N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A castidade é uma virtude

Escreveste-me, médico apóstolo: "Todos sabemos por experiência que podemos ser castos, vivendo vigilantes, frequentando os Sacramentos e apagando as primeiras chispas da paixão, sem deixar que a fogueira ganhe corpo. É precisamente entre os castos que se contam os homens mais íntegros, sob todos os aspectos. E entre os luxuriosos predominam os tímidos, os egoístas, os falsários e os cruéis, que são características de pouca virilidade". (Caminho, 124)

Não deves limitar-te a fugir da queda ou da ocasião, nem o teu comportamento deve reduzir-se, de maneira alguma, a uma negação fria e matemática. Já te convenceste de que a castidade é uma virtude e, como tal, deve desenvolver-se e aperfeiçoar-se? Não basta ser continente, cada um segundo o seu estado. Insisto: temos de viver castamente, com virtude heróica. Este comportamento é um acto positivo, com o qual aceitamos de boa vontade o pedido de Deus: Præbe, fili mi, cor tuum mihi et oculi tui vias meas custodiant, entrega-me, meu filho, o teu coração e espraia os teus olhos pelos meus campos de paz.

Pergunto-te eu, agora: como encaras tu esta batalha? Bem sabes que a luta já está vencida, se a mantivermos desde o princípio. Afasta-te imediatamente do perigo, mal percebas as primeiras chispas de paixão, e até antes. Fala, além disso, com quem dirige a tua alma; se possível antes, porque abrindo o coração de par em par não serás derrotado. Um acto repetido várias vezes cria um hábito, uma inclinação, uma facilidade. É preciso, pois, batalhar para alcançar o hábito da virtude, o hábito da mortificação, para não recusar o Amor dos Amores.

Meditai no conselho de S. Paulo a Timóteo: Te ipsum castum custodi, conserva-te a ti mesmo puro, para estarmos, também, sempre vigilantes, decididos a defender o tesouro que Deus nos entregou. Ao longo da minha vida, quantas e quantas pessoas não ouvi queixarem-se: Ah! Se eu tivesse cortado ao princípio! E diziam-no cheias de aflição e de vergonha. (Amigos de Deus, 182)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1974

Vai a São Vicente de Cañete, Peru, onde tem um encontro com gente do vale e da serra. Uns chegam a pé das circunscrições vizinhas: Cochahuasí, Boca del Rio, Lunahuaná, Pacarán. Outros fazem oito horas de caminho – de carro, de macho e a pé – para chegar cedo a Valle Grande, onde tem lugar a reunião em que comenta: “O primeiro sacramento que tendes à mão é a Confissão. Aconselho-vos a que o recebais com frequência, e aconselho-o porque também eu me confesso, semanalmente pelo menos. Vós, se não sois feitos de uma “massa” diferente, também tereis necessidade de pedir perdão a Deus e de implorar a sua ajuda. No Santo Sacramento da Penitência, é Deus quem perdoa. O sacerdote será este ou aquele, mas não é ele quem tira os pecados: é sempre Jesus Cristo, Nosso Senhor, que diz: ego te absolvo, eu te perdoo os teus pecados”.

Egocentrismo

Qualquer pessoa franca sabe que necessita de melhorar constantemente o seu carácter. É uma tarefa árdua. Requer um conhecimento próprio objectivo — “ciência” que é a mais complicada de aprender.

Além disso, é necessário ter abundante paciência e um profundo espírito desportivo, uma vez que melhorar o nosso carácter tem um “prazo de validade” que se identifica com a nossa vida.

Só no fim da existência, se soubermos corresponder com generosidade à acção da graça de Deus em nós, seremos aquilo que estamos chamados a ser: “perfeitos”. Numa linguagem cristã diz-se “santos”. Somente nessa ocasião teremos um carácter plenamente humano, à imagem do modelo por excelência que é Jesus Cristo.

Sabendo tudo isto, surge naturalmente a pergunta: qual é o modo mais eficaz de aperfeiçoar o nosso carácter?

Existem várias respostas, todas elas muito válidas. No entanto, gostaria de sublinhar uma que me parece fundamental: ninguém melhora o seu carácter se não se esforça por vencer uma tendência inata que todos possuímos: o egocentrismo.

Seremos muito mais humanos se nos esforçarmos de verdade por não estar centrados em nós mesmos. Se percebermos que é um erro crasso viver como se fôssemos o centro do Universo.

E, muitas vezes, o nosso mundo interior descontrolado — pensamentos, imagens, recordações — tende a dificultar muito a tarefa de superar o egocentrismo. Quem se preocupa somente consigo mesmo não consegue viver uma vida plenamente humana.

O activismo, com muita frequência, manifesta egocentrismo. Uma pessoa deve trabalhar muito e bem — mas não pode utilizar os seus deveres como uma desculpa para não prestar atenção aos outros.

Saber ser felizes é um factor fundamental da nossa existência. Mesmo que pareça paradoxal, convém meditar que não há verdadeira felicidade nesta Terra sem algum tipo de renúncia. E uma renúncia indispensável para se ser feliz é o esforço sincero por superar o egocentrismo.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O caminho da consciência

Não disse que a salvação pode ser atingida por todos os caminhos. O caminho da consciência, [que consiste em] manter o olhar focado na verdade e no bem objetivo, é o único caminho, embora possa tomar muitas formas por causa do grande número de pessoas e de situações. Mas o bem é um só, e a verdade não se contradiz. O facto de o ser humano não os atingir não relativiza as exigências da verdade e da bondade. Por isso, não basta permanecer na religião que se herdou, mas é preciso que se esteja atento ao verdadeiro bem e assim se seja capaz de transcender os limites da própria religião. Mas isto só faz sentido se a verdade e o bem existirem realmente. Seria impossível percorrer o caminho para Cristo se Ele não existisse. Viver com os olhos do coração abertos, purificar-se interiormente e buscar a luz são condições indispensáveis para a salvação humana. Portanto, é absolutamente necessário proclamar a verdade, isto é, fazer brilhar a luz (não a pôr "sob o alqueire, mas num candelabro"
[cfr. Jo 5, 14-15]).

(Cardeal Joseph Ratzinger in entrevista ao ‘Frankfurter Allgemeine Zeitung’)

Um ambiente de amizade e confiança

O ambiente ideal para transmitir a fé aos filhos ― a melhor herança, como vimos num artigo anterior ― é um lar onde “reinam” duas virtudes fundamentais: a amizade e a confiança.

Pode e deve haver uma verdadeira amizade entre pais e filhos ― uma amizade que, sendo real, não é, evidentemente, igual à que eles têm com os seus colegas na escola. Nem os filhos esperam que isso seja assim!

Querem uma “camaradagem” de outro teor. Desejam um desvelo que lhes transmita segurança e confiança ― que os faça crescer e aprender sem medos nem receios.

E como cresce a amizade entre pais e filhos?

Como toda a amizade, com a dedicação generosa de um dom escasso hoje em dia: o tempo. Dedicar-lhes um tempo de qualidade, cheio de um verdadeiro interesse pelas suas coisas: projectos, sonhos, êxitos e fracassos.

Dedicar tempo mostra proximidade e é um modo concreto de amar. É, como disse o Papa Francisco, aquilo de que os filhos mais sentem falta quando são ainda pequenos: brincar com os seus pais.

Nas primeiras fases do crescimento a educação possui uma importante carga afectiva e de proximidade. Brincar com os filhos, jogar com eles, ensiná-los a ganhar e a perder é uma escola de vida maravilhosa. Porque o jogo, por muito simples que seja, é uma experiência do que será a vida no futuro.

Poucas coisas unem tanto pais e filhos como jogar juntos! E, nesse clima de brincadeira, gera-se um ambiente de amizade no qual surge espontaneamente uma profunda confiança. E os filhos captam por osmose uma verdade fundamental da sua vida: “O pai e a mãe são aqueles que mais gostam de mim. Quando me educam, corrigem, animam e exigem, só querem o meu verdadeiro bem”.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 13 de julho de 2017

Ide, e anunciai que está próximo o Reino dos Céus. «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, lançai fora os demónios. Dai de graça o que de graça recebestes. Não leveis nos vossos cintos nem ouro, nem prata, nem dinheiro, nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão; porque o operário tem direito ao seu alimento. «Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, informai-vos de quem há nela digno de vos receber, e ficai aí até que vos retireis. Ao entrardes na casa, saudai-a, dizendo: “A paz seja nesta casa”. Se aquela casa for digna, descerá sobre ela a vossa paz; se não for digna, a vossa paz tornará para vós. Se não vos receberem nem ouvirem as vossas palavras, ao sair para fora daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que será menos punida no dia do juízo a terra de Sodoma e de Gomorra do que aquela cidade.

Mt 10, 7-15