoção de diversões que possam ser origem de futuros casamentos cristãos, etc.
Os que se encarregam mais diretamente das atividades de formação, pensem que a melhoria de cada família tem um efeito multiplicador na sociedade. O atrativo de uma família cristã contagia: “Com o testemunho, e também com a palavra, as famílias falam de Jesus aos outros, transmitem a fé, despertam o desejo de Deus e mostram a beleza do Evangelho”[8].
Confiemos à ação calada e fecunda do Espírito Santo esta serena e imensa tarefa familiar. Com todo o afeto, abençoa-vos
o vosso Padre
Roma, 4 de junho de 2017, Solenidade do Pentecostes

[1]. Cfr. Carta Pastoral, 14-II-2017, nn. 21 e 31.
[2]. Papa Francisco, Audiência, 2-IX-2015.
[3]. S. Josemaria, Sulco, n. 864.
[4]. S. Josemaria, Caminho, n. 27.
[5]. Cfr. Papa Francisco, Ex. Ap. A alegria do Amor (19-III-2016), n. 300.
[6]. Papa Francisco, Ex. Ap. A alegria do Amor, n. 208.
[7]. Cfr. Carta Pastoral, 14-II-2017, n. 25.
[8]. Papa Francisco, Ex. Ap. A alegria do Amor, n. 184.

Espera-se heroísmo do cristão

Quantos, que se deixariam cravar numa Cruz, perante o olhar atónito de milhares de espectadores, não sabem sofrer cristãmente as alfinetadas de cada dia! – Pensa então no que será mais heróico. (Caminho, 204).

Hoje, como ontem, espera-se heroísmo do cristão. Heroísmo em grandes contendas, se é preciso. Heroísmo – e será o normal – nas pequenas escaramuças de cada dia. Quando se luta continuamente, com Amor e deste modo que parece insignificante, o Senhor está sempre ao lado dos seus filhos, como pastor amoroso: Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o Senhor Deus. Irei procurar as que se tinham perdido, farei voltar as que andavam desgarradas, porei ligaduras às que tinham algum membro quebrado e fortalecerei as que estavam fracas... E as minhas ovelhas habitarão no seu país sem temor; e elas saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver quebrado as cadeias do seu jugo, e as tiver arrancado das mãos daqueles que as dominavam.

Apelo para a sua misericórdia, para a sua compaixão, a fim de que não olhe para os nossos pecados, mas para os méritos de Cristo e de sua Santa Mãe, e que é também nossa Mãe, para os do Patriarca S. José, que Lhe serviu de Pai, para os dos Santos.

O cristão pode viver com a segurança de que, se quiser lutar, Deus o acolherá na sua mão direita, como se lê na Missa desta festa. Jesus, que entra em Jerusalém montado num pobre burrico, Rei da paz, é quem diz: o, reino dos céus alcança-se com violência, e os violentos arrebatam-no. Essa força não se manifesta na violência contra os outros; é fortaleza para combater as próprias debilidades e misérias, valentia para não mascarar as nossas infidelidades, audácia para confessar a fé, mesmo quando o ambiente é contrário. (Cristo que passa, 82)

São Josemaría Escrivá

Oração ao Espírito Santo composta por S. Josemaria em abril de 1934

Vem ó Espírito Santo!

Ilumina o meu entendimento, para conhecer os teus preceitos.

Fortalece o meu coração contra as insídias do inimigo
Inflama a minha vontade…
Ouvi a tua voz e não quero endurecer-me e resistir, dizendo: depois…, amanhã.
Nunc coepi! Agora! Não suceda que o amanhã me venha a faltar.

Ó Espírito de verdade e sabedoria, Espírito de entendimento e de conselho, Espírito de alegria e de paz!: quero o que quiseres, quero porque queres, quero como quiseres, quero quando quiseres.

A vinda solene do Espírito Santo

Três pontos importantíssimos para arrastar as almas para o Senhor: que te esqueças de ti, e penses só na glória do teu Pai, Deus; que submetas fielmente a tua vontade à Vontade do Céu, como te ensinou Jesus Cristo; que secundes docilmente as luzes do Espírito Santo. (Sulco, 793)

A vinda solene do Espírito Santo no dia de Pentecostes não foi um acontecimento isolado. Quase não há uma página dos Atos dos Apóstolos em que se não fale d'Ele e da ação pela qual guia, dirige e anima a vida e as obras da primitiva comunidade cristã. (...)

A força e o poder de Deus iluminam a face da Terra. O Espírito Santo continua a assistir à Igreja de Cristo, para que ela seja - sempre e em tudo - sinal erguido diante das nações, anunciando à Humanidade a benevolência e o amor de Deus. Por maiores que sejam as nossas limitações, nós, homens, podemos olhar com confiança para os Céus e sentir-nos cheios de alegria: Deus ama-nos e liberta-nos dos nossos pecados. A presença e a acção do Espírito Santo na Igreja são o penhor e a antecipação da felicidade eterna, dessa alegria e dessa paz que Deus nos prepara. (...)

A Tradição cristã resumiu a atitude que devemos adoptar para com o Espírito Santo num só conceito: docilidade. Sermos sensíveis àquilo que o Espírito divino promove à nossa volta e em nós mesmos: aos carismas que distribui, aos movimentos e instituições que suscita, aos efeitos e decisões que faz nascer nos nossos corações... O Espírito Santo realiza no Mundo as obras de Deus. Como diz o hino litúrgico, é dador das graças, luz dos corações, hóspede da alma, descanso no trabalho, consolo no pranto. Sem a sua ajuda nada há no homem que seja inocente e valioso, pois é Ele que lava o que está sujo, que cura o que está doente, que aquece o que está frio, que corrige o extraviado, que conduz os homens ao porto da salvação e do gozo eterno. (Cristo que passa, 127-130)

São Josemaria Escrivá

Terminado o período Pascal passamos a rezar o Ângelus com profunda devoção mariana

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
R. E Ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.


V. Eis aqui a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
Ave Maria…


V. E o Verbo encarnou
R. E habitou entre nós
Ave Maria…


V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Infundi, Senhor, como vos pedimos, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que conhecemos pela Anunciação do Anjo, a Encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, pela sua Paixão e Morte na Cruz sejamos conduzidos à glória da Ressurreição.
Pelo mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

‘consummati in unum’

A efusão do Espírito Santo, na medida em que nos cristifica, leva-nos a reconhecer como filhos de Deus. O Paráclito, que é caridade, ensina-nos a fundir com essa virtude toda a vida. Por isso, feitos uma só coisa com Cristo, consummati in unum, podemos ser entre os homens o que Santo Agostinho afirma da Eucaristia: sinal de unidade, vínculo de Amor.

(S. Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 87)

São Josemaría Escrivá nesta data em 1930

“Simplesmente cristãos. Massa a fermentar. O que é próprio de nós é o corrente, com naturalidade. Meio: o trabalho profissional. Todos santos! Entrega silenciosa”, escreve.

Bom Domingo do Senhor!

Estejamos sempre disponíveis a receber e escutar o Divino  e peçamos ao Senhor que nos conceda a fé e a humildade de o receber (Jo 21, 1-19) conforme o receberam os Apóstolos e nos narra o Evangelho de hoje.

Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra

A «Casa da vida» (Life House)

Terça-feira, 30 de Maio, o Pontifício Colégio Português de Roma foi condecorado pelo Raoul Wallemberg Institute com o título de «Casa da vida», por ter escondido meia centena de pessoas, sobretudo judeus e famílias de opositores ao regime fascista.

Entre as personalidades presentes na cerimónia, além dos representantes do Wallemberg Institute, estavam a Dra. Ruth Dureghello, Presidente da Comunidade Hebraica de Roma, D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e o Dr. Luigi Priolo, um dos refugiados do Colégio Português nos anos 1943 e 1944. Luigi Priolo, que na altura era um adolescente, viria a ser um político conhecido, secretário-geral do Senado italiano durante muitas décadas e maçon.

Em 2010, o responsável efectivo do Colégio nos anos 1940 a 1954 já tinha sido condecorado pelo Estado de Israel como «Justo entre as Nações».

Qual a causa de tanto agradecimento? O Pontifício Colégio Português, que ocupava naquela época o palácio Alberini, no extremo Sul da Ponte de Sant’Angelo, era o mais pequeno dos colégios eclesiásticos de Roma e por isso um dos que acolheu menos pessoas. De todos os modos, como é que meia centena de refugiados, a somar aos seminaristas e padres, conseguiu viver e esconder-se durante vários anos naquelas instalações? Todo os inquilinos normais do Colégio, padres e seminaristas, colaboraram na protecção dos refugiados e, quando os soldados das SS apareciam, os refugiados eram tratados como se fossem padres e freiras. Naturalmente, houve momentos de grande emoção.

O ponto de partida foi o apelo muito forte de Pio XII, durante a segunda guerra mundial, mobilizando as instituições da Igreja para acolherem todas as vítimas das perseguições.

Por contraste, este Papa é muito denegrido, sobretudo em sociedades que não conheceram directamente a perseguição aos judeus. Alguns dos «best-sellers» sobre a época declaram que «a Igreja católica é a principal responsável do Holocausto» (Susan Zuccotti, «Under His Very Windows. The Vatican and the Holocaust in Italy»); um comentador do «New York Times» escreveu que Pio XII «era o eclesiástico mais perigoso da história moderna» e «colocou o interesse particular católico acima da consciência». Outros, historiadores identificam João Paulo II como o continuador do antisemitismo de Pio XII (por exemplo, John Cornwell, «Hitler’s Pope», Garry Wills, «Papal Sin. Structures of Deceit», James Carroll, «Constantine’s Sword. The Church and the Jews: A History»).

Nalguns casos, estes livros parecem uma vingança, o ajuste de um contencioso pessoal, porque muitos destes autores são ex-padres, ou ex-seminaristas que continuam aborrecidos com a Igreja católica. O que os levou a concentrarem-se em Pio XII? E por que razão a opinião pública se deixou intoxicar por estas fontes tão enviesadas?

De uma maneira geral, os líderes judaicos da velha geração, como o primeiro Presidente de Israel, Chaim Weizmann, os Primeiros-Ministros de Israel Golda Meir e Moshe Sharett, o Rabino Chefe de Israel Isaac Herzog, o secretário-geral do Congresso Hebraico Mundial Leon Kubowitzky ...exprimiram o seu grande reconhecimento à Igreja e a Pio XII.

Albert Einstein, escrevia em plena guerra, em Dezembro de 1940, na revista «Time»: «Só a Igreja enfrenta verdadeiramente a campanha Hitleriana de supressão da verdade. Até hoje, nunca me tinha interessado pela Igreja, mas agora sinto um enorme afecto e admiração porque só a Igreja tem a coragem e a perseverança de defender a verdade intelectual e a liberdade moral. Aquilo que antes eu desprezava, agora admiro sem reservas».

O Cônsul Israelita em Milão, Pinchas Lapide, escreveu que Pio XII «foi o instrumento de salvação de pelo menos 700 mil, talvez até 860 mil, hebreus que teriam morrido às mãos dos nazis». O Rabino Chefe da Sinagoga de Roma nos anos da perseguição converteu-se e adoptou o nome de Eugenio, em agradecimento a Pio XII (que se chamava Eugenio Pacelli). Elio Toaff, que também sofreu o holocausto e se tornaria o Rabino Chefe de Roma não poupou elogios. E, tantos, tantos outros... Assim, pela mão de organizações judaicas, sobretudo relacionadas com a história do Holocausto, a memória santa de Pio XII tem vindo a ser recuperada. À conta disso, até o Pontifício Colégio Português, que ocupa desde 1975 um edifício diferente, recebeu o título de «Casa da Vida».
José Maria C.S. André
04-VI-2017
Spe Deus

«Recebei o Espírito Santo»

Gregório de Narek (c. 944-c. 1010), monge e poeta arménio
Livro das orações, nº 33 (a partir da trad. SC 78, p. 206)

Omnipotente, Benfeitor, Amigo dos homens, Deus de todos,
Criador dos seres visíveis e invisíveis,
Tu que salvas e fortaleces,
Tu que curas e pacificas,
Espírito poderoso do Pai [...],
Tu participas no mesmo trono e na mesma glória,
e na acção criadora do Pai [...].
Por meio de Ti nos foi revelada
a trindade das Pessoas, na unidade da natureza da Divindade;
e Tu és uma destas Pessoas,
Tu, o Incompreensível. [...]

Moisés Te proclamou Espírito de Deus (Gn 1, 2):
a Ti, que planavas sobre as águas,
com protecção envolvente, temível e cheia de solicitude;
Tu abriste as asas como sinal de auxílio compadecido aos recém-nascidos,
revelando-nos assim o mistério da fonte baptismal. [...]
Tu criaste, ó Omnipotente, enquanto Senhor,
todas as naturezas de tudo quanto existe,
todos os seres a partir do nada.
Por Ti se renovam pela ressurreição
todos os seres por Ti criados,
nesse momento que é o último dia da vida nesta terra
e o primeiro dia da vida na Terra dos Vivos.

Aquele que tem a mesma natureza que Tu,
Aquele que é consubstancial ao Pai, o Filho Unigénito,
obedeceu-Te, na nossa natureza, como a Seu Pai,
unindo a Sua vontade à Tua.
Ele Te anunciou como Deus verdadeiro,
igual e consubstancial a Seu Pai omnipotente [...]
e calou aqueles que a Ti resistiam,
esses que combatiam Deus (cf Mt 12, 28),
perdoando embora àqueles que se Lhe opunham.

Ele é o Justo e o Imaculado, o Salvador de todos,
que foi entregue por causa dos nossos pecados,
e que ressuscitou para nossa justificação (Rom 4, 25).
A Ele a glória por Ti,
e a Ti o louvor pelo Pai omnipotente,
pelos séculos dos séculos,
Ámen.

Anúncio do Espírito Santo

«Depois disso, acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões.Naqueles dias, derramarei também o meu Espírito sobre os servos e as servas».

(Livro de Joel, 3, 1-2)

Jesus Cristo antes de partir, na sua infinita bondade, anunciou-nos que nos enviaria uma “Prenda” e que “Prenda”! O Espírito Santo provindo do Pai e Dele.

Muito obrigado, soa a pouco, diria mesmo a pouquíssimo, pois foi uma oferta ‘ad eternum’, saibamos ser dignos do seu amor, divulgando-O conjuntamente com o Pai e o Espírito Santo, ou seja, num só Deus na Santíssima Trindade.

JPR

Spiritus Domini


Spiritus Domini replevit orbem terrarum, Alleluia; et hoc quod continet omnia, scientiam habet vocis, Alleluia, Alleluia, Alleluia.
Exurgat Deus, et dissipentur inimici ejus, et fugiant qui oderunt eum a facie ejus.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.
Spiritus Domini...

MEDITAÇÃO NO PENTECOSTES

Ó Divino Espírito Santo, ilumina o meu entendimento para que eu possa conhecer melhor as verdadeiras razões que movem a minha vida:

• A minha íntima ligação a Cristo, à Sua Igreja, à Sua Obra.
• A minha filiação ao Pai.
• A minha vinculação a Ti.

Com esta claridade no meu espírito, não poderei fazer outra coisa que aprofundar a minha oração, a minha união à Trindade Santíssima e, assim, ser mais correcto, mais justo, mais casto, mais mortificado, mais santo.

Divino Espírito Santo, fica comigo todos os instantes da minha vida, guiando os meus passos, iluminando a minha inteligência, dando-me força para fazer, sem demora, o que deve ser feito no momento devido:

• A resposta mais adequada;
• A pergunta que for necessária;
• O comentário a propósito;
• A atenção merecida;
• A acção indispensável;
• A correcção que se impuser;
• A intervenção atempada;

Todas estas qualidades eu Te peço para poder cumprir os três principais objectivos da minha vida:

• Santificação Pessoal;
• Santificação dos outros;
• A Glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Ámen.

(AMA, meditação no Pentecostes, Diário, 1987)

Domingo de Pentecostes

O tema deste Domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Pentecostes, o coroamento da Páscoa

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 155

O povo judeu celebrava a Páscoa, como sabeis, com a imolação de um cordeiro, que depois comia com pães ázimos. Esta imolação do cordeiro prefigurava a imolação de Jesus Cristo, e os pães ázimos, a vida nova purificada do velho fermento. [...] E, cinquenta dias depois da Páscoa, este mesmo povo festejava o momento em que Deus lhe dera, sobre o Monte Sinai, a Lei escrita com sua mão, com seu dedo. À figura da Páscoa sucede a Páscoa em plenitude (1Cor 5,7): Jesus Cristo foi imolado e fez-nos passar da morte à vida. A palavra Páscoa significa «passagem», e é isso que o evangelista exprime ao dizer: «Chegada a hora em que Jesus havia de passar deste mundo para o Pai...» (Jo 13,1) [...]

Cinquenta dias depois, o Espírito Santo, «o dedo de Deus» (Lc 11,20), desce sobre os discípulos. Mas vede que diferença de circunstâncias em relação ao Sinai. Lá, o povo mantinha-se ao longe, dominado pelo temor e não pelo amor. [...] Pelo contrário, quando o Espírito Santo desceu, os discípulos estavam todos reunidos num mesmo lugar, e o Espírito, longe de os atemorizar do alto da montanha, entra na casa onde eles estavam reunidos.

«Viram», diz a Escritura, «umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo». Tratar-se-ai de um fogo que semeava o temor? De maneira nenhuma! Essas línguas de fogo poisaram sobre cada um deles e eles começaram a falar diversas línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem. Escutai as línguas que eles falam e compreendei que é o Espírito quem escreve, não sobre a pedra, mas nos corações (2Cor 3,3). Assim, pois, a lei do Espírito de vida, escrita no coração e não sobre a pedra, a lei do Espírito de vida, digo, está em Jesus em quem a Páscoa foi celebrada na plenitude da verdade.