N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 9 de julho de 2017

Não descuides a prática da correcção fraterna

Não descuides a prática da correção fraterna, manifestação clara da virtude sobrenatural da caridade. Custa; é mais cómodo eximir-se; é mais cómodo, mas não é sobrenatural! E darás contas a Deus destas omissões. (Forja, 146)

Quando nos apercebemos de que na nossa vida ou na dos outros alguma coisa corre mal, alguma coisa precisa do auxílio espiritual e humano, que nós, filhos de Deus, podemos e devemos prestar, uma clara manifestação de prudência consistirá em dar-lhe remédio oportuno, a fundo, com caridade e com fortaleza, com sinceridade. Não valem as inibições. É errado pensar que com omissões ou adiamentos se resolvem os problemas.

Sempre que a situação o requeira, a prudência exige que se aplique o remédio totalmente e sem paliativos, depois de pôr a chaga a descoberto.

Ao notar os menores sintomas do mal, sede simples, verazes, quer sejais vós a curar os outros, quer sejais vós a receber essa assistência. Nesses casos, deve-se permitir à pessoa que está em condições de curar em nome de Deus que aperte de longe a zona infectada e depois de mais perto, até sair todo o pus, de modo que o foco da infecção acabe por ficar bem limpo. Em primeiro lugar, temos que proceder assim connosco mesmos e com quem, por motivos de justiça ou caridade, temos obrigação de ajudar. Rezo nesse sentido especialmente pelos pais e por quem se dedica a tarefas de formação e de ensino. (Amigos de Deus, 157)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1960

São Josemaría vai rezar à gruta de Nossa Senhora de Lourdes. “A Virgem Santa alcançar-te-á a fortaleza que necessitas para seguir com decisão os passos de seu Filho”, foi a sua pregação constante.

Bom Domingo do Senhor!

Correspondamos ao apelo do Senhor como nos fala o Evangelho de hoje (Mt 11, 25-30) e imitando Maria juntemo-nos a Ele submetendo-nos ao seu jugo porque o Senhor é doce, manso e humilde de coração.

Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor!

Sem esquecer os que nos estão próximo

Porque existe certamente o perigo de sonhar com a assistência a povos e gentes que vivem muito longe, esquecendo as necessidades dos que estão ao nosso lado e esperam também que ouçamos, com paciência e afeto, as suas preocupações, que lhes demos um conselho adequado, que, em última análise, lhes dediquemos o nosso tempo. Chega então o momento de atuar como o estalajadeiro da parábola, que se encarregou de cuidar daquele homem maltratado, acolhendo-o em casa. Meditando sobre esta atitude, D. Álvaro comentava: «Todos podeis fazer como ele no exercício do vosso trabalho, porque qualquer tarefa profissional oferece, de um modo mais ou menos direto, ocasião de ajudar pessoas necessitadas» [8]. Para ti, para mim, quanto nos importa a miséria dos que carecem de tudo ou de alguma coisa muito necessária? Reages com sentido sobrenatural ao encontrar mendigos? Ao ver tanta miséria nalguns continentes, como rezas por esses países e por essas pessoas?

Na sua constante atenção aos pobres e marginalizados, o Romano Pontífice reafirmou que se refere a todos os necessitados, próximos e distantes. O Evangelho é para todos! Este ir ao encontro dos pobres não significa que devemos tornar-nos “pauperistas”, ou uma espécie de «mendigos espirituais»! Não, não, não significa isto! Significa que devemos caminhar em direção à carne de Jesus que sofre, mas a carne de Jesus também sofre naqueles que não O conhecem com os seus estudos, com a sua inteligência, com a sua cultura. É lá que devemos ir! Por isso, gosto de usar a expressão «ir às periferias», às periferias existenciais. Todas, da pobreza física e real à pobreza intelectual, que é também real. Todas as periferias, todas as encruzilhadas: ir lá. E aí, lançar a semente do Evangelho, com a palavra e com o testemunho[9].

[8]. Ibid. (“Cartas de família”, III, n. 388).
[9]. Papa Francisco, Discurso à Assembleia diocesana de Roma, 17-VI-2013.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de julho de 2014)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Relativismo, anarquia e totalitarismo

A ciência codificou uma nova percepção da realidade: só se considera objetivamente fundamentado o que pode ser demonstrado como num laboratório. Quanto ao resto - Deus, a moral, a vida eterna -, foi transferido para o reino da subjetividade. Além disso, pensar que possa existir uma verdade acessível a todos no âmbito religioso implicaria uma certa intolerância. O relativismo converte-se assim na virtude da democracia.

É precisamente o contexto cultural que acabamos de descrever que representa a nossa maior dificuldade à hora de anunciar o Evangelho. Mas os limites do subjetivismo estão à vista: aceitar incondicionalmente o relativismo, tanto no âmbito da religião como no que diz respeito às questões morais, conduz à destruição da sociedade. O aumento progressivo do racionalismo leva à destruição da própria razão, instaurando-se a anarquia, pois na medida em que cada indivíduo se converte numa ilha de incomunicabilidade, as regras fundamentais da convivência desaparecem. Se compete às maiorias definir as regras morais, uma maioria poderá impor amanhã regras contrárias às de ontem. Já vivemos a experiência do totalitarismo, em que é o poder público que fixa autoritariamente as regras morais. Desta forma, o relativismo total desemboca na anarquia ou no totalitarismo.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘L’abolition de l’homme’, entrevista ao Le Figaro em 17.11.2001)

'Eu creio, eu faço'

«O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.» Lc 6, 31

Neste ensinamento de Jesus Cristo está contida toda uma prática de vida cristã.

Com este ensinamento, Jesus Cristo, afirma-nos que o discípulo de Cristo é aquele que faz, e não aquele que não faz, é um discípulo activo, e não um seguidor passivo.

Quantas vezes nas nossas vidas, perante as dificuldades, as provações, nós afirmamos e perguntamos: «Mas eu não roubo, não mato, não faço mal a ninguém, porque é que me acontece isto?»

Deus permite que dificuldades e provações aconteçam de quando em vez nas nossas vidas, também para nos chamar a atenção precisamente para isso, ou seja, que nós não fazemos, que não somos activos, que não colocamos a render os dons que nos são dados, quando realmente o nosso testemunho de vida deveria ser fazer o bem aos outros, isto é, dar aos outros o que gostaríamos de receber, desejar para os outros o que desejamos para nós, enfim, fazer aos outros o que queremos para nós.

É que o não fazer o mal, não significa que façamos o bem!

É que o não fazer, significa uma inactividade, significa que não colocamos a render o que Deus nos deu, em talentos e em bens, sejam eles quais forem, espirituais ou materiais.
E isso fecha-nos aos outros, porque nos leva a viver apenas para nós, como se estivéssemos de quarentena com medo de apanhar uma qualquer epidemia, que neste caso seria o mal, o pecado.

Quem vive apenas para não fazer o mal, vive com medo, vive fechado para os outros, vive só, sem confiança e sem esperança.

Como podemos nós, se vivemos apenas para não fazer o mal, cumprir o mandamento que Jesus Cristo nos deixou:
«Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.» Jo 13, 34

E se vivemos apenas para “não fazer”, que frutos teremos para apresentar ao Senhor, quando Ele nos perguntar o que fizemos com tudo o que Ele nos deu?

Seremos como aquele homem da “Parábola dos talentos”:
«Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: 'Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.'» Mt 25,24-25

Se realmente cremos em Jesus Cristo, se realmente nos dispomos, (com abertura de coração e disponibilidade de vida), a segui-Lo, então temos que fazer o que Ele próprio fez e faz, então temos que fazer o que Ele nos ensina na Sua Palavra, e«fazermos aos outros, aquilo que queremos para nós».

Por isso me ocorreu o título deste texto: Eu creio, eu faço!

Segundo os especialistas da política e da economia, a crise económica que agora se sente, vai agravar-se, levando seguramente as dificuldades e provações, a muitas pessoas, a muitas famílias.
É então um tempo propício de testemunho cristão, (embora todos os tempos o sejam), em que partilhando o que Deus nos dá, com os outros, testemunharemos que a nossa fé não são só palavras, mas que elas se traduzem em atitudes e acções palpáveis.

Lembro-me então da passagem dos Actos dos Apóstolos 2, 42-47, e acredito que, se também assim vivermos a nossa fé, também nós teremos a «simpatia de todo o povo», e também «o Senhor aumentará, todos os dias, o número dos que entrarão no caminho da salvação».

Se esse nosso testemunho for verdadeiro e sincero, deixaremos de ouvir frases como, “os que vão à igreja são os piores”, porque a realidade do testemunho superará a descrença.

Mas reparemos que o testemunho deve ser verdadeiro e sincero, isto é, sem esperar outra recompensa que não seja a de fazer a vontade de Deus, e de a fazer com amor dedicado aos outros.

É que, perante as provações que muitos poderão atravessar, alguns de entre eles terão muita dificuldade em pedir e aceitar ajuda, pelo que nos é pedido também uma “dose extra” de amor, (que só pode vir de Deus), para com todo o discernimento podermos ajudar esses irmãos, sem os fazer sentirem-se humilhados, sem os fazer sentirem-se desprezados.

E mais ainda, pois podemos ser confrontados com o ter que ajudar alguém que já foi nosso “superior” em algum momento, e até nos tratou mal ou com desprezo quando o era, e então temos de combater a tentação de transformar a nossa ajuda, numa atitude de “vingança”, de modo a fazer sentir ao outro que agora estamos nós “por cima”, e “superiormente”, até com algum desprezo, lhe concedemos ajuda.

É que isso não é testemunho de caridade, de amor, é que isso não é «fazer ao outro o que quero que ele me faça», é que isso é apenas tentar mascarar o mal, com um bem.

E lembremo-nos sempre também que, a maior parte das vezes, para além da ajuda material, é ainda mais importante a ajuda sentimental, a ajuda espiritual, o acolher e amar a todos, e não apenas àqueles que vivem os nossos valores, que vivem a fé que nós vivemos.

Deus Pai revelou-se aos homens por Seu Filho Jesus Cristo, que nos ensinou a sermos filhos de Deus, templos do Espírito Santo, que nos conduz e ensina todas as coisas:
«mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.» Jo 14,26

Concluída a Revelação em Jesus Cristo, hoje, pela graça do Espírito Santo, Deus continua a manifestar-se aos homens servindo-se dos seus filhos, que somos nós, congregados e chamados a vivermos o amor de Deus e a Deus, dando testemunho da Sua presença no meio de nós.

Por isso mesmo, passemos à prática verdadeiramente cristã, sempre envolvida na oração e nas celebrações em Igreja: Eu creio, eu faço!

Joaquim Mexia Alves

«Eu Te bendigo, ó Pai»

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja 
Sermão 34; CCL 41, 423-426.

Somos convidados a «cantar ao Senhor um cântico novo» (Sl 149,1). É o homem novo que conhece este cântico novo. O cântico é alegria e, se reflectirmos um pouco, trata-se de um cântico de amor: quem sabe amar a vida nova conhece este cântico novo. Por isso, temos de saber o que é a vida nova, para podermos entoar este cântico novo. Tudo aqui pertence ao mesmo Reino: o homem novo, o cântico novo, a nova Aliança. O homem novo entoará um cântico novo e pertencerá à nova Aliança. […]

Dirás: «Eu canto esse cântico.» Cantas, sim, cantas e eu ouço-te. Mas toma cuidado para que a tua vida não contradiga a tua língua. Canta com a voz, canta com o coração, canta com a boca, canta com a tua conduta, «canta ao Senhor um cântico novo». Perguntas o que hás-de cantar Àquele que amas […], e que louvores poderás cantar-Lhe? Canta «os seus louvores na assembleia dos crentes» (Sl 149,1 Vulg). O louvor a cantar é o próprio cantor. Queres cantar louvores a Deus? Sê tu próprio aquilo que cantas. Tu serás o seu louvor, se viveres bem.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)