N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Não te fias em nada de ti, e te fias em tudo de Deus

Nunca te tinhas sentido tão livre, libérrimo, como agora que a tua liberdade está tecida de amor e desprendimento, de segurança e insegurança, porque já não te fias em nada de ti, e te fias em tudo de Deus. (Sulco, 787)

O amor de Deus é ciumento; não fica satisfeito, se nos apresentarmos com condições no encontro marcado: espera com impaciência que nos entreguemos totalmente, que não guardemos no coração recantos escuros, onde o gozo e a alegria da graça e dos dons sobrenaturais não consigam chegar. Talvez pensem: responder sim a esse Amor exclusivo não é, porventura, perder a liberdade?

(…)Cada um de nós sabe por experiência que, algumas vezes, seguir Cristo Nosso Senhor implica dor e fadiga. Negar esta realidade significaria não se ter encontrado com Deus. A alma apaixonada sabe que essa dor é uma impressão passageira e bem depressa descobre que o seu peso é leve e a sua carga suave, porque Ele a leva às costas, tal como se abraçou ao madeiro quando estava em jogo a nossa felicidade eterna. Mas há homens que não entendem, que se revoltam contra o Criador – uma rebelião impotente, mesquinha, triste , que repetem cegamente a queixa inútil que o Salmo regista: Quebremos os seus laços! Para longe de nós o seu jugo. Resistem a realizar, com silêncio heróico, com naturalidade, sem brilho e sem lamentações, o trabalho duro de cada dia. Não compreendem que a Vontade divina, mesmo quando se apresenta com matizes de dor, de exigências que ferem, coincide exactamente com a liberdade, que só reside em Deus e nos seus desígnios.

São almas que fazem barricadas com a liberdade. A minha liberdade, a minha liberdade! Têm-na e não a seguem; olham-na e põem-na como um ídolo de barro dentro do seu entendimento mesquinho. É isso liberdade? Que aproveitam dessa riqueza sem um compromisso sério, que oriente toda a existência? Um tal comportamento opõe-se à categoria própria, à nobreza, da pessoa humana. Falta a rota, o caminho claro que oriente os seus passos na terra; essas almas  decerto já as encontraram, como eu depressa se deixarão arrastar pela vaidade pueril, pela presunção egoísta, pela sensualidade. (Amigos de Deus, 28–29)

São Josemaría Escrivá

CRUZ RASGADA NA PEDRA

Esta fotografia, tirada a semana passada no Castelo da Sortelha, fez-me lembrar a perseverança e o testemunho da fé.

“Rasgada” na pedra, ali está a Cruz de Cristo ao longo de tantas centenas de anos a afirmar a cristandade, o ser cristão, o dar testemunho de Cristo.

O meu coração não é de pedra, e por isso tantas vezes a cruz nele inscrita pelo amor de Cristo, é esquecida por mim próprio, e sobretudo, “esquece-se” o meu coração de dar testemunho desse mesmo amor.

Claro que não quero um coração de pedra, um coração que não sinta, nem se deixe mover pelo amor, mas quero sim um coração de carne, onde a Cruz de Cristo, prova constante do Seu eterno amor por mim, por nós, esteja “rasgada” de tal forma, que nunca eu a possa esquecer, e sobretudo que todos a possam ver como testemunho da fé e do amor que em mim o Senhor derramou, para mim, mas sobretudo para dar e me dar aos outros.

Marinha Grande, 7 de Agosto de 2017

Joaquim Mexia Alves

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Em Madrid celebra a festa da Transfiguração do Senhor. Aponta um acontecimento que lhe ocorre durante a Missa. Em 1947, explicará: “Naquele dia da Transfiguração, celebrando a Santa Missa no Patronato dos Doentes, num altar lateral, enquanto elevava a Hóstia, ouvi “outra voz” sem ruído de palavras.

Uma voz, como sempre, perfeita, clara: Et ego si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad me ipsum! (Jo 12, 32). E o conceito preciso: não no sentido em que a Escritura o diz: digo-to no sentido de que deveis pôr-me no alto de todas as actividades humanas; de que haja em todos os lugares do mundo cristãos com uma dedicação pessoal e libérrima, que sejam outros Cristos”.

Respeitar a liberdade de escolha dos filhos

São Josemaria aconselhava séria e carinhosamente aos pais, que eles mesmos se ocupassem de falar para os filhos sobre a origem da vida, utilizando exemplos inteligíveis. É também um grande horizonte para os casais aos que Deus não concedeu a descendência, para colaborar com seu exemplo e sua palavra em defesa da estupenda virtude da castidade.

Recordava que Deus chama a maior parte dos homens e mulheres ao estado matrimonial. Na preparação deste passo, um papel importante corresponde ao namoro. O Catecismo da Igreja Católica afirma que os filhos têm o direito e o dever de escolher a sua profissão e seu estado de vida, e acrescenta: «Devem assumir as novas responsabilidades numa relação de confiança com os seus pais, a quem pedirão e de quem de boa vontade receberão opiniões e conselhos. Os pais terão o cuidado de não condicionar os filhos, nem na escolha duma profissão, nem na escolha do cônjuge. Mas este dever de discrição não os proíbe, muito pelo contrário, de os ajudar com opiniões ponderadas, sobretudo quando tiverem em vista a fundação dum novo lar»[7].

O nosso Fundador recomendava que o tempo do namoro não se prolongasse muito: o lógico para chegar a conhecimento mútuo suficiente e comprovar a existência de um amor, que depois deverá crescer sempre mais. Enquanto isso, é preciso ater-se com temperança e domínio às exigências da lei de Deus.

Infelizmente, também neste campo estão difundidas ideias e comportamentos indevidos, que contrastam frontalmente com a lei natural e a lei divina positiva. O Papa Francisco, numa audiência, expunha há meses atrás alguns pontos do ensinamento tradicional da Igreja. Entre outros, recorda que a aliança de amor entre o homem e a mulher, aliança para a vida, não se improvisa, não se faz de um dia para outro. Não há o matrimónio rápido: é preciso trabalhar sobre o amor, é necessário caminhar. A aliança do amor do homem e da mulher aprende-se e aperfeiçoa-se [8]. E acrescenta com realismo: quem pretende tudo e imediatamente, depois também cede sobre tudo — e já — na primeira dificuldade (ou na primeira ocasião) [9].

Se os pais estiverem atentos ao desenvolvimento físico e espiritual dos filhos, poderão advertir com maior facilidade quando precisam de um conselho oportuno ou de uma orientação. Ao mesmo tempo, deverão reconhecer a possível e magnífica chamada de algum, para dedicar-se ao serviço de Deus e das almas no celibato apostólico. Quando os pais se assustam perante esta circunstância, e se opõe radicalmente a essa eleição, demonstram – pelo menos – que o espírito de Jesus Cristo penetrou pouco nas suas almas, que seu cristianismo é muito superficial. É lógico que considerem o assunto na presença de Deus e que, se tinham uma postura intransigente, mudem de atitude. Penso que só aqueles que amam o caminho do celibato, entenderão com mais profundidade a grandeza de um casamento limpo.

[7] Catecismo da Igreja Católica, n. 2230.
[8] Papa Francisco, Discurso na audiência geral, 27-V-2015.
[9] Ibid.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de agosto de 2015, excerto a partir do site do Opus Dei no Brasil com uma ligeiríssima adaptação)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

O compadre do Senhor Padre

Ou como se prova que, em princípio, a culpa é dos padres.

A verdade é que as coisas não vão nada bem, cá na paróquia. Quem o afirma é o Joaquim, compadre do falecido Padre Júlio. Filho de um dos principais homens da comarca, que em paz descanse, que foi anos a fio presidente da junta e mordomo das festas da freguesia, é pai do Micael, que teve por padrinho o falecido Padre Júlio, santo homem que Deus tem. Mas, desde que o Padre Paulo se fez cargo da paróquia, as coisas não têm corrido pelo melhor e, diga-se de passagem, não é por culpa dos paroquianos.

Logo de início, caiu mal aquela ideia do Padre Paulo não autorizar que, na procissão, saíssem os andores de Nossa Senhora da Saúde e o de Nossa Senhora dos Remédios. É verdade que sendo uma só e a mesma ‘santa’, a repetição das imagens seria excessiva, mas também é certo que a tradição vale muito e, quem começa por desrespeitar os usos locais, não se pode depois dar ao respeito. Sobretudo quando se trata de uma questão tão importante!

A seguir, foi o caso do sobrinho, o Quim, que, apesar de ser baptizado e ter feito a comunhão solene, que até os tios vieram da França, foi recusado para padrinho, só por não ter a Confirmação. Também é certo que não pratica e já vive com a namorada, a Soraia, que é muito boa moça e também anda a estudar para doutora no Politécnico. Mas, não há por aí tanta gente que até vai à comunhão e tem vidas bem piores?Além do mais, a Senhora Dona Maria da Luz, do solar da vila, foi madrinha, há um ror de tempo, de uma data de miúdos e, que se saiba, nunca foi crismada! Mas, claro, como era fidalga … Depois, é óbvio que os jovens deixam de ir à missa … Os padres queixam-se de que eles crescem e desaparecem, mas também é verdade que, com atitudes destas, não atraem ninguém. Que eu saiba, não é com vinagre que se caçam moscas!

Outro desaguisado ocorreu quando o novo pároco não presidiu ao funeral da tia Benvinda, uma mulher que nunca faltava às festas e ia muitas vezes a Fátima, para cumprir promessas. E até ia muito à igreja, embora fosse só à do Reino de Deus, que fica mesmo ao lado de casa, porque tinha que aprontar o comer para o ti Arlindo e não lhe dava jeito de espécie nenhuma ir à do Padre Paulo. Desde que o actual prior alterou o horário das missas, à conta das outras igrejas onde também tem serviço, a tia Benvinda nunca mais lá pôs os pés. Não por culpa dela, entenda-se, mas por causa destas novas manias dos padres, que pensam que sabem tudo e que podem fazer o que lhes apetece nas paróquias.

Também deu muito falatório na aldeia não ter aceite a Albertina para zeladora da capela de São Julião do Monte. Apesar de deitar as cartas, até é muito boa senhora e, às vezes, faz o favor de não levar nada. Além disso, nas suas encomendações das almas penadas, a Albertina da Ladeira, que é muito religiosa, inclui sempre missas para serem rezadas e novenas aos santos, para além de muita água benta, que nunca falta nas suas benzeduras. E a sua casa, de tantos santinhos e imagens piedosas, mais parece um santuário. É verdade que o Padre Paulo lhe tinha dito que não devia fazer aqueles trabalhos, mas a coitadinha nem faz por mal, mas apenas para aliviar os aflitos, que não têm quem lhes valha nestas situações. Não é que eu seja supersticioso, mas a verdade é que aquilo resulta, porque uma vez ela disse que o Senhor António já cá não estaria por muito tempo e, de facto, o homem finou-se uns anos depois, já velhote.

Não sou dado a comparações nem a intrigas, mas bom a valer era o meu compadre, o Padre Júlio, grande caçador e amigo de toda a gente. Quase todos os homens da terra eram seus colegas de jogatanas até altas horas e seus compadres, porque o escolhiam para padrinho dos filhos. É verdade que tinha a catequese um bocado desleixada e que em dias de caça não dizia a missa nem fazia funerais mas, fora isso, era uma pessoa sempre pronta a fazer a vontade do freguês e, verdade seja dita, tinha a igreja cheia.

Mas agora, com estas novidades todas, há quem se afaste… e, não me venham cá com histórias, porque a culpa é dos padres. Depois não digam que eu não avisei!

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in 'Observador' 07.08.2014 AQUI

A oração como arma

«A oração é, sem dúvida, a arma poderosíssima pela qual o Senhor nos dá a vitória contra todas as paixões malvadas e tentações infernais; mas esta oração deve fazer-se com espírito, isto é, não só verbalmente mas de coração. Deve, além disso, ser continua e em todas as circunstâncias da vida, porque assim como as batalhas são contínuas, assim há-de sê-lo também a oração (…).».

(Santo Afonso Maria de Ligório - Reflexões sobre a Paixão, cap. 9,3)

O Evangelho do dia 7 de agosto de 2017

Tendo Jesus ouvido isto, retirou-Se dali numa barca para um lugar solitário afastado; mas as turbas, tendo sabido isto, seguiram-n'O das cidades, a pé. Ao sair da barca, viu Jesus uma grande multidão, e teve compaixão e curou os seus enfermos. Ao cair da tarde, aproximaram-se d'Ele os discípulos, dizendo: «Este lugar é deserto e a hora é já adiantada; deixa ir esta gente, para que, indo às aldeias, compre de comer». Mas Jesus disse-lhes: «Não têm necessidade de ir; dai-lhes vós mesmos de comer». Responderam-Lhe: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Ele disse-lhes: «Trazeimos cá». E depois de ter mandado à multidão que se sentasse sobre a relva, tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, pronunciou a bênção e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão. Comeram todos, e saciaram-se; e recolheram doze cestos cheios dos bocados que sobejaram. Ora o número dos que tinham comido era de uns cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

Mt 14, 13-21